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2 DA RESPONSABILIDADE EXTRACONTRATUAL DO ESTADO

3.7 EXCLUDENTES DE RESPONSABILIDADE

Em razão do nexo de causalidade ser o fundamento da responsabilidade civil do Estado, quando não ficar configurado a sua presença, isto quer dizer, quando inexistir a comprovação de que a causa do dano se deu por meio de um serviço público, a obrigação de indenizar deixará de existir, ou incidirá de forma atenuada, caso o motivo ensejador do prejuízo não seja único e exclusivo da administração pública. (DI PIETRO, 2009, p. 648).

Assim, para responsabilizar o Estado civilmente, basta demostrar que houve um dano e quem deu causa a ele. Desse modo, é fácil assinalar as situações em que não ocorrerá a indenização, é dizer, os casos em que será excluída a responsabilidade da administração pública. (FIGUEIREDO, 2008, p. 301).

Vale lembrar que ninguém pode responder por aquilo a que não tenha dado motivo, logo, merece especial atenção as causas que excluem o nexo de causalidade, que, no caso, impossibilitam o cumprimento da obrigação do agente. (CAVALIERI, 2008, p. 63-64).

Dentro do contexto, é de toda importância destacar o entendimento sobre as causas de exclusão, total ou parcial, da responsabilidade editada por Odete Medauar:

Para configurar a responsabilidade civil do Estado há que se se verificar o nexo causal entre a ação ou omissão do poder público e o evento danoso. Se outra atuação, outro acontecimento, provados pela Administração, levaram ao dano, sem o vínculo ou sem o vínculo total com a atividade administrativa, poderá haver isenção total ou parcial do ressarcimento. (MEDAUAR, 2008, p. 372).

Cabe destacar que este tema tem grande relevância dentro do mundo jurídico, haja vista “tratar-se de matéria com importantes efeitos práticos, uma vez que, com frequência, é arguida como matéria de defesa pelo réu (agente causador do dano) no bojo da ação indenizatória proposta pela vítima”. (GAGLIANO; PAMPLONA, 2009, p. 101).

Desse modo, entende-se como causas que excluem a responsabilidade da administração pública, os casos que decorram de força maior, culpa exclusiva da vítima e a culpa de terceiros, os quais eximem o Estado da obrigação de reparar o dano. (DI PIETRO, 2009, p. 649).

3.7.1 Caso fortuito e força maior

Existe uma polemica na conceituação e distinção entre o que seria caso fortuito e o que se compreende por força maior.

Para Maria Silvia Zanella Di Pietro, (2008, p. 648) a força maior “é o acontecimento imprevisível, inevitável e estranho à vontade das partes, como uma tempestade, um terremoto, um raio. Não sendo imputável à administração, não pode incidir a responsabilidade do Estado”.

Da mesma forma, a autora dispõe que o caso fortuito, “não constitui causa excludente de responsabilidade do Estado” esta ocorre nos casos que o dano decorra de uma ação humana ou que haja uma falha na administração. (DI PIETRO, 2008, p. 648).

Com o intuito de aclarar a conceituação entre o caso fortuito e a força maior, destaca-se o entendimento de José Cretella Junior:

Tanto na força maior como no caso fortuito se verifica o acidente que produz o dano. O acidente é o gênero próximo entre a força maior e o caso fortuito, mas enquanto, no primeiro caso, a causa é conhecida, (raio por exemplo, que provoca incêndio, produzido talvez por curto-circuito ou por defeito que a perícia técnica não conseguiu apurar), no segundo desconhecida é descoberto. (CRETELLA, 2000, p. 632).

Em comento sobre o assunto, Sérgio Cavalieri Filho, (2008, p. 65), anota que muito já se discutiu sobre a distinção entre o caso fortuito e a força maior, contudo, não se chegou a um entendimento comum.

Porém, o que importa ressaltar é que comprovada a existência do caso fortuito ou da força maior, segundo preconiza o art. 293 do Código Civil que não faz distinção entre ambos, a responsabilidade não será configurada. (CAVALIERI, 2008, p. 65).

