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Exerc´ıcios Adicionais

No documento 1875 37.2 Transformadas de Fourier (páginas 50-57)

E. 37.60Exerc´ıcio dirigido.[A transformada de Fourier de Gaussianas via integra¸c˜ao complexa].Desejamos demons-trar a igualdade (37.75) Mostre por completamento de quadrados que vale

−αx2−i(y+iγ)x=−α Tomando-sez≡x+i(y+iγ) , mostre que podemos escrever

J=

Figura 37.3: `A esquerda, o caminho de integra¸c˜aoC. `A direita, o caminho de integra¸c˜ao fechadoRA.

O passo seguinte ´e provar que Z

C

e−αz2dz= Z

−∞

e−αx2dx . (37.290)

Para tal, tome-seA >0e considere-se a integral

HA :=

Z

RA

e−αz2dz

ondeRA´e o retˆangulo emCindicado na Figura 37.3, p´agina 1962. Comoe−αz2´e uma fun¸c˜ao inteira (i.e., anal´ıtica em toda parte) na vari´avelz, a integral HA´e nula para todoA >0, pelo Teorema de Cauchy. No entanto, HA´e a soma das integrais sobre os quatro segmentos de reta orientados que comp˜oemRA. Constate que a integral sobre o segmento de reta horizontal superior ´e SA:=−RA

−Ae−α(x+iw0)2dx. Constate que a integral sobre o segmento de reta horizontal inferior ´e IA:=RA

−Ae−αx2dx. Constate que as integrais sobre os segmentos verticais do lado e esquerdo e direito s˜ao

EA:= −i

respectivamente. Constate que

|α|eiθ/2. Constate que vale Z ondeL´e a semirreta emCindicada na Figura 37.4, p´agina 1964.

Para calcularR

Le−|α|z2dztomamos novamenteA >0e consideramos a integral KA :=

Z

LA

e−|α|z2dz .

Comoe−|α|z2´e uma fun¸c˜ao inteira deztemos KA= 0, pelo Teorema de Cauchy. A integral que define KA´e a soma das integrais nas trˆes partes que comp˜oemLA: dois segmentos de reta e um arco de c´ırculo. Vide Figura 37.4, p´agina 1964. Constate que essas integrais s˜ao dadas por

Figura 37.4: Esquerda: o caminho de integra¸c˜aoL, uma semirreta que parte da origem e estende-se ao infinito formando um ˆangulo deθ/2 com a horizontal. Direita: caminho de integra¸c˜aoLAe as trˆes partes que o comp˜oem: o segmento de reta 1A(que parte da origem, tem comprimentoAe forma um ˆangulo deθ/2 com a horizontal), segmento de reta 2A

(idˆentico ao intervalo [0, A] do eixo real) e o arco de c´ırculo 3A(de raioAe aberturaθ/2, centrado na origem).

o que implica (37.291). Reunindo (37.291), (37.290) e (37.289), estabele¸ca que

√1

que ´e a rela¸c˜ao (37.288) ou (37.75), como desejado. Isto tamb´em completa uma demonstra¸c˜ao alternativa do Corol´ario 37.1, p´agina

1890. 6

E. 37.61Exerc´ıcio dirigido. [A transformada de Fourier de Gaussianas usando s´eries de Taylor]. Sejamα >0e γ∈C, constantes, seja a fun¸c˜aoh(x) :=e−αx2+γx∈S(R)e sejaˆh:=F[h]sua transformada de Fourier. Usando a expans˜ao de Justifique a troca da s´erie pela integral, acima. Note agora que os termos comn´ımpar anulam-se, poish´e uma fun¸c˜ao par. Temos, portanto,h(p) =ˆ 1 ondeΓ´e aFun¸c˜ao Gama de Euler(vide Cap´ıtulo 7, p´agina 341). Usando, (7.19), p´agina 348, obtenha disso

ˆh(p) = 1

que ´e o resultado obtido em (37.72). 6

E. 37.62Exerc´ıcio dirigido. [A transformada de Fourier da fun¸c˜ao e−γx4]. Sejaγ >0, constante, seja a fun¸c˜ao Justifique a troca da s´erie pela integral, acima. Note agora que os termos comn´ımpar anulam-se, poish´e uma fun¸c˜ao par. Temos, portanto,ˆh(p) =1 ondeΓ´e aFun¸c˜ao Gama de Euler(vide Cap´ıtulo 7, p´agina 341). Portanto,

ˆh(p) = 1

Mostre, usando essa expans˜ao, queˆh(p)´e uma fun¸c˜ao inteira na vari´avelp. Essa express˜ao permite vislumbrar a estrutura anal´ıtica de ˆhcomo fun¸c˜ao de1/γ∈C: a mesma possui um ponto de ramifica¸c˜ao de ordem1/4em1/γ= 0.

