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Estrutura e funcionamento da Escola Dominical

A Escola Dominical presente no Brasil desde o século XIX, procurou desenvolver capacidades de superação para atender diferentes públicos e necessidades. Com o avanço das tecnologias e com a complexidade social, precisou ao longo do tempo organizar uma estrutura semelhante a de uma escola secular. Sua estrutura e funcionamento requerem compreensão da forma escolar de ser. Pouca coisa se tem no presente a respeito da estrutura e funcionamento da ED. Inclusive em termos de literatura. As literaturas na atualidade geralmente com temas ligados a educação cristã na ED, tais como Socorro! Sou professor da Escola Dominical,

Socorro! Meus alunos sumiram, Primeiros passos para professores: introdução ao ensino da

267 TURRA, Clódia Maria G, Op. Cit., d. p. 34 268 Id. Ibid. p. 156.

Escola Dominical. Tem-se uma grande dificuldade para encontrar literatura a respeito da

estrutura e funcionamento da ED. Em termos de literatura metodista a melhor que se encontrou a respeito é o livro: Como organizar e dirigir uma Escola Dominical, de 1928. Outra literatura bastante completa a respeito é: A Escola Dominical: organização e

administração, de 1949.

Os anais da 8a convenção nacional de Escolas Dominicais, que ocorreu de 5 a 11 de julho de 1950, dá uma panorâmica da importância da Escola Dominical paras as igrejas protestantes. Estavam presentes as igrejas: Metodista, Presbiteriana, Presbiteriana Independente, Episcopal, Congregacional e Missão inter-americana. Entre preocupações pedagógicas, trabalho com crianças, adolescentes e adultos, também havia o interesse pela organização e funcionamento da Escola Dominical. Entre os convidados palestrantes se encontrava o rev. Rodolfo Anders, autor do livro A Escola Dominical: organização e

administração, acima citado.

Pesquisando na internet dois textos que falam a respeito a respeito da ED, chamam a atenção. O primeiro afirma que a ED para funcionar precisa de: uma Diretoria, de pastor, de um superintendente, de vice-superintendente ou vice-dirigente, de secretário, diretor de expansão, de Tesouraria e Biblioteca. Fala a respeito das atribuições da diretoria e das atribuições dos professores. Entretanto, não entra no mérito da estrutura e funcionamento. A segunda literatura trata do planejamento de espaço físico para a Escola Dominical.268

Especificamente para a sala de aula.

O que é necessário para o funcionamento de uma Escola Dominical? Considerando a obra de Rodolfo Anders, pode-se afirmar:

a organização e o programa de uma Escola Dominical brotam da sua responsabilidade. As atividades que constituem o seu funcionamento efetivo são determinadas pelas necessidades dos alunos, em relação a seus lares, ao seu meio ambiente educativo e social, às suas horas de lazer e outras circunstânc ias, e em face dos meios de que se possa lançar mão para consecução desses objetivos. 269 Um dos primeiros passos para organizar a estrutura da Escola Dominical é entender a realidade de que tendo ela estrutura de uma escola seu funcionamento se dá apenas no Domingo. Jesse L. Cuninggim e Eric M. North apontam que “talvez a maior limitação ao trabalho da escola seja a insuficiência do tempo ao seu dispor”.268 Pensado sobre a melhor

forma de trabalhar com os/as alunos na ED, sua estrutura e funcionamento deve m levar em

consideração o pouco tempo disponível para o labor docente. Aparelhar o máximo possível para render mais em menos tempo. Além de tornar a sala de aula aprazível. Enquanto a escola secular mantém alunos e alunas por cinco horas em cinco dias por semana, a Escola Dominical tem uma hora aula por semana, em média.

