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6. SÍNTESE DO DIAGNÓSTICO SOCIOAMBIENTAL INTEGRADO

6.3. ÁREA DE RESTINGA

6.3.2. Fauna associada à restinga

A Formação Arbórea/Arbustiva-herbácea sobre sedimentos marinhos recentes, mais conhecida como restinga, apresenta conjunto das comunidades vegetais fisionomicamente distintas, que recebem influência marinha, constituindo-se de toda a faixa da planície litorânea sobre solos arenosos formados pelas ações do mar, rios e ventos que transportam grãos de areia que se acomodam na matriz rochosa do litoral. Esses solos arenosos são pobres em nutrientes e com baixa capacidade de reter a água e, os terrenos, quase ao nível do mar, sofrem inundações com chuvas fortes ou ressacas, enquanto que o vento que vem do mar, carregado de sal, nocivo à maioria das plantas, dificulta a fixação das plantas nas praias (BRASIL, 2020; USP-IB, 2020).

A cobertura vegetal, distribuída em mosaico, ocorre em áreas de grande diversidade ecológica como praias, cordões arenosos, dunas e depressões e, de acordo com o estágio sucessional, apresenta estrato: herbáceo; arbustivo e herbáceo; arbustivo e arbóreo com dossel aberto; arbóreo com dossel fechado; herbáceo- arbustivo; unicamente estrato herbáceo; e arbóreo; este último mais interiorizado (BRASIL, 2020).

A vegetação de restinga exerce um importante papel para a estabilização de dunas e mangues e manutenção da drenagem natural. As particularidades desse ecossistema, o deixa frágil e susceptível ao impacto do homem. Devido à sua localização, na interface entre os ambientes marinho e continental, torna-se alvo de empreendimentos imobiliários e de projetos de desenvolvimento (BRASIL, 2020; USP-IB, 2020).

De acordo com os dados secundários obtidos em estudos de fauna realizados em área de restinga, no município do Guarujá, foram registradas 469 espécies da fauna terrestre, divididas nos grupos Répteis (n=10), anfíbios (n=22), Aves (n=277), Mamíferos de médio e grande porte (n=23), pequenos mamíferos terrestres (n=8) e pequenos mamíferos voadores (n=1). Da biota aquática, como a maioria dos estudos tiveram coleta em área estuarina, as espécies contabilizadas aqui representam aquelas que são associadas a ambientes aquáticos de restinga, nos quais foram registrados 107 espécies de peixes e 21 crustáceos (Tabela 6.3.2.1 e Figura 6.3.2.1). O total aqui apresentado reflete os resultados obtidos nos estudos utilizados como referência, no entanto, a partir da realização de levantamento em campo, prevista para outubro de 2020, a riqueza da fauna tende a ser incrementada.

Deste total de espécies computadas para áreas de restinga do Guarujá, 184 espécies são endêmicas de Mata Atlântica, 43 são ameaças de extinção e 21 são espécies migratórias (Tabela 6.3.2.1).

Tabela 6.3.2.1. – Atributos das espécies de fauna terrestre registradas em estudos realizados em áreas de restinga no município do Guarujá e da biota registrados em ambientes estuarinos mas associados à áreas de restinga.

Ambiente Grupo Restinga Total Endêmicas MA Ameaçadas Migratórias

Restinga Herpetofauna Anfíbios 22 15 0 0 Répteis 10 5 0 0 Mastofauna Médios e grandes mamíferos 23 4 6 0 Pequenos mamíferos terrestres 8 2 2 0 Pequenos mamíferos voadores 1 0 0 0 Avifauna Aves 277 31 4 1 Biota Peixes 107 106 31 0 Crustáceos 21 21 0 20

Legenda: MA: Endêmica de Mata Atlântica. SP (SÃO PAULO, 2018) – Decreto nº 63.853, de 27 de novembro de 2018; BR (BRASIL, 2014) – Portaria Nº 444/2014, do Ministério do Meio Ambiente do Brasil; IUCN (IUCN, 2020) Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas globalmente.

Figura 6.3.2.1 – Número de espécies por grupo da Fauna registrada na restinga. Para peixes,

a classificação é referente à espécies associadas a áreas de restinga.