No Exerc´ıcioE. 37.63 apresentamos uma outra estrat´egia para determinarh.ˆ 6

E. 37.63Exerc´ıcio dirigido. [A transformada de Fourier da fun¸c˜ao e−γx4]. Sejaγ >0, constante, seja a fun¸c˜ao h(x) :=e−γx4 ∈S(R)e sejahˆ:= F[h]sua transformada de Fourier. A fun¸c˜aohsatisfazh(x) = −4γx3h(x), ou seja, vale P h= 4iγQ3h. Aplicando-se a transformada de Fourier a essa express˜ao e usando-se (37.44), obt´em-seQˆh=−4iγP3ˆh, ou seja,ˆh(p) satisfaz a equa¸c˜ao diferencialˆh′′′(p)−1ph(p) = 0.ˆ

As solu¸c˜oes da equa¸c˜ao diferencialy′′′(p)−αpy(p) = 0comα∈C, constante, podem ser obtidas pelo m´etodo de expans˜ao em s´erie de potˆencias, pois trata-se de uma equa¸c˜ao diferencial ordin´aria linear regular de ordem trˆes (vide Se¸c˜ao 14.6, p´agina 691 e Se¸c˜ao 15.1, p´agina 748). Procurando-se solu¸c˜oes na formay(p) =

X

n=0

cnpn, mostre que os coeficientescnsatisfazem as rela¸c˜oes de recorrˆencia

c3 = 0, cn+4 = α

(n+ 4)(n+ 4)(n+ 2)cn, n∈N0. (37.293) Comoc3= 0, tem-sec4k+3= 0para todok∈N0. No caso espec´ıfico deˆhtemosˆh(0) =−1R

−∞yh(y)dy= 0, poish´e uma fun¸c˜ao par. Portanto, interessa-nos impor quec1= 0, implicandoc4k+1= 0para todok∈N0e, com isso, poder˜ao ser n˜ao nulos apenas os coeficientesc4kec4k+2,k∈N0, ou seja, os coeficientesc0, c4, c8, c12,etc., todos proporcionais ac0, e os coeficientesc2, c6, c10, c14, etc., todos proporcionais ac2. Usando as f´ormulas de recorrˆencia (37.293), mostre que

c4kk(4k−3)!!! Γsendo aFun¸c˜ao Gama de Euler(vide Cap´ıtulo 7, p´agina 341), e onde

h1(p, γ) := 1

Mostre, usando essas expans˜oes, que h1e h2s˜ao fun¸c˜oes inteiras da vari´avelp. Mostre, usando as expans˜oes e propriedades da fun¸c˜ao Gama de Euler, que a express˜ao acima paraˆhcoincide com a de (37.292).

Essas express˜oes tamb´em permitem vislumbrar a estrutura anal´ıtica deˆhcomo fun¸c˜ao de1/γ∈C: a mesma possui um ponto de

ramifica¸c˜ao de ordem1/4em1/γ= 0. 6

E. 37.64Exerc´ıcio. Usando as mesmas ideias do Exerc´ıcioE. 37.63, obtenha a transformada de Fourier da fun¸c˜aoexp

−γx4+ αx3+βx2+δx

, comγ >0eα, β, δ∈C, em termos de expans˜oes em s´eries de potˆencias. 6

E. 37.65Exerc´ıcio. Usando as mesmas ideias dos Exerc´ıciosE. 37.61 ouE. 37.63, obtenha a transformada de Fourier da fun¸c˜ao

e−γx6,γ >0, em termos de expans˜oes em s´eries de potˆencias. 6

E. 37.66Exerc´ıcio dirigido.Paraβ >0, constante, seja a fun¸c˜ao

h(x) = 1

Observe que segue facilmente disso que para a fun¸c˜ao

h(x) = 1

cosh pπ

2x vale F[h] =h , (37.296)

ou seja, essa fun¸c˜aohtem a si mesma como transformada de Fourier!

Sugest˜oes. Observe queh(x) = 21+eeβx2βx. Logo,

1 +es ds. Como descreveremos abaixo, o limite lim

a→∞Iapode ser obtido considerando-se a integral complexa

e ondeCa´e o caminho de integra¸c˜ao retangular fechado e orientado no sentido anti-hor´ario indicado na Figura 37.5, p´agina 1966.

C

Figura 37.5: O caminho de integra¸c˜ao retangular fechado orientado no sentido anti-hor´arioCano plano complexo. Aqui, a >0 ´e arbitr´ario.

