CARACTERÍSTICAS ANÁTOMO-FISIOLÓGICA DA MÃO E PUNHO
2 CARACTERÍSTICAS ANÁTOMO-FISIOLÓGICA DA MÃO E DO PUNHO
2.5 Fatores que Afetam a Amplitude dos Movimentos
Segundo CHAFFIN et al. (2001). Alguns fatores têm sido estudados a fim de se determinar o possível efeito de suas variáveis sobre a mobilidade articular. Dentre estes fatores o autor aponta: a idade e o sexo.
A Idade
Foi observado que a idade tem um efeito complexo sobre o movimento articular, dos 10 aos 16 anos o movimento articular decresce em cerca de 10% em relação ao movimento possível na primeira década de vida. Entre 16 e 70 anos de idade, no entanto, não há nenhuma alteração significativa. No entanto, se considerarmos vários distúrbios músculo-esqueléticos comuns ao ser humano à medida que este envelhece, surge um dilema para a aplicação desses dados no trabalho.
Até que sejam realizados levantamentos mais amplos do perfil de populações mais idosas, os valores encontrados por SALTER & DARCAS apud, CHAFFIN et al. (2001), serão aceitos como representativos da população saudável e normal.
O Sexo
Um estudo realizado por SNELKINOFF & GRIGOROWITSCH (apud LAUBACH, 1978), avaliou uma população de 100 homens e 100 mulheres entre 20 e 50 anos de idade. Este estudo indicou que as mulheres geralmente tinham maior mobilidade articular que os homens de mesma idade. Os valores médios em graus e a proporção entre esses dois grupos são dados na Tabela 2A.
Movimentação Masculina Média Feminina Média Proporcional
Abdução do ombro (para trás) 59,8º 61,4º 103 %. Flexo-extensão do cotovelo 142,1º 149,9º 105 % Flexo-extensão do punho 141,4º 154,0º 109 % Adução-abdução do punho 62,2º 72,7º 111 % Flexão do quadril (com joelho estendido) 83,5º 86,8º 104 % Flexão do quadril (com joelho fletido) 117,9º 121,0º 103 % Flexo-extensão do joelho 140,5º 140,1º 100 '% Flexo-extensão do tornozelo 62,6º 66,9º 107 %
Tabela 2A - Diferenças angulares da mobilidade articular entre homens e mulheres, baseadas no estudo de
Resumo do Capítulo
Ao fim deste capitulo o leitor tem uma noção dos componentes e das estruturas fisiológicas, anatômicas e funcionais presentes na mão, punho e no braço. Entre elas, figuram como uma das mais importantes o Túnel de carpo, um canal fibro-ósseo estreito pelo qual passam os tendões flexores dos dedos e o nervo mediano, que é um dos elementos mais agredidos quando o pulso é flexionado pelo mau posicionamento das mãos ao teclado.
Para a compreensão do estudo é de suma importância entender que, qualquer alteração das estruturas músculo-esqueléticas dos membros superiores pode acarretar uma perda de potência com restrições de movimento dos tendões, dores e edemas, causando assim uma perda de produtividade com grande prejuízo econômico e humano.
Seqüencialmente, este capítulo expôs informações sobre posturas e ângulos de conforto para a mão e punho. Assim sendo, vários autores afirmam que a ergonomia tem como um dos seus objetivos fundamentais, avaliar e determinar as posturas ideais para a realização do trabalho e as situações por ele requisitadas. Para tanto, procurou-se colher dados e recomendações sobre posturas corretas para determinar as posturas inadequadas.
Um outro ponto relevante deste capitulo, foram às considerações sobre as propriedades da contração muscular, tipos de contração e fadiga. Para a primeira, viu-se que, um músculo pode desenvolver uma maior tensão em contração isométrica do que em contração isotônica, porque a energia não é despendida para encurtar o músculo.
Quanto a fadiga muscular, viu-se que esta pode ser definida como qualquer redução na capacidade de exercer força num esforço voluntário e que este estado é perfeitamente reversível com o descanso adequado. Quando o estado de fadiga não consegue retrair com o descanso, vários motivos podem estar contribuindo para levar o indivíduo a um estado de fadiga crônica tais como: inadequação da atividade, sobrecarga e a interferência de agentes psicosociais como o relacionamento pessoal no ambiente de trabalho. A seguir, viu-se alguns tipos mais comuns de fadiga, são eles:
i) Fadiga gerada pela exigência do aparelho visual (fadiga visual);
ii) Fadiga provocada pela exigência física de todo o organismo (fadiga física); iii) A fadiga do trabalho mental (fadiga mental);
iv) A fadiga produzida pela exigência exclusiva das funções psicomotoras (fadiga da destreza ou nervosa);
v) Aquela gerada pela monotonia do trabalho ou do ambiente;
vi) O somatório das influências fatigantes prolongadas (fadiga crônica);
vii)A fadiga circadiana ou nictemérica, gerada pelo ritmo biológico do ciclo de dia - noite, que se instala periodicamente e conduz ao sono.
Quanto à mensuração e avaliação da fadiga, viu-se que, através da medição dos intervalos de tempos ocorridos até o aparecimento da fadiga, da sua presença e da redução da força muscular, foram desenvolvidas inúmeras técnicas organizadas em duas categorias.
Métodos Diretos e Métodos indiretos. Sendo que o primeiro trata de análises laboratoriais,
geralmente invasivos, mas com grande precisão dos resultados e o segundo trata de avaliações subjetivas para predizer e medir a presença de sintomas que indiquem algum estado de fadiga. Ferramentas pertencentes aos métodos indiretos de análise, como o inventário para dor de WISCONSIN, foram utilizados neste estudo, para compor o questionário apresentado no capítulo 6.
Por fim, foram apresentados estudos sobre os fatores que afetam a amplitude dos movimentos dos indivíduos, onde se viu que o sexo e a idade são os fatores mais determinantes. Estes dados foram importantes para compreender os aspectos físicos e químicos do movimento da mão, bem como as diversas implicações, restrições e limites destas estruturas.
No próximo capítulo, serão apresentadas e discutidas algumas patologias que mais acometem os indivíduos que executam atividades manuais como o uso de teclados para computador. Discute-se ainda sobre as implicações legais e uma importante análise evolutiva do diagnóstico das Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Doenças Osteo-musculares Relacionadas ao Trabalho (DORT).