3 ESTUDOS E ABORDAGENS SOBRE LER/DORT
ANO ACONTECIMENTO
3.7 LER/DORT no Ambiente de Trabalho
SILVA & MÁSCULO (2001) e RUIZ (1998), em um estudo com bancários, identificaram cinco estágios no surgimento e evolução das síndromes osteomusculares. São eles:
9 GRAU 0: O trabalhador submetido aos fatores de risco para LER pode se queixar de uma sensação de desconforto ou peso nos membros superiores, no final do expediente e/ou durante os picos de produção. As dores podem surgir de forma localizada ou não, que, inicialmente, cessam imediatamente com repouso ou com a diminuição do ritmo de produção. SILVA & MÁSCULO (2001), afirmam que estes funcionários raramente procuram o serviço médico e quando o fazem não aparecem sinais do ocorrido no exame físico. Segundo os autores, nesta fase, a única indicação está na necessidade de intervenção no ambiente de trabalho.
9 GRAU I: Surge um desconforto, sensação de peso no membro afetado. A dor é espontânea e às vezes surge com pontadas durante a jornada de trabalho. Com o repouso ela desaparece e não há sinais clínicos. Quando comprimida a massa muscular comprometida à dor surge de forma leve e o prognóstico é bom.
9 GRAU II: Durante a jornada de trabalho a dor aparece mais intensa, persistente e de forma intermitente. Nos períodos de exacerbação há uma redução de produtividade do trabalhador. A dor torna-se localizada, com redução de sensibilidade e poderá vir acompanhada de calor e formigamento. Ainda poderão surgir nódulos. O prognóstico é favorável.
9 GRAU III: A dor torna-se mais persistente, forte, intensa e apresenta-se irradiada. Mesmo com o repouso, às vezes ela não desaparece e surge, também, fora da jornada de trabalho, principalmente à noite. Há redução da tonicidade muscular, queda de produtividade, limitações de movimentos e dificuldade de executar tarefas domésticas. Os sinais clínicos surgem principalmente com o edema, acompanhado de transpiração. Poderá existir perda da sensibilidade. Quando a massa muscular afetada é apalpada a dor é muito forte. Nesta fase não é aconselhável o retorno ao trabalho. O prognóstico é reservado.
9 GRAU IV: A dor surge contínua e forte, desencadeando um intenso sofrimento. Ela acentua-se com os movimentos e irradia-se por todo o membro afetado. É comum a perda de força e controle dos movimentos. O edema persiste e poderá surgir deformação, como atrofia dos dedos pelo desuso dos mesmos. É anulada a
capacidade de trabalho e a invalidez é caracterizada pela impossibilidade de exercer o trabalho regularmente. Ocorrem problemas psicossomáticos com quadros de depressão, insônia, angústia, ansiedade e medo. O prognóstico é sombrio.
Resumo do Capitulo
No desenvolvimento deste capítulo, muita coisa foi descrita sobre a principal enfermidade que assola os milhões de digitadores no Brasil e no mundo.Entre os fatos mais importantes podem ser sumarizados:
9 Quanto à denominação oficial, onde se viu que, em virtude dos novos diagnósticos e de diversos pareceres clínicos a nomenclatura oficial do grupo de enfermidades que compunham as doenças ocupacionais, originalmente chamadas de Lesões por Esforços Repetitivos – L.E.R, passaram a ser denominadas como “Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho” (D.O.R. T) e que esta medida corrigiu um grave problema da nomenclatura anterior que só penalizava lesões repetitivas, quando se sabe que diversos outros fatores, não somente a repetição, contribui para o agravamento de sintomas e distúrbios ocupacionais.
9 Quanto aos prejuízos generalizados para pessoas, organizações e sociedade, onde se vê fatos como, mais de 40% dos trabalhadores holandeses se queixando de dores no pescoço e braços devido ao trabalho no escritório, e 17% dos trabalhadores britânicos com problemas semelhantes levando os gastos com doenças ocupacionais a comprometer de 0,5% a 2% do Produto Interno Bruto, nos países desenvolvidos, entenda-se com isto cifram superiores a 1 bilhão de dólares.
9 Quanto aos tipos de enfermidades, viu-se que a LER/DORT é na verdade um conjunto de síndromes compostas por Tenossinovites, Tendinite, Epicondilite, Bursite, Miosite, Síndromes do Túnel do Carpo, Síndrome do Ombro Doloroso entre outras.
9 Quanto à prescrição e prevenção, sabe-se que em geral os medicamentos conseguem apenas aliviar a dor (muitas vezes em parte) e o uso de gelo e de alguns exercícios físicos como alongamentos têm sido recomendado por especialistas. No entanto é imprescindível à interrupção da atividade causadora, seguida de alteração na postura e ajuste de mobiliário. Por outro lado, se os fatores causadores não forem alterados e o paciente tiver pouco tempo para se recuperar com técnicas alternativas, os nervos
que passam pelo pulso podem "morrer" e a recuperação se torna irreversível. Ou seja, levando o indivíduo a um estado de invalidez permanente.
Por estes e outros fatores, não descritos neste resumo, mas citados ao longo do capitulo, é que a LER/DORT vem, cada vez mais, acometendo setores secundário e terciário de vários setores produtivos, em diversos ramos e atividades como o setor bancário ou a área de saúde e estendendo-se a todas as atividades manuais os traumas cumulativos, motivando assim, inúmeros estudiosos em todo globo, desde a década de 1970.
Neste capitulo, também foi tratado do caractere epidemiológico em que podem ser considerados vários fatos ocorridos em grandes empresas do Brasil e do mundo, no final do século XX, neste ultimo caso podem ser citadas grandes epidemias como a Australiana e a Japonesa, atribuindo um caractere epidemiológico a este tipo de enfermidade.
Viu-se que o diagnóstico da LER/DORT, apesar de ser reassente o seu reconhecimento pelos órgãos públicos no Brasil e no mundo, possuí raízes bem mais profundas, com causas relacionadas com o trabalho excessivo e surgindo a bem mais tempo do que se imaginavam os estudiosos. Viu-se também que, os fatores que alimentam as estatísticas com novos casos de LER/DORT, são bem conhecidos, tratando-se, em sua maioria, de sobre carga das estruturas envolvidas na atividade, em conseqüência de um mau dimensionamento de vários fatores como jornada de trabalho, pressões sociais, falta de humanização do ambiente de trabalho, entre outras.
O próximo capítulo apresenta um breve estudo sobre a evolução e os tipos de teclados digitais e máquinas de escrever. Com isto, buscou-se recolher informações sobre recomendações projetuais para vários atributos do teclado no intuito de confrontá-las com as indicações apontadas pelos novos modelos de teclados ergonomicamente projetados.