Constate que a integral no segmento horizontal inferior deCa´e precisamenteIa. Mostre que a integral no segmento horizontal superior deCa´eeπy/βIa. Mostre que as integrais nos segmentos verticais deCaconvergem a zero no limitea→ ∞. Conclua disso que

Z

CaF(z)dzpode ser calculada pelo m´etodo dos res´ıduos. Observemos para tal queF(z)´e da forma F(z) = p(z)

q(z), com p(z) = e(12−iy)z e q(z) = 1 +ez.

As fun¸c˜oespeq s˜ao fun¸c˜oes inteiras (anal´ıticas em toda parte) eqtem zeros somente nos pontos zn = (2n+ 1)πi,n∈Z, todos zeros simples (justifique essas afirma¸c˜oes!). H´a um ´unico desses zeros no interior do retˆangulo delimitado pela curvaCa, a saber, o pontoz0=πi. Sob essas circunstˆancias o Teorema dos Res´ıduos informa-nos queH

CaF(z)dzindepende deae que vale

(prove-a ou procure-a,e.g., em [75] ou [12]). Calculando o lado direito e reunindo os resultados, obtenha (37.295). 6

E. 37.67Exerc´ıcio dirigido.Este exerc´ıcio estende o m´etodo empregado no Exerc´ıcioE. 37.66, p´agina 1966. Paraβ >0, constante, seja a fun¸c˜ao

1 +es2ds. Como descreveremos abaixo, o limite lim

a→∞Iapode ser obtido considerando-se a integral complexa

e ondeCa´e o caminho de integra¸c˜ao retangular fechado e orientado no sentido anti-hor´ario indicado na Figura 37.5, p´agina 1966.

Constate que a integral no segmento horizontal inferior deCa´e precisamenteIa. Mostre que a integral no segmento horizontal superior deCa´e−eπy/βIa. Mostre que as integrais nos segmentos verticais deCaconvergem a zero no limitea→ ∞. Conclua disso que

CaF(z)dzpode ser calculada pelo m´etodo dos res´ıduos. Observemos para tal queF(z)´e da forma F(z) = p(z)

q(z), com p(z) =e(1−iy)z e q(z) = 1 +ez2

.

As fun¸c˜oespeqs˜ao fun¸c˜oes inteiras (anal´ıticas em toda parte) eqtem zeros somente nos pontoszn= (2n+ 1)πi,n∈Z, todos zeros duplos (justifique essas afirma¸c˜oes!). H´a um ´unico desses zeros no interior do retˆangulo delimitado pela curvaCa, a saber, o pontoz0=πi.

Sob essas circunstˆancias o Teorema dos Res´ıduos informa-nos queH

CaF(z)dzindepende deae que valeH

(prove-a ou procure-a,e.g., em [75] ou [12]). Calculando o lado direito e reunindo os resultados, obtenha (37.297). 6

Apˆ endices

37.A Prova de (37.21)

Nesta se¸c˜ao demonstramos a desigualdade (37.21), p´agina 1873, enunciada na proposi¸c˜ao que segue.

Proposi¸c˜ao 37.19Para todoqgrande o suficiente, a saberq > n, vale para todox∈Rn

Prova. Observemos em primeiro lugar que adotandou= x2 ev=x2 na identidade do paralelogramo, equa¸c˜ao (3.31), p´agina 236, obtemos

Acima, na passagem da segunda para a terceira linha usamos o fato que (1+c2)≥12(1+c)2para todoc∈R, consequˆencia de 2(1 +c2)−(1 +c)2= (c−1)2≥0. Na passagem da terceira para a quarta linha usamos o fato que para todosa, b∈R valea2+b2≥2ab, consequˆencia elementar da desigualdade (a−b)2≥0.

Retornando finalmente a (37.A.2), temos Z Paraqgrande o suficiente (q > n) a integral ´e finita, provando o que desej´avamos.

37.B Prova da Proposi¸c˜ ao 37.16

Esta se¸c˜ao ´e dedicada `a prova da Proposi¸c˜ao 37.16, p´agina 1923. Essa demonstra¸c˜ao requer alguns lemas preparat´orios, com os quais iniciaremos a discuss˜ao. Algumas das afirma¸c˜oes que seguem podem ser um tanto ´obvias para alguns, mas isso ´e um tanto ilus´orio. Por essa raz˜ao apresentamos demonstra¸c˜oes detalhadas. O leitor perceber´a que algumas das demonstra¸c˜oes adiante seguem passos familiares `a teoria das fun¸c˜oes “almost”-peri´odicas (vide,e.g., [216]).

•Alguns fatos preparat´orios Lema 37.2Sejama, b∈R. Ent˜ao, vale ent˜aoTgrande o suficiente para garantir quef1(t) exista para todot≥T. Fazendo a mudan¸ca de vari´avels=f(t) podemos escrever

Paraa= 0 um c´alculo simples mostra que F(T) = 1

e o limite paraT→ ∞n˜ao existe, exceto no casob= 0. Vˆe-se tamb´em dessa express˜ao que nesse caso lim sup

t→∞ |F(t)|>0.

