6. CONTROLO DA ESTRONGILIDOSE EM ASININOS
7.3. Técnicas parasitológicas
7.3.2. Contaminação por estrongilídeos no ambiente
7.3.2.2. Estudo quantitativo da contaminação dos estábulos
A contaminação do meio ambiente, e permanência de ovos e larvas de parasitas no estábulo, pode constituir um importante fator de risco para a infeção dos equídeos estabulados (Uhlinger, 1991; Madeira de Carvalho, 2001; Döpfer et al., 2004).
7.3.2.2.1. Método de amostragem e colheita
A amostragem das camas do estábulo e do alimento das manjedouras deverá ser metódica e sistemática de forma a permitir a recolha de uma amostra representativa (Purvis, 1984; Fazendeiro, 1989). A palha deve ser colhida em diversos pontos das camas, em camadas mais superficiais e profundas, e em várias localizações do estábulo (Madeira de Carvalho, 2001). Segundo Fazendeiro (1989), para que não haja sobreposição, as amostras devem ser colhidas em cinco zonas diferentes da cama.
Segundo Madeira de Carvalho (2001), o procedimento de amostragem do alimento, palha ou feno da manjedoura, realiza-se de forma idêntica ao da cama do estábulo.
7.3.2.2.2. Determinação do nivel de contaminação das camas e da alimentação
Fazendeiro (1989) refere uma modificação da técnica de McMaster adaptada às amostras da cama ou alimento de animais estabulados. Segundo a autora, a suspensão de seis gramas de palha ou feno, em 54 mililitros de solução saturada de açúcar permite uma sensibilidade de 20 ovos por grama de conteúdo da cama ou alimento.
89 III. TRABALHO EXPERIMENTAL
Estudo epidemiológico do parasitismo por estrongilídeos em asininos da Raça de Miranda
1. INTRODUÇÃO
Os asininos (Equus asinus) da Raça de Miranda, são criados em explorações tradicionais de minifúndio do tipo familiar, do Planalto Mirandês e Parque Natural do Douro Internacional. Estes animais encontram-se frequentemente estabulados em comunidade com os restantes animais domésticos como bovinos, ovinos e galináceos, sendo utilizados nas principais atividades agropecuárias tradicionais. Esta população de asininos encontra-se também associada a múltiplos projetos de recuperação da Raça Asinina de Miranda, desenvolvidos pela Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA). Sendo frequente a utilização destes animais em atividades lúdicas e de lazer relacionadas com a preservação dos recursos ecológicos, culturais e sociais dos concelhos de Bragança, Miranda do Douro, Vimioso e Mogadouro.
A problemática do desaparecimento dos asininos em Portugal tem vindo a despertar, nos últimos anos, o interesse pelo estudo do seu parasitismo no entanto, são raros os estudos parasitológicos em asininos, não se conhecendo a importância clínica e epidemiológica das parasitoses intestinais por estrongilídeos nestes hospedeiros. Entre 2005 e 2008, período anterior à data do início deste trabalho, foram realizados estudos parasitológicos que revelaram a ocorrência de um parasitismo caracterizado por cargas parasitárias e biodiversidade elevadas, associado a um potencial patogénico elevado nos asininos criados em explorações tradicionais do Planalto Mirandês. Em julho de 2005, o primeiro estudo parasitológico realizado neste grupo de animais revelou uma prevalência de infecção por estrongilídeos intestinais de 87,0% (110/127) em que 70,9% dos asininos parasitados eliminavam valores superiores a 1000 OPG, dos quais 14,5% intensamente parasitados eliminavam valores superiores a 5000 OPG. Durante os anos de 2006 a 2008 foi realizado o controlo antiparasitário estratégico com administração regular e periódica de ivermectina a 2% (1ml/50Kg PV), duas vezes por ano durante as estações de outono e primavera. Em fevereiro de 2008 foi observada uma prevalência de infeção de apenas 38,8% (33/85) em que 81,8% dos asininos parasitados apresentaram eliminação inferior a 1000 OPG, e apenas 18,2% apresentaram uma eliminação superior a 1000 e inferior a 2500 OPG (Sousa et al., 2008).
