Passivos Contas a Pagar
II. 3. F ASES DA D ESPESA
A LCPA não veio alterar as fases da despesa, estas mantém-se inalteradas; veio apenas alterar a enfase do controlo, que anteriormente era feito na fase do pagamento, e que agora passa a ser feito na fase do compromisso, numa atitude antecipatória e preventiva.
A assunção de despesas suportadas apenas pela existência de cabimento prévio com base na existência de dotação orçamental permitiu, de forma continuada, a realização de despesas muito acima da efetiva capacidade de efetuar os respetivos pagamentos. Este mecanismo, embora assente em pressupostos legais, conduziu a elevados níveis de dívida e ao acumular de pagamentos em atraso responsáveis, em parte, pelo elevado défice da economia portuguesa – é precisamente para estancar este problema que surge a Lei dos Compromissos e dos Pagamentos em Atraso.
Mantém-se as regras fundamentais definidas no POCAL que obrigam a que sejam sempre tidos em conta os princípios da utilização racional das dotações aprovadas (o que implica a justificação da despesa quanto à sua economia, eficiência e eficácia) e também que “as despesas só podem ser cativadas, assumidas, autorizadas e pagas se, para além de legais, estiverem inscritas no orçamento e com dotação igual ou superior ao cabimento e ao compromisso, respetivamente”.
Com a LCPA acresce agora uma nova obrigatoriedade – a despesa só pode ser realizada se existirem fundos disponíveis na fase do compromisso, pois só assim se pode garantir a real capacidade da entidade para efetuar o respetivo pagamento à posteriori.
Como referido, as fases da despesa mantém-se, tal como podemos verificar no esquema a seguinte:
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Fonte: Adaptado do Manual de Procedimentos LCPA da DGO
Cabimento - a entidade continua com a obrigatoriedade de registar no seu sistema contabilístico o respetivo cabimento; este processo não sofre qualquer alteração tendo sempre por base o orçamento anual da entidade líquido de cativos
Autorização da despesa – o processo de autorização de despesa não sofre alterações, mantém os mesmos pressupostos: está sujeita à verificação da sua conformidade legal e regularidade financeira, económica, de eficiência e de eficácia e deve ser autorizado por quem tem competência para o efeito.
Compromisso – do mesmo modo que o cabimento, a entidade deve também, obrigatoriamente, registar o compromisso no sistema contabilístico. Este registo deve ocorrer o mais cedo possível, por norma, e de acordo com a LCPA, pelo menos três meses antes da data prevista para o seu pagamento, pois é aqui que surge a obrigação perante terceiros. No momento do registo do compromisso é-lhe atribuído um número “válido e sequencial que é refletido na ordem de compra, nota de encomenda ou documento equivalente, e sem o qual o contrato ou a obrigação subjacente em causa são, para todos os efeitos nulos”, nos termos do disposto no nº 3 do artigo 5º da LCPA. Contudo o nº 4 do mesmo artigo possibilita que esta nulidade “pode ser sanada por decisão judicial, quando ponderados os interesses públicos e privados em presença, a nulidade do contrato ou da obrigação se revele desproporcionada ou contrária à boa-fé”. A principal novidade da LCPA no que se refere aos compromissos, e é aqui que reside a importância deste diploma, é que estes apenas podem ser assumidos se existirem fundos disponíveis. 1º
• Cabimento
2º• Autorização da despesa
3º• Compromisso
4º• Processamento
5º• Autorização do Pagamento
6º• Pagamento
Antes da LCPA Depois da LCPA48
Processamento – de acordo com a LCPA as despesas só podem ser processadas e pagas, se os compromissos tiverem sido assumidos em conformidade com as regras, normas e procedimentos por ela definidos.
Resumidamente, nenhum compromisso poderá ser assumido sem que sejam cumpridos, cumulativamente, os seguintes pressupostos:
Verificação da conformidade legal da despesa;
Verificação da regularidade financeira (inscrição orçamental, isto é, respetiva cabimentação na rubrica orçamental adequada);
Verificação da existência de fundos disponíveis;
Registo no sistema informático de apoio à execução orçamental;
Emissão de um número válido e sequencial que deve ser refletido na ordem de compra, nota de encomenda ou documento equivalente.
Ainda relativamente à assunção de compromissos, o Dec. Lei nº 127/2012, de 21 de junho, na sua atual redação dada pelo DL nº 99/2015, de 2 de junho, indica no nº 1 do artigo 8º que “ a assunção de compromissos no âmbito dos contratos com duração limitada ao ano civil, independentemente da sua forma e natureza jurídica, deve ser efetuada pelo seu valor integral aquando da outorga do respetivo contrato, emissão da ordem de compra, nota de encomenda ou documento equivalente”, ainda que o pagamento possa vir a ocorrer de forma faseada. Acrescenta no seu nº 2 que “independentemente da duração do respetivo contrato, se o montante efetivamente a pagar não puder ser determinado no momento da celebração do contrato, nomeadamente, por depender dos consumos a efetuar pela entidade adjudicante, a assunção do compromisso é efetuada aquando da emissão da nota de encomenda se for o caso ou pelo valor estimado dos encargos relativos ao período temporal de apuramento dos fundos disponíveis”.
Uma outra novidade apresenta a LCPA no que respeita às despesas de caráter permanente, como sejam as despesas com pessoal, energia elétrica, rendas, etc. Contrariamente ao que era anteriormente feito tendo por base o POCAL (no que se refere ao subsetor local), em que o registo do compromisso era efetuado em muitas situações de pelo seu valor anual, o que permitia de alguma forma ter uma perspetiva de longo prazo dos compromissos, este diploma legal vem permitir o registo num horizonte temporal de três meses, dada a sua relação com o período de previsão dos fundos
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disponíveis; possibilita-se agora que o compromisso criado no início do ano seja reforçado com a mesma periodicidade do cálculo dos fundos disponíveis.