As áreas de restinga de Guarujá com estrutura florestal abrigam alta diversidade de espécies da fauna, sendo que muitas também permeiam as áreas de Floresta Ombrófila Densa, mostrando a relevância da ocorrência desse conjunto de fitofisionomias para a preservação das espécies. Os dados de registro de fauna na restinga indicam que as planícies de restinga do Guarujá, atendem aos requerimentos ambientais para as comunidades da fauna, que necessitam das peculiaridades desse ambiente de solo arenoso sujeito a alagamentos.

A fim de ilustrar a distribuição da fauna nas áreas de restinga, serão apresentados mapas, para os grupos de fauna terrestre, com os locais de registro de algumas das espécies mais relevantes ecologicamente, e as respectivas áreas de vida de algumas delas a fim de se demonstrar as áreas ocupadas pela fauna nesta fitofisionomia.

A área de vida representa uma estimativa do espaço físico que uma determinada espécie utiliza para realização de todas as suas atividades, como forrageamento (busca por alimento e água), busca por parceiro reprodutivo e local para reprodução, busca por abrigo. Nos mapas abaixo, além dos pontos onde as espécies foram registradas, é possível observar as áreas de vida de algumas espécies da fauna terrestre.

MAMÍFEROS DE MÉDIO E GRANDE PORTE

Na Figura 6.3.2.2 estão ilustrados os pontos de registros das espécies de médios e grandes mamíferos presentes na Restinga, que constam em alguma das listas de espécies ameaçadas de extinção e outras espécies que, embora não sejam ameaçadas, são representativas para a área, como o tamanduá-mirim e o bicho preguiça, e, no caso desta última por serem frequentemente avistadas nas áreas florestais do município, sendo, inclusive uma das espécies mais resgatadas pelas equipes da Prefeitura municipal do Guarujá. Na Tabela 6.3.2.2. constam as espécies do mapa, com seus respectivos status de ameaça e área de vida. A lista completa de espécies da mastofauna registradas em Guarujá consta no Anexo B.

Figura 6.3.2.2 – Mapa com áreas de vida de algumas espécies de médios e grandes mamíferos nas áreas de Restinga do município do Guarujá. Os raios representam as áreas de vida, conforme indicado por Bicca-Marques (2003), Cheida (2012), Penteado (2012), Zhang, (1995), Spironello (2001), Trovati e Brito (2009), Silvius e Fragoso (2003).

Tabela 6.3.2.2 – Espécies de relevância ecológica da mastofauna constantes no mapa da área de vida, registradas nas áreas de restinga do município do Guarujá, o status de ameaça e as respectivas áreas de vida.

Táxon Nome popular

Grau de ameaça

Área de vida (km²) * SP BR IUCN

Puma concolor Onça parda VU VU - 114

Sapajus nigritus macaco prego - - NT 9

Alouatta guariba bugio ruivo EN VU VU 0,33

Procyon cancrivorus mão pelada - - - 6,95

Bradypus variegatus bicho preguiça - - - 0,09

Leopardus pardalis jaguatirica VU - - 51

Tamandua tetradactyla tamanduá mirim - - - 1,06

Dasyprocta leporina cutia QA - - 0,08

Legenda: (*) Foram considerados os maiores valores de área de vida obtidos nas referências. EN – Em perigo; VU – Vulnerável; QA – Quase ameaçada; NT – Quase ameaçada.

Nos textos abaixo constam as principais características das espécies de médios e grandes mamíferos apresentadas na Figura 6.3.2.2.

Alouatta guariba – bugio ruivo

O bugio ruivo ocorre ao longo do leste do Brasil, na Mata Atlântica (MENDES et al., 2008). A espécie está ameaçada no estado de São Paulo, no Brasil e mundialmente (Tabela 6.3.2.2). As principais ameaças a espécie são: expansão urbana; vulnerabilidade a epidemias; desconexão e redução do habitat; e proximidade de fragmentos florestais a áreas urbanas e rurais. Além disso, o cão doméstico pode ser uma grande ameaça aos bugios (GALETTI; SAZIMA, 2006).

Com relação a sua área de vida, Bicca-Marques (2003) observou uma variação de 3,9 a 33 ha. Enquanto Fortes (2008) observou um pequeno grupo habitante em dois pequenos remanescentes com apenas 1 ha de área total. O tamanho da sua área de vida varia muito dependendo do local em que é estudado e, considerando os estudos supracitados, a variação é de 1 a 33 ha.

