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2 SISTEMA DE AVALIAÇÃO DO PROLICENMUS

2.1 COMPONENTES DO PROCESSO AVALIATIVO

2.1.1 Molduras

2.1.1.1 Exigências Legais e Institucionais

O Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES), criado pela Lei no

10.861, de 2004, tem como objetivo verificar, por meio de um processo contínuo, a qualidade da educação ofertada por Instituições de Ensino Superior (IES). Para dar conta de tal tarefa, o SINAES está organizado em três eixos: 1. Avaliação das instituições, 2. Avaliação dos Cursos e 3. Avaliação do desempenho dos estudantes. As IES são avaliadas nos aspectos que se

referem ao Ensino, à Pesquisa e a Extensão, sob as óticas da responsabilidade social, do desempenho dos alunos, da gestão da instituição, do corpo docente e das instalações que, em essência, giram em torno desses três eixos (BRASIL, 2015). Para Tenório e Argolo (2009, p. 109), tal proposta se fundamenta em uma visão formativa e regulatória da Avaliação, a qual não tem um fim em si mesma, mas sim o de contribuir e fazer parte de políticas públicas que garantam a interação nas dimensões “interna e externa, somativa e formativa, qualitativa e quantitativa”.

Ainda em se tratando do SINAES, seus principais objetivos permeiam a melhoria do “mérito e o valor das instituições, áreas, Cursos e Programas, nas dimensões de Ensino, Pesquisa, Extensão, Gestão e Formação”. Consequentemente, ocupa-se também com a melhoria da qualidade da Educação Superior e com a expansão de sua oferta, promovendo “responsabilidade social das IES, respeitando a identidade institucional e a autonomia de cada organização” (BRASIL 2015, n.p.). Na perspectiva do SINAES, instrumentos complementares como a autoavaliação, a avaliação externa, o Exame Nacional do Desempenho dos Estudantes (ENADE), avaliação dos Cursos de graduação e instrumentos de informação, como o censo e o cadastro, fazem parte da integração dos componentes avaliativos que “permitem que sejam atribuídos alguns conceitos, ordenados numa escala com cinco níveis, a cada uma das dimensões e ao conjunto das dimensões avaliadas” (BRASIL, 2015, n.p.). O PROLICENMUS submeteu-se à Avaliação de Curso do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas (INEP) e ao ENADE, alcançando, em ambas, a nota 5 (cinco), que é a máxima dessas escalas.

Em paralelo a tais processos regulatórios, o Regimento Geral da UFRGS, em seu Art. 135, prevê os conceitos A = ótimo, B = Bom, C = Regular, D = Insatisfatório e FF = Falta de Frequência, sendo o conceito C equivalente à 60% do aproveitamento acadêmico e a frequência mínima exigida é de 75%. A concepção de conceito adotada pela UFRGS diferencia-se de muitas outras universidades brasileiras, que adotam o sistema numérico, com atribuição de notas. A ideia central subjacente à atribuição de notas é a de que o professor, em sua ação pedagógica, pode traduzir o rendimento da aprendizagem do estudante, em uma grandeza numérica de forma objetiva. O assunto é discutido por diversos autores ao longo da história da Avaliação e sempre há controvérsias (TYLER, 1974; GUBA; LINCOLN, 1989; HADJI, 2001; VIEIRA; TENÓRIO, 2010; LUCKESI, 2011). A pergunta que fica é: no campo da aprendizagem, haveria um instrumento inequívoco e confiável, que pudesse fornecer uma informação tão exata? Entende-se, que uma prova seja um instrumento capaz de precisar, se o estudante reteve ou não determinada informação, quando se tem como objetivo a

memorização de uma informação. Entretanto, a questão da avaliação da aprendizagem vai além da devolução precisa de informações.

