Para a Morfologia, a palavra seria o elemento em que se concretizam as categorias morfológicas, como as palavras derivadas (CAMILO, 2013). Diante disso, a criança age intuitivamente procurando padrões sintáticos e morfológicos na cadeia sonora, provenientes
2The declarative and procedural memory systems interact in a number of ways. Together, the systems form a dynamically interacting network that yields both cooperative and competitive learning and processing, such that memory functions may be optimized (Poldrack and Packard 2003; Ullman 2004). First of all, the two systems can interact cooperatively to learn a given task (Willingham 1998). The declarative memory system may acquire knowledge early, thanks to its rapid learning abilities, while the procedural system gradually learns the same or analogous knowledge (Packard and McGaugh 1996; Poldrack and Packard 2003). Interestingly, the time-course of the learning in and eventual dependence on the two memory systems can be modulated pharmacologically (Packard 1999). Second, animal and human studies suggest that the two systems also interact competitively (for reviews, see Packard and Knowlton 2002; Poldrack and Packard 2003; Ullman 2004). This leads to a “see-saw effect” (Ullman 2004), such that a dysfunction of one system results in enhanced learning in the other, or that learning in one system depresses the functionality of the other.
da fala de um adulto que, por sua vez, estão ligados ao léxico tomado como input / estímulo disparado a essa criança.
Desta forma, falar de léxico é remeter-se a uma representação abstrata (VILLALVA ET AL, 2014).
De acordo com Ferrari-Neto (2014, p. 15)
O léxico é um componente da gramática que contém todas as informações - fonológicas, morfológicas, semânticas e sintáticas - que os falantes sabem sobre as palavras e \ ou morfemas de sua língua. Do ponto de vista psicolingüístico, é denominado léxico mental e corresponde a um repertório de conhecimentos declarativos sobre as palavras de uma língua. Podem também apresentar informações pragmáticas e estilísticas sobre os itens lexicais e nem todos os itens lexicais formam entradas no léxico e deixa clara a diferença entre Derivação e Flexão. Estas decorrem de entradas lexicais diferentes, e, consequentemente, sofrem armazenamento diferente.
Este autor também destaca que na teoria gerativa, o léxico é tudo aquilo que não pode ser gerado por regras. Partindo disso, verifica-se que as palavras distribuem-se nas categorias: simples e complexas. A primeira caracteriza-se pela presença, principalmente, de radical como constituinte nuclear de sua estrutura e a segunda, para além do Radical, averíguam-se os prefixos e sufixos, e como diz Villalva et al (2014), os sufixos são constituintes habitualmente chamados de derivacionais e são predicadores morfológicos que desempenham uma função gramatical, nomeadamente núcleo, podendo acionar complemento ou não, ainda que denominado predicador.
Neste caso, Marin (1992) aponta que a derivação implica criar novas palavras, causando uma mudança na categoria sintática e a armazenagem das palavras no léxico mental dirige-se ao caule de muitas palavras, usando regras de morfologia para construir formas complexas, quando necessário, ou seja, palavras complexas são despojadas e o acesso lexical é alcançado por uma pesquisa no restante da palavra. Quando o caule não é encontrado, a pesquisa pela palavra inteira ocorre como último recurso.
Villalva et al (2014) destacam que os sufixos derivacionais, também chamados de predicadores, definem as propriedades morfossintáticas das palavras derivadas e eles podem formar substantivo (padeiro), adjetivo (traumático), verbo (Cortejar) e Advérbio (claramente). Com isso, levando-se em conta essas considerações, para pesquisa em voga foram utilizados os sufixos derivacionais formadores de substantivos (eiro \ eira). Portanto, como retrata Juffs (2010), a palavra complexa é representada no léxico pelo seu tronco, pois no tronco existem
as informações concernentes sobre o melhor afixo e o reconhecimento de uma palavra complexa implica a decomposição pré-subjetiva ou remoção de afixos e acesso a representação por meio do tronco. Portanto, a decomposição ocorre antes do acesso lexical e é um processo automático e indiscriminado.
