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FASES E ESTRUTURAS DO PLANEJAMENTO AMBIENTAL

4 PLANEJAMENTO AMBIENTAL E SUAS ESTRUTURAS

4.1 FASES E ESTRUTURAS DO PLANEJAMENTO AMBIENTAL

Planejamento Ambiental e suas Estruturas Capítulo 1

4 PLANEJAMENTO AMBIENTAL E SUAS ESTRUTURAS

Nesta seção, iniciaremos a abordagem quanto à estruturação do planejamento ambiental, detalhando as suas fases, as etapas associadas e os instrumentos utilizados para a realização dos planejamentos ambientais.

A primeira abordagem tratará sobre as fases do planejamento, suas estruturas e instrumentos, descrevendo a organização e a aplicação na realização de atividades técnicas.

4.1 FASES E ESTRUTURAS DO PLANEJAMENTO AMBIENTAL

É importante que você tenha em mente que na definição e organização de qualquer atividade o planejamento é fundamental. Para isso, as ações iniciais são a organização, a definição das etapas a serem seguidas e a identificação das fases.

Retomando e resumindo um conceito que vimos anteriormente, o planejamento busca auxiliar nas definições de ações futuras com base em informações coletadas, organizadas e analisadas sistematicamente de acordo com os cenários e recursos disponíveis. Contudo, para isso, é importante que você observe algumas fases que auxiliam na execução dos planejamentos, observando principalmente o tempo, o espaço e os objetivos a serem atingidos. O planejamento institucional pode ser inicialmente dividido em algumas fases, conforme descrito na Figura 9 (SANTOS, 2004).

Nessas fases, é importante observar que ocorre um processo de alimentação da informação, ou seja, um processo gera informação para o processo seguinte.

Por exemplo, de acordo com o objetivo a ser alcançado, o diagnóstico da situação será elaborado e embasará a definição das prioridades para que posteriormente os recursos possam ser alocados de acordo com as alternativas existentes.

Isso pautará a análise de riscos e a previsão das ações, retornando o ciclo de verificação dos objetivos iniciais.

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FIGURA 9 − FASES DO PLANEJAMENTO

FONTE: Santos (2004)

É importante destacar que os conceitos descritos em cada uma das fases do planejamento também podem ser associados ao ciclo PDCA (Planejar, executar, avaliar e corrigir) que vimos na seção anterior.

Assim como nas fases do planejamento descritas, no ciclo PDCA ocorre uma fase inicial de planejamento das ações, em seguida ocorre a execução das atividades e sua efetividade é avaliada, permitindo, assim, possíveis correções no processo, gerando um ciclo de melhoria contínua.

Na prática, as fases descritas estão otimizadas e, dependendo da aplicação pretendida do planejamento, podem ser ampliadas em diversas escalas, incluindo, ainda, as questões metodológicas em cada fase. Essas questões são importantes quando tratamos de planejamento ambiental, pois a descrição da metodologia e procedimentos utilizados dirão como as análises multidisciplinares serão realizadas.

As definições das fases do planejamento ambiental são abordadas por diversos autores que descrevem sobre suas etapas e, de fato, essas diferenças ocorrem muito por conta da necessidade de atender a diferentes critérios conforme os objetivos definidos.

Nesse momento, iniciaremos com uma breve discussão sobre a aplicação de metodologias, sendo que esse item será aprofundado no próximo capítulo. Dessa forma, algumas fases do planejamento ambiental são importantes para que você compreenda a execução de ações e objetivos pretendidos.

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Ao tratarmos do planejamento ambiental e focar na abordagem de um determinado problema ou uma meta que se pretende atingir, algumas etapas são importantes de serem analisadas, seguindo alguns critérios na busca pela solução do problema. Dentre esses critérios, a identificação das informações, a análise da situação, a análise de problemas, a análise da decisão, a análise de problemas potenciais e a elaboração do plano podem ser destacadas como algumas das fases a serem abordadas durante o planejamento. Conforme descreve Floriano (2004):

• Identificação e levantamento de informações: o tema central de um planejamento é o seu propósito maior, é o objeto do planejamento ou assunto principal. Por exemplo, os resíduos gerados em processo de fabricação, em que o objetivo pode ser a redução dos resíduos gerados e do seu planejamento, resultará em um plano de redução de resíduos no processo de fabricação. Há a possibilidade da elaboração de planos paralelos caso objetivos distintos sejam analisados.