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Estudos revelaram prevalências de infeções por estrongilídeos intestinais em cerca de 38% dos asininos sujeitos a controlo antiparasitário estratégico centrado na administração semestral de ivermectina ao longo de quatro anos, entre 2005 e 2008, evidenciando uma diminuição da biodiversidade parasitária associada a um aumento da prevalência de infeção por ciatostomíneos, de 85,2% para 100% (Sousa & Madeira de Carvalho, 2009) assim como em outros locais do país (Gomes et al., 2006, 2007) e um pouco por todo o mundo (Tsegaye & Chala, 2015; Sheferaw & Alemu, 2015).
Considerando o estatuto parasitológico dos animais da Raça Asinina de Miranda, observado até 2008, e tendo em conta o efeito negativo que o parasitismo por estrongilídeos pode exercer na saúde e bem-estar, assim como na sua capacidade reprodutora, foi proposta a realização deste trabalho que pretendeu observar a infeção parasitária natural deste núcleo de animais tão importantes no desenvolvimento de programas de recuperação e reprodução da Raça de Miranda, no solar da raça. Assim, com este trabalho pretende-se observar o estatuto parasitológico dos animais da Raça Asinina de Miranda de forma a contribuir para um melhor conhecimento do parasitismo intestinal envolvido, em particular os estrongilídeos, e da adoção de medidas terapêuticas adequadas, contribuindo para o desenvolvimento de programas de recuperação da única raça asinina autóctone registada e reconhecida em Portugal.
2. OBJETIVOS
Com o objetivo global de avaliar a dinâmica do parasitismo por estrongilídeos gastrintestinais de asininos da Raça de Miranda no Planalto Mirandês sujeitos a um controlo anti-helmíntico seletivo, os objetivos deste trabalho consistiram em:
1. Elaborar inquéritos epidemiológicos com a finalidade de caracterizar a população hospedeira em estudo, assim como a exploração agropecuária envolvida.
2. Alterar o controlo anti-helmíntico estratégico para controlo anti-helmíntico seletivo. 3. Avaliar o parasitismo por estrongilídeos parasitas gastrointestinais de asininos: 3.1. Determinar a taxa de prevalência de infeção parasitária.
3.2. Determinar o nível de infeção parasitária dos animais. 3.2. Avaliar a biodiversidade parasitária.
4. Estudar a contaminação ambiental por estrongilídeos:
4.1. Prevalência e biodiversidade de larvas infetantes de estrongilídeos na pastagem. 4.2. Abundância de estrongilídeos na palha e alimento do estábulo.
91 3. DESENHO EXPERIMENTAL
O período de realização deste estudo decorreu entre dezembro de 2009 e setembro de 2014. Foi realizado um estudo observacional longitudinal que decorreu de acordo com a calendarização esquematizada na Figura 9. Ao longo de 60 meses, com intervalos trimestrais, foi realizada a colheita de material biológico e efetuado o respetivo processamento laboratorial. No final de cada ano procedeu-se à compilação de dados, análise e discussão dos resultados.
Figura 9 - Calendarização do trabalho experimental (período de tempo dividido em três meses). 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Inquéritos epidemiológicos Estrongilídeos intestinais Estrongilídeos no ambiente Compilação e análise de dados 4. MATERIAL E MÉTODOS
De forma a concretizar os objetivos propostos, foi necessário recorrer a diversas fontes de informação.
O Quadro 5 apresenta as fontes de informação utilizadas para a realização do estudo assim como os métodos utilizados na sua recolha.
Quadro 5 - Fontes de dados, métodos de recolha e de registo.
Fontes de dados Método de recolha Registo dos dados
AEPGA Questionário Inquérito (Anexo I)
Base de dados Microsft Office - Excel AEPGA
(animais)
Amostras biológicas Processo Individual
Base de dados Microsft Office - Excel IPMA Dados meteorológicos Base de dados Microsft Office - Excel
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Considerou-se como a população alvo do estudo, os asininos da Raça de Miranda residentes nos centros de recuperação da raça da Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino (AEPGA). A realização dos inquéritos visou a caracterização da população estudada. Além disso, ao longo do período de estudo, e com uma periodicidade de trimestral, foram colhidas amostras biológicas individuais que após transportadas para o laboratório foram processadas de forma a permitir a concretização dos objetivos estipulados para o presente estudo.