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Ficção televisiva

No documento PORTCOM (páginas 115-124)

“E quanto mais remo mais rezo, pra nunca mais se acabar, essa viagem que faz. O mar em torno do mar. Meu velho um dia falou, com seu jeito de avisar: – Olha, o mar não tem cabelos, que a gente possa agarrar”

Iniciando-se na pesquisa científica no campo da ficção televisiva e marcada pelo seu trabalho no Núcleo de Pesquisa em Telenovela (NPTN) da ECA-USP, foi na- tural o interesse pela divulgação e disseminação das pesquisas em andamento no Núcleo. Logo no ano seguinte a sua entrada no NPTN, a timoneira Maria Ataide, ainda em gestação, participa ativamente do lançamento do “Catálogo do Grupo de Trabalho Ficção Televisiva Seriada”, produção assinada em coautoria com os pes- quisadores que trabalhavam no Núcleo (BACCEGA; MOTTER; MALCHER, 1997). A publicação reporta-se aos cinco anos de história e produção desse Gru- po de Trabalho (GT) na INTERCOM, ao qual ela se filiou desde seu ingresso no NPTN. Esse Catálogo é derivado de artigo apresentado, em coautoria com as professoras doutoras Solange Martins Couceiro de Lima e Maria Lourdes Motter, no XX Congresso Nacional da INTERCOM, que aconteceu na cidade de Santos (SP), em 1997. No artigo, as pesquisadoras relatamo fortalecimento da telenovela como objeto de estudo, resgatando algo além da crítica existente, que considerava as obras ficcionais televisivas como meros produtos de cultura de massa, menospre- zando o fato de ocuparem “lugar de honra na grade de programação das emissoras”. O ingresso no curso de Mestrado alargou o interesse de Maria Ataide pela produção ficcional televisiva, e tanto individualmente quanto com pesquisado- res e/ou parceiros, dedicou-se intensamente à sistematização de materiais que pudessem ser recuperados por pesquisadores na construção de uma linha de pesquisa, gerenciando as produções desse gênero televisivo e seus derivados (mi- nisséries, seriados etc.) de modo a fomentar a institucionalização desse produto como objeto de estudo (MALCHER, 1999).

Nessa mesma linha, há contribuições em artigos apresentados nos Congres- sos da INTERCOM que registram a telenovela como um dos formatos do gê- nero ficcional de maior relevância dentre os produtos da cultura e do campo de estudos da ficção televisiva, além de serem reconhecidos como forte media- ção entre produtores e consumidores (MALCHER, 2000; 2001; 2002; LIMA;

MOTTER; MALCHER, 2000; LOBO, MALCHER, 2004). Nessas publica- ções, Maria Ataide também registra a contribuição do NPTN para o processo de legitimação dos estudos nessa área, incluindo as características de formato, forma de leitura e de uso.

Outros dois registros que não podemos deixar de recuperar é a sistematiza- ção dos primeiros onze anos de trabalhos apresentados no GT de Ficção Tele- visiva Seriada, da INTERCOM (LOBO; MALCHER, 2004) e a continuidade desse trabalho exposta no ano seguinte (LOBO; MALCHER, 2005) nesse mes- mo GT. Esses documentos registram a consolidação desse grupo de pesquisa, destacando a emergência de interesses temáticos e metodológicos, ao longo de 168 (cento e sessenta e oito) trabalhos apresentados, bem como a emergência de interesse por diferentes formatos (minissérie, série, seriados), apesar de o maior interesse estar direcionado à telenovela como objeto de estudo.

Há, ainda, trabalhos direcionados para produções ficcionais específicas, por exemplo, o trabalho em coautoria com Luciane Vale que destaca a minissérie “Aquarela do Brasil”6 como registro documental, mostrando a importância do resgate histórico da época áurea do rádio no Brasil (MALCHER; VALE, 2000). Em outro artigo a pesquisadora, também em coautoria, aborda a existência de protagonistas não comumente presentes nas telenovelas, pois representam pes- soas de classes inferiores e da raça negra, como é o caso do texto “Cidade dos Homens”7 e “Turma do Gueto”8 (MALCHER; MOTTER; VIDAL, 2004). Nesse trabalho, as autoras indicam que na ficção televisiva cabem outros perso- nagens como protagonistas, distinguindo-os dos personagens padrões, em geral das classes média e alta, mais comumente encontrados nessas produções.

