4 O ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DE SOFTWARE DE FLORIANÓPOLIS:
4.3 Caracterização das empresas 149
4.3.2 Nascimento e desempenho das firmas 152
4.3.2.1 Experiência inicial das micro e pequenas empresas 154
No que diz respeito ao número de sócios, a Tabela 28 aponta que apenas uma MPE (6,7%) da amostra foi fundada com um único sócio, indicando um perfil de receio em abrir esse tipo de empresa sozinho. É mais atrativo abrir o negócio com um número maior de sócios, sendo o predominante da amostra a composição com 2 sócios fundadores. Tal característica está relacionada à falta de experiência destes na atividade, como também devido a necessidade de se ter recursos financeiros, que são relativamente altos às pessoas nesta faixa de idade para abrir uma empresa.
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A indústria de software está muito relacionada à criatividade, permitindo que caso a pessoa tenha conhecimento das ferramentas a serem utilizadas, ela possa se tornar um profissional ou até mesmo exercer outra atividade e, eventualmente, desenvolver software e vendê-lo para que uma empresa o comercialize.
Tabela 28: Número de sócios fundadores das micro e pequenas empresas do APL de software de Florianópolis/SC, 2007.
Sócios Micro Pequena Total
Total % Total % Total %
1 1 9,1 0 0,0 1 6,7
2 6 54,5 2 50,0 8 53,3
3 1 9,1 0 0 1 6,7
> 3 3 27,3 2 50,0 5 33,3
Total 11 100,0 4 100,0 15 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2006.
Segundo a Tabela 29, destaca-se o perfil similar do principal sócio fundador das empresas da amostra: pessoas do sexo masculino (100%) com idade de até 30 anos (72,7%), sendo indiferente se os pais foram empresários ou não.
Tabela 29: Perfil dos principais sócios fundadores das micro e pequenas empresas do APL de software de Florianópolis/SC, 2007.
Perfil do Principal sócio fundador Micro Pequena Total
Idade de criação da empresa Total % Total % Total %
Até 30 anos 8 72,7 3 75,0 11 73,3 Entre 31 e 40 anos 3 27,3 1 25,0 4 26,7 Acima de 41 anos 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Total 11 100,0 4 100,0 15 100,0 Sexo Masculino 11 100,0 4 100,0 15 100,0 Feminino 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Total 11 100,0 4 100,0 15 100,0 Pais Empresários Sim 7 63,6 0 0,0 7 46,7 Não 4 36,4 4 100,0 8 53,3 Total 11 100,0 4 100,0 15 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2006.
Quanto à estrutura de capital das MPE`s, a Tabela 30 mostra o predomínio do capital próprio dos sócios, que atinge 100% das micro e 82,5% das pequenas empresas no 1º ano de constituição, sendo que, na última, o restante do volume é complementado por empréstimos de parentes e amigos. Tal último fato se agrava com a deficiência do sistema bancário brasileiro em conceder crédito a juros viáveis a novos negócios e a micro e pequenos empresários.
Tabela 30: Estrutura do capital das micro e pequenas empresas do APL de software de Florianópolis/SC, 2007.
Fonte de Recursos Micro Pequena
1º Ano 2005 1º Ano 2005
Dos sócios 100,0 95,5 82,5 78,7
Empréstimos de parentes e amigos 0,0 0,0 17,5 0,0 Empréstimos de instituições financeiras gerais 0,0 3,6 0,0 3,8 Empréstimos de instituições de apoio as MPE’s 0,0 0,9 0,0 2,5 Adiantamento de materiais por fornecedores 0,0 0,0 0,0 2,5 Adiantamento de recursos por clientes 0,0 0,0 0,0 12,5
Outra 0,0 0,0 0,0 0,0
Total 100,0 100,0 100,0 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2006.
Na Tabela 31, o indicador enfatiza apresenta que todos possuíam o ensino médio completo, sendo que 20,0% dos sócios possuíam o superior incompleto e a maioria (46,7%) com o curso superior completo, de forma que uma parcela um pouco inferior (33,3%) com nível de pós- graduação76. Este fato comprova que, nessas empresas, os empresários possuem alta qualificação técnica.
Tabela 31: Nível de escolaridade dos principais sócios fundadores das micro e pequenas do APL de software de Florianópolis/SC, 2007.
