ÁREA DE ESTUDO
CAPÍTULO 3 CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO
3.3. Estrutura e controlo estrutural do relevo 1 Litologia
Embora a composição litológica seja relativamente homogénea, os aspectos geológicos (litologia e falhas) da freguesia de Pitões das Júnias estão descritos, na sua essência, na Notícia Explicativa da Folha 2-C (Tourém) da Carta Geológica de Portugal, na escala de 1:50 000, da autoria de Martins & Ribeiro (1979). Pereira (2002) elaborou um guia de campo sobre a geologia do trilho pedestre de Pitões das Júnias, facilitando a interpretação científica, in situ, de alguns aspectos geológicos locais.
Existem poucas referências bibliográficas sobre a geologia desta região. No entanto, alguns estudos efectuados desde meados da década de 60 fornecem valiosas informações sobre a geologia local. Mendes (1967-68) fez algumas determinações de idade absoluta (método Rb-Sr na rocha total) nos granitos da região (granito de Pitões - 298 Ma), sendo citado por Teixeira (1976) acerca de um gnaisse, provavelmente pré-câmbrico (562 Ma), entre Pitões das Júnias e Tourém; Martins et al. (1972) estudaram o processo de enrubescimento do granito do Gerês; Ribeiro (1978, 1979 e 1982) estudou, por diversas vezes, os afloramentos de granito na área de Pitões.
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Os dados relativos aos principais tipos de rocha existentes nesta região (granitos que se intruíram sob a forma de batólitos, massas e filões) indicam que ocorrem dois tipos principais de granitos, relacionados com a Orogenia Varisca (como descrito no Cap. 1), pelo que na freguesia de Pitões das Júnias e imediações (Martins & Ribeiro, 1979) temos: i) granitos sin-tectónicos intensamente cisalhados de grão médio, geralmente moscovíticos, constituídos pelo granitos de Tourém e de Parada; ii) granitos pós-tectónicos constituídos pelo granito do Gerês (o afloramento mais extenso do PNPG), com fácies de grão médio a grosseiro, biotíticos, mais ou menos porfiróides.
Foram cartografadas algumas massas de microgranitos de maiores dimensões com ±200m de extensão, a cerca de 2km a Oeste de Pitões das Júnias e na Fonte Fria, junto à fronteira, com fácies de grão fino, cor acinzentada e megacristais rosados (feldspato potássico) até cerca de 2cm (Moreira & Ribeiro, 1991). As rochas básicas são raras, ocorrendo apenas em filões e pequenas massas. No caso da freguesia de Pitões, existem algumas pequenas massas, a Norte da aldeia; os filões básicos encontram-se geralmente muito alterados e degradados, sendo quase todos tardios, embora 2km a SSW de Tourém tenham sido citados filões mais antigos metamorfizados (Ribeiro, 1978).
Encontram-se também alguns filões aplito-pegmatíticos com orientações N-S eNW-SE. No lugar de Ferranho, a Norte de Pitões, estes filões contêm berilo e estão encaixados em xistos pelíticos com porfiroblastos de granada até 5cm de diâmetro.
Os filões de quartzo e os filões pegmatíticos, na sua maior parte mineralizados, formam alinhamentos, por vezes extensos, aproveitando a intensa rede de fracturação. São relativamente abundantes no granito do Gerês, existindo também alguns afloramentos de quartzo branco (Pereira, 2002) como, por exemplo, junto à margem esquerda do Ribeiro de Campesinho, perto do muro que delimita os lameiros do Mosteiro de S. Maria das Júnias (granito de Parada).
Esta freguesia do Gerês é ainda atravessada por quatro falhas principais marcadas no mapa geológico, duas com orientação N-S (com alguma deformação), uma com orientação NE-SW (a noroeste da aldeia) e outra com orientação NW-SE (a Norte da Mourela) e por uma rede de falhas secundárias (prováveis), como se pode observar na fig. 3.7.
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Figura 3.7 - Mapa geológico simplificado da freguesia de Pitões das Júnias.
3.3.2. Tectónica
A tectónica patente na Serra do Gerês (e no sector ocidental da freguesia de Pitões) é, em grande parte, herdada das estruturas originadas no decorrer da orogenia varisca que afectou o território nacional durante o Paleozóico.
Os principais acidentes tectónicos que dominam a freguesia (fig. 3.6) correspondem a falhas orientadas segundo três direcções principais: NE-SW, N-S e NW-SE. As falhas de orientação N-S estão ainda representadas por acidentes que compartimentam a área da Serra do Gerês do Planalto da Mourela, estando alguns deles intruídos por filões de quartzo (ver fig. 3.7).
Com base nas falhas (certas e prováveis) e na sua representação nos diagramas polares, foi possível interpretar as seguintes famílias de lineamentos dominantes: N-S, NE-SW, NNE-SSW, WNW-ESE.
A base do gráfico polar da fig. 3.8 indica as orientações de todas as falhas da CGP (certas e prováveis), a azul escuro, com a sobreposição de todos os lineamentos interpretados, a azul claro, destacando-se a orientação N-S e WNW-ESSE.
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Figura 3.8 - Relevo sombreado e falhas geológicas (CGP) da freguesia de Pitões das Júnias com diagramas polares indicando a orientação dos lineamentos predominantes na freguesia.
3.3.3. Rede de fracturação local
A freguesia de Pitões, bem como a área de estudo, apresentam uma intensa fracturação dos granitos quer horizontal (rupturas sub-planares e convexas) quer vertical (fracturas sub-verticais e oblíquas).
A fig. 3.9 apresenta um mapa com todos os lineamentos verticais da freguesia de Pitões, foto-interpretados, com maior concentração neste sector da Serra do Gerês, ilustrando bem o grau de fracturação do granito do Gerês, visível tanto a nível das falhas da CGP como nos lineamentos interpretados.
Na área da Mourela a identificação dos lineamentos foi mais difícil de interpretar pois a alteração topográfica causada pela acção antrópica (actividade agro- pastoril, captações de água para os lameiros) torna complexo o seu reconhecimento.
A fig. 3.10 mostra o forte encaixe da rede drenagem na rede de fracturação sendo possível identificar linhas de fractura entre cabeceiras opostas de alguns cursos de água.
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Figura 3.9 - Mapa das falhas geológicas certas, prováveis e foto-interpretadas da freguesia de Pitões das Júnias, com diagrama de rosetas indicando a orientação dos lineamentos predominantes.
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