A importância do gênero telenovela também foi objeto de trabalho apresentado no Congresso da Federação das Associações Lusófonas de Ciências da Comunica-

6. Minissérie escrita por Lauro César Muniz, direção geral de Jayme Monjardim, Carlos Maga- lhães, Marcelo Travesso, direção de produção de Ruy Mattos, produzida pelo Núcleo Jayme Monjardim. Exibida pela TV Globo, às 22h30, de 22 de agosto a 1 de dezembro de 2000. Total de 60 capítulos. PROJETO MEMÓRIA DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO, 2003. 7. Apresentada em quatro episódios, sob coordenação de Guel Arraes, produzido pela O2

Filmes. Exibida pela TV Globo, às 23h, de 15 a 18 de outubro de 2002. PROJETO MEMÓRIA DAS ORGANIZAÇÕES GLOBO, 2003.

8. Seriado escrito por Netinho de Paula e Laura Malin, direção geral de Pedro Siaretta e Cláudio Callao, produzido por Casablanca. Exibida pela Rede Record, em episódios de 45 minutos, de 4 de novembro de 2002 a 20 de setembro de 2004, totalizando 5 temporadas. REDE RECORD, 2013.

ção – Lusocom, em 2004, em coautoria com Motter, intitulado “Portugal / Bra- sil: a telenovela no entre-fronteiras”, que resultou em capítulo de livro publicado posteriormente (MOTTER; MALCHER, 2005). As autoras analisam a presença massiva das telenovelas brasileiras já existente em Portugal e o início da importação de telenovelas portuguesas para exibição no Brasil, assim como investigam como esse produto passou a ser incorporado no cotidiano e na cultura desses países.

Destacamos, ainda, dois livros que integram as produções de Maria Ataide: o primeiro, derivado de sua dissertação de Mestrado e o outro de sua tese de Doutorado, intitulados respectivamente: “A Memória da Telenovela: legitima- ção e gerenciamento” (MALCHER, 2003) e “Teledramaturgia: agente estraté- gico na construção da TV aberta brasileira” (MALCHER, 2010).

No primeiro, Maria Ataide apresenta a constituição do processo de legitima- ção da ficção televisiva como objeto de estudo na área das Ciências da Comunica- ção, destacando os trabalhos desenvolvidos no NPTN da ECA/USP, e colocando- -os no mesmo patamar de outros estudos que abordam comunicação e cultura de massa. Após o lamentável incêndio que destruiu parte desse núcleo de estudos, muitos documentos se perderam e não estão mais disponíveis para consulta, nem nos arquivos das emissoras de televisão, o que torna essa obra importante registro

histórico. Diante disso, mais do que um resgate de memória da telenovela no Brasil, Maria Ataide discute a institucionalização desse produto ficcional na mídia televisiva, destaca a contribuição do acervo que existia no NPTN da ECA-USP, considerando o acúmulo de capital científico (BOURDIEU, 1989) de seus pes- quisadores, e sinaliza para a legitimação desse campo de estudo, que engloba dife- rentes formatos da ficção televisiva e não só as telenovelas.

Ao ingressar no Doutorado, Maria Ataide continuou nessa linha de pesquisa e o segundo livro que citamos – “Teledramaturgia: agente estratégico na cons- trução da TV aberta brasileira” (MALCHER, 2010) – é decorrente dessa pers- pectiva de estudo. Na opinião do professor José Marques de Melo, no momento da publicação de sua segunda obra, Maria Ataide não seria mais estreante, já que no livro anterior, a pesquisadora “descortinou o universo do melodrama” (MARQUES DE MELO, 2010, p. 6).

Em complemento à publicação da dissertação de Mestrado, essa obra recupe- ra e analisa 1.022 registros dos que integravam, até aquele momento, o universo nacional de produções televisivas ficcionais. A pesquisadora aborda primeira- mente a importância do lazer em determinadas dimensões sociais, evidenciando a necessidade desse fator na vida contemporânea em uma sociedade massiva. A obra apresenta, ainda, um panorama da chegada da televisão no país, contextua- lizando a realidade da época, além de resgatar os primórdios da teledramaturgia e sua dinâmica de estruturação, focalizando os anos de 1950 a 2005.

