3. METODOLOGIA
3.5 A Intervenção
3.5.2 Fase de Pesquisa Aprofundada
Após análise dos resultados da fase anterior, tem início a fase de pesquisa aprofundada, onde são intensificadas as discussões sobre os eixos teóricos da gestão da
mudança organizacional sustentável e os rumos da empresa. A fim de realizar esses debates foi realizada, nesta fase, reuniões técnicas com dirigentes e colaboradores, aplicação de questionários, busca participativa para solução de problemas, geralmente em grupo.
Na empresa em estudo não havia a prática de realizar reuniões gerais e de pequenos grupos. Este fato dificultou a inserção das atividades da pesquisadora na empresa. Portanto, nesta fase ocorreu à formação dos grupos Loja, Oficina e Encarregados para realização dos debates de forma interativa.
Os participantes foram agrupados por afinidade de funções. A principal razão para este agrupamento é permitir a discussão de assuntos de um mesmo setor, nessa empresa divididos em apenas dois: setor Loja e setor Oficina. Mais tarde, verificou-se a possibilidade de realizar reuniões com grupos mistos, isto é, grupos com participantes de cada um dos setores da empresa.
O principal objetivo das reuniões de pequeno grupo nesta fase, além de dar continuidade aos estudos sobre os eixos teóricos para mudança organizacional sustentável, consistiu em levantar informações a respeito dos problemas da empresa, através das verbalizações dos atores implicados e apresentação da Árvore da Realidade Atual e construção das Árvores do Futuro e de Transição. Além disso, nesta fase, as reuniões são uma forma de manutenção do comprometimento dos atores nas atividades da pesquisa e da ação.
Ao final desta fase foi possível identificar as suas contribuições as diretrizes para a gestão da mudança organizacional sustentável que para o presente caso resultaram no modelo de intervenção em pesquisa-ação para gestão da mudança organizacional sustentável.
3.5.2.1 Reuniões Técnicas
As reuniões técnicas, com o dirigente e colaboradores, tiveram como objetivo a apresentação da realidade atual da empresa e o debate temático dos eixos teóricos da mudança sustentável. É importante salientar, que em todas as reuniões desta fase houve a observação participante do pesquisador. Como instrumento para o alcance dos objetivos desta etapa foi adotada a técnica da Árvore da Realidade Atual e as estratégias lingüísticas, tais como os Operadores Argumentativos e a Interação Face a Face (ver seção 3.2.1).
3.5.2.2Árvore da Realidade Atual
Goldratt (1997) constrói modelos genéricos de ordenação lógica de raciocínio que podem auxiliar as empresas no processo de mudança, dentre eles estão: a Árvore da Realidade Atual, a Árvore da Realidade Futura e a Árvore de Transição. A Árvore da Realidade Atual tem por objetivo fazer o diagnóstico da situação atual da empresa, para eliminar efeitos indesejáveis, Figura 3.
ÁRVORE DA REALIDADE
ATUAL
Efeitos Indesejáveis ↑ Efeitos Intermediários ↑ Conjunto de Problemas Figura 3: Árvore da Realidade Atual Fonte: Dettmer 1997, p: 28Após a identificação dos elementos que surgiram nas reuniões técnicas, com o dirigente e colaboradores, puderam ser aplicados, individualmente, os questionários sobre a conduta dos membros na organização (Anexo C) e os testes de Identificação de Valores (Anexo D) com o objetivo de colher as informações da conduta pessoais sobre suas contribuições na realidade atual da empresa em paralelo a identificação da apreensão nestes dos conceitos teóricos da mudança organizacional sustentável, através da observação direta.
3.5.2.4 Busca Participativa para Soluções de Problemas
Após a etapa de aplicação dos questionários para coleta de informações, com o dirigente e colaboradores, puderam ser realizadas as reuniões em grupos pequenos na busca participativa de soluções a problemas a partir da utilização de técnicas de geração de idéias, tais como a Árvore da Realidade Futura e Árvore de Transição, e de estratégias lingüísticas, como Operadores Argumentativos e Interação Face a Face (ver seção 3.2.1). É importante salientar, que em todas as reuniões desta fase houve debates sobre os eixos teóricos da mudança sustentável e observação participante do pesquisador.
Nesse momento o importante é repassar aos participantes as informações coletadas através das diversas fontes de dados para, a partir dessas informações, reunir elementos para caracterizar a situação futura e de transição da empresa, principalmente a respeito da dinâmica interna e do processo produtivo. As atribuições do pesquisador e dos participantes da pesquisa (que formam o grupo permanente de pesquisa) devem ser: (a) definir temas e priorizar problemas; (b) estudar os problemas em sua totalidade e definir as questões de pesquisa; (c) coordenar todas as atividades de pesquisa; (d) centralizar as informações; (e) interpretar os resultados; (f) buscar soluções e propostas de ação; (g) acompanhar as ações implementadas e avaliar os resultados; (h) divulgar os resultados (THIOLLENT, 1997).
Também foram discutidos os principais problemas no atendimento ao cliente conforme percepção dos colaboradores e do dirigente, num total de cinco participantes. O principal objetivo destas reuniões foi levantar a causa raiz (ou as causas) dos problemas e construir as soluções aos mesmos. Essas reuniões propiciaram uma tomada de consciência por parte de todos os membros da empresa e desencadeou ações concretas, logo no início da fase de ação.
3.5.2.4.1 Árvore da Realidade Futura
A Árvore da Realidade Futura, segundo Goldratt (1997), é representada pelo desenho de uma estrutura lógica elaborada para revelar as mudanças do status quo, no sentido do presente para o futuro, para produzir os efeitos intermediários, os desejados, chegando à realidade futura. É a expressão de uma realidade que ainda não existe, demonstrada graficamente através da relação de causa e efeito entre mudanças que fazemos na realidade atual e seus possíveis resultados futuros. Podemos representá-la pela Figura 4 a seguir.
ÁRVORE DA REALIDADE FUTURA Efeitos Desejados
↑
Efeitos Intermediários ↑
Injeções
Figura 4: Árvore da Realidade Futura Fonte: Dettmer 1997, p: 28
3.5.2.4.2 Árvore de Transição
Segundo Goldratt (199), a Árvore de Transição, Figura 5, é a estrutura lógica de causa e efeito desenhada para prover, passo a passo, o progresso, desde o início do processo de ação
ou mudança, até que o objetivo seja atingido. Constitui-se numa ferramenta de implementação, que combina ações específicas com a realidade existente para produzir novos efeitos esperados. ÁRVORE DE TRANSIÇÃO Objetivo ↑ Efeitos Intermediários ↑ Ação Específica Figura 5: Árvore de Transição Fonte: Dettmer 1997, p: 28