Bradypus variegatus – bicho preguiça

Atualmente, esse animal é encontrado em áreas florestadas da Amazônia e da Mata Atlântica (FONSECA et al. 1996; PAGLIA et al. 2012). O bicho preguiça possui

uma surpreendente capacidade de suportar grandes alterações no seu habitat, sendo comumente avistados em praças públicas no Brasil (PINHEIRO, 2008; SÃO PAULO, 2010). No Guarujá é comum ser avistado em áreas florestais e áreas adjacentes, sendo uma das espécies por vezes resgatadas pela Prefeitura de Guarujá.

Procyon cancrivorus – mão pelada

Trata-se de uma espécie principalmente solitária e noturna, que é encontrada perto de fontes de água, como banhados, rios e manguezais (CHIEDA, 2012). A espécie utiliza tanto paisagens modificadas, como plantações de eucalipto, quanto vegetações naturais (OLIVEIRA, 2002). Possuem relativa tolerância a perturbações antrópicas sendo dependentes de corpos d'água e suscetíveis ao desaparecimento de corredores florestais (MICHALSKI; PERES 2005). É uma espécie que comumente habita todas as fitofisionomias (mangue, restinga e Floresta Ombrófila Densa), sendo associada à ambientes litorâneos.

Com relação à área de vida, Bianchi (2009) relatou uma área de vida de 6,95 km² para um macho adulto enquanto que Cheida (2012) obteve área de vida média de 1,4 km² até 8 km² para indivíduos monitorados na mesma área adjacente.

Puma concolor – onça-parda

A onça-parda possui uma ampla distribuição no Brasil, se fazendo presente em todos os biomas do país (OLIVEIRA, 1994). Em geral, grandes felinos como a onça-parda tendem a ocupar grandes áreas e passam a ser extremamente vulneráveis à redução e fragmentação florestal (SUTHERLAND, 2000; PINTO et al, 2006). Atualmente, as ameaças mais significativas para a espécie são a supressão e fragmentação do habitat (MACDONALD, 2010), eliminação de indivíduos por caça (PALMEIRA et al, 2008; PAVIOLO et al.,2009) e atropelamentos (MAZZOLI, 2010). Mickalski e Peres (2005) apontaram que na Mata Atlântica, esses animais não parecem estarem presentes em fragmentos menores do que 300 ha. P. concolor está ameaçada de extinção no estado de São Paulo e no Brasil.

Com relação à área de vida, ela pode variar muito dependendo do sexo do animal e do local onde ele está inserido. No Pantanal, por exemplo, sua área de vida variou de 32 a 155 km², enquanto que na Mata Atlântica sua área de vida foi de 114 km² (PENTEADO, 2012).

Sapajus nigritus – macaco prego

O macaco prego é uma espécie associada a habitats mais conservados, no entanto apresentam certa tolerância a alterações ou perturbações ambientais, persistindo com frequência em florestas secundárias (FRAGASZY et al., 1990; RYLANDS et al., 2008).

O tamanho da área de vida tem relação com a distribuição dos recursos alimentares, podendo viver em áreas relativamente pequenas - em torno de 60 ha - como em áreas grandes em torno de 350 a 900 ha (ZHANG, 1995; SPIRONELLO, 2001).

Tamandua tetradactyla – tamanduá mirim

É uma espécie endêmica da América cisandina (NOWAK, 1999), ocorrendo em todos os biomas do Brasil (PAGLIA et al., 2012). Esses animais podem utilizar ambientes florestais ou savânicos como matas de galeria adjacentes, savanas e florestas tropicais (EISENBERG, 1989). As principais ameaças para a espécie são: a perda de habitat causada por incêndios e conversão de terras para agropecuária; desmatamento; atropelamentos e caça (AGUIAR; FONSECA, 2008; NOSS et al., 2008).

Com relação a sua área de vida, em uma região de cerrado no Tocantins, a área de vida da espécie foi de 106 ha (TROVATI; BRITO, 2009).