Ainda segundo Marques de Melo (2010, p. 7), a obra demonstra o envolvi- mento ao mesmo tempo discreto e extremamente profundo com a telenovela bra- sileira que marcou a trajetória de Maria Ataide, deixando pistas e caminhos favorá- veis aos investigadores de televisão no Brasil, sobretudo, para “aqueles que desejam conhecer melhor a fisionomia da indústria nacional do entretenimento massivo”.

Maria Ataide também tem grande contribuição no que se refere à sistematiza- ção de produções acadêmicas em ficção televisiva, pois atuou como colaboradora, de 1999 a 2007, do periódico “Comunicação & Educação”, editado pela ECA- -USP, em seção específica, onde constava a “Bibliografia sobre telenovela brasileira”.

Pesquisa e produção audiovisual

“Timoneiro nunca fui, que eu não sou de velejar. O leme da minha vida, Deus é quem faz governar. E quando alguém me pergunta: como se faz pra nadar? Explico que eu não navego, quem me navega é o mar”.

Mesmo parecendo uma ousada proposta de estudo, ao mergulharmos nas publicações de Maria Ataide, em especial as que têm sido desenvolvidas em sua recente trajetória no Norte do país, percebemos que a pesquisadora persiste em registrar e analisar criticamente essa tal fisionomia dos diferentes cenários mi- diáticos que delineiam o Brasil, e de modo especial o estado do Pará, como um primeiro lócus de observação estabelecido na Amazônia.

Ao chegar ao Pará, Maria Ataide criou o Grupo de Pesquisa em Audiovisual e Cultura (GPAC), certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A partir das discussões e pesquisas desenvol- vidas no GPAC, a pesquisadora tem delineado sua contribuição no que con- cerne ao estudo do audiovisual e da cultura, em uma perspectiva que vai da compreensão do audiovisual como meio e linguagem até os imbricamentos de ordem histórico-sócio-cultural que os constituem e podem ser observados desde a esfera da produção à da recepção.

Resgatando as trilhas abertas no NPTN da ECA-USP, Maria Ataide passa a se dedicar nos últimos anos a entender os complexos cenários midiáticos encon- trados na Amazônia como parte integrante da América Latina, que, segundo a pesquisadora, “abriga diferentes modos de vida ainda desconhecidos para seus próprios moradores” (MALCHER; MIRANDA, 2012, p. 186).

A partir de artigos assinados, em sua maioria em conjunto com orientandos de iniciação científica e mestrado, a pesquisadora tem se debruçado sobre cená- rios complexos da região amazônica, seja envolvida em levantamento de dados primários e secundários a partir da pesquisa de campo e observação in loco das diferentes realidades vividas, como também em pesquisas e compilação de da- dos já existentes, mas dispersos sobre temáticas que carecem de sistematização para o aprofundamento da pesquisa com o olhar da Comunicação.

O capítulo de livro “Mirada sobre o cenário midiático amazônico” (RO- DRIGUES; MALCHER, 2012), publicado no livro “História, comunicação e biodiversidade na Amazônia”, apresenta um mapeamento considerável da dis- posição dos meios de comunicação massiva na região amazônica. Longe de ser um levantamento exaustivo e final, a perspectiva dos autores do trabalho é de que a contribuição maior está na sistematização de informações para aprofunda- mentos futuros tanto no nível quantitativo quanto no qualitativo.

Diferente das demais regiões do Brasil, no Norte não há registros claros, mesmo em institutos de pesquisa oficiais como o IBGE, que nos permitam vi- sualizar ou responder a questões básicas sobre onde e de que maneira a televisão – sem mencionar os demais meios de comunicação massivos – está presente no Pará. São muitas as lacunas existentes nos mapeamentos relativos, por exemplo,

ao Arquipélago do Marajó, assim como há variações entre os números apresen- tados por diferentes pesquisas9.