Escolaridade Micro Pequena Total
Total % Total % Total %
Analfabeto 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Ensino Fundamental Incompleto 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Ensino Fundamental Completo 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Ensino Médio Incompleto 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Ensino Médio Completo 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Superior Incompleto 2 18,2 1 25,0 3 20,0
Superior Completo 4 36,4 3 75,0 7 46,7
Pós-Graduação 5 45,5 0 0,0 5 33,3
Total 11 100,0 4 100,0 15 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2006.
Se considerar que uma parcela significativa dos estudantes universitários (graduação e pós- graduação) possui a faixa etária de no máximo 30 anos, entende-se que, com os dados de ambas as Tabelas, uma parcela importante dos sócios fundadores das MPE’s consiste de
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De fato, apenas uma das entrevistadas possuía um dos sócios, ainda que não-fundador, sem ter concluído nem estar cursando o nível superior.
pessoas que estão ou estiveram recentemente ligadas a universidades na condição de alunos. Se as universidades são fontes vitais de conhecimento para a constituição dessas empresas (devido aos cursos de engenharia e computação), a limitação de número de vagas poderá se constituir num empecilho ao crescimento de novas empresas como um todo.
De acordo com a Tabela 32, cerca de 40,0% dos sócios fundadores ainda eram estudantes universitários ao criar a empresa. Uma minoria (6,7%) se encontrava empregada na média ou grande empresa local e 13,3% eram empresários. Os demais 40% dos sócios fundadores se dividiam igualmente entre empregados de micro ou pequena empresa e de empresas fora do arranjo, com 20% em cada atividade. Não foram apontadas outras origens tais como funcionário de instituição pública77 ou estudante de escola técnica.
Tabela 32: Atividade do principal sócio fundador antes de constituir a empresa no APL de software de Florianópolis/SC, 2007.
Atividade Micro Pequena Total
Total % Total % Total %
Estudante Universitário 3 27,3 3 75,0 6 40,0
Estudante de Escola Técnica 0 0,0 0 0,0 0 0,0 Empregado de micro ou pequena empresa local 3 27,2 0 0,0 3 20,0 Empregado de média ou grande empresa local 0 0,0 1 25,0 1 6,7 Empregado de empresa de fora do arranjo 3 27,3 0 0,0 3 20,0 Funcionário de instituição pública 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Empresário 2 18,2 0 0,0 2 13,3
Outra 0 0,0 0 0,0 0 0,0
Total 11 100,0 4 100,0 15 100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 2006.
Referente ao grau de dificuldade no primeiro ano e em 2005, a Tabela 33 aponta que as microempresas não possuíram dificuldades com alto índice, de maneira que as maiores foram por custo ou falta de capital de giro e venda da produção com 0,55, seguido de custo ou falta de capital para a aquisição de máquinas e equipamentos (0,49) e contratar empregados qualificados (0,43). Já no ano de 2005, a contratação de empregados qualificados se tornou o fator de maior dificuldade, com índice 0,68, seguido da venda da produção e custo ou falta de capital de giro, cujos valores pouco se alteraram. É possível destacar que, com a exceção de contratar empregados qualificados, todos os demais índices mantiveram valores próximos. Para as pequenas empresas, os maiores índices se referem aos mesmos das microempresas,
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Apesar da amostra não apontar como origem funcionário de instituições públicas, esse percentual nulo não deve ser tomado como uma característica das empresas do APL em questão, pois a presença de professores de universidades e outros centros de ensino como sócios não é irrelevante.
mas com alta intensidade (0,87), de forma que, no primeiro ano, o custo ou a falta de capital para a aquisição de máquinas e equipamentos também é significativo, com (0,77). As principais dificuldades do 1º ano tiveram seus índices reduzidos, com exceção da contratação de empregados qualificados, que, no primeiro ano, era de 0,33 e ampliou-se para 0,87. Tal característica está associada ao crescimento da empresa, que passa a necessitar de um número maior de empregados, mas também do crescimento do mercado acima da oferta de mão-de- obra.
Tabela 33: Índice de grau de importância das dificuldades na operação das micro e pequenas empresas do APL de software de Florianópolis/SC, 2007.
