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— Eu o juro, respondeu o caloiro

No documento i I > ' (páginas 66-70)

— Ao

juramento que eu lhe dictar, basta que responda :

— Eu

o juro.

O

estudante poz a

mão

sobre o livro

so-bre os estatutos da sociedade

e o

homem

da cadeira magistral formulou o juramento:

Jura cumprir cegamente,

sem

observações, sem

réplicas, quaesquer resoluções da nossa socie-dade, embora essas determinações possam fe-rir interesses de farailiá ?

Embora

possam ir de encontro aos laçt^s do sangue?

Eu

ojuro, respondeu o caloiro.

Optimamente, continuou o maioral; ago-ra venha de o abraço fraternal.

E

Fran-cisco Jorge Ayres, que tal era o da cadeira grande, tirando a mascara, continuou: Abrace Francisco Jorge Ayres, o seu mais dedicado amigo.

Agora, para terminar esta sessão do nos-so Rancho, diga o seu

nome

e váabraçar seus novos e terríveis irmãos.

— Eu

sou José António de Azevedo.

Em

seguida o novo Carquejeiro começou de abraçar todos os mascarados, que, na occasião do abraço, iam dizendo seus nomes e desco-brindo o rosto.

Quando

terminou o ultimo abraço, Francisco Jorge Ayres alçou a voz e disse:

Viva o

Rancho

da Carqueja!

Viva! Responderam todos.

Viva o sagrado divertinento.

Viva! Repetiram os mais.

Silva Pescada começou a afinar a banza.

o RANCHO

DA

CARQUEJA

O

recém carquejeiro falava

com

todos, ria

com

todos.

Reinava a alegria no Rancho.

Ordem! Bradou Francisco Jorge Ayres.

Tudo

se calou.

Amigos!

Ao

Arco da Traição! Se algum ha entre vós que nào possa acompanhar-nos, póde-sejulgar dispensado, que paraissolhe dou

licença. Precisamos lavar a nódoa que o petu-lante futrica lançou no Gonçalves Lobo,

com

dois bofetões, que lhe deu por tanto ao Arco da Traição.

— Ao

Arco da Traição! Gritaram todos.

E

Silva Pescada, que tinha a viola afinada começou a tocar e a cantar:

Seacaso vires,Moreira, Que o mundode timurmura, Porlouvar a formosura, D'uma dama ou d'umafreira.

Sem criminalpensamento,

Tem

soíFrimento:

Mas seemtuasacções boas

Põem demasias ou mingoas, Nãose tedasmás lingoas

Nem

de calumniaste doas Mascom socego profundo

C... nomundo.

Se o fradeé graveeprudente Modesto, casto, e sisudo;

Se se occupa emdouto estudo, Se no púlpito é frequente, No»altar,no coro,notemp'o.

Serve d'exemplo:

Masse o vires pelas ruas Passeiario vagabundo, Tractardas cousas do^mundo,

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EMPREZA DA

HISTORIA

DE

PORTUGAL Entrarem casascommuas

Ultrajando a castidade,

C... no frade.

Sefreira sisudaebella Só no coro cantae toca, Se aoaso almofadae roca Lheoccupao t'mponacella,

Sem qne amorentre emseupeito.

Tem-lhe respeito:

Masse cheia de vaidade, Profanas modaslhe ouvires,

Ou no mirante ou na grade Se muitas vezes avires

Toda alegre e lisongeira,

C .. nafreira.

Se na desgraça inclemente,

Ou na fortuna inconstante, Teuamigo sempre amante Te seguesábioe prudente,

E

se te etnprestao seuouro,

E um

thesouro:

Massefogena desgraça, Se se aparta na inclemência, Sete maltractana ausência, Se voltao rosto napraça.

Por nãopasseiar comtigo, C... no amigo.

E

O Rancho iasahiudo da casa de Gonçalves Lobo.

Dava

meia noute o relógio de Sancta Cruz.

