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Masc (%) Idade (média) Relação Marital (%) Empreg (%) História familiar problem álcool (%) Uso outras drogas (%) a) Tratam prévio (%) e) Consumo médio álcool (gramas/ dia) b) Anos consum álcool c2)3)4) Idade início depend c1) Dias abstinênc. antes do tratament (intervalo ou média) McLellan et al. (1994) f) 95% 43 anos 30% g1) 81% h1) - - - - 19 anos c4) - - Ellis e McClure (1992) 47% 43 anos 70% g1) 68% h1) 45% - - 333 g/d - - 12 Neves Cardoso et al. (2006) 84% 42 anos 54% g1) - 53% 24% - 128 g/d - - -

a) Uso de cannabis, heroína, cocaína, anfetaminas, ecstazy, sedativos e benzodiazepinas antes do tratamento

b) Quando os resultados foram apresentados com o número de bebidas padrão por dia, assumiu-se 10 gramas de etanol por unidade de modo a uniformizar os resultados

c1) idade de início da dependência de álcool, c1.1) idade de início de consumo pesado regular c2) duração em anos do uso de álcool

c3) duração em anos da dependência de álcool, c3.1) duração em anos do consumo pesado regular c4) tempo em anos desde o início de problemas ligados ao álcool

d) Consumo estimado pela média semanal a dividir por 7 dias

e) Os tratamentos prévios podem incluir, desintoxicações prévias, internamentos prévios e tratamentos prévios em ambulatório. Considerou-se para esta taxa a informação relativa a pelo menos 1 destes tratamentos. Em caso de alguma disparidade de resultados seleccionou-se a maior % apresentada nos resultados por ser a mais abrangente.

f) Este estudo envolveu 3 coortes de doentes, respectivamente com problemas de álcool, opiáceos e cocaína. No entanto, para efeitos de caracterização só utilizámos os dados da coorte de doentes com problemas de álcool.

g1) casados ou em união de facto g2) com relação com parceiro estável

h1) abrange empregados activos (quer seja em part time ou full time)

h2) abrange empregados activos (quer seja em part time ou full time), estudantes ou em formação

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Com os dados destes estudos, facilmente ficamos com a ideia que o doente admitido ao tratamento é maioritariamente do sexo masculino com uma idade média um pouco superior aos 40 anos. De facto, em quase todos os estudos à excepção do estudo de Ellis and McClure (1992), o doente dependente de álcool é maioritariamente do sexo masculino (entre 59% e 100%, com valor mediano de todos os estudos de 74%), o que vai ao encontro da ideia da doença poder ser mais prevalente nos homens do que nas mulheres. Em termos etários, a idade média é muito consistente nos diversos estudos apresentando uma variação entre os 38 anos e os 47 anos e com um valor mediano dos estudos de 43 anos. Este valor mediano da idade média encontrada nos estudos pode fazer todo o sentido, dada a natural cronicidade do alcoolismo, se pensarmos que a duração do consumo de álcool antes da admissão ao tratamento poder durar até 20 ou mais anos como se pode observar nestes estudos. No entanto, nos resultados destes estudos, se observarmos as diferentes durações médias em anos do consumo de álcool observamos valores com alguma disparidade, ou seja, entre os 8 anos e os 22 anos, sendo o valor mediano dos estudos de 14 anos de duração do consumo de álcool. No entanto, mesmo os valores mais baixos como por exemplo os 8 anos (Kushner et al., 2005) e os 10 anos (Kiefer et al., 2005) fazem todo o sentido se pensarmos que não representam propriamente um tempo desde o início do consumo álcool, mas mais propriamente o tempo desde o início de problemas/dependência de álcool (a definição no estudo de Kushner (2005) aponta mesmo para o número de anos com consumo pesado regular e a definição de Kiefer et al. (2005) representa o tempo desde o primeiro problema de álcool). As idades de início da dependência variam nos estudos entre os 20 e os 35 anos, com valor mediano de 29 anos. É relevante observar também que o valor mediano da idade de início da dependência adicionado do valor mediano da duração do consumo se aproxima do valor mediano da idade média dos indivíduos, o que dá consistência à ideia que a duração do consumo traduz essencialmente um consumo mais problemático ou mesmo dependente. Ou seja, se adicionarmos os valores medianos dos estudos face à duração do consumo e

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idade de início da dependência é obtido 14+29=43 anos, que é exactamente o valor mediano da idade obtida nos estudos.

Numa análise estatística mais do tipo “ecológico ou correlacional” (Rothman et al., 2008; Beaglehole et al., 1993), ao calcularmos o coeficiente de correlação de Pearson entre o tempo de consumo e o início da dependência, observamos o resultado de R=-0,71 o que é de todo esperado, uma vez que mais tempo de consumo está naturalmente associado a uma idade mais precoce de início de PLA incluindo a dependência.

