Em todos os mapas astrológicos, existe Mercúrio, mas nem todos se dão conta da necessidade de ativá-lo. E no exercício constante que está o crescimento e o conseqüente aperfeiçoamento. Mercúrio está para a nossa mente, assim como os músculos para o atleta. E como todo esportista precisa exercitar os músculos, trabalhando-os e aquecendo-os numa prática diária, assim nós também devemos trabalhar e "aquecer" Mercúrio.
Três passos são úteis no aprimoramento de Mercúrio:
1º — Saber que ele existe e está disponível;
2º — Procurar conhecê-lo, descobrindo seus recursos; 3º — Vontade de aperfeiçoar-se progressivamente.
Para conseguir êxito sugerimos seis exercícios
1. Criar o hábito de pensar antes de falar, agir, tomar decisões, formular idéias e criar conceitos. Em decorrência, manter o hábito de fazer avaliações dos resultados obtidos — "feedback";
2. Criar o hábito de trocas, saber ouvir, aproveitar as informações que vêm dos outros e emitir as suas opiniões oportunamente — treinando a arte de dialogar; 3. Criar o hábito de ler e escrever. Ler sempre que possível assuntos
diversificados e tentar fazer do escrever um hábito constante e natural;
4. Desenvolver a destreza e habilidades manuais ajuda a manter a saúde mental e longevidade;
5. Criar o hábito de aperfeiçoar-se, sempre procurando ir além do conseguido; 6. Trabalhar a voz-, exercitar o tom, a clareza, a beleza, o ritmo, a velocidade e
as diversas artes do mundo verbal — saber usar bem a voz é um trunfo para o sucesso, é a definição de um estilo pessoal.
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Astrologia e as Dimensões do SerMercúrio nos Relacionamentos
Todo relacionamento começa com Mercúrio, ou na 3a Casa, e com os planetas que "habitam" essa 3a Casa. Esse começo determina, em grande parte, o clima de intimidade ou cerimônia que vai se estabelecer.
Mercúrio realiza o passo inicial, promove a aproximação, propicia a troca das primeiras palavras e faz os primeiros gestos de simpatia ou, em caso contrário, demonstra claramente hostilidade e repúdio.
Pessoas extrovertidas, com uma boa 3a Casa e um bom Mercúrio, têm grande facilidade de estabelecer novos relacionamentos e, pela maneira cordial como se apresentam, criam uma real possibilidade de estabelecer vínculos. Falam sem reservas, põem-se à vontade diante de desconhecidos, sugerindo que uma certa intimidade pode surgir de simples encontros, em que os recém- conhecidos vão se aproximando naturalmente, perdendo a inibição inicial e, pouco a pouco, estabelecendo um relacionamento.
Mercúrio, por ser o iniciador de todos os tipos de relacionamento, é também aquele que "traça os mapas" desses encontros. É o que dá a tônica do momento e pode antever os resultados. Mas, nem todas as pessoas que possuem um bom Mercúrio, ou uma 3a Casa atuante, chegam a manter bons amigos. É bom lembrar que a maioria não sabe dar continuidade aos primeiros encontros e não investe nas artes da convivência — isto é um assunto de Vênus. Mercúrio pode fazer um bom começo, aliás, é imbatível nos passos iniciais. Sabe estender a mão e trocar as primeiras palavras, mas nem sempre sabe dar continuidade e muito menos consegue solidificar amizades duradouras, pois estas precisam dos passos subseqüentes de Vênus e Urano.
Em Suma:
Mercúrio (c) — estabelece os inícios; Vênus (d) — instaura as leis de convivência; Urano (h) — conclui, libera os sentimentos, dando ensejo às verdadeiras amizades.
Fraternidade
Fraternidade é o sentimento de Mercúrio, aliás, um dos mais nobres e necessários, o facilitador de todos os relacionamentos e, portanto, elemento essencial ao desenvolvimento vertical do homem.
Aprendemos bem cedo a ser fraternos. Na primeira infância, ou fase inicial de nossa socialização, adquirimos os rudimentos das artes mercurianas de
comunicação — isto acontece através da camaradagem que facilmente se estabelece entre irmãos, primos, vizinhos, ou ainda, colegas de escola. Mercúrio é o planeta principal dessa fase do nosso crescimento e exercita-se, nessa época, com as trocas de brinquedos, atividades lúdicas e pequenos diálogos.