Ante o exposto, no que concerne ao alcance da responsabilidade civil em casos que fique demonstrado a ocorrência de caso fortuito ou força maior, os doutrinadores não chegaram a uma conclusão sobre a distinção destas excludentes de responsabilidade.

Assim pode-se excluir a reponsabilidade em casos que decorram de caso fortuito ou por força maior.

3.7.2 Culpa exclusiva da vítima

A atuação exclusiva da vítima é do mesmo modo, causa excludente da responsabilidade civil do Estado, uma vez que assim agindo, a conduta da vítima quebra o nexo de causalidade, eximindo a Administração pública por possíveis danos que vierem a ocorrer. (GAGLIANO; PAMPLONA, 2009, p. 114).

No que tange a exclusão da responsabilidade civil do Estado em decorrência da culpa exclusiva do Estado, destaca-se o entendimento de Celso Antônio Bandeira de Mello:

[...] a culpa do lesado não é relevante por ser culpa, mas sê-lo-á unicamente na medida em que através dela se pode ressaltar a inexistência de comportamento estatal produtor do dano. O problema não se modifica nos casos em que o alheamento estatal em relação à autoria do dano careça de tanta evidência. Tudo se resolverá , sempre por investigar-se se houve ou

se faltou nexo causal entre a atuação do Estado e o dano ocorrido. (MELLO, 2009, p.1014).

Outro fator importante a ser registrado é que a participação da vítima na, conduta danosa, gera uma responsabilização. Contudo, o Estado somente será isento de qualquer responsabilização se ficar comprovado que o dano ocasionado se deu pela conduta exclusiva da vítima, caso contrario, a administração pública responderá pelo prejuízo, ainda que em parte. (MEDAUAR, 2008, p. 372).

3.7.3 Culpa de terceiros

Da mesma forma que o caso fortuito ou a força maior e a culpa exclusiva da vítima, a culpa de terceiros também é meio de exclusão da responsabilidade civil da administração pública, senão vejamos.

Inicialmente, faz-se necessário entender quem é o terceiro a quem será atribuída a culpa para eximir a responsabilidades do Estado.

Segundo entendimento de Silvio de Salvo Venosa (2006, p.53), sabendo- se que o fato de terceiro pode exonerar o causador do dano de uma possível indenização, a problemática recai sobre a conceituação deste. Dessa forma, terceiro será alguém mais além da vítima e do causador do dano.

Nesse sentido, é de toda importância expor o entendimento de Pablo Stolze Gagliano e Rodolfo Pamplona Filho quando demonstram que o fato de terceiro, rompe o nexo de causalidade, o que acaba por excluir a responsabilidade.

Em algumas hipóteses, entretanto, o fato de terceiro que haja rompido o nexo causal, sem que se possa imputar participação ao agente, exonera, em nosso entendimento, completamente a sua responsabilidade, devendo a vítima voltar-se diretamente contra o terceiro. (GAGLIANO; PAMPLONA, 2009, p. 117).

Assim quando a culpa for exclusiva do terceiro, faltará o nexo causal, ou seja, o dano causado exclusivamente por um terceiro somente excluirá a obrigação de indenizar se o fato constituir em causa estranha à sua conduta. (VENOSA, 2006, p. 54).

No entanto esta “situação específica, na maioria das vezes, em se tratando de fato de terceiro, para o qual há ação regressiva, raramente esta ocorre, porque geralmente este terceiro não é identificado” (VENOSA, 2006, p. 54).

Contudo, ainda que isso possa ocorrer, o importante a ser registrado, conforme todo o exposto supramencionado, é que nos casos possíveis de se comprovar que o prejuízo sofrido se deu pela culpa de um terceiro, a responsabilidade foge ao alcance do Estado.

4 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO NOS CASOS DECORRENTES DE CALAMIDADES PÚBLICAS