ÁREA DE ESTUDO
E) Percursos pedestres / Itinerários geoturísticos
1.3. Formação e tipologia das formas de modelado granítico
1.3.2. Tipologia das formas de modelado granítico
Na região em estudo, as formas de modelado granítico encontram-se intensamente fracturadas, tanto por diaclases ortogonais como curvas e convexas, imprimindo um aspecto confuso à paisagem granítica. Dada a semelhança morfológica das geoformas da Serra do Gerês com o modelado granítico das serras da Galiza, foi utilizada a classificação de Vidal-Romaní (1989, 2004), aceite internacionalmente, para caracterizar o modelado granítico da área de investigação.
A proposta de classificação que se apresenta foi baseada nas dimensões das geoformas, embora se tenha utilizado o conceito de megaforma diferenciada (inselbergs e conjuntos de tors) e megaforma indiferenciada, de acordo com Vidal-Romaní (ob. cit.).
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No entanto, houve necessidade de introduzir uma classificação intermédia ― formas médias ou macroformas (decamétricas), pois existem geoformas, tais como lapas, pequenas grutas, blocos e tors isolados, com alguma dimensão (fig. 1.12).
Figura 1.12 Esboço esquemático das proporções aproximadas das formas graníticas (s/ escala). Em seguida, descreve-se, resumidamente, a classificação das geoformas utilizada neste trabalho em função da sua dimensão média:
Formas maiores ou Megaformas: - Indiferenciadas (< 1km); - Diferenciadas (hectométricas);
Formas intermédias ou Macroformas (decamétricas);
Formas menores ou Microformas (métricas ou sub-métricas).
A) Megaformas
Todas as características morfológicas das formas maiores são originárias de um processo em 2 fases (two-stage form), iniciado pela meteorização sub-superficial e, posteriormente, pela meteorização do relevo exposto, através de vários agentes como os glaciares, a actividade crionival ou o encaixe dos cursos de água.
Indiferenciadas
Na Serra do Gerês, algumas superfícies de aplanamento, pouco extensas, são exemplos de planura epigénica ou de desmantelamento erosivo desenvolvido sobre
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áreas graníticas que, por razões de limitação superficial dos afloramentos graníticos, só ocorrem como pequenos retalhos, coincidentes com as áreas glaciadas e periglaciadas, como acontece nas Serras de Queixa, Gerês-Xurés e Larouco (Vidal-Romaní, 1989). Diferenciadas e convexas
Às megaformas convexas atribui-se, genericamente, o nome de Inselberg (monte-ilha), que a literatura define como elevações montanhosas, dorsais ou alinhadas, destacando-se abruptamente das zonas semiplanas que as rodeiam, caracterizando-se pelas suas superfícies de rocha nua e ausência de depósitos na base.
As dimensões destas formas (bornhardts e castlekoppies) podem variar, respectivamente, entre as centenas e as dezenas de metros e são constituídas por um núcleo rochoso monolítico, com uma estrutura em "pseudo-camadas", paredes sub- verticais de rocha nua, envoltas por um rególito periférico. Apresentam-se alguns dos perfis topográficos mais comuns (foto-interpretados, a partir de fotografia) de domos mistos (fig. 1.13), pois na área estudada ocorrem, simultaneamente, na mesma forma, os dois tipos de inselberg (domos e conjuntos compactos de tors, dependendo da presença ou não de falhas verticais in situ):
Inselbergs dómicos (bornhardt) ou Medas
Caracterizam-se, tanto na Galiza (moa) como em Portugal (meda), por serem uma forma residual saliente e terem a superfície de rocha nua arredondada por diaclases curvas (Vidal-Romaní, 1989), embora na área de estudo não se encontre a forma "clássica" mas uma forma mista resultante da intensa fracturação do substrato rochoso.
Figura 1.13 Esboços de perfis topográficos das megaformas convexas identificadas. Utilizou-se a denominação de domo misto devido à presença de vertentes convexas (bornhardt) de um dos lados e formas acasteladas (castlekoppies) do outro lado ou no cume.
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Inselbergs de blocos (castlekoppies) ou Borrageiros
A destruição da forma básica do bornhardt, por hidrolisação nas diaclases, origina um relevo atravessado por sistemas de descontinuidades ortogonais, que lhe dá uma forma acastelada, sendo localmente denominado por borrageiro ou "castelo". É uma forma de relevo abundante na área de Pitões (Ferreira et al., 1990, 1999; Twidale & Vidal-Romaní, 2005), ocorrendo em zonas de grande densidade de fracturação e pode estar ainda associado a conjuntos de tors com dimensão de algumas centenas de metros (fig. 1.14).
