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4.1 Espaços, formas e plataformas

4.1.1 Facebook: sentidos ambivalentes

O Facebook, considerado a maior dentre as redes sociais existentes, teve sua origem em experiências universitárias de quatro jovens estudantes de Havard - Dustin Moskovitz e Chris Hughes e o brasileiro Eduardo Saverin, e Mark Zuckerberg. Os amigos, por meio de discussões e experimentos, motivadas por situações cotidianas e interesses coletivos.

―Comparar garotas da universidade, classificando-as segundo a beleza e ―sex appeal‖ - o motivador inicial, construíram a rede de relacionamentos com maior projeção no mundo, na atualidade.

Conflitos compreenderam a emergência dessa rede, mas não impediram seu crescimento e explosão em níveis inimagináveis, corroborando a acepção semmeliana de que o conflito pode ser algo positivo. O serviço mostrou grande potencial para conectar pessoas segundo afinidades e interesses, popularizando-se rapidamente, atraindo outras universidades e, posteriormente adentrou outros espaços sociais, para além da academia, tornando-se uma empresa. No Brasil, em 2011, contava com cerca de 80 milhões de usuários, com margem de faturamento na casa dos 921 milhões de dólares (SBARAI, 2014 In: Veja Especial; KIRPATRICK, 2010).

No Facebook, a comunicação é um dos princípios operadores dos processos de sociação, ―[...] mais esses são um dos maiores, é.... das redes sociais hoje, por conta da comunicação” (JOSE, CEEGTR). Ao se expressar, o aluno reafirma o objetivo de criação da plataforma de ser fomentador de relacionamentos entre as pessoas, ser um espaço trocas, possibilitando o encontro.

Para Antonia (CEESA), deve-se usar [...] O Facebook pra se comunicar com eles. É a comunicação que é acionada em primeira instância, quando se tenta interpretar os sentidos do uso feito pelos alunos, uma necessidade vital que encontra na plataforma, ou site de rede social, o espaço ideal, ou idealizado para tais fins, assessorados pela internet e pela cultura da mobilidade.

Os jogos, enquanto atividades lúdicas desempenham papel importante nos processos de sociabilidade em rede, sendo também desencadeadores de sociação. ―[...] é o Facebook, é, rede social de jogos que também é ligado ao Facebook. O Facebook, porque... tem aplicativos que tu joga, joga, joga ai tua pontuação posta no face. (PAULO, CEESA). Muitos dos usuários do site de rede social Facebook baixam os aplicativos de jogos. Entretanto, não é simplesmente a ação ou o prazer de jogar, pois emerge nesse cenário a possibilidade de visibilidade promovida pela rede. Logo, poder postar a pontuação e tornar visível a atuação também se insere como motivador de sociações nesses processos.

O mix de uma comunicação multifacetada: texto, foto, vídeo, chat, linha do tempo, sistema de geolocalização, tudo no mesmo espaço, colocado à disposição do usuário do Facebook, é um dos principais motivos de esta vir mantendo a preferência entre os demais sites de rede social, até o momento.

Para Antonia (CEESA), participar de jogos online na rede é uma das formas de estabelecer relações para além das fronteiras nacionais, ―[...] até mesmo de jogos mesmo, eu participo bastante, geralmente quando eu tou, eh... jogando com outra pessoa de outro país ne... O relato evidencia experiências com realidades distintas das vividas pela aluna. Jogar com pessoas de outros países, fala de novos conhecimentos, de acesso a outras culturas, de possibilidades que na realidade presencial geralmente se tornam mais difíceis, mais distantes.

Os jogos tornaram-se fundamentos bem-sucedidos no Facebook, ampliando suas fronteiras com a atração de milhares de jogadores. Jogos que podem ―ser jogados por cerca de 50 milhões de usuários por mês‖ (KIRKPATRICK, 2011, p. 226-227).

Até novembro de 2010, havia 18 jogos no Facebook com mais de 10 milhões de jogadores, de acordo com a Inside Network. O World of Warcraft, um jogo

altamente complexo, dominou durante anos o cenário dos jogos coletivos on-line, com mais de 11,5 milhões de jogadores.

Os esforços no sentido de se manter no topo são contínuos, e os desafios constantes. Não se deve construir muros, mas mover-se com o mundo, conviver com a concorrência. Segundo Kirkpatrick (2011), essa foi a resposta de Zuckerberk ao ser questionado sobre as inovações dentro da plataforma.

Perpassam os objetivos desse movimento a garantia de membros alimentando cotidiana e continuamente suas páginas. Todo o esforço busca agregar e manter o maior número de pessoas, atividades, negociações em circulação na rede, o leque de possibilidades só se amplia. Entretanto, alguns relatos que demonstraram certo desinteresse pelo Facebook chamaram a nossa atenção.