As novas tecnologias podem contribuir de maneira significativa para melhorar o desempenho da ED.270 Sabe-se que a maioria das Igreja Locais, não tem acesso às novas tecnologias por não dispor de condições para tal, isso não significa que não há nenhuma outra possibilidade. Lousa, giz, canetões, retroprojetor, são tecnologias possíveis, que devem ser consideradas para o funcionamento adequado para a sala de aula. Tudo o que estiver ao alcance para melhorar o desempenho do/a aluno/a e do/a professor/a. É importante, para organizar a estrutura e o funcionamento, prever e prover situações e materiais necessários. As situações compreendem as várias atividades a serem desenvolvidas, tais como: aulas, pesquisas, dramatizações, reuniões com adolescentes, acampamentos dos participantes da sala de aula, projetos de ações, etc. E os materiais necessários para todas as atividades previstas.

a) O/a superintendente

É a pessoa encarregada de dirigir o processo educativo e ao mesmo tempo agilizar o grupo de professores/as. De acordo com Anders “não é essencial que tenha conhecimentos técnicos de organização e direção”,271 todavia se for pessoa da área de educação ou de área que tenha a organização de espaços físicos e de recursos humanos conseguirá um melhor resultado na organização da ED. Claudionor Corrêa de Andrade afirma que a palavra “superintendente é originária do latim, e significa aquele que superintende”,272 em outras palavras, a pessoa encarregada de dirigir, de inspecionar, de administrar. Sua função é manter a estrutura organizacional da ED. Este deve se ocupar da manutenção e compra de materiais didáticos, de uso de professores/as tais como: lousa, giz, canetões, papeis, cartolinas, tesouras, entre outros. Contudo, deve também preparar e dirigir reuniões de professores/as, ouvir suas preocupações, discutir métodos e abordagens de educação, processo de ensino-aprendizagem, angústias e dificuldades.

270 Consultar a excelente obra de: PONCHO, Cláudia Lopes, Tecnologia educacional: descubra suas

possibilidades na sala de aula, Petrópolis, Vozes, 2003. 119 páginas. Em dois capítulos o livro trata de

tecnologias independentes e dependentes. A primeira trata de tecnologias bastante conhecidas e largamente difundidas, tais como: Álbum seriado, Blocão, Cartaz, Estudo dirigido, Flanelógrafo, Gráficos e Mapas, etc. O segundo trata de Computador, Internet, Fita de vídeo, Cd, Dvd, Vídeo-conferência, entre outros.

271 ANDERS, Rodolfo, op. cit., p. 43.

272 ANDRADE, Claudionor Correa de, Manual do superintendente da Escola Dominical, Rio de Janeiro, CPAD,

Gérald Lefebvre, afirma: “vivemos numa sociedade cada vez mais organizada”.273 Não podemos mais fazer as coisas relativas à vida privada ou a vida social de qualquer maneira. Há necessidade de racionalizar as forma de atuação na vida. Para trabalhar melhor dentro da ED precisa o/a superintendente se estruturar. A Igreja Metodista em sua estrutura, no modelo de grupos societários e da ED consegue repartir responsabilidades. Contudo, na prática nem sempre isso acontece. No entendimento de Lefebvre, “... isto equivale a dizer que temos necessidade de uma estrutura de direção com uma divisão precisa de responsabilidade”.274

O/a superintendente ao preparar a reunião pode: Antes da reunião:

• Cuidar da convocação para reunião. – Toda reunião deve ser marcada com antecedência. Sempre que possível marcar na reunião anterior. Pode-se convocar por telefone, mala direta, e-mail.

• Antecipar – A reunião deve ter uma pauta. Sempre que possível ser entregue com antecedência.

• Preparar a reunião – preparar a reunião em todos os níveis, desde materiais (lousa, lápis, canetas, blocos de notas, materiais audiovisual, números de cadeiras etc.) até o ambiente afetivo, isto é, receber os/as professores/as com cordialidade, simpatia e amor.

A reunião:

• Ser pontual – o tempo dos outros não é menos importante que o nosso. Começar sempre no horário; não apressar para acabar mais cedo.

• Escutar sem interromper. Sempre que se atalha ou interrompe uma fala, não apenas não avançamos, como também pode gerar conflitos.

• Escutar com simpatia. Mesmo quando não estamos de acordo, devemos deixar falar para que conclua a idéia. Escutar pode ampliar idéias.

• Refletir antes de falar. Não se deve falar sem antes ter avaliado o que vai se falar.

273 LEVEBVRE, Gérald. Saber organizar, saber decidir. São Paulo. Loyola. 1982. p. 13. 274 Ibid., p. 14.

Modelos de reunião

• Reunião de informação – É a reunião ond e o ponto principal é expor idéias para o conhecimento do grupo. Sua função é informar, dar conhecimento. Não inclui

excessiva complexidade de formulação e desenvolvimento.

