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Exemplos, nascimento, vantagens e desvantagens dos EI

2.3 ECOSSISTEMAS DE INOVAÇÃO

2.3.2 Exemplos, nascimento, vantagens e desvantagens dos EI

Diversos exemplos de EI são mencionados e estudados entre autores. A região do Vale do Silício na Califórnia, a Boston Route 128 em Massachusetts e o Triângulo de Pesquisa da Carolina do Norte, todos nos Estados Unidos, são alguns dos exemplos de EI mais destacados por autores (NECK et al., 2004; SHAW; ALLEN, 2018; RUSSELL; SMORODINSKAYA, 2018; ASEFI; RESENDE; AMORIM, 2019).

Além dos Estados Unidos, outros países também são utilizados frequentemente como fontes de pesquisas em EI, como Alemanha (FUKUDA, 2019), Israel (KON et al., 2015; DE ALMEIDA; DE ALMEIDA, 2019), Austrália (HAINES, 2016), entre outros.

Entretanto, não é comum encontrar publicações que utilizem EI brasileiros. A fim de se obter um panorama dos EI utilizados em estudos empíricos no Brasil, foi realizada uma pesquisa bibliográfica nas bases de pesquisa Web of Science e Scopus, utilizando a expressão de pesquisa (“innovation ecosystem*" AND Brazil*") e a mesma versão em português “(ecossistema* AND inovaç*) AND Brasil”. Foram utilizadas estas bases por serem amplamente adotadas em pesquisas da área de negócios e por incorporarem outras bases de dados em seus registros.

Nenhuma das bases retornou resultados com a expressão em português. Já com a expressão em inglês, a base Web of Science resultou 18 publicações e a base Scopus 26. Foram analisados todos os resumos e selecionados os artigos empíricos que afirmaram utilizar EI brasileiros como fonte de evidências. Os ecossistemas identificados nos artigos estão relacionados no QUADRO 5.

QUADRO 5 - EI BRASILEIROS UTILIZADOS NA LITERATURA

EI REGIÃO REFERÊNCIA

Caju Valley Sergipe Felizola, Gomes, Almeida (2019)

Porto Digital Recife/PE

Spinosa, Krama, Hardt (2018) Parque Tecnológico UFRJ Rio de Janeiro/RJ

TecnoPUC Porto Alegre/RS

Tecnosinos São Leopoldo/RS

C2i Paraná Rocha, Mamédio, Quandt (2019)

San Pedro Valley Belo Horizonte/MG De Almeida, De Almeida (2019) Sistema Paulista de

Ambientes de Inovação São Paulo Fusco, Mucheroni (2018)

COMCIT Natal/RN Cacho et al. (2016)

UNIEMPRE Ceará Schwartz, Bar-El (2015)

Fonte: Elaborado pelo autor (2021)

Os resultados indicam que EI brasileiros são pouco explorados na literatura e assim, ecossistemas de outros países são utilizados em maior frequência como modelos para comparação e criação de novos EI (SPINOSA; KRAMA; HARDT, 2018).

Todavia, independentemente da localização em que um novo EI pretenda se firmar, Freire, Maruyama e Polli (2017) indicam que é necessário considerar as particularidades locais referentes a instituições, culturas e economias ao invés de

simplesmente tentar imitar experiências praticadas em outros ecossistemas na origem de um novo.

O nascimento de ecossistemas pode decorrer de um entendimento comum de empresas com requisitos complementares quanto a novas necessidades identificadas em consumidores (ADNER, 2012; DEDEHAYIR; MÄKINEN; ROLAND ORTT, 2018).

Castells e Hall (1994) inferem que ecossistemas podem resultar da revolução de tecnologias da informação, globalização dos mercados e do surgimento de uma forma de produção informacional, ou seja, que provê conhecimento.

Dedehayir, Mäkinen e Ortt (2018) identificam quatro fases de um EI a partir de seu surgimento: nascimento da percepção de necessidades não atendidas; expansão para novos territórios através da demanda; consolidação da liderança do ecossistema e estabilidade dos processos; respostas a ameaças de novos concorrentes, inovações ou alterações nas configurações estruturais do ecossistema, resultando em uma auto renovação ou morte do ecossistema.

