S 4 49 anos Feminino Psicóloga 9 anos
4 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS
4.2 FAMÍLIA E A ORIGEM DA ANOREXIA E DA BULIMIA NERVOSA
A partir da literatura revisada para esta pesquisa, o papel que a família exerce na origem dos transtornos alimentares está vinculado a vários fatores. Dentre eles estão: famílias que apresentam rigidez no seu funcionamento, valorização corporal excessiva, pais que
superprotegem os filhos, segredos familiares não revelados, dificuldade de comunicação entre os membros da família e atribuição de papéis aos seus membros. A Tabela 3 apresenta a concepção de psiquiatras e psicólogos acerca do papel da família na origem destes transtornos alimentares.
Entender os fatores familiares que exercem influência na etiologia da anorexia e da bulimia nervosa na concepção de psicólogos e psiquiatras é importante para compreender e ampliar o conhecimento a respeito destes transtornos.
Tabela 3 - Papel da família na origem da anorexia e da bulimia nervosa de acordo com a concepção de psicólogos e psiquiatras
(continua) SUJEITOS
Categoria Sub Categorias
Psicólogos Psiquiatras Total Causas multifatoriais “[...] as causas são multifatoriais e a família é só uma parte.” (S4)
“[...] são vários fatores que originam a doença que é multifatorial”. “É uma somatória de fatores, uns tem peso maior, outros menor, às vezes todos são extremamente pesados.” (S2) Ocor 01 01 02 Famílias com padrões rígidos de funcionamento
“[...] são famílias rígidas, com padrões rígidos de funcionamento que não permitem mudanças.” (S4)
“[...] a família que forma filhos muito exigentes, com grau de exigência muito grande, com um grau de responsabilidade muito grande [...]” (S3)
Ocor 01 01 02
Valorização corporal
“Quanto ao que se refere ao corpo, como essa família, digamos que tipo de valor tem o corpo magro [...]” (S1)
“[...] algumas trazem uma supervalorização da questão corporal [...]” (S4)
“[...] algumas famílias acabam de certa forma, estimulando a busca pelo corpo perfeito [...]” (S3) Papel da família na origem da anorexia e da bulimia nervosa Ocor 02 01 03
Função materna
“[...] se a tua mãe tem como valor [...] que você tem que ser magra, então é provável que desde pequeninha a sua mãe tenha essa preocupação que você não coma.” (S1)
“[...] a questão também da ausência do pai e então a ligação com a mãe, é uma ligação muito estreita, a função materna é muito importante e muito presente e muito fundamental [...] a presença da mãe muito forte, muito invasiva [...]”(S4)
“[...] às vezes a mãe tem essa preocupação exagerada[...] pelo corpo perfeito[...] e serve como um modelo[...]” (S3)
Ocor 02 01 03
Cultura do padrão alimentar
“[...]depende da cultura dessa família[...]cuja cultura gira em torno do alimentar-se[...]uma família que tem uma determinada forma de lidar com a alimentação, que tem uma determinada cultura alimentar[...]” (S1)
Ocor 01 00 01
Abuso Sexual
“[...] tem a questão do abuso sexual[...] uma questão relacionada ao abuso sexual, o que não é uma coisa muito incomum [...]” (S4)
Ocor 01 00 01
Segredos familiares
“Segredos familiares presentes também aparecem com uma certa freqüência, coisas que se escondem, que não se pode falar, tabus [...]” (S4)
Ocor 01 00 01
Fonte: elaboração da autora, 2008.
A categoria que se refere ao papel da família na origem da anorexia e da bulimia nervosa, na concepção de psicólogos e psiquiatras, apresenta subcategorias relacionadas a aspectos que influenciam no surgimento destes transtornos. Um psicólogo (S4) e um psiquiatra (S2) afirmam que a causa da origem destes transtornos é multifatorial. Deste modo
a concepção dos profissionais que reconhecem a causa destes transtornos como sendo multifatoriais, corrobora com a idéia de Claudino et al. (2005, p. 17) que afirmam que “a natureza multifatorial da etiologia dos transtornos alimentares já é amplamente reconhecida, envolvendo fatores como vulnerabilidades genéticas, psicopatologia parental, experiências adversas e pressões socioculturais”. Portanto, isso demonstra a gama de fatores que podem influenciar na origem dos transtornos alimentares e que são indicadas também por dois dos quatro sujeitos entrevistados.