• Reunião para gerar idéias – O motivo principal é gerar idéias (explosão de idéias). É dar lugar a criatividade. Gerar idéias sem preocupação de avaliar; a criatividade é o ponto principal.

• Reunião de coordenação – Momento chave de toda a equipe. Momento de decisões, de avaliações, de discussões para preparar, decidir os caminhos a serem tomados.

• Reunião para resolução de problemas – Os conflitos devem ser resolvidos, para tanto, este tipo de reunião se encaixa (como uma luva), pois os conflitos surgem e devem ser resolvidos.

Forma de dirigir uma reunião275

Autoritário – características: controle restrito por parte do “chefe” do grupo; dá ordens; passa o mínimo possível de informações; exame premeditado do trabalho de

275 CONTRERAS, Juan Manuel. Como trabalhar em grupo. São Paulo. Paulus. 1999. p. 93-96. Escutar

Superintendente

Dialogar Avaliar

equipe. Repercussões: começa bem, depois passa a uma grande queda de rendimento; prevalece a vontade do “eu” sobre o “nós”; o grupo se desfaz com facilidade.

Deixe fazer (laissez-faire) – características: o líder deixa que tudo aconteça. Parte do pressuposto que o grupo tem capacidade de se autodirigir; os membros do grupo têm que encontrar as soluções por si mesmos. Por detrás dessa liberdade de movimento se esconde uma grande indiferença do líder. Repercussões: desconcerto e insegurança do grupo; os/as participantes se vêem “desamparados”; o desenvolvimento do grupo não é homogêneo, mas muito instável, com várias lideranças.

Democrático – característica: o/a líder do grupo conserva a direção, cria

independência de movimento para os demais membros do grupo, propicia acordo; observa os processos dinâmicos do grupo, as tensões, as retratações, as rejeições, e procura impelir os membros do grupo a uma colaboração ativa. Repercussões: surge o sentimento de “nós” (inclusão); há oportunidade de falar no grupo; o grupo cresce e perdura, mesmo quando o/a líder não está presente; o grupo é consistente e enfrenta seus conflitos.

O/a superintendente precisa “conhecer bem o movimento geral de educação religiosa, ter vistas largas para compreender o alcance de qualquer iniciativa”276 conclui Anders. Contudo, deve ter outros dons como simpatia, amizade, companheirismo entre outros. Necessariamente deve gostar do ambiente da ED, ser entusiasta da educação e ser “um/a estudante” da Bíblia.

b) Professores/as

Para ser professor/a da ED não basta sê-lo na vida secular, é necessário dominar certos conteúdos pertinentes à educação cristã e à Bíblia. Deve ter um mínimo de capacitação para tratar com competência os alunos/as de sua classe. Deve saber como dirigir a aula em função do tempo. Por outro lado, também deve ser assíduo, chegando cedo para participar da abertura, pois, isso serve de exemplo a seus alunos/as.

Ser cordial é uma virtude. Portanto, durante a aula estar atento ao que alunos/as querem saber, tirar dúvidas, discutir o tema do dia com simpatia. Preparar-se com antecedência e ter domínio da lição é boa opção metodológica. Ler os textos bíblicos, as considerações da revista do professor ajuda no plano de aula. Quando o assunto não for da

revista, preparar o estudo com bastante antecedência, consultando dicionários, dicionários bíblicos, comentários etc.

A respeito do/a professor/a trataremos com mais profundidade no terceiro capítulo.

c) O aparelhamento

A ED deve ter uma estrutura capaz de suprir suas necessidades, significa que o espaço físico deve estar de acordo com os padrões de uma escola. O prédio deve estar mobiliado com salas de aula, espaço para recreação de crianças, local onde possa funcionar uma pequena biblioteca, sala com televisão, aparelho de vídeo, cd, dvd, retroprojetor. Coisas mínimas para seu funcionamento.

A literatura deverá estar de acordo com as normas da Igreja Metodista e com as necessidades de cada classe. A sala de aula deve ter espaço suficiente para abrigar o número de alunos/as, cadeiras e ou carteiras, lousa, lousa branca, giz, canetões, mapas bíblicos etc. Deve ser arejada, pintada, com um piso bom. Questões importantes para que tanto alunos/as como professores/as se sintam bem.

CAPÍTULO 3

EDUCAÇÃO PARA A AUTONOMIA

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