No entanto, a fraternidade é como um rio que se abre em três vertentes de
sentimentos. A primeira, a verdadeira, é o início e a base de todas as amizades; é
um elo tão forte e profundo, que perdura por toda uma vida — para os esotéricos, estende-se por várias outras vivências...
Quando queremos elogiar alguém, dizemos: "É como um irmão para mim", o que significa ser tão amigo que o estimamos cada vez mais, promovendo-o com o honroso título de irmão. Fraternidade é um amor pacífico, solidário e duradouro, sem as convulsões da paixão e a inquietude das uniões. Quando nos sentimos fraternos, quando os Mercúrios estão bem conectados, falamos o que realmente pensamos, sem medo de críticas, com toda a liberdade, com a alma aberta e sem preocupações com a roupagem de nossos pensamentos. Não usamos fraseados nem apelamos para linguagens sofisticadas, apenas somos e ficamos à vontade, dando forma ao nosso mundo interior. Fraternidade inclui companheirismo (Libra), boa convivência (Sagitário), liberdade de revelar nosso íntimo (Aquário) e bastante sinceridade (Áries).
Na segunda vertente, o "rio" torna-se perigoso, cheio de segredos e percalços. Atravessá-lo é uma prova desafiante e penosa. A fraternidade transforma-se num longo caminho de rivalidades em que o parentesco e a proximidade facilitam o surgimento de um dos mais abomináveis sentimentos — a inveja e, ainda, os seus dois aliados: o ciúme e a cobiça.
Pela visão lógica do razoável, nada explica o porquê de tão intensos anti- sentimentos entre pessoas que têm tudo para ser amigos inquestionáveis. Na Astrologia, encontramos alguns bons esclarecimentos: Como Mercúrio interage muito bem com Plutão, os dois em exaltação e trono em Gêmeos e na Casa 3, que são o signo e a Casa dos irmãos — numa utilização negativa do planeta, a polaridade oposta revela-se. Nas criaturas de baixa Idade Astral, a "sombra
escura" da fraternidade vem à tona como um surdo e cego impulso querendo ter
o que é do outro e, em casos extremos, ser o que o outro é.
Os maus irmãos, ou os maus Mercúrios, não admitem uma aquisição, uma conquista ou uma vitória do outro. Não perdoam o irmão-alvo por ser maior ou melhor do que eles e fazem tudo para derrotá-lo, utilizando os meios mais baixos, as informações e os conhecimentos que a proximidade fornece. Tornam- se inimigos íntimos, sem nenhuma ética e, portanto, os agravos entre eles transformam-se em venenosas e temíveis contendas.
..." Em nossos irmãos vemos o espelho de nosso eu não-descoberto, e o
amor e a antipatia que sentimos por eles refletem muitas coisas, inclusive a maneira como
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Astrologia e as Dimensões do Sernos relacionamos com as dimensões menos conhecidas de nossas profundezas ocultas. A psicologia tem muito a dizer sobre a rivalidade fraterna, mas, antes dela, a mitologia já tinha dito tudo.
Liz Greene e Juliet Sharman-Burke
Uma Viagem Através dos Mitos
A mitologia nos aponta alguns tristes exemplos de guerras fraternas: Ares e Hefestos — os dois irmãos odientos que disputavam a posse e
o amor da mesma deusa. Travaram uma verdadeira batalha para conquistar Afrodite que, mal casada com o monstruoso Hefestos, incrementava a discórdia ao se entregar alegremente, toda vez que escapava, ao belo cunhado Marte ou Ares.
Caim e Abel — os dois irmãos que se aniquilaram pelo ódio. Caim, movido pela inveja e não perdoando o favoritismo que Deus demonstrava por Abel, mata o irmão num confronto covarde. A rivalidade fraterna, o ciúme e a competição suscitaram uma impiedosa vingança por um prêmio tão insignificante.
E ainda há, entre outras, uma terceira vertente do rio, e certamente a mais comum — a indiferença e o afastamento. Quando Mercúrio não consegue criar e cultivar relacionamentos fraternos, o resultado é, quase sempre, uma forma de luto. E o caso de irmãos que não se aceitam, quando não há possibilidade de convivência, somando o sofrimento de uma sensação de rejeição à frieza de um rancor inexplicável pelo que não existiu. Neste caso, permanece um mal-estar, um vazio e uma certa nostalgia pela ausência de alguém que nunca chegou a ser...