Ainda para Claudino et al. (2005), esses fatores etiológicos podem ser predisponentes, precipitantes, protetores e mantenedores. Dentre os fatores predisponentes incluem-se os pessoais, os familiares e os culturais e os fatores que podem precipitar a doença, ou seja, que marcam o aparecimento dos sintomas alimentares está à insatisfação com o corpo e peso, dietas para emagrecer, ambos associados a eventos estressores. Os fatores mantenedores interagem com os protetores e determinam se o transtorno vai se perpetuar ou não, dentre os quais estão as conseqüências da desnutrição e do ciclo de compulsão e purgação. Para os mesmos autores, cada fator se ajusta de forma única na história de cada sujeito e possui uma função específica de acordo com a etapa em que se apresenta. Para Gorgati et al. (2002, p. 02), “a etiologia dos transtornos alimentares é constituída por um conjunto de fatores em interação, que envolvem componentes biológicos, psicológicos, familiares e socioculturais.” Portanto, é possível considerar que os transtornos alimentares não emergem subitamente, mas se desenvolvem ao longo do tempo, a partir de predisposições presentes na vida e na história do sujeito, o que corrobora com a indicação de um psicólogo (S4) e um psiquiatra (S2) que afirmam a multideterminação dos transtornos alimentares.
Outra subcategoria relacionada à origem da anorexia e bulimia nervosa e que foi indicada pelos profissionais entrevistados diz respeito ao funcionamento familiar. Um psicólogo (S4) e um psiquiatra (S3) afirmam que famílias com padrões rígidos de funcionamento podem contribuir para o surgimento destes transtornos. Famílias rígidas, superprotetoras também são, segundo Minuchim et al (1978), influenciadoras na etiologia da anorexia, caracterizando comumente dificuldade na resolução de conflitos e relacionamentos rígidos entre seus membros.
Nunes et al., (2006) afirmam que as famílias de pacientes bulímicos apresentam características que variam consideravelmente e descrevem-nas como perturbadoras, desorganizadas e com um padrão de relacionamento onde há falta de afeto e cuidados. Cabe salientar que a literatura aponta uma diferença entre as famílias de pacientes anoréxicos e pacientes bulímicos no que diz respeito ao funcionamento familiar, o que não foi possível
identificar nas entrevistas realizadas com os sujeitos da pesquisa, já que ambos não indicaram distinções com relação ao funcionamento familiar de pacientes com bulimia nervosa e pacientes com anorexia nervosa. No sentido de diferenciar os padrões de funcionamento das famílias de anoréxicas e bulímicas, Morgan et al. (2002) afirmam que as famílias de anoréxicas são mais rígidas, intrusivas e tendem a evitar os conflitos e as famílias de pacientes bulímicos são mais perturbadoras, desorganizadas e apresentam carência de afeto e cuidados.
Dois psicólogos (S1 e S4) e um psiquiatra (S3) referem-se à valorização corporal, à estima por um corpo magro e perfeito por parte da família como fatores contribuintes para a origem da anorexia e da bulimia nervosa. Nunes et al., (2006) explicitam que essas famílias apresentam intensa preocupação com o corpo e são críticas em relação à aparência. Para Morgan et al. (2002) o reforço social para se ter um corpo magro, é exercido pela família e pelos amigos. Portanto, o ideal de beleza centrado na magreza mostra-se parte integrante da etiologia dos transtornos alimentares, sendo também indicado por dois psicólogos (S1 e S4) e um psiquiatra (S3), dos dois psiquiatras entrevistados.
Outra subcategoria apresentada em relação ao papel da família na origem da anorexia e da bulimia nervosa é a função materna. Dois psicólogos (S1 e S4) e um psiquiatra (S3) apontam a função materna como influenciadora para o surgimento destes transtornos. Claudino et al. (2005, p. 20), corroboram com os sujeitos da pesquisa quando afirmam que “a preocupação materna quanto ao valor da forma corpórea, da atividade física e da alimentação saudável, podendo relacionar-se a tendência a controlar o consumo alimentar dos filhos, também influencia na gênese de sintomas alimentares.” Morgan et al. (2002) afirmam que as mães de pacientes com transtorno alimentar tendem a ser mais críticas e preocupadas em relação ao peso de suas filhas, incentivando-as a fazer dieta . Isto pode ser assinalado pela fala do sujeito 3 desta pesquisa, “[...] às vezes a mãe tem essa preocupação exagerada[...] pelo corpo perfeito[...] e serve como um modelo[...]” (sic). A função materna exercida sobre o filho no sentido de valorizar um corpo magro e perfeito, é considerada relevante na etiologia dos transtornos alimentares, ou seja, a mãe que valoriza a aparência de um corpo pautado na magreza e que incentiva a restrição alimentar através de dietas ou excesso de exercícios físicos e ela mesma oferece este comportamento aos olhos do filho, pode fazer com que este modelo incentive-o a se comportar da mesma maneira e então, a possibilidade do filho desenvolver um tipo de transtorno alimentar, influenciado pelo comportamento da mãe é bastante relevante.