Figura 1.14 Esboços de perfis topográficos das megaformas acasteladas (borrageiros).
Pitões (granite towers) e formas cónicas (acuminate forms)
Vidal-Romaní & Twidale (2005) referem a existência pontual (em Portugal) destes relevos residuais nalguns locais da freguesia de Pitões das Júnias, perto da fronteira galaico-portuguesa (Roca Sendeia, Carvalhosa, Fonte Fria). A forma em torre (fig. 1.15) deve-se, frequentemente, à acção do gelo ao longo das fracturas sub-verticais muito inclinadas. A erosão diferencial nas zonas de fracturas foi explorada pelo frio do Holoceno e pela acção da rede de drenagem que, em conjunto, contribuíram para o desmantelamento do substrato granítico, embora nalguns locais seja possível encontrar relevos de resistência ou de dureza: um bom exemplo são alguns locais limítrofes da freguesia ― S. João da Fraga e Roca Sendeia , alguns pontos dos Côtos de Fonte Fria e as Fragas da Carvalhosa e de Gralheiras.
Os vales com traçado rectilíneo reflectem as zonas de maior fracturação, sendo que as medas e os pitões também ocorrem alinhados em zonas de compressão (Brazalite-Carvalhosa, Brazalite-Gralheiras).
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Figura 1.15 Esboço topográfico de megaforma cónica (pitão).
B) Macroformas
Considerou-se introduzir esta subclasse (equivalente a uma mesoforma), embora faça parte da sequência morfológica do desmantelamento de formas maiores. Correspondem a formas inferiores a uma dezena de metros, tais como blocos e tors isolados, abrigos/lapas e grutas de meteorização (weathering caves).
Tors isolados
Embora este conceito seja um pouco confuso na literatura geomorfológica é empregue aqui para descrever formas convexas com desenvolvimento vertical que podem ocorrer isolados, em grupo ou associados com outras megaformas (fig. 1.16a). São frequentes em meios geomórficos com elevadas taxas de degradação erosiva em zonas continentais sujeitas a modelado periglaciário.
Blocos isolados
É a unidade mais pequena dentro das macroformas, definindo-se como consequência dos processos de desmantelamento dos maciços rochosos graníticos. As suas dimensões são muito variadas (entre 10 e meio metro de diâmetro, sendo este último o mais comum), apesar de serem sempre determinadas pela estrutura do maciço rochoso (fig. 1.16b).
Grutas de meteorização (weathering pit)
A alteração química da rocha, por acção da água e neve, desagrega internamente a rede de fracturação ortogonal originando pequenas reentrâncias horizontais (abrigos, lapas) e/ou "corredores de dissolução" (dissolution corridor) entre grandes massas de rocha fracturada ortogonalmente (conjunto de tors "encostados").
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Figura 1.16 Exemplos de algumas macroformas: a) tor; b) blocos arredondados.
C) Microformas
As microformas podem relacionar-se, nalguns casos, com a estrutura do substrato rochoso (foliação, diaclasamento, diferenciação mineral) e, noutros casos, corresponder ao(s) processo(s) geodinâmico(s) externo(s) que afectam a rocha (fig. 1.17).
Em geral, as causas do desenvolvimento de formas menores dizem respeito às irregularidades da frente de alteração (fracturas, diaclases pias, regueiros e caneluras), à circulação de água entre as fracturas (blocos e "bolas" ― case hardening), à pressão nos pontos de contacto entre blocos (peso e tectónica ― pias, taffoni) e à concentração de humidade nos bordos do afloramento (taffoni, abrigos, regueiros e caneluras). Foi utilizada a classificação de microformas de Vidal-Romaní (1989), descrevendo-se, sumariamente, algumas das formas que se podem encontrar na área de estudo (quadro I): as caneluras e regueiros nas vertentes inclinadas e, por vezes, em posição de abrigo; as pias e anéis de rocha são morfologicamente depressões circulares pouco profundas que se formam na intersecção de fracturas; os blocos pedunculados consistem em formas mais finas na base do que no topo; a pseudo-estratificação corresponde à ocorrência de fracturas sub-paralelas à superfície ou a alteração paralela aos planos de foliação.
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Figura 1.17 Exemplos de algumas microformas identificadas.
Quadro I Tabela de classificação de microformas (adaptado de Vidal-Romaní, 1989). O asterisco (*) significa que estas formas não foram identificadas neste estudo.
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CAPÍTULO 2 - METODOLOGIA
Neste capítulo enumeram-se os aspectos relativos à aquisição de dados, calibração de GPS (Global Positioning System), adaptação de fichas-inventário e metodologia de análise de dados.