Uma vez estabelecido, as empresas constituintes do EI podem desempenhar diversas funções. Nambisan, Siegel e Kenney (2018) destacam três papeis que as empresas podem assumir: geradoras de inovações radicais que proporcionam transformação na base de conhecimentos do ecossistema, alimentadores de invenções e descobertas de inovação dentro do ecossistema ou empresas especializadas em determinada necessidade do ecossistema.

De acordo com o papel desempenhado por uma organização, um EI pode conter líderes ou empresas dominantes (MOORE, 1996), considerados os responsáveis pelo desenvolvimento de tecnologias-chave para as inovações do ecossistema ou que detenham a liderança de tecnologias (ZAHRA; COVIN, 1994;

CHANG, 2012). Estes líderes provém, mantém e controlam o acesso à plataforma de inovação – geralmente por meio de propriedades intelectuais – garantindo sua relevância e dominância no ecossistema (LEAVY, 2012; LETEN et al., 2013).

Ao criarem um ecossistema e desempenharem suas múltiplas funções, os membros esperam adquirir benefícios com a aglomeração. Diversos autores descrevem vantagens na formação de EI. Gilbert, Mcdougall, Audretsch (2008) alegam que empresas em um EI retém mais conhecimento do ambiente local, apresentam maior crescimento e inovação e possibilitam transferência de conhecimento com outras firmas – gerado pelo engajamento das empresas com a inovação.

Os autores supracitados declaram que tais vantagens proporcionam informações do que está sendo desenvolvido e tendências da área, além de avaliação dos níveis de sucesso alcançado com projetos anteriores, provisões de demanda de novos produtos, serviços ou recursos e apropriação dos processos e tecnologias das atuais e futuras atividades inovadoras.

Stephens et al. (2019) revelam em sua pesquisa a importância de fatores como redes e conexões e acesso a capital de investimento de inovação e P&D&I para o sucesso de grandes EI de alta tecnologia como Vale do Silício, Austin, Boston e Nova York. Já Rong et al. (2018) implicam que um ecossistema traz vantagens competitivas aos participantes por identificar e integrar stakeholders para a criação de valor.

Os autores supracitados atestam ainda que a coevolução entre stakeholders implicará na evolução do ecossistema como todo. Van de Ven (1993) também defende que a ação de múltiplos stakeholders facilita a criação e sucesso dos ecossistemas.

Dedehayir, Mäkinen e Ortt (2018) descrevem que os membros de um EI adquirem vantagem competitiva a partir do valor holístico incorporado aos produtos e serviços resultantes das parcerias internas.

Para Asefi, Resende e Amorim (2019), a diversidade de atores, intensa interação entre si, fluxo de valor contínuo, acessibilidade de recursos materiais e de serviços, aspectos culturais e sociais, estratégias regionais, políticas locais, regionais e nacionais e o suporte governamental são fatores que impulsionam EI.

Spilling (1996) demonstra que EI promovem o desenvolvimento econômico da região, oriundo dos processos e interações empresariais, desenvolvimento de infraestrutura, aumento de capital intelectual, e relacionamento com instituições públicas e empresas privadas.

Todavia, alguns autores estabelecem que ecossistemas podem apresentar algumas desvantagens. Adner (2012) argumenta que a inovação em ecossistemas pode trazer riscos às empresas devido a interdependência de estratégias e decisões de todo o ecossistema, riscos com a incerteza do sucesso no desenvolvimento de projetos e com possíveis falhas de integração entre membros.

Asefi, Resende e Amorim (2019) salientam que ecossistemas de inovação em determinadas regiões podem sofrer por uma rede fraca de relacionamentos colaborativos ou pelo valor gerado das inovações não retornarem à região. As diferenças entre recursos e capacidades das firmas também afetam como elas podem

se beneficiar das vantagens ou desvantagens de uma aglomeração (BARNEY, 1991;

DE CAROLIS et al., 2009)

Outras pesquisas sobre ecossistemas e economias locais demonstram que a concorrência regional pode reduzir o desempenho de determinadas empresas por proporcionarem poder de barganha a clientes, fornecedores e colaboradores (PORTER, 1980; MYLES SHAVER; FLYER, 2000; SORENSON; AUDIA, 2000).

Dadas as vantagens e desvantagens dos EI, o subtópico a seguir discute as características e os elementos que compõem um EI.