Segundo cf. Levelt, Roelofs & Meyer in Ferrari-Neto (2014), a produção das palavras é concebida como sendo composta de estágios, no qual cada estágio produz suas próprias representações de resposta (output representations). Essas representações são: conceitos lexicais, lemas, morfemas e palavras fonológicas e os phonetic gestural scores.
Figura 1- Esboço da preparação de uma palavra e como ela prossegue através de estágios de preparação conceitual, seleção lexical, codificação morfológica e fonológica e codificação fonética antes da articulação
poder ser iniciada. Fonte: A Theory of lexical access in speech production – http://www.socsci.ru.nl/ardiroel/BBS1999.pdf
Cf. Levelt, Roelofs & Meyer in Ferrari-Neto (2014, p.33) destacam que
Os estágios sugeridos por Levelt, Roelofs & Meyer (1999) são os seguintes: a) Preparação perceptual: corresponde à ativação de conceitos lexicais de acordo com as intenções comunicativas do falante em um ato de fala (speech act) específico. b) Seleção Lexical: corresponde à recuperação dos lemas no léxico mental, dados os conceitos a serem expressos. Um conceito lexical ativado espalha sua ativação aos lemas correspondentes, sendo a seleção de lemas um mecanismo estatístico que favorece a escolha do lema com maior nível de ativação. c) Codificação Morfofonológica: corresponde à etapa em que os traços fonológicos e morfológicos são processados de modo a deles resultar a estrutura morfológica da palavra, bem como seu contorno segmental. d) Codificação Fonética: corresponde ao momento em que as representações fonológicas abstratas são convertidas em informações passíveis de serem interpretadas por sistemas articulatório-perceptuais, possibilitando, assim, a sua articulação e produção sonora.
Para tanto, Juffs (2010) menciona que o processamento é pensado para ocorrer nos primeiros estágios da palavra, antes da aplicação explícita de ideias.
Diante disso, o léxico do falante, também chamado de léxico mental, corresponde a um repositório de conhecimentos declarativos sobre as palavras de uma língua, o que depende do repertório lexical a que é exposto e das experiências linguísticas de cada um (FERRARI NETO, 2014).
Corroborando a esse fato, foi com o advento das novas perspectivas de estudo para a linguagem, partindo da interação entre disciplinas que estudam a mente e cérebro do indivíduo, que novos estudos sobre a memória e suas relações com o desempenho linguístico foram surgindo.
Diante do exposto, descobriu-se que múltiplos sistemas de memória, funcional e biologicamente distintos no cérebro, suportam funções e processamentos tanto linguísticos como não linguísticos. Nesse contexto, estudos acerca dos sistemas de memória pontuaram conhecimentos sobre os sistemas de memória, declarativo e procedimental (WALENSKI ET AL., 2007).
Para Ullman (2003), o sistema de memória declarativo relaciona-se ao léxico mental e corrobora com a aprendizagem, representação e uso de conhecimentos sobre fatos e episódios. Partindo disso, Walenski et al. (2007) reitera que a memória declarativa é particularmente importante para o contexto associativo e vinculação de informações arbitrariamente relacionadas permitindo o rápido aprendizado, bem como novas associações. Portanto, o aprendizado nesse sistema é recuperado de forma explícita e consciente. O autor ainda destaca que as estruturas cerebrais envolvidas são o hipocampo e estruturas circulares
do lobo temporal médio. Estes têm relações com as regiões neocorticais temporais e parietais. Regiões estas que o conhecimento declarativo correlaciona-se em boa parte.
Somando aos aspectos acima, estudos em morfologia inflexória relatados por Walenski et al., (2005) apontaram que a memorização de formas tão complexas ainda deixam icógnitas, pois a dependência memorizada em relação a representações calculadas parece depender de múltiplos itens, tarefas e fatores específicos do assunto; o que inclui a frequência de uso das formas.
