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ÁREA DE ESTUDO

E) Percursos pedestres / Itinerários geoturísticos

1.3. Formação e tipologia das formas de modelado granítico

1.3.1. Processos de formação do modelado granítico

Os processos subaéreos, desenvolvidos por agentes que modelam as microformas, correspondem a processos de meteorização química e mecânica através da acumulação de água na superfície do granito e nos diversos tipos de descontinuidades existentes na rocha (precipitação, gelo, neve), bem como das importantes amplitudes térmicas, resultando no Verão em processos de termoclastia e, no Inverno, em crioclastia.

A presença da água revela um papel fundamental, seja por hidrólise, hidratação ou funcionando como veículo para a propagação de seres vivos que, por sua vez, irão alterar as propriedades químicas do meio. É a água a principal responsável pela alteração do granito. A hidrólise dos materiais rochosos é uma reacção química, lenta e específica, em que os iões dos minerais reagem com os iões H+ e HO- da água, podendo levar à formação de novos e diferentes minerais ou à completa desintegração do mineral original. A alteração da composição química e mineralógica dos minerais constituintes do granito pode levar à formação de minerais novos ou de neoformação: feldspatos e micas normalmente originam minerais de argila (neogénicas).

Algumas formas condicionadas por falhas, como é o caso da cascata de Pitões (com orientação NW-SE), ilustram o papel erosivo que um pequeno curso de água pode representar na paisagem granítica. Já as turfeiras e os lameiros (relíquias de antigas comunidades higrófilas e turfeiras quaternárias) necessitam da presença permanente de água, estando o seu estado de conservação perfeitamente ligado ao topoclima continental frio e húmido da região. Embora a morfologia granítica se relacione com as condições climáticas existentes, presentemente considera-se a estrutura como o factor principal de controlo da génese das paisagens graníticas (Goudie, 2004).

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De facto, os granitos apresentam-se cortados por descontinuidades, podendo ser planares ou curvas, variando no comprimento, orientação e inclinação. Estas descontinuidades estão na origem do controlo dos processos geomórficos que operam nas paisagens graníticas. As massas de granito estão sujeitas a vários níveis de stress, ao longo da sua história evolutiva (stress compressivo, associado às características das colisões, stress distensivo, devido ao arrefecimento do magma ou despressurização da câmara magmática). Uma 'fractura' é entendida como qualquer descontinuidade que quebra a coerência de uma massa de rocha. As fracturas dividem-se em dois grupos principais: as sistemáticas (principais) e as não-sistemáticas (secundárias) como se observa na fig. 1.7 (Migon, 2006).

Figura 1.7  Modelo de fracturação presente nos granitos (adaptado Twidale, 1982).

A fracturação convexa domina, principalmente, nas formas em inselberg e

bornhardt, enquanto a fracturação ortogonal associada às diaclases (sub-vertical e sub-

horizontal) é típica nos tors (fig. 1.8), quer estejam isolados ou agrupados em forma acastelada (castlekoppie).

O relevo granítico é uma associação de formas (agradativas e degradativas), diferenciadas pelas suas diferentes dimensões em formas maiores e menores (Twidale, 1982). O conjunto de formas (complexidade de escala e processos) e de paisagens resultam da existência de uma frente de alteração e da interacção de processos de alteração e erosão, pelo que todos os relevos são poligénicos e policronológicos, tratando-se de relevos azonais e policlimáticos (Centeno, 2007).

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Figura 1.8  Esquema da evolução subaérea de formas graníticas (adaptado de Pedraza, 1996). A génese dos relevos graníticos tem duas fases: a) endógena - após a consolidação do magma, durante a qual as características essenciais da forma são "gravadas" na rocha, devido, principalmente, à deformação do batólito; b) exógena - na qual actuam os processos de alteração e erosão, atacando a rocha-mãe e expondo a sua estrutura.

As formas resultantes são conhecidas como formas primárias, definindo-se como polifásicas e endógenas. Por vezes, os processos geodinâmicos externos produzem

stress que excede a resistência da rocha-mãe (rack), podendo gerar, igualmente, formas

primárias, definidas como unifásicas ou exógenas. A acção da meteorização pode causar a destruição, total ou parcial, de todas estas formas primárias (Vidal-Romaní, 1990).

As rochas graníticas têm, entre as suas propriedades, uma alta resistência primária à erosão mecânica e muito baixa resistência secundária, devido à rede de fracturas ortogonais e curvas, apresentando uma permeabilidade primária muito baixa e uma secundária muito alta, causada por uma alteração diferencial muito desenvolvida (Centeno, 2007).

Para Twidale (1982), as macroformas (bornhardts, nubbins e castlekoppies) são formas de modelado granítico geneticamente relacionadas, sendo as duas últimas o resultado da meteorização marginal sub-superficial de formas dómicas destruídas (fig. 1.9).

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Figura 1.9  Esquema aplicado ao Sistema Central (Espanha) que mostra as formas mais comuns em paisagens graníticas e a relação com os seus factores genéticos (adaptado de Pedraza, 1996): A - torres graníticas; B1 e B2 - bornhardts; C - castlekoppies; D - nubbins; E -

tors e caos de blocos; F - blocos isolados.

A forma básica, os bornhardts (as medas, termo local para designar esta geoforma), são colinas em domo ou cónicas com a maior parte da sua superfície em rocha nua, devendo esta morfologia ao desenvolvimento de estruturas laminares (sheet

structure) que, como resultado da compressão lateral, se desenvolvem em maciços

compactos (característica estrutural) de rocha-mãe com poucas fracturas. A fracturação ortogonal é bem visível nos granitos preservados dos bornhardts, pois estes relevos residuais são delineados pela fracturação dominante vertical e sub-vertical. No entanto, o desenvolvimento dos bornhardts está também relacionado com a presença da fracturação planar arqueada e sobre-convexa (arcuate convex-upward sheeting joints) que determina tanto a forma dómica dos relevos residuais, como a forma das suas vertentes (fig. 1.10). A sua ocorrência é característica de paisagens multicíclicas ― reminisciências de paleoplanos preservados no relevo indicam fases antigas de mudança do nível de base com o consequente relativo soerguimento e incisão da rede de drenagem (Twidale, 1982).

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Os inselbergs, em domo (bornhardt) e acastelados (castlekoppie), desenvolvem-se em maciços rochosos que, não sendo isentos de fracturas, apresentam diaclases aliadas a fracturação ortogonal (castlekoppie) ou planar-convexa (bornhardt). A morfologia angular dos castlekoppies reflecte, sem dúvida, a intensa fracturação ortogonal e a bem desenvolvida exfoliação vertical e sub-vertical (fig. 1.11).

Figura 1.11  Diaclasamento e exfoliação subvertical (Vidoeiro).

As razões apontadas para estes relevos positivos resumem-se a quatro principais: falhas, controlo litológico, contrastes na densidade de fracturação e desenvolvimento multicíclico (Twidale, 1982).

Em relação à sua origem sub-superficial, existem provas de iniciação subsuperficial de formas menores e maiores, pois a exposição subaérea pode desencadear a destruição ou o reforço do desenvolvimento das formas.