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Paulo Vitor Giraldi Pires

No documento PORTCOM (páginas 174-179)

“Sou uma aprendiz. Toda minha experiência pode ser sintetizada em um conjunto de palavras: paixão pelo que faço!” 2

Maria Cristina Gobbi é paulistana de berço, com um coração plural e espírito jovem. Nascida em 7 de setembro de 1959, integra a geração de cientistas da comunicação que prota- gonizam o ‘grito de independência’ pelo desenvolvimento e consolidação do pensamento comunicacional na América Latina. É uma matemática nas aventuras da comunicação. Uma mulher midiática, interconectada, online para a vida.

1. É Jornalista diplomado, Mestre em Comunicação Midiática (FAAC UNESP/Bauru) e Especialista em Linguística e Educação (UNI- CID). Atua como Analista de Comunicação da Assessoria de Im- prensa da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). É docente da Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Es- tácio de Sá – Faculdade de Ciências Sociais e Tecnológicas (FACI- TEC), em Brasília (DF). Colabora com o Grupo de Estudos e Refle- xão da Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação. Membro dos Grupos de Pesquisa Pensamento Comunicacional Latino-Ame- ricano e Comunicação Digital e Interfaces Culturais na América do CNPq. Desenvolve pesquisa em Mídias, Religião e Políticas de Comunicação e Cultura. Aluno do Doutorado em Comunicação da Universidade de Brasília (UNB). E-mail: [email protected] 2. Entrevista concedida por GOBBI, Maria Cristina. Entrevista I.

[abr. 2011]. Entrevistadores: Paulo Vitor Giraldi Pires e Allexan- dre Silva. Bauru, 2011.

Este breve perfil de seu itinerário acadêmico introduz ao pensamento co- municacional crítico e amplo da pesquisadora. Na academia, Gobbi, como é conhecida entre os colegas, se destaca por sua capacidade de intercâmbio entre as ciências exatas e sociais aplicadas e por propor o olhar multidisciplinar na investigação dos objetos de estudos que contemplam os cenários Latino-Ame- ricanos da pesquisa em Comunicação. É bacharel em matemática com ênfase em Processamento de Dados, com certificação obtida em 1985, pelo Centro Universitário Fundação Santo André. Dedicou mais de 20 anos à logística, à estatística, aos computadores e à cátedra da informática.

Na década de 1990, já acumulava várias atividades profissionais como o ensino da matemática. Teve que deixar as aulas para acompanhar o crescimento dos filhos. Nesta época, montou sua própria empresa de assessoria na área de processamento de dados, na qual atendia grandes clientes. Em 1997, voltou a lecionar e nunca mais parou.

A experiência com os números e a lógica possibilitam, hoje, sua interação e diálogo na pesquisa com as mídias e as tecnologias digitais, criando uma linha de compreensão do processo comunicacional por meio da matemática. Milita nos estudos direcionados a análise do desenvolvimento dos setores midiáticos e diversificados espaços de produção na América Latina. Percorre um caminho híbrido, árido e ao mesmo tempo de muitas possibilidades existentes entre a comunicação digital, interfaces culturais e cidadania.

O despertar para as ciências sociais veio acompanhado da percepção de am- pliar o cenário de sua vida profissional além do universo das máquinas. Uma breve especialização em informática levou a professora a buscar o mestrado. Não encontrando em sua área de formação e, motivada por uma amiga, decidiu cursar a Pós-Graduação em Comunicação. O desafio estava lançado!

A partir daí, um novo tempo começa a florescer na trajetória de Maria Cris- tina que entrava de cabeça nas aventuras dos estudos comunicacionais. Como ela mesma retrata, surge então o desafio de “levar para a lógica matemática o hu- manismo da comunicação e vice-versa”. Eis que o destino cruza o seu caminho com o do professor José Marques de Melo, personagem importante que apostou nos potenciais da pesquisadora.

Em contato com os estudos teóricos comunicacionais realizados na América Latina, mudou de foco e postura. Orientada por Marques de Melo, obteve o título de Mestre em Comunicação Social, em 1999, com a pesquisa “Na trilha juvenil da mídia impressa: identificação, perfil e análise dos suplementos para jovens veiculados nos jornais diários do Brasil”.

Caminhos cruzados. Nascia aí uma parceria frutífera e amizade verdadeira. São resultados de mais quinze anos de trabalho. O pensamento ágil e dinâmico de

Cristina somado aos talentos e inova- ção do comunicador Marques de Melo resultaram até agora em 17 livros que difundem e ampliam o Pensamento Comunicacional Latino-Americano.

Diversas iniciativas em prol da pes- quisa em comunicação no Brasil tra- zem o contributo desses dois ícones da academia. Podem ser considerados “empreendedores da comunicação” pelo determinismo na difusão do Co- lóquio Internacional sobre a Escola Latino-americana de Comunicação (CELACOM), criado em 1997. São anos de estudos ininterruptos dedica- dos a Cátedra UNESCO para a fun- damentação teórico-prática da Escola Latino-Americana de Comunicação (ELACOM).

Ao mesmo tempo em que cada um constrói seu próprio percurso científico, eles se encontram pelo caminho. Gobbi possui grande admiração pela militân- cia de Marques de Melo. Em 2001, ela foi responsável por escrever a primeira biografia do professor intitulada “Grandes nomes da comunicação: a trajetória comunicacional de José Marques de Melo”. Outras obras foram publicadas, posteriormente, nas quais a autora resgata e organiza o potencial crítico de seu orientador e amigo. Foi coordenadora do Acervo do Pensamento Comunica- cional Latino-Americano “José Marques de Melo” e do Portal Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação.