Sendo assim, não fica claro até que ponto essa generalização associativa, intrincada ao sistema de memória declarativa, também pode sustentar a criação de outras formas complexas.
Em contrapartida ao Sistema de memória declarativa, Ullman (2008) aborda a memória procedimental e menciona que esta possui um aprendizado mais lento e responsabiliza-se pelo controle motor e habilidades cognitivas ou hábitos, podendo também ser, particularmente, importante para adquirir e realizar habilidades envolvendo sequências.
As atividades, na memória procedimental, geralmente se aplicam rapidamente e automaticamente. Este é considerado um sistema de memória "implícito", uma vez que o conhecimento procedimental aprendido não parece estar disponível para o acesso consciente, como na memória declarativa (WALENSKI ET AL., 2005).
O sistema de memória processual é especialmente dependente dos circuitos dos gânglios frontais / basais, particularmente do núcleo caudado nos gânglios da base, e do córtex pré-motor e associado (incluindo a porção posterior da área de Broca, correspondente à pars opercularis ou área de Brodmann 44). lobos frontais (Graybiel 1995; Eichenbaum e Cohen 2001; Ullman 2004). O sistema também envolve outras áreas do cérebro, incluindo porções do córtex parietal temporal e inferior superior. (WALENSKI et al., 2005, p. 337, tradução nossa) [3]
Desta forma, o sistema de memória 3procedimental envolve-se necessariamente com partes dos circuitos do gânglio basal / frontal, área pré-motora e associada ao córtex e que comprometimentos nessa área cerebral podem influir significativamente nos mecanismos de funcionamento desse sistema de memória mencionado.
3The procedural memory system is especially dependent upon frontal/basal ganglia circuits, particularly the caudate nucleus in the basal ganglia, and premotor and associated cortex (including the posterior portion of Broca’s area, corresponding to the pars opercularis, or Brodmann’s area 44) in the frontal lobes (Graybiel 1995; Eichenbaum and Cohen 2001; Ullman 2004). The system also involves other areas of the brain, including portions of superior temporal and inferior parietal cortex.
Figura 2 –Área de Broca e Lobo Frontal (áreas correspondentes ao Sistema de Memória Procedimental). Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/lobos-cerebrais-fernado-nicolau-virtuous-poet
Figura 3 –Hipocampo e Lobo Temporal (áreas correspondentes ao Sistema de Memória Declarativa) Fonte: http://neuropsicopedagogianasaladeaula.blogspot.com.br/2012/09/memoria-e-aprendizagem.htm
Somado a esses aspectos estruturais, tem-se o neurotransmissor dopamina que desempenha um papel particularmente importante em aspectos de aprendizado e processamento procedimental.
Quanto à linguagem, o sistema procedimental está ligado à gramática mental, o que corresponde à aquisição, conhecimento e aprendizado de aspectos gramaticais. Diante disso, esse sistema se preocupa com a combinação por regras em relação aos morfemas, palavras e frases em unidades complexas. Portanto, é feita uma distinção entre computação morfológica e sintática. Em vez, de composição nesses subdomínios (e potencialmente outros, incluindo fonologia e semântica composicional). Contudo, esta perspectiva neurocognitiva não nega a possibilidade de segregação funcional entre esses subdomínios, como tem sido postulado em várias outras postulações linguísticas.
Entretanto, o que diferencia estes dois sistemas de memória é que o sistema declarativo lida com o aprendizado, representação e uso dos conhecimentos lexicais armazenados. Já o sistema procedimental, manipula os itens lexicais e seus traços morfossintáticos e categoriais. Tudo isso de tal forma que os combina em estruturas complexas e é através dessa combinação que os significados direcionam-se às palavras formadas.
A seção a seguir trata especificamente do autismo, bem como suas caracterizações linguístico-cognitivas, e sua relação com o modelo declarativo \ procedimental.