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Faculdade versus concurso público

No documento Simples Assim - Evandro Guedes (páginas 155-161)

B

em, o nome do capítulo parece sugestivo e nos leva a crer que iremos discutir aqui qual é o melhor caminho para sua vida. Contudo, esse não é o foco principal e tratarei o assunto sob dois prismas diferentes.

O primeiro diz respeito ao maior confronto de quem já tem nível superior e está estudando para concursos. Para você que está formado, que estudou quatro, cinco anos e ostenta hoje um diploma que não está resolvendo muita coisa, a pergunta é uma só:

“– Por que a faculdade passou tão rápido e o estudo para o concurso simplesmente parece não ter fim?”

A resposta é simples: responsabilidade! Quando entramos na faculdade – na maioria das vezes –, nem mesmo sabemos o porquê de estarmos fazendo aquele curso ou o porquê de escolhermos aquela área.

No início, tudo são flores, pois ver um filho formado é praticamente o sonho de todo pai e toda mãe que se preze. Na prática, o sonho aqui nem mesmo é seu!

No primeiro ano, você faz a maior festa, comemora ter entrado em uma faculdade particular (com exceções, é claro),

em que o vestibular não foi mais do que fazer uma redação e, pior, nem correção fizeram, somente matricularam você. A sequência já é conhecida: barzinhos, comemorações e notas razoáveis, ou seja, você tira a nota somente para passar. É o chamado “fazer para o jantar”!

Quando você chega à metade da faculdade, você jura que, se não tivesse investido tanto, tinha parado, que tudo parece não fazer sentido e que o curso é a maior enganação. Pelo menos, esse é o sentimento de muitos e, repito, não estou generalizando, apesar de saber que, se você está lendo este livro, é porque de fato a sua faculdade não resolveu muita coisa!

O final é conhecido. Professor bom é aquele que não faz chamada e que dá nota. Isso mesmo! Os melhores são os mais incompetentes e os mais responsáveis são os chatos que não deixarão você se formar!

Depois disso, chega o grande dia. Você se formou, fez a maior festança, comeu, bebeu e reclamou que algo deu errado na sua formatura, mas, tudo bem, enfim, formado!

Mas é aqui que você se dá conta de que a ostentação do seu diploma não quer dizer garantia de um futuro estável. Pronto, agora você está no mundo cão, onde todos possuem os mesmo requisitos e a disputa por migalhas é severa!

Os anos de faculdade passaram e você nem percebeu! Diferentemente, estudar para concursos possui um viés bem diferente. O que manda é a palavra “responsabilidade” e não existe professor que fará você passar, ou mesmo segredos mágicos como aquelas colas que você fazia para se virar quando algo dava errado!

O jogo aqui, concursando, é algo sério e a disputa não tem pena de você. Naquela época, você estudava somente para passar de ano. Agora, a disputa é para mudar sua vida e é exatamente por isso que o tempo parece não passar.

Imagine-se estudando 500 horas reais, os seja, aquelas em que você se senta na frente dos livros e “abre” o cronômetro e, a qualquer parada, para igualmente o cronômetro.

É, estudar para concursos gera uma responsabilidade única e, para que você entenda, vou exemplificar:

Já reparou no dia do concurso aqueles milhares de concorrentes chegando felizes da vida e com a sensação de que irão passar no concurso? Então, aqueles senhores e senhoras são “os bobos da vez”! Fico imaginando o quão inocente são aquelas criaturas sem noção que acham que passarão em um concurso para ganhar bem, ter estabilidade e se garantir para o restante da vida sem ao menos conhecer o edital. Pobres mortais normais e esquisitos!

Agora, se você se dedicou, ralou, estudou por horas e horas, a responsabilidade cria o efeito reverso. Cria a forte sensação – minutos antes da prova – de que você não sabe nada, que tudo que você estudou não faz sentido e que tudo vai dar errado!

Agora, imagine essas sensações sendo multiplicadas por dezenas de vezes, por dezenas de concursos que gerarão fracassos e por anos a fio sendo cobrado e responsabilizado por algo que as outras pessoas nem ao menos entendem.

Por isso nós, concurseiros, somos chamados de estranhos, esquisitos, antissociais. Somos chamados assim porque, para as pessoas que não estudam, o tempo passa muito rápido e, para nós, parece que simplesmente o tempo não passa!

Fico imaginando você, que está lendo isso e não tem nível superior. Meu Deus! Sua cabeça parece que vai dar um nó, pois você estava prestes a começar a faculdade e agora não sabe mais o que quer fazer!

Aqui quero me eximir de decidir sobre sua vida. Quem decide é você! O que posso dizer é que um nível superior efetivamente abre seu leque de opções, pois os melhores concursos pedem esse requisito.

Apenas uma coisa eu afirmo. O Brasil é o país das oportunidades. Se não bastasse o artigo 37 da Constituição federal garantir o direito de ingresso a cargos e empregos públicos por meio de concurso, a lei ainda garante a você se formar em um tecnólogo reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação). Assim, para que fazer um curso de cinco anos para depois prestar um bom concurso se você pode se formar em tecnólogo de alguma coisa e já partir para um grande concurso! Mas isso só funciona se você já estiver decidido ser um servidor público!

Deixe eu relatar um episódio que marcou minha vida e determinou esse conhecido discurso que você acabou de ler. Vou preservar o nome das pessoas envolvidas, pois elas não me autorizaram, mas a história é verídica!

Tenho dois amigos que são auditores da receita federal do Brasil e, diga-se de passagem, esse concurso é um dos concursos mais tops do mercado. Certo dia, encontrei os dois e começamos a conversar sobre a vida, sobre as dificuldades passadas e sobre como estávamos realizados. No meio da conversa, surgiu a pergunta:

– Você é formado em quê? Eu respondi:

– Sou formado em Administração de Empresas e fiz Direito, mas não conclui; pois, assim que virei empresário, as coisas pesaram!

Um dos auditores relatou ser formado em uma das melhores faculdades do Rio de Janeiro e deu uma esnobada legal, dizendo que tinha mestrado e doutorado. Foi esse o erro da vez! Já viram aquela expressão: dava para dormir sem essa? Pois bem, vejam a resposta do outro auditor:

– Legal, cinco anos dessa faculdade top de linha (engenharia), mais alguns anos de mestrado, outros tantos de doutorado e eu, formado em tecnólogo de porcaria nenhuma que nem lembro o nome, estou no mesmo concurso que você, só que com um detalhe: tenho função de confiança e ganho mais do que você!”

Confesso que até eu – que no geral sou super informal – fiquei queimando de vergonha alheia! O restante do bate- boca não vale relatar, porque saíram várias palavras de baixo calão!

Mas, tudo bem, sei que, para um bom leitor, ficou a ideia fixa de que você pode decidir sua vida por um caminho longo e penoso ou escolher o caminho mais curto! Só vale lembrar que, para alguns cargos específicos, você tem que ter formação específica, que é o caso dos cargos de juiz, promotor, delegados de polícia e afins!

A conclusão desse capítulo quem tem que extrair com responsabilidade é você. Não tenho a pretensão de ser formador de opinião, expus somente a realidade nua e crua do dia a dia de quem está na luta por dias melhores!

“São as escolhas que fazemos hoje que irão determinar nosso futuro!”

No documento Simples Assim - Evandro Guedes (páginas 155-161)