Dasyprocta leporina – cutia

As cutias estão distribuídas no sul da bacia amazônica, no leste do Brasil até os estados de São Paulo e Rio de Janeiro (REIS et al., 2006). D. leporina encontra-se ameaçada de extinção no estado de São Paulo. Esses animais são

considerados grandes dispersores de árvores com grandes sementes nas florestas em que habitam (HALLWACHS, 1986; PERES; BAIDER, 1997). Estudos apontam que algumas espécies de árvores parecem depender exclusivamente das cutias para a dispersão de suas sementes (HALLWACHS, 1986; PERES; BAIDER, 1997).

Sua área de vida estimada varia de 3 a 8,5 ha em estudos feitos com espécimes de floresta amazônica (SILVIUS; FRAGOSO, 2003).

Leopardus pardalis – jaguatirica

A jaguatirica é encontrada desde o sul dos Estados Unidos até o norte da Argentina (EISENBERG; REDFORD, 1999). No Brasil, se encontra em todos os ecossistemas, contudo, preferencialmente, em matas ciliares e florestas (FONSECA et al., 1994). Como outros predadores de médio e grande porte, uma grande ameaça a esses animais é a perda e degradação do habitat (SUNQUIST; SUNQUIST, 2002; DI BITETTI et al., 2008). L. pardalis está ameaçada de extinção no estado de São Paulo.

Com relação à área de vida, a jaguatirica apresenta diferenças em relação a localidades e, comumente, pode ocorrer a sobreposição de áreas de vida de um macho com as de várias fêmeas (OLIVEIRA, 1994). No Brasil, em uma extensa área de Mata Atlântica, foram estimadas áreas de vida variando de 4 a 40 km² para fêmeas adultas e de 20 a 51 km² para machos adultos (CRAWSHAW, 1995). Bianchi (2009) relatou uma área de vida de 6,95 km² para um macho adulto, enquanto que Cheida (2012) obteve área de vida média de 1,4 km² até 8 km² para indivíduos monitorados na mesma área.

A Figura 6.3.2.3 mostra imagens da cutia (Dasyprocta leporina) registrada em área de restinga no município do Guarujá.

Figura 6.3.2.3 – Cutia (Dasyprocta leporina) se alimentando em área de restinga adjacente ao condomínio residencial Jardim Acapulco, em Guarujá. Fonte: IPT/CPEA, junho de 2020.

AVIFAUNA

No mapa da área de vida da avifauna (Figura 6.3.2.4) constam algumas das espécies ameaçadas de extinção que foram registradas nas áreas de restinga no município de Guarujá, e as áreas de vida de apenas algumas dessas aves, visto que essa informação não é existente para todas as espécies. Na Tabela 6.3.2.3 constam as espécies do mapa, com seus status de ameaça e área de vida. A lista completa de espécies da avifauna registradas em Guarujá consta no Anexo B.

Figura 6.3.2.4 – Mapa com áreas de vida de algumas espécies da avifauna nas áreas de Restinga do município do Guarujá. Os raios representam as áreas de vida, conforme indicado por Barros (não publicado).

Tabela 6.3.2.3 – Espécies de relevância ecológica da Avifauna registradas nas áreas de restinga do município do Guarujá, o status de ameaça e/ou relevância e as respectivas áreas de vida.

Táxon Nome popular Grau de ameaça

Área de vida (km²)* SP BR IUCN

Ramphocelus bresiliusMA tiê-sangue - - - 0,5

Ramphodon navius beija-flor-rajado - - NT -

Amazona farinosa papagaio-moleiro CR - NT -

Aramides cajaneus saracura-três-potes VU - - 0,137

Myrmotherula unicolor choquinha-cinzenta - - NT -

Tangara cyanoptera sanhaço-de-encontro-azul - - NT -

Legenda: MA – Espécie endêmica de Mata Atlântica. Foram considerados os maiores valores de área de vida obtidos nas referências. EN – Em perigo; VU – Vulnerável; CR – Criticamente Ameaçada; NT – Quase ameaçada. SP (SÃO PAULO, 2018) – Decreto nº 63.853, de 27 de novembro de 2018; BR (BRASIL, 2014) – Portaria Nº 444/2014, do Ministério do Meio Ambiente do Brasil; IUCN (IUCN, 2020) Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas globalmente.

Nos textos abaixo constam as principais características das espécies de avifauna constantes no mapa apresentado.

Amazona farinosa – papagaio-moleiro

Espécie de ave também frugívora, o papagaio-moleiro (Amazona farinosa) é considerada “Criticamente Ameaçada” no estado de São Paulo e também se encontra ameaçada no nível global. Não foi encontrada referência para sua área de vida.