Diante disso, Maria Ataide apresenta no artigo “Mapeamento da TV aberta no Marajó: história, realidades e perspectivas” dados primários sobre o cenário da TV aberta, a partir do levantamento de informações sobre a presença desse meio de comunicação em cada um dos 16 municípios que compõem essa parte do estado do Pará. Nessa publicação, Malcher e Rodrigues (2012) comparti- lham o desenho metodológico (SCHMITZ, 2008) traçado durante o levanta- mento, composto de entrevistas em profundidade com profissionais que atuam

9. Segundo informações do site Donos da Mídia, o Pará possui 203 veículos de comunica- ção, entre jornais, rádios, TV. De acordo, porém, com o levantamento feito por Ronal- do de Oliveira Rodrigues (2012) em dissertação desenvolvida no âmbito do PPGCOM da UFPA, orientado pela professora Maria Ataide, o número de veículos seria 210. Desse total, 12 são emissoras de televisão (MALCHER et al., 2013).

nas retransmissoras de TV, além de depoimentos de atores sociais que acompa- nharam a chegada dos primeiros equipamentos ao arquipélago marajoara.

Na trajetória de Maria Ataide, também existem publicações que versam so- bre a história da televisão no estado do Pará e que também se configuram como esforços iniciais de registro e análise crítica do processo de chegada e implanta- ção da telinha. Entre os dados que chamam a atenção e demonstram o amplo campo de atuação no Norte do país no que concerne aos estudos de TV, haja vista a discrepância entre essa região e o restante do Brasil desde a implantação desse meio de comunicação: “Em 1960, dez anos depois da chegada da TV no Brasil, o acesso era zero no norte do Brasil, enquanto no sudeste, o percentual alcançava os 12%” (MALCHER, 2011, p. 7).

No capítulo de livro “TV pública no Pará” (MALCHER, 2011), Maria Ataide reflete sobre os principais aspectos que delinearam a implantação da televisão no estado e discute o papel das emissoras públicas no Brasil, a partir da experiência da TV Cultura do Pará que integra a Fundação Paraense de Rádio Difusão (FUNTELPA), que “se constitui como agente estratégico para a cultura paraense e se destaca por ser responsável por mais de 20% da pro- dução de conteúdo oferecido na grade” (MALCHER, 2011, p. 22). No tex- to, a provocação da autora para os leitores é refletir sobre a existência de uma emissora pública de TV no Norte do país, que mesmo com a implantação do sistema de redes que fragilizou a produção local de conteúdo, concentrada agora quase que exclusivamente na região Sudeste, conseguiu manter uma significativa produção de programas com temáticas locais para sua grade de programação.

Outro aspecto da realidade midiática que tem sido foco de observação de Maria Ataide, especialmente a partir de 2009, é o processo de implantação da TV digital no Brasil, assim como a discussão sobre produção de conteúdos in- terativos e voltados à disponibilização em multiplataforma.

Maria Ataide apresenta em sua produção livros, capítulos, orientações con- cluídas e artigos qualificados que discutem a partir da perspectiva vivenciada pelo Norte do país, o processo de implantação do sistema digital de televisão. No capítulo “TV digital no Pará”, que integra o e-book organizado pelas pro- fessoras Maria Cristina Gobbi e Maria Teresa Miceli Kerbauy, intitulado “TV Digital: informação e conhecimento”, Maria Ataide em coautoria com Miranda apresenta uma primeira sistematização e reflexão crítica da cobertura midiáti- ca que ocorreu no momento da assinatura do sinal digital por três emissoras da capital paraense, em agosto de 2009. A partir de uma análise de conteúdo das matérias jornalísticas da mídia impressa e televisiva sobre a consignação do sinal, as pesquisadoras verificam “uma visão reducionista voltada a um único

aspecto: a imagem de alta definição” e destacam as implicações que o distancia- mento da discussão sobre o processo de implantação da TV digital pode causar, sobretudo, nessa região “não é um fato transformador em si, não produzirá o ‘desenvolvimento’ e tampouco, por si só, decretará a inserção do Norte nas novas possibilidades tecnológicas” (MALCHER; MIRANDA, 2010, p. 236).