• Análise de situação: para o reconhecimento da situação, inicialmente, deve-se definir os objetivos de acordo com o assunto abordado para o planejamento e quais desses objetivos serão prioritários. Um exemplo de metodologia para a definição de impactos prioritários é o método 5i, em que ocorre a soma da pontuação de cada requisito − cada i −, que resultará no índice para comparação. 1. Importância: descreve qual o valor relativo de um fato com relação ao valor global do todo. É o risco de dano estimado com base no que já ocorreu. 2. Iminência: descreve a situação temporal de um fato em si, ou seja, se o fato já ocorreu, se está ocorrendo, se vai ocorrer ou se poderá ocorrer. 3. Intensidade: grau com que determinado fato ocorre em relação ao seu padrão. A intensidade é calculada pelo grau de agressão próprio de uma substância, energia, fenômeno etc. em relação aos níveis normais. 4. Incidência: número de vezes com que um fato ocorre por unidade de tempo (frequência). 5.

Inclinação: é o risco de dano futuro caso nada seja feito (se manter no mesmo, melhorar ou piorar com o passar do tempo). Outro exemplo é a metodologia da matriz GUT (Gravidade, Urgência e Tendência).

• Análise de problemas: problemas ambientais são os impactos negativos que as atividades antrópicas causam ao ambiente. Os fatores de impacto (rejeitos ou modificações) são classificados quanto ao meio físico impactado, ou quanto aos efeitos causados no ambiente.

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• Análise de decisão: decidir qual a melhor ação a ser tomada para resolver o problema é a fase de análise de decisão. Para isso deve-se: estabelecer diretrizes para decisão; encontrar e listar alternativas de decisão; determinar pesos e limites das diretrizes; comparar as alternativas frente às diretrizes; avaliar os riscos das alternativas escolhidas; determinar medidas para minimizar ou compensar os riscos.

• Análise de problemas potenciais: a previsão de possíveis problemas implica em formação ou determinação de padrões. Toda a possibilidade de ocorrência de desvio do padrão estabelecido ou desejado é um problema potencial a ser considerado na análise. Passa pela identificação do processo; identificação dos problemas potenciais; avaliar os riscos dos problemas potenciais; identificar causa dos problemas potenciais e determinar medidas mitigadoras, protetoras e preventivas.

A fase de levantamento das informações e realização de diagnósticos tem importância fundamental na avaliação das potencialidades e fragilidades da área de estudo, bem como seu histórico de uso e ocupação. A fase de definição dos cenários também é importante, pois define as possíveis soluções alternativas, voltadas para a resolução dos problemas identificados na definição dos objetivos.

Por fim, a avaliação, seleção e escolha das melhores alternativas compatíveis a serem implementadas complementam essas fases (SANTOS, 2004).

Santos (2004) ainda amplia a análise quanto ao estabelecimento de fases para o planejamento ambiental e descreve de forma prática, analisando a sua estrutura geral e metodológica. É importante ter a compreensão do panorama geral dessas fases de um planejamento ambiental, considerando também os procedimentos que podem ser adotados em cada uma dessas fases (Figura 10).

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FIGURA 10 − FASES DO PLANEJAMENTO AMBIENTAL E OS PROCEDIMENTOS ASSOCIADOS

FONTE: Santos (2004)

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Você pode perceber que as fases do planejamento ambiental descritas possuem interação entre si. Por exemplo, a participação social nas fases iniciais (definição dos objetivos) é fundamental para a definição das metas do planejamento, pois orientará as ações das fases seguintes, direcionando a elaboração dos possíveis planos, programas e projeto. Nas fases finais (diretrizes), a participação social atuará na verificação do cumprimento dos objetivos, sendo revisados e alterados se necessário.

Após a fase de diretrizes, ocorre a elaboração dos Planos, Programas e Projetos. Para isso, é importante revisitarmos o conceito de plano, tratado anteriormente, que é o documento resultante do planejamento e que dará direcionamento para a elaboração de programas e projetos.

O plano poderá apresentar diferentes estruturas para sua elaboração, de acordo com a literatura. De qualquer forma, a seguir está apresentada uma estrutura de plano baseado em informações do planejamento (FLORIANO, 2004, p. 31):

• Propósito: o objeto do planejamento (tema ou assunto central).

• Revisão de literatura (informações).

• Visão sobre o tema (prognose).

• Objetivos.

• Missão.

• Políticas.

• Classe do planejamento.

° Unidade organizacional envolvida.

° Nível de detalhamento do planejamento.

° Prazo de duração.

° Território de abrangência e áreas de influência na biosfera.

• Problemas ocorridos, existentes e potenciais sobre o assunto.

• Alternativas.

• Diretrizes (obrigatórias e desejáveis).

• Metas.

• Ações necessárias para atingir os objetivos e metas dentro dos critérios e prioridades estabelecidos (tomada de decisão).

• Alvos a atingir.

• Plano de ações para atingir alvos/metas.

• Sistema de monitoramento.

• Sistema de controle.

Um exemplo da aplicação de um plano e/ou programa de implantação de projetos ambientais são o das Usinas Hidrelétricas. Por se tratar de uma construção ampla, os impactos ambientais são inevitáveis. Para isso, uma das formas de prevenção e mitigação desses impactos é por meio de estudos ambientais, realizados antes, durante e após a implantação do empreendimento.