Quando

o Padre Vicente Gonçalves Lobo, depois de havcr descido a escada e atravessa-do o pateo, mettia a chave na fechadura ouviu-se

um

tropel, que vinha da Couraça; e que, passando pela porta de Gonçalves Lobo, se ia perdendo ao longo da rua do Museu.

Gonçal-o

RANCHO

DA CARQUEJA G3 ves

Lobo

parou, e, a meia voz, impozsilencio:

Caluda!

Silenciosos ficaram todos.

Teriam decorrido três minutos, quando se ouviu

um

assobio agudo e

um

pouco prolonga-do, que parecia ser dado na matta dos Jesui-tas, e que sobresaltou a todos os doRancho, por ser d'elles conhecido.

Gonçalves

Lobo

e Francisco Jorge Ayres, que lhe estava ao pé, disseram aosdo Rancho, que ficassem alli

um

instante, emqnanto elles

iam observar a matta e ver se alguma novida-de havia.

E

foram.

Querem-nosapanhar;estamosarranjados...

disse Carneiro dos Sanctos, o mais timido e

acanhado de todos.

Qual! respondeu Silva Pescada, aquelle assobio é do Rancho; nareunião faltavaoPaim;

o

Paim namora

a Josepha, costureira, do Ter-reiro da Pella; ergo, o

Paim

foi apanhado pela ronda, talvez a escalar-lhe alguma janella, e fugiu para não ir á cadeia. E' o que deve ser.

Nada; temo alguma traição, disse Coelho Manco.

Qualtraição! respondeu o Pescada.

E

con-tinuaram a nadar

em

conjecturas.

Deixemol-os a braços

com

hypotheses, e ve-jamos no entretanto, se Gonçalves Lobo e

Jor-ge Ayres descobrem alguma cousa.

Quando

esteschegaram a

uma

janella peque-na que dava para a cerca dos Jesuitas, ainda ouviram os últimos sons doasobio.

Como

a pequenez da janella não consentia que

ambos

se debruçassem n'ella, Gonçalves

Lobo

deitou a cabeça e escutou.

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EMPBEZA

DA HISTORIA DE PORTLGAL

Apenas

o silencio e a escuridão!

As

copas das arvores, algumas das quaes beijavam

qua-bí a pequena janella,

murmuravam

branda-mente. Piava

um mocho

em

baixo, batia meia hora para a

uma

o relógio de Sancta Cruz; o mais profundo silencio, trevas cerra-das!

Gonçalves Lobo, depois de observar

algum

tempo, retirou-se para dentro e disse a Jorge Ayres que visse se descortinava alguém.

Jorge Ayres deitou meio corpo fora da ja-nellita e poz-se a escutar.

— O

assobio foi dado por

um

dos nossos, disse de dentro Gonçalves Lobo. Já

me

lem-brei do Roque.

Anda

doido

com

a Josepha...

Cala-te depressa! interrompeu rapida-mente Jorge Ayres. Oiço alguma coisa.

De

facto,

em

baixo, no fundo das arvo-res ouviase

um

rumor leve,

como

de

quem

vinha correndo ainda ao longe.

O

ruido appro-ximava-se, e Jorge Ayres percebeu

effectiva-mente que alguém corria para o lado

em

que se achava. Attentou muito e disseparadentro:

é gente e

vem

para aqui.

Instantes depois, erguia-se

uma

voz por

bai-xo dajanella:

O'

Lobo

!

— Quem

procura oLobo?respondeu, pergun-tando, Jorge Ayres que não conhecera a voz.

Sou eu, o Paim.

Então, o que quer dizer isso?...

Tu

por ahi?

— Quer

dizer que é precisojá, já, que

me

lances por essa janella a escada celestial. Per-seguem-me os verdeaes,

em numero

deseis, e, se não lanças immediatamente a escada

No documento i I > ' (páginas 66-70)