O empenho e a criatividade dessas duas gerações de pesquisadores da comunica- ção, incentivadas por Marques de Melo, são responsáveis por documentar e historiar os caminhos da pesquisa, seus personagens e pensadores no cenário latino. Outro desafio estava lançado a Maria Cristina pelo professor JMM: cursar o doutorado.

Desafio aceito! O doutoramento obtido por Gobbi, em 2002, trouxe valiosa contribuição à área, no qual desenvolveu um estudo intitulado “Escola Latino- -Americana de Comunicação: o legado dos pioneiros”. Este feito deu a ela opor- tunidade de projeção internacional como pesquisadora, sendo considerada sua obra, referência para a pesquisa em comunicação na América Latina.

A ousadia e perspicácia da pesquisadora a conduziram ao pós-doutorado, con- cluído em 2008, no Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina

da Universidade de São Paulo/PROLAM-USP, que resultou no livro “A batalha pela hegemonia comunicacional na América Latina: 30 anos de Alaic”. Foi orien- tada pela renomada professora Margarida Kunsch, livre-docente na ECA-USP.

Trajetória promissora

Com uma trajetória acadêmica bem jovem, já assumiu importantes funções. Atuou por doze anos como professora titular da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), ministrando disciplinas de graduação e pós-graduação em comunicação. Também lecionou em entidades como a Faculdade Editora Na- cional (FAEC), Centro Universitário Alcântara Machado (UNIFIAM), Univer- sidade Católica de Santos (UNISANTOS), Universidade Presidente Antônio Carlos (UNIPAC), Universidade de Sorocaba (UNISO), entre outras.

Desde 2009, coordena o Prêmio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação, realizado anualmente pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (INTERCOM). No período de 2008 a 2011, foi diretora- -suplente da Cátedra UNESCO-UMESP de Comunicação para o Desenvolvi- mento Regional, coordenadora dos Projetos Experimentais.

Durante oito anos, editou o “Jornal Brasileiro de Ciências da Comunicação – JBCC”, uma de suas atribuições no trabalho que exerceu na Cátedra UNESCO, por onze anos. Além do trabalho à frente do JBCC, Gobbi atuou em outros meios de comunicação como a Revista Imprensa, o Jornal da Rede Alfredo de Carvalho e a Revista Acadêmica do Grupo Comunicacional de São Bernardo do Campo.

Após anos de experiência acumulados e um currículo admirável, em 2011, Gob- bi assumiu a cadeira de titular de docência na disciplina de Teorias da Comunicação. Teve aprovação com nota máxima no concurso público da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) de Bauru (SP), onde também coorde- na o Programa de Pós-Graduação em Televisão Digital, é docente da Pós-Gradução em nível Mestrado e Doutorado em Comunicação na mesma universidade.

A prospecção de suas produções científicas se difunde por meio dos grupos de pesquisas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Coordena os grupos “Pensamento Comunicacional Latino-Americano” e “Comunicação Digital e Interfaces Culturais na América Latina”. Integra o GT “Mídia, Culturas e Tecnologias Digitais na América Latina” da INTERCOM, onde estabelece diálogo com pesquisadores de diversas partes do continente latino.

Entre 2010 e 2013 foi bolsista do Instituo de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), onde integrou um amplo estudo sobre a comunicação em todo o país, publicado em três volumes. Com o objetivo de ampliar suas relações com a pes-

quisa para além das fronteiras, é sócia das entidades INTERCOM (Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação); ALAIC (Asociación Latinoamericana de Investigadores de la Comunicación); SBPJor (Sociedade Bra- sileira de Pesquisadores em Jornalismo), ABEC (Associação Brasileira de Edito- res Científicos) e ABED (Associação Brasileira de Educação a Distância).

O reconhecimento de seus trabalhos e dedicação na pesquisa pode ser ilus- trado pelos inúmeros prêmios e homenagens que já conquistou. Principalmente vindos de entidades como a Universidade Metodista e a INTERCOM.

Quadro 1 – Prêmios e Homenagens à Maria Cristina Gobbi Reconhecimento dos serviços prestados a comunicação

Categoria Entidade Ano

Prêmio Luiz Beltrão 2014 INTERCOM 2014

Reconhecimento Institucional Cátedra UNESCO de Comunicação 2011

Reconhecimento Institucional UNESP-Bauru 2010

Dedicação e Profissionalismo UMESP 2009

Honra ao Mérito - Reconhecimento aos inesti-

máveis serviços prestados INTERCOM 2008

Homenagem pelos 10 anos de dedicação e

profissionalismo UMESP 2008

Homenagem Especial à Coordenadora do Prê- mio Luiz Beltrão de Ciências da Comunicação

(10 anos) INTERCOM 2007

12º Expocom - 3º Lugar - Jornalismo INTERCOM 2005

IV Prêmio Metodista de Jornalismo - 2º Lugar UMESP 2005

Expocom - 1º Lugar Agência Experimental -

Núcleo de Pesquisa em Jornalismo INTERCOM 2004

III Prêmio Metodista de Jornalismo - 1º Lugar UMESP 2004

Expocom - 1º Lugar Agência Experimental -

Núcleo de Pesquisa em Jornalismo INTERCOM 2003

Dizem que ela não gosta de homenagens, mas são merecidas. Por outro lado, as experiências no ramo acadêmico e os serviços prestados a pesquisa rendeu-lhe o cargo de consultora e avaliadora das condições de ensino do Instituto Nacio- nal de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), órgão ligado ao Ministério da Educação. É a atual diretora administrativa da Federação Brasileira das Associa- ções Científicas e Acadêmicas de Comunicação (SOCICOM).

No documento PORTCOM (páginas 174-179)