Nessa perspectiva, há vários artigos da pesquisadora, assinados com dis- centes, que discutem essas questões e apresentam os resultados das reflexões e experimentações que têm sido desenvolvidas sobre a temática, como é o caso do artigo “ABC Digital: exercício de reflexão e experimentação no contexto de implantação da TV Digital”, apresentado no Congresso Nacional da IN- TERCOM, realizado em Caxias do Sul (RS), em 2010. “É possível perceber a carência de um debate ampliado a respeito da TV Digital, envolvendo as regiões do Brasil de forma inclusiva, sobretudo a região Norte” (MALCHER; MIRANDA; COSTA, 2010, p. 2).

No artigo, Maria Ataide e colaborado- ras narram a experiência do processo em- pírico de elaboração do programa de TV do gênero utilitário e caráter experimental, intitulado “ABC Digital”, que envolveu um grupo de alunos de graduação na expe- rimentação e teste de possíveis soluções na linguagem audiovisual para as mudanças no formato de inserção de anúncios publi- citários, modelagem de conteúdo e utiliza- ção dos recursos de interatividade da nova TV – considerando os níveis propostos por Fernando Crocomo (2007). Com base na experiência apresentada no artigo, obser- vamos que a perspectiva de Maria Ataide como docente é de que é fundamental o envolvimento “dos estudantes de comu- nicação, que nesse contexto, como produtores de conteúdos, têm necessidade fundamental de experimentar as potencialidades da nova TV” (MALCHER; MIRANDA; COSTA, 2010, p. 1). As autoras explicam que “o foco central foi estabelecido para as possibilidades de uso que mais transformariam, e acredita- mos, transformarão o cotidiano dos brasileiros e principalmente dos produto- res e usuários desse novo sistema digital” (MALCHER; MIRANDA; COSTA, 2010, p. 5-6).

A partir dessa publicação fica clara a atuação da pesquisadora não apenas no estudo teórico da Televisão como meio e linguagem, mas também na formação de recursos para compreensão e desenvolvimento prático da produção televisi- va, nos mais diferentes níveis de atuação (produção, direção, roteiro, videogra- fismo, finalização, veiculação etc.). O desafio tem sido formar recursos humanos que atuem de forma efetiva nas duas faces do processo – teórico e prático – con- siderando a necessidade imediata de formação de profissionais-pesquisadores aptos a falar pela própria região e definir os melhores rumos para a implantação da TV digital no Norte do país. Nos últimos anos, a produção científica de Maria Ataide cresceu exponencialmente não apenas no que concerne à produ- ção bibliográfica, mas também nas categorias de produção técnica e artística/ cultural, tendo em vista o envolvimento direto da pesquisadora na elaboração dos mais diferentes produtos midiáticos voltados à educação e comunicação da ciência como veremos adiante.

Outra publicação de destaque na produção de Maria Ataide é a “Coleção TV Digital”, lançada em 2011 pela INTERCOM, e que tem como objetivo gerar publicações curtas e de fácil leitura, a partir de textos escritos por reno- mados pesquisadores que têm discutido os diversos aspectos que delineiam a implantação da TV digital no Brasil (BRITTOS et al., 2011). O objetivo era esclarecer/informar sobre os diferentes aspectos da convergência da TV analógica para a digital e introduzir os leitores nas discussões sobre essa nova

TV, estimulando-os a busca por mais conhecimento. O primeiro volume da

coleção, cujo título é “Para Entender a TV digital: tecnologia, economia e sociedade no século XXI”, foi assinado por Valério Cruz Brittos e Denis Ger- son Simões, à época pesquisadores da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), de Porto Alegre (RS).

Entre outros objetivos da “Coleção TV Digital” está a transcodificação das informações sobre o novo meio, tanto que a publicação tem um formato de im-

pressão como o de livros de bolso, bastante procurado por alunos de graduação.

A publicação se configura também como um exemplo do constante exercício

de Maria Ataide de exercitar e promover a comunicação da ciência, a partir das proposições de Santos (2009), que considera que a produção do conhecimento na contemporaneidade só se completa a partir do momento em que se transfor- ma em sabedoria de vida para a sociedade em geral.

Os esforços da pesquisadora voltados diretamente para a comunicação da ciência e divulgação científica são apresentados na sequência.

No documento PORTCOM (páginas 115-124)