Relativamente à relação marital/parceiro estável, observa-se uma vasta variabilidade nos resultados dos estudos, podendo variar entre os 27% e os 95%, com um valor mediano de 55%. Os valores mais elevados podem não traduzir propriamente que o doente alcoólico comum de um modo geral tem uma relação afectivo sexual estável, mas mais propriamente que os critérios de selecção dos estudos, e em especial os que envolvem tratamento farmacológico, dão preferência a doentes com uma boa situação marital, devido à exigência de uma pessoa co-responsável para supervisão da adesão ao tratamento farmacológico. Os estudos de DeSousa e DeSousa (2004) e Rubio et al. (2001) que são os que apresentaram as maiores taxas de relação marital, respectivamente 95% e 93%, tinham ambos como critério de inclusão no estudo a existência de um ambiente familiar estável que pudesse supervisionar a adesão ao tratamento farmacológico. O estudo de Kiefer et al. (2005) que apresenta a taxa mais baixa de relação marital, 27%, já não apresenta este critério de inclusão de existência de ambiente familiar estável. Os resultados de estar empregado também revelam uma elevada dispersão nos estudos, entre 23% a 81%, com valor mediano de 61%. É geralmente aceite que os doentes socialmente mais estáveis têm mais famílias intactas e mais emprego (Anton et al., 1995). Deste modo, e tal como na relação marital, pensamos que a tendência mais favorável do doente estar empregado também possa ser explicado em parte pela tentativa de inclusão de doentes mais bem adaptados sócio familiarmente, e como tal,

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também estarem mais bem inseridos sócio profissionalmente. O coeficiente de correlação de Pearson entre os resultados da relação marital e o estar empregado revelam um coeficiente positivo R=0,43, o que pode apontar que em alguns estudos que incluíram doentes com melhor situação marital, de certa forma também tenderam a incluir doentes com melhor situação de emprego. De facto, os estudos de DeSousa e DeSousa (2004) e Rubio et al. (2001) que são os que apresentaram as maiores taxas de relação marital, respectivamente 95% e 93%, apresentam duas das maiores taxas de emprego nos estudos, respectivamente 77% e 75%. Também se observa que o estudo com a mais baixa taxa de emprego de 23% (Nielsen et al., 2007) é um dos estudos com taxa de relação marital mais baixa (33%).

O consumo médio de álcool diário mostra bem o nível de consumo nocivo destes doentes. Em todos os estudos e sem qualquer excepção o consumo de álcool foi consistentemente superior ao ponto de corte das 50 gramas/dia para definição de consumo pesado ou nocivo para o indivíduo. O consumo médio diário variou entre 60 e 333 gramas/dia, com valor mediano de 193 gramas/dia. Se atendermos a estes valores, verificamos que no estudo em que se observou o consumo médio mais baixo de 60 gramas/dia, mesmo assim, foi superior ao nível de consumo já nocivo de 50 gramas e cerca de 3 vezes o nível de baixo risco de 20 gramas/dia. Ao considerarmos o valor mediano dos estudos de 193 gramas/dia, então observamos que é aproximadamente 4 vezes o nível de consumo já nocivo de 50 gramas, e aproximadamente 10 vezes o nível de baixo risco de 20 gramas/dia. Ou seja, todos estes números ajudam-nos a perceber o elevado nível de gravidade do consumo diário de álcool do doente dependente de álcool que entra em tratamento.

Em relação aos aspectos história familiar de PLA, uso de drogas e tratamentos prévios, os resultados destes estudos são pouco consistentes e pouco numerosos, o que nos dificulta poder tirar alguma sugestão mais clara. No entanto, podemos ficar com a noção que a história familiar de álcool

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atingiu os 83% dos doentes, o uso concomitante de drogas atingiu os 68% dos doentes e o já ter feito vários tratamentos para o álcool antes de entrar no tratamento actual atingiu os 82%. Estes resultados podem-nos evidenciar a importância que estes aspectos têm na caracterização do doente alcoólico nos estudos. Ainda uma nota relevante é que foi encontrado nestes estudos que a história familiar de álcool tem um nível de correlação de Pearson R=0,80 com os anos de consumo de álcool e R=-0,96 com a idade de início da dependência. Estes resultados estão consistentes com a força da carga genética demonstrada pela história familiar de álcool estar associada a um início mais precoce do consumo e PLA incluindo o abuso e a dependência (Verheul et al., 2005).

Em conclusão e grosso modo, podemos ficar com a ideia que o doente dependente de álcool que entra em tratamento será tendencialmente do sexo masculino, com idade um pouco superior aos 40 anos de idade, com idade de início de SDA/PLA superior aos 25 anos de idade e a tender para os 30 anos, com duração de consumo problemático superior a 10 anos e a tender para os 15 anos, e finalmente, com consumo nocivo a rondar os 190 gramas/dia, ou seja, perto de 10 vezes o limite do consumo de baixo risco (20 gramas/dia) e cerca de 4 vezes o limite de consumo pesado que já se pode considerar nocivo (50 gramas/dia). Este doente eventualmente pode já ter tido história de consumo de outras substâncias e já ter feito outros tratamentos anteriores antes de entrar propriamente no tratamento actual.

1.7 – Factores de prognóstico do resultado do tratamento de

No documento TeseFinal PHD PedroAguiar 2010 09 09 A4 (páginas 53-57)