José (CEEGTR), ao falar de redes sociais, aponta o Facebook, mas revela: ―[...] pode ser o Facebook também, só que esse eu não uso muito‖, o que é confirmado também na fala de Marcos (CEEGTR): No momento eu não tou utilizando muito o Facebook‖. Pode até parecer algo inusitado, inesperado, visto que a tendência é o crescimento do número de usuários.

Porém, essa já é uma questão que ronda os empresários do site, a concorrência, dada a entrada no mercado dos aplicativos de mensagens instantâneas, que vêm atraindo a atenção e provocando a migração de muitos usuários. Como neste caso: ―[...] mais eu utilizo no caso o Skype, o WhatsApp, e usava o Viber, mais eu não tou usando mais só agora, só o WhatsApp, entendeu? (MARCOS, CEEGTR).

Esse fato reforça a preocupação que já rondava o pensamento dos donos da empresa Facebook.

Zuckerberg e sua equipe estão cientes de que, por ora, seu maior rival não está no setor de redes sociais, mas no mercado de aplicativos de mensagens instantâneas. Há três empresas para acompanhar de perto: as americanas Snapchat e WhatsApp e a chinesa WeChat. A preocupação é que o público jovem inicie uma migração para esses serviços, atraindo depois os demais usuários. (SBARAI, 2014 In: Veja Especial).

Alguns elementos podem ser elencados como suscitadores do aparente desinteresse pelo Facebook. José relata a existência de muita informação desnecessária, postagens sobre a vida particular das pessoas, seus afazeres diários, que na visão dele, não são do interesse do público em geral, o que pode tornar a página desinteressante, ou exigir muito tempo de conexão para que se possa visualizar todas as postagens.

A relação dos jovens com o tempo é uma marca central no uso das tecnologias digitais, e investir muito desse tempo em olhadelas e visualizações de postagens que não despertam interesse não é motivador, podendo atuar como fator de desligamentos. ―[...] é.... que eu também não tenho mais tempo pra mexer no... pra mexer no face, é um pouco demorado (MARCOS).

Essas falas soam como alguns indícios que podem indicar ou contribuir para um aparente desgaste da ferramenta, o que já tem sido comprovado em algumas pesquisas, só que, a nosso ver, isso ainda pode ser algo um pouco distante, pois, mesmo com todas as possíveis negatividades que possam rondar as interações nessa rede, ainda é muito comum ouvirmos depoimentos como o de Antonia: ―[...] Não dá pra deixar... Eu não sei nem porque, mais não dá pra deixar... acho que pelo fato de a gente... cada dia que a gente abre nosso Facebook, tem uma coisa nova, ou a gente abre a internet tem uma coisa nova pra mostrar”.

Vivemos uma sociedade em continuas e profundas transformações, pelas quais as inovações dão o tom das mudanças. Nessa esteira é que o WhatsApp, um aplicativo de mensagens em tempo real, insurge como um potencial concorrente a ser vencido. Porém, como o mundo empresarial busca sempre estar um passo à frente, não tardou, e em o6 de outubro de 2014, os donos do Facebook compraram o aplicativo de mensagens WhatsApp, buscando assim, garantias para se manter no topo, pois, com essa aquisição, passaram a administrar as duas redes mais populares no mundo atualmente. Só não se pode precisar até quando(FOLHA UOL, 2014).

Compreendemos, portanto, que o Facebook, mesmo considerando algumas que demonstram certo desinteresse no uso da plataforma, apontam para sentidos ambivalentes, pelo fato de ser uma rede social que, mesmo ainda figurando com a mais utilizada das redes, as relações que são estabelecidas nessa rede nem sempre são consideradas como relações confiáveis como abordaremos a seguir. Perpassam as falas dos alunos um misto de (in) segurança nas interações no Facebook. O que parece desvelar sentimentos de ―bem‖ e ―mal‖ quando se trata de uso dessa rede social como podemos observar na fala de Joaquim (CEESA) ―e pode ser até um meio bom, mais hoje é até ruim, porque a pessoa pode até tá inventando alguma coisa, por isso que as vezes é difícil”.

As incertezas geram tensões e permitem pensar a plataforma como sendo boa e ruim ao mesmo tempo. Entendemos que a rede pode ser ―boa‖, por tudo o que ela pode proporcionar de encontros, de conhecimentos, saberes, informações e que pode ser ―má‖ por poder esconder, camuflar, disfarçar e repassar informações falsas como sendo verdadeiras.