No entanto, a função materna na origem da anorexia e da bulimia nervosa pode estar também pautada em uma relação de estreitamento entre mãe e filha e uma ausência do
pai, ou seja, a mãe se torna intrusiva e o pai não consegue exercer a função que cabe a ele. O sujeito 4 da pesquisa evidencia a presença invasiva da mãe e a ausência do pai quando diz que: “[...] a questão também da ausência do pai e então a ligação com a mãe, é uma ligação muito estreita, a função materna é muito importante e muito presente e muito fundamental[...] a presença da mãe muito forte, muito invasiva[...]”(sic).
Assim, para alguns psicanalistas como Fernandes (2006, p. 237):
“A puberdade anuncia a promessa dos encantos femininos no corpo da menina. Fazendo-se bonita e sedutora, a menina busca desenvolver suas qualidades femininas para suplantar a mãe aos olhos do pai. [...] È o olhar sedutor do pai que, submetido à interdição do incesto, pode refletir para a menina a imagem exitosa de uma mulher que agrada a ele e, portanto, aos homens. Porém, para que a menina possa aceitar esse olhar do pai [...] é preciso que ela tenha podido rivalizar com a mãe.”
Para a mesma autora, a possibilidade de a menina rivalizar com a mãe é resultado de um difícil processo no desenvolvimento de suas qualidades femininas, que implica, essencialmente, a diferenciação. À medida que a mãe tem uma relação invasiva com a filha e esta precisa rivalizar com a mãe para poder diferenciar-se dela e assim, criar um identidade própria, isto não é possível, pois esta questão está diretamente relacionado a função que o pai deve exercer nesta relação e a partir do momento que a função paterna é anulada pela mãe invasiva, a filha não consegue alcançar essa rivalidade com a mãe e então, como subterfúgio ela suprime suas qualidades femininas.
Portanto, para Dolto, ao examinar a questão da imagem corporal (1984 apud FERNANDES, 2006, p. 238) diz que: “seu problema está enraizado em um conflito de amor e de desejo frente ao pai. E em um conflito de feminilidade rival com a mãe [...] a mãe, certamente, preocupa-se com ela, mas nunca a considerou verdadeiramente como uma jovem indo-advindo mulher.” Deste modo a mãe não reconhece na filha alguém que pode, de fato, se tornar uma mulher. Assim, a recusa da anoréxica em comer pode estar relacionada ao apagamento das formas do corpo e isto leva alguns autores como Janet (1930 apud FERNANDES, 2006) a ressaltarem que há uma recusa da feminilidade.
No entanto, Fernandes (2006) afirma que não se trata de uma recusa da feminilidade, mas justamente de uma recusa de feminilidade da mãe. É uma tentativa de diferenciar-se da mãe pela busca de uma identidade própria. A partir deste ponto, conforme citado por Gorgati (2002 apud FERNANDES, 2006) entram as questões pré-edípicas e a dificuldade da entrada do pai na dualidade mãe-filha, pois é pela identificação paterna que a filha esquiva-se da combinação com a mãe de destruir ao pai, permitindo a realização da
passagem da menina para mulher. Para Bidaud (1998 apud FERNANDES, 2006, p. 243), “a insuficiência de limite interno entre mãe e filha não permite a inscrição de duas interioridades distintas porque a função fálica do pai é desvalorizada”. Assim, com a desvalorização da função do pai pela mãe, este não consegue desempenhar o papel necessário de mediador e estruturante na diferenciação mãe-filha.
Sendo assim, para Fernandes (2006) o não comer, característica marcante no quadro de anorexia nervosa, pode ser pensado enquanto função de proteção para conservar uma condição psíquica que possibilite, conforme afirma a autora: “uma proteção contra a intrusão materna, uma defesa contra a fusão com a mãe, enfim, uma condição psíquica que parece representar uma tentativa de diferenciação da figura materna” (FERNANDES, 2006, P. 245). Diante disto, a função materna de alguma forma está atrelada à origem dos transtornos alimentares, uma vez que a recusa da filha a feminilidade da mãe e a manutenção de uma condição psíquica que possibilite a proteção da intrusão materna através da privação de alimento, parece ser uma tentativa de diferenciar-se da mãe em busca de uma identidade própria e este esforço, por sua vez, pode levar a um quadro de anorexia nervosa.
A subcategoria “a cultura do padrão alimentar” foi apresentada apenas por um psicólogo (S1). Este afirma que a origem da anorexia e da bulimia nervosa pode estar relacionada ao modo como as famílias lidam com a alimentação. Neste sentido, para Romanelli (2006) a alimentação não é ato solitário, mas é atividade social, sempre envolve outras pessoas ocasionando a criação e a manutenção de formas de sociabilidade. A alimentação, portanto, pode ser entendida como processo social, sendo que a família faz parte deste contexto, uma vez que é no núcleo familiar que inicialmente o sujeito entra em contato com a alimentação, desfrutando de momentos de encontro, de afeto e de troca de informações. Assim, falar de cultura do padrão alimentar na origem dos transtornos alimentares é remeter, ao alcance da família, o fator de interação do sujeito com a alimentação. Para Romanelli (2006, p. 336) “o caráter social da alimentação está presente desde o nascimento”, então, a família está intimamente ligada à forma como o sujeito se alimenta, como percebe o alimento e como lida com o mesmo.