Micro Pequena
1ºAno 2005 1ºAno 2005
Contratar empregados qualificados 0,43 0,68 0,33 0,87 Custo ou falta de capital de giro 0,55 0,55 0,87 0,53 Custo ou falta de capital para aquisição de máquinas e
equipamentos 0,49 0,42 0,77 0,63
Custo ou falta de capital para aquisição/locação de
instalações 0,39 0,28 0,40 0,20
Pagamento de juros 0,12 0,15 0,43 0,43
Produzir com qualidade 0,42 0,42 0,43 0,20
Vender a produção 0,55 0,56 0,87 0,53
Outras dificuldades 0,09 0,16 0,33 0,10
Fonte: Pesquisa de Campo, 2006.
Nível: 0 - Nulo; 0,01 a 0,49 – Baixo; 0,50 a 0,79 Médio e 0,8 a 1,0 Alto.
Destaca-se o fato de que, a partir do momento em que a empresa adquire competências para desenvolver o software, o ato de produzi-lo torna-se relativamente simples, da mesma forma, o empresário acaba por identificar na limitação de seus clientes seu crescimento. No entanto, grande parte dos micro e pequenos empresários adotam uma postura passiva no que diz respeito ao lado comercial. Adiciona-se o fato de que o contrato com representantes comerciais muitas vezes não se aplica ao software, que é único para cada cliente, não tornando compensável financeiramente, pois é mais vantajoso ganhar na venda do mesmo produto a vários clientes.
Nesses termos, o item produzir com qualidade apresentar um índice baixo (0,42) conclui-se que a qualificação desses empresários e seus funcionários é suficiente para criar produtos a seus clientes sem maiores dificuldades. Quanto ao item pagamento de juros, este é muito baixo (0,12 no 1º ano e 0,15 em 2005), pelo simples fato de que raramente tais empresas tomam empréstimos.
Para as atuais pequenas empresas da amostra, a maior dificuldade no primeiro ano de atividade foi a venda da produção, sendo seguida pelo custo ou falta de capital para a aquisição de máquinas e equipamentos e para capital de giro. Novamente, contratar empregados qualificados não era uma preocupação na época para muitos desses, de modo que o índice aparece baixo (0,33), e com o passar dos anos, à medida que a necessidade por novos funcionários aparece, o referido índice tende a se elevar, mostrando-se que na pesquisa com grau 0,87. O mesmo índice também representa as dificuldades de venda da produção e custo ou falta de capital de giro. Quanto à venda da produção, existem questões como abrangência nacional, necessidade de investimento em marketing, colocar o produto nacionalmente e chegar ao público-alvo.
No tocante à relação de trabalho nas micro e pequenas empresas, a Tabela 34 indica que os contratos formais são predominantes em ambas, mas percebe-se que as microempresas possuem em média apenas 2,6 contratos por empresa, enquanto que as pequenas possuem um número muito superior, de 21,0 contratos. Outro ponto de forte diferença diz respeito à média em relação ao número de estagiários, na micro em 2,5 e na pequena em 7,5. Tal fato mostra que tais empresas têm uma intensidade maior de interação com universidades, pois passam a necessitar de sua mão-de-obra, treinando-a para que seja inserida no mercado de trabalho futuro.
Tabela 34: Relação de trabalho presente nas micro e pequenas empresas do APL de software de Florianópolis/SC, 2007.
Relação de trabalho
Micro Pequena Total
Número de Pessoas Número de Pe ssoas p o r Empr esa % Número de Pessoas Número de Pe ssoas p o r Empr esa % Número de Pessoas Número de p essoas p o r Empr esa % Sócio Proprietário 30 2,6 28,5 13 3,2 8,1 40 2,7 15,3 Contratos Formais 30 2,6 28,5 84 21,0 53,1 114 7,6 43,7 Estagiário 28 2,5 26,8 30 7,5 18,8 58 3,9 22,2 Serviço Temporário 1 0,1 1,0 6 1,5 3,7 7 0,5 2,7 Tercerizados 12 1,1 11,4 26 6,5 16,3 38 2,5 14,6 Familiares sem contrato formal 4 0,4 3,8 0 0,0 0,0 4 0,3 1,5 Total 105 9,5 100,0 159 39,7 100,0 261 17,4 100,0