Ramphocelus bresilius – tiê-sangue

Espécie endêmica de Mata Atlântica ganha destaque pela plumagem vermelha intensa dos indivíduos machos e pela ocorrência frequente em florestas litorâneas. Sua área de vida é estimada em 0,5 km² (BARROS, não publicado).

Aramides cajaneus – saracura-três-potes

A saracura-três-potes (Aramides cajaneus) é uma espécie com baixa capacidade de voo e geralmente procurada por caçadores. É uma espécie de alta sensibilidade ambiental e encontra-se ameaçada no estado de São Paulo. Não há

estudos de área de vida para a espécie, porém é possível utilizar estudos de animais do mesmo gênero. Com isso sua área de vida é estimada em 13,7 ha.

Ramphodon navius – beija-flor-rajado

O beija-flor-rajado, R. navius, é um dos maiores beija-flores do mundo e da Mata Atlântica, bioma em que a espécie é endêmica. Vive no interior sombreado de matas de encosta e pode ocorrer em jardins próximos às vegetações nativas. Gosta de flores miúdas de bromélias, podendo visitar mais de 200 flores por dia. Não foi encontrada referência para sua área de vida. O beija-flor-rajado está quase ameaçado (NT) de extinção a nível global.

Myrmotherula unicolor – choquinha-cinzenta

Entre as espécies insetívoras que habitam o extrato médio das florestas (sub- bosque), destaca-se a choquinha-cinzenta, Myrmotherula unicolor. Esta espécie, que se mostrou frequente nos estudos avaliados, habita florestas de restingas ou ombrófilas de até 500 m de altitude. Está enquadrada na categoria “Quase Ameaçada” em nível global (IUCN, 2020).

Tangara cyanoptera – sanhaço-de-encontro-azul

Os sanhaços são particularmente importantes no processo de regeneração natural das florestas, pois atuam como dispersores de sementes de plantas nas áreas de transição entre floresta e áreas abandonadas (BARROS et al., 2019). T.

HERPETOFAUNA

As planícies de restinga de Guarujá, com suas extensas áreas alagadas propiciam habitats que representam potenciais sítios reprodutivos de anfíbios, bem como para alimentação e abrigo de répteis.

No mapa da área de vida da herpetofauna (Figura 6.3.2.5) constam algumas espécies de répteis e anfíbios endêmicas de Mata Atlântica, associadas a ambientes florestais, e espécies associadas a ambientes litorâneos, que foram registradas nas áreas de restinga no município de Guarujá. Além disso, constam algumas que foram registradas em resgates realizados pela Prefeitura de Guarujá.

A área de vida dos indivíduos da herpetofauna costuma ser bem menor do que dos outros grupos, pois são animais de pouco deslocamento, com algumas exceções, como as tartarugas-marinhas. Nesse sentido, para algumas espécies, o raio que representa as áreas de vida no referido mapa são menores que os ícones.

Na Tabela 6.3.2.4 constam as espécies do mapa, com seus status de ameaça e área de vida. A lista completa de espécies da herpetofauna registradas em Guarujá consta no Anexo B.

Figura 6.3.2.5 – Mapa com áreas de vida de algumas espécies da Herpetofauna nas áreas de Restinga do município do Guarujá. Os raios representam as áreas de vida, conforme indicado por Luguer et al. (2009), Ringler et al. (2009), Tozetti, (2006), Hederson, Nickerson e Ketcham (1976).

Tabela 6.3.2.4 – Espécies de relevância ecológica da Herpetofauna registradas nas áreas de Restinga do município do Guarujá, endemismo, habitat preferencial e as respectivas áreas de vida.

Táxon Nome popular

Endemismo Habitat Área de vida (Km²)* Ololygon littoralis pererequinha-do-litoral Mata Atlântica Florestal 0,000075

Scinax tymbamirim perereca Mata Atlântica Áreas abertas 0,000075

Ololygon perpusilla pererequinha-de-bromélia Mata Atlântica Florestal 0,000075

Bothrops jararacussu jararacussu Mata Atlântica Florestal 0,149

Bothrops jararaca jararaca Mata Atlântica Florestal 0,149

Chironius bicarinatus cobra cipó Mata Atlântica Florestal 0,000119

Chironius fuscus cobra cipó Mata Atlântica Florestal 0,000119

Legenda: (*) Foram consideradas as maiores áreas das referências bibliográficas consultadas.