Outra subcategoria referente ao papel da família na origem da anorexia e da bulimia nervosa é o abuso sexual sofrido dentro do contexto familiar, que foi afirmado por um psicólogo (S4) dentre os sujeitos da pesquisa. Os demais sujeitos não fizeram referência a isso. Alguns autores como Claudino et al. (2005) consideram que eventos envolvendo desorganização da vida ou ameaça à integridade física como doença, gravidez e abuso sexual
podem ter função desencadeante de transtornos alimentares por reforçar sentimentos de insegurança e inadequação.
Para Fiates et al. (2001) os transtornos alimentares costumam ter como fator desencadeante algum evento significativo na história do sujeito como perdas, separações, mudanças, doenças orgânicas, distúrbios da imagem corporal, depressão, ansiedade e, até mesmo, traumas de infância, como o abuso sexual. No entanto, para Claudino et al. (2005, p. 21) “o impacto dos eventos estressores sobre a patogênese dos transtornos alimentares depende dos recursos prévios que o indivíduo possui para usar como resposta, assim como na rede de suporte social a que ele tem acesso e que pode funcionar como um fator de proteção.” Assim, é importante ressaltar que o abuso sexual no contexto familiar não necessariamente vai ser um fator que desencadeará um transtorno alimentar. Isto irá depender da forma como este fator vai atuar no sujeito e pelos recursos de que o mesmo dispõe para enfrentá-lo.
A última subcategoria relacionada ao papel da família na origem da anorexia e da bulimia nervosa foi citada por um psicólogo (S4), não sendo apresentada pelos outros sujeitos da pesquisa. Esta se refere à existência de segredos de família, conforme mencionado na fala do sujeito 4: “Segredos familiares presentes também aparecem com uma certa freqüência, coisas que se escondem, que não se pode falar, tabus [...]” (sic). Roberto (1994) afirma que a anorexia e a bulimia nervosa são doenças psicossomáticas, pois estão relacionadas a circunstâncias estressantes de vida, portanto, são uma metáfora para o sofrimento daquele que os experiencia. Para o autor, o segredo da doença psicossomática, e neste caso a anorexia e a bulimia nervosa, seja talvez o segredo mais paradoxal e difícil de se tratar, pois considera que os significados relacionais por trás da auto-inanição e da purgação, são a chave para o tratamento destes transtornos alimentares.
Neste sentido, Roberto (1994, p. 169) afirma que:
“os comportamentos alimentares fisicamente expressados, auto-contidos, não- verbais e internamente nocivos são mecanismos poderosos para a alteração no estado de consciência de uma pessoa e para impulsionar sua família para certas áreas de conscientização, em vez de em direção a outras.
Desse modo, os segredos familiares, por fazerem parte de uma questão relacional dentro da família, podem vir como uma tentativa de incentivar uma modificação no contexto familiar. Desta forma, Roberto (1994) afirma que a condição essencial das famílias que apresentam transtornos alimentares é uma dificuldade crônica para tolerar, promover e integrar as diferenças individuais dentro da família nuclear como um todo. Assim sendo, o
transtorno alimentar como segredo familiar pode vir a ser perpetuado na intenção de não promover mudanças no contexto da família, uma vez que algumas mudanças e descobertas podem vir a desajustar e prejudicar a relação familiar que deve ser mantida, haja vista que as famílias de pacientes com transtornos alimentares são consideradas rígidas em seu funcionamento.
A etiologia da anorexia e da bulimia nervosa, por ser multifatorial é bastante complexa, e entre a gama de fatores que a envolvem apresentados pelos sujeitos desta pesquisa, estão a excessiva valorização corporal por parte da família, padrões rígidos de funcionamento familiar, função materna, padrão cultural de alimentação, abuso sexual e segredos de família. A apresentação destes múltiplos fatores é relevante no sentido de aumentar a compreensão de todo o universo que envolve a origem destes transtornos alimentares, bem como maior entendimento na dinâmica dos mesmos. Na análise realizada da tabela 3, foi possível verificar que existe um número significativo de diferentes tipos de fatores que contribuem para origem da anorexia e da bulimia nervosa de acordo com as concepções dos psicólogos e dos psiquiatras entrevistados.
O subcapítulo a seguir se refere ao papel que a família exerce na manutenção da anorexia e da bulimia nervosa, de acordo com a concepção de psicólogos e psiquiatras, haja vista que fatores familiares parecem contribuir não só para a origem, como para a manutenção dos transtornos alimentares.