Baseado nos estudos iniciais, a elaboração de medidas de controle

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específicos. A seguir está descrito um exemplo do escopo de um Plano de Gestão de Recursos Hídricos, o qual pode se dividir em programas e projetos (Figura 11).

FIGURA 11 − ESTRUTURA DE UM PLANO DE MONITORAMENTO

FONTE: Os autores

Quando começamos a relacionar o planejamento ambiental com as ações de prevenção e mitigação de impactos ambientais, por exemplo, começamos a abordar os instrumentos de planejamento ambiental. Esses instrumentos foram citados anteriormente como exemplos de aplicação do planejamento ambiental e serão detalhados a seguir.

4.2 INSTRUMENTOS DO

PLANEJAMENTO AMBIENTAL

Os instrumentos utilizados no planejamento ambiental podem ser variados, e a escolha desses instrumentos será baseada nos objetivos e tema central do planejamento. Quando é realizado um estudo de impacto ambiental, um plano

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A escolha do instrumento de planejamento ambiental deve levar em consideração a ação que se pretende desempenhar. Ou seja, independente do instrumento escolhido, se ambiental, o planejamento deve promover e garantir a proteção dos sistemas naturais (CARVALHO, 2006). No planejamento ambiental, é importante observar as seguintes informações: “a identificação de objetivos abrangentes e concretos, do instrumento correto, das variáveis que representam mais fielmente as principais relações existentes e dos problemas fundamentais no cenário real e futuro do espaço planejado” (SANTOS, 2004, p. 38).

A seguir detalharemos alguns exemplos de aplicação dos instrumentos de planejamento ambiental:

• Estudos de impacto ambiental: esses estudos são realizados a partir de objetivos preestabelecidos para uma determinada área, avaliando de forma sistemática os impactos ambientais e suas interações, as consequências das ações propostas, além de descrever possíveis cenários, preconizando a participação pública nos processos de decisões (SANTOS, 2004). Os estudos ambientais são instrumentos legais, utilizados para avaliar e mitigar os impactos ambientais de forma que estejam em acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos reguladores e fiscalizadores.

• Zoneamento ambiental municipal: esse zoneamento integra o processo de planejamento permanente dos municípios e se tornou fundamental para caracterização e delimitação geográfica, fornecendo suporte técnico no estabelecimento de regimes de uso e proteção da propriedade. É um instrumento de suporte ao planejamento e gestão municipal (MMA, 2018). Tratando das questões ambientais, o ZAM:

[...] deve considerar a importância ecológica, as limitações e as fragilidades dos ecossistemas, estabelecendo vedações, restrições e alternativas de exploração do território, buscando orientar a implementação e avaliação de diretrizes programáticas por meio de planos de ação de curto, médio e longo prazos para cada unidade territorial a ser considerada (perímetro urbano e zona rural) e estabelecendo, inclusive, ações voltadas à mitigação ou à remediação de impactos ambientais existentes (MMA, 2018, p. 16).

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Você pode buscar maiores informações sobre o ZAM no seguinte endereço eletrônico: https://www.mma.gov.br/images/

arquivo/80261/Publicacao_-_O_Meio_Ambiente_contribuindo_

para_o_Planejamento_Urbano_Digital_1.pdf.

• Plano de manejo de unidades de conservação: o plano de manejo é um instrumento que disciplina as diretrizes e os usos dos recursos ambientais em unidades de conservação. Inserido no plano de manejo está o zoneamento ambiental, que divide o território de acordo com os usos possíveis (MAZZINI, 2006 apud BELÉM; CARVALHO, 2013). Um exemplo de zoneamento ambiental de uma unidade de conservação está apresentado na Figura 12.

FIGURA 12 − ZONEAMENTO AMBIENTAL

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Para mais informações sobre o Zoneamento Ambiental da APA Carste de Lagoa Santa, acesse: http://www.cprm.gov.br/publique/

media/gestao_territorial/apacarste/Zoneamento%20Ambiental%20 Apa%20Carste%20Lagoa%20Santa.pdf.

• Cadastro Ambiental Rural (CAR): foi estabelecido pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, e por meio do registro eletrônico obrigatório de todos os imóveis rurais, possibilitando “integrar as informações ambientais das propriedades rurais, compondo base de dados para controle, monitoramento, planejamento ambiental e econômico e combate ao desmatamento”. O cadastro é realizado por meio da elaboração de uma planta com a indicação das coordenadas geográficas das áreas de vegetação nativa, das Áreas de Preservação Permanente (APP), Reserva Legal, entre outras (BRASIL, 2012b).

Você pode conhecer mais sobre o CAR acessando ao site:

http://www.car.gov.br.