Nos textos abaixo constam as principais características das espécies de répteis e anfíbios constantes no mapa apresentado.

Ololygon littoralis – perereca-do-litoral

A perereca-do-litoral, O. littoralis, é uma espécie de anfíbio cuja distribuição ocorre nas áreas costeiras da região Sudeste. A sua área de vida foi extrapolada a partir de outras espécies da família Hylidae, com o valor de 0,0075 ha (LUGUER et al., 2009; RINGLER et al., 2009).

Ololygon perpusilla – pererequinha-de-bromélia

A pererequinha-de-bromélia, O. perpusilla, é uma espécie de anfíbio endêmica de Mata Atlântica que ocorre na costa sudeste e também é associada a ambientes costeiros. Essa espécie habita áreas florestadas e passa boa parte dentro de bromélias. A sua área de vida foi extrapolada a partir de outras espécies da família Hylidae, com o valor de 0,0075 ha (LUGUER et al., 2009; RINGLER et al., 2009). No entanto, pode ser menor ainda, devido ao seu tamanho pequeno e por também realizar suas atividades nas bromélias.

Bothrops jararaca – jararaca e Bothrops jararacussu – jararacuçu

As serpentes peçonhentas da família Viperidae são semi-arborícolas, associadas a ambientes florestais e de hábitos noturnos. No entanto, são espécies que se adaptam a condições de áreas florestais menos preservadas e por vezes acabam sendo encontradas em áreas urbanas adjacentes a áreas florestais, o que resulta em alto número de acidentes com essas serpentes. A área de vida foi estimada com base em informações de outra espécie da família viperidae, tendo a área de vida estimada em 14,9 ha, podendo ser menor em estações chuvosas (TOZETTI, 2006).

Chironius fuscus e Chironius bicarinatus – cobras-cipó

As cobras-cipó C. fuscus e C. bicarinatus são espécies arborícolas, endêmicas de Mata Atlântica e estritamente florestais, sendo, portanto, dependentes de áreas vegetadas. A área de vida dessas espécies, estimada a partir de estudo realizado para espécie do mesmo gênero, foi estimada em 0,0119 ha (HEDERSON; NICKERSON; KETCHAM, 1976).

BIOTA AQUÁTICA – PEIXES E CRUSTÁCEOS

As planícies arenosas chamadas de restingas são caracterizadas pelo relevo plano, pouco acentuado, formando praias, cordões, depressões entre cordões, dunas e lagoas (Suggio; Tessler, 1984), onde ocorrem diversas espécies de crustáceos, moluscos e peixes. O levantamento de dados para a região do Guarujá registrou 107 espécies de peixes associados a áreas de restinga, nas quais 106 são endêmicas da Mata Atlântica e 31 estão listadas com algum grau de ameaça. Já para os crustáceos, foram registradas 21 espécies, todas endêmicas da Mata Atlântica.

Além de espécies ameaçadas de extinção, também foram registradas espécies com grande valor econômico, como as espécies de peixes: Centropomus parallelus (robalo peva) e Centropomus undecimalis (robalo flecha), ambas com grande valor econômico e com algum grau de ameaça. Destacam-se, também, outras espécies que estão na mesma situação: Sardinella brasiliensis (sardinha azul), Urophycis

brasiliensis (abrotea), Mugil liza (tainha), Pomatomus saltatrix (anchova), Cynoscion acoupa (pescada amarela), Cynoscion guatucupa (pescada olhuda), Cynoscion jamaicensis (gorete de pedra), Micropogonias furnieri (corvina), entre outras que

estão listadas no Anexo B.

Para os crustáceos foram destacadas espécies como: Menippe nodifrons (Caranguejo Guaiá-açu), Artemesia longinaris (Camarão-barba-ruça), Penaeus

brasiliensis (Camarão-rosa), Penaeus (Litopenaeus) schmitti (Camarão-branco), Rimapenaeus constrictus (Camarão‐ferrinho), Xiphopenaeus kroyeri (Camarão-sete-

barbas), Callinectes ornatos (Sirí-azul), que não estão listadas como ameaçadas.