Ressalta-se, que, mais importante que a retenção de informações em processos de aprendizagem, sejam as capacidades a ser desenvolvida, no estudante, para resolver problemas, adquirir competências de realizar leitura de si mesmo e do mundo, atuar como interlocutor e intérprete dos diferentes estilos e formas textuais e obras artísticas, por exemplo. Tais elementos são de difícil mensuração, por meio de instrumentos avaliativos que requerem precisão numérica. Afinal, é preciso levar em consideração, que um Curso de graduação vai além do que a mera formação técnica.

Observe-se, que existem três conceitos de aprovação (A, B, C) e apenas um de reprovação (D). Isso porque, ao ser aprovado, cabe proporcionar ao aluno subsídios, para que ele possa refletir sobre sua condição de ter conseguido se desenvolver o suficiente (C), ter conseguido superar as expectativas mínimas (B), ou ter atingido um nível de excelência excepcional (A). Já ao ser reprovado (D), basta apenas que ele tome consciência de que ainda não alcançou o desenvolvimento necessário para progredir, e que receberá a oportunidade de recomeçar seus esforços, sem que para isso, tenha sua autoestima comprometida por um número com maior ou menor aproximação do zero. Entende-se, assim, que esses conceitos representam o tempo de maturação que cada um precisa ocupar, para aprender, em sua instância de interesses e na medida exigida pela instituição que o autoriza a usar tais conhecimentos, profissionalmente.

O Projeto Pedagógico do Curso Licenciatura em Música modalidade EAD da UFRGS e Universidades Parceiras foi elaborado, exclusivamente, para a edição única do PROLICENMUS; portanto, este teve um PPC peculiar. Nele, a Avaliação foi prevista em dois blocos: o primeiro estava focado na forma de avaliar e acompanhar o andamento do próprio Curso e teve, como objetivo, “aperfeiçoar o trabalho e refletir com a equipe docente os aspectos positivos, as limitações e os pontos sensíveis no trabalho com EAD, ” justificada por esta se configurar como uma experiência inédita, em um Curso de Licenciatura em Música, pioneiro nessa modalidade, no Brasil. E o segundo estava focado no Sistema de Avaliação do Processo de Ensino-Aprendizagem, objeto de estudo desta tese, cabendo-lhe a Avaliação discente e docente, tendo assim, Molduras e Instrumentos próprios, complementares e diferenciados, demandadas essencialmente pela própria modalidade do Curso.

Dentre os pressupostos dos sistemas avaliativos adotados no PROLICENMUS, no que tange à Avaliação do Curso, houve uma divisão em dois blocos: Avaliação de Eixo e Avaliação da Instituição. A primeira, conduzida pela própria Coordenação do projeto,

contemplou a avaliação do próprio Curso, por Eixo Articulador da Matriz Curricular; ou seja, apreciou todos os seguimentos internos e curriculares do Curso, com o objetivo de antecipar ações e ajustar, continuamente, encaminhamentos. Para tanto, foram adotados formulários eletrônicos, com vistas a agilizar os procedimentos; sem, contudo, terem a intenção de controlar, mas sim de diagnosticar problemas, apresentando soluções a tempo. A segunda, Avaliação da Instituição, contou com a Administração Central da UFRGS, na Secretaria de Avaliação Institucional, responsável pelas ações de avaliação desenvolvidas dentro da própria Universidade; e contou, também, com o Núcleo de Avaliação da Unidade (NAU), realizando avaliações anuais. O trabalho do NAU incluía a Avaliação do Ensino oferecido pelo Curso, permeando, assim, a avaliação do professor na sua atuação docente, a partir das observações e demandas apresentadas pelos discentes. Para tanto, eram utilizados formulários próprios, disponíveis no portal do aluno, no site da UFRGS. Tratou-se, até aqui, das Molduras externas ao projeto, referentes aos caminhos avaliativos legais e institucionais; em relação à avaliação de desempenho dos discentes, de modo particular e interno ao projeto, o Sistema de Avaliação foi emoldurado de acordo com a descrição que será apresentada no próximo tópico.