O leitor pode perceber que a demonstra¸c˜ao acima pode ser estendida, por exemplo, substituindof(t) =at+blnt por fun¸c˜oesf que sejam da formaf(t) =at+g(t) comg(t)→0 parat→ ∞. Um exemplo s˜ao fun¸c˜oes do tipo f(t) =at+blnt+cln(lnt), definidas parat >1. Essas extens˜oes forneceriam maior generalidade aos resultados que se seguir˜ao, mas n˜ao trataremos delas aqui.

Lema 37.3Seja {ωk∈R,k = 1, . . . , n}um conjunto de n≥1n´umeros reais distintos e sejamd1, . . . , dn∈C, constantes. Considere-se a fun¸c˜aoH(s) =

Xn

s→∞H(s) = 0, o limite do lado esquerdo ´e nulo e, portanto,dl= 0. Comolfoi escolhido arbitrariamente, segue qued1=· · ·=dn= 0.

definida parat >0. Ent˜ao,lim sup o seu conjunto complementar, que ´e um subconjunto pr´oprio de{1, . . . , n}. Podemos escrever

G(t) =

e integrando entreTe 2T, obtemos 1

dt´e nulo. Pela hip´otese que lim sup

dt= 0. Assim, conclu´ımos que

Tlim→∞

Pelo Lema 37.3 (tomes= lnT) o limite acima s´o pode anular-se se todos os coeficientes forem nulos, ou seja, seck= 0 para todok ∈L. Com isso, estabelecemos que a soma que defineGpode ser reduzida ao conjuntoLc(que ´e um subconjunto pr´oprio de{1, . . . , n}):

Repetindo o argumento acima um n´umero finito de vezes provaremos que todos os coeficientesck,k= 1, . . . , n, s˜ao nulos.

Lema 37.5Seja{(ak, bk)∈R2, k= 1, . . . , n}um conjunto denelementos distintos deR2, comn≥1. Ent˜ao, as nfun¸c˜oesei aky+bklny

definidas paray >0s˜ao linearmente independentes, ou seja, se existirem constantesck∈C, k= 1, . . . , n, tais que

Prova.A afirma¸c˜ao ´e evidente pelo Lema 37.4.

Lema 37.6Seja{(ak, bk)∈R2, k= 1, . . . , n}um conjunto denelementos distintos deR2, comn≥1, e sejam

definida parat >0.

SejamAeCduas fun¸c˜oes definidas em(0,∞)tais que:1.A(t)G(t) =C(t)para todot∈(0,∞),2. lim isso implica queG´e identicamente nula. ComoA(t)G(t) =C(t), ´e v´alida para todot, isso implica queC´e tamb´em identicamente nula.

Com esses resultados `a m˜ao, passemos `a demonstra¸c˜ao da Proposi¸c˜ao 37.16.

•Prova da Proposi¸c˜ao 37.16

Comx=ey, a express˜ao (37.198) escreve-se

Seja a rela¸c˜ao de ordem emR2+ (vide enunciado da Proposi¸c˜ao 37.16) definida da seguinte forma: dizemos que (a, b)≻(a, b) sea > aou sea=amasb > b. Isso faz deR2+um conjunto totalmente ordenado. Vamos supor que

Re (ak0),Re (bk0)

seja o m´aximo (n˜ao necessariamente ´unico) do conjunto n

´e limitada no conjuntoy >0, pois

ei(Im (am)y+Im (bm) lny

= 1 para todo y >0.

segue pelo Lema 37.6 que X

mM

Portanto, pelo Lema 37.5, as fun¸c˜oeseiIm (am)y+Im (bm) lny

,m∈M, s˜ao linearmente independentes e conclu´ımos que cm= 0 para todom∈M, o que evidentemente implicacm= 0 para todom∈M.

A soma em (37.B.6) pode assim ser reduzida ao conjunto complementar deM(que denotamos porMc) e que ´e um subconjunto pr´oprio de{1, . . . , n}. Logo, obtemos, agora comα= 0,

ylim→∞

X

kMc

ckei(Im (ak)y+Im (bk) lny)eRe (ak)y+Re (bk) lny = 0.

Repetindo a argumenta¸c˜ao acima um n´umero finito de vezes, conclu´ımos que os coeficientesck s˜ao nulos para todo k= 1, . . . , n, como quer´ıamos provar.

Parte IX

An´ alise Funcional

1975

No documento 1875 37.2 Transformadas de Fourier (páginas 50-57)

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