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2.   MATERIAL E MÉTODOS 89

1.4. Finalidade e objetivos do estudo

Este estudo visa caracterizar, quer o fenómeno da dependência no autocuidado no contexto das famílias, quer o fenómeno da prestação de cuidados ao familiar dependente, no concelho do Porto, expandindo, pelo saber gerado, o conhecimento sobre dois fenómenos centrais ao domínio da enfermagem e, assim, concorrendo para o desenvolvimento de modelos de prestação de cuidados de enfermagem, mais baseados em evidências.

Com a realização deste estudo, pretende-se, em resposta às várias questões de partida que o nortearam, atingir diferentes objetivos que a seguir se apresentam organizados em dois níveis: um mais geral e outro mais específico;

 Caracterizar as famílias clássicas que integram familiares dependentes no autocuidado, no concelho do Porto;

 Identificar a prevalência de famílias clássicas que integram familiares dependentes no autocuidado;

 Descrever as famílias que integram familiares dependentes no autocuidado quanto: ao tipo de família; ao tipo de alojamento, às condições socioeconómicas;

 Caracterizar o familiar dependente no autocuidado integrado na família, no concelho do Porto;  Identificar o modo de instalação da dependência no autocuidado;

 Identificar os atributos do familiar dependente no autocuidado;  Avaliar a condição de saúde do familiar dependente no autocuidado;

 Caracterizar o cuidador familiar nas famílias que integram familiares dependentes no autocuidado;

 Identificar, na família, o cuidador familiar;  Identificar os atributos do cuidador familiar;

 Identificar os cuidados que o cuidador familiar habitualmente assegura ao familiar dependente;

 Avaliar a autoeficácia específica do cuidador familiar relativa ao exercício do papel;  Caracterizar a natureza dos recursos que se constituem como suporte para a prestação de

cuidados a familiares dependentes em casa e na facilitação do exercício do papel de cuidador familiar;

 Identificar os recursos utilizados na prestação de cuidados a familiares dependentes;  Identificar os recursos necessários à prestação de cuidados a familiares dependentes;  Identificar as razões para a não utilização dos recursos necessários;

 Caracterizar as famílias cujos membros têm parentes próximos dependentes no autocuidado, que se encontram institucionalizados;

 Descrever a institucionalização dos parentes dependentes quanto ao local onde ocorre e às motivações/razões que a determinaram;

 Descrever as famílias que têm parentes institucionalizados quanto: ao tipo de família; ao tipo de alojamento, às condições socioeconómicas;

 Identificar as condições que os familiares entendem como necessárias para que os parentes institucionalizados pudessem estar integrados na família;

 Caracterizar os diferentes contextos: família, dependência no autocuidado e cuidados prestados, ao nível das suas variáveis mais determinantes;

 Identificar os tipos de contextos: família, dependência no autocuidado e cuidados prestados;

 Identificar as relações existentes entre as variáveis principais (nível de dependência e condição de saúde da pessoa dependente; cuidados prestados e autoeficácia do cuidador familiar; e, utilização dos recursos necessários);

1.5. Visão geral da tese

O presente relatório do estudo realizado no âmbito do programa de doutoramento em enfermagem da Universidade Católica Portuguesa está estruturado em sete capítulos principais.

No primeiro capítulo, que aqui se encerra, procede-se à apresentação, ao enquadramento e à problematização do tema central do estudo. Optou-se por, ainda na introdução, discutir e enquadrar na problemática os conceitos centrais, nomeadamente, o autocuidado, a dependência, a condição de saúde, a família como contexto de cuidados, o cuidador familiar, a autoeficácia e os recursos utilizados no autocuidado da pessoa dependente pelo próprio e/ou pelo cuidador familiar. Por último, justifica-se o interesse do estudo e apresentam-se os respetivos objetivos e a finalidade da investigação.

No segundo capítulo  material e métodos  são expostas as questões que guardam relação com as opções eminentemente metodológicas. Depois da apresentação do desenho do estudo, que inclui a operacionalização das principais variáveis, clarificam-se os aspetos relacionados com a população e a amostra a que se recorreu. Para além das referências ao instrumento de recolha de dados, esclarecem-se os procedimentos para a recolha dos mesmos, bem como, os respetivos métodos de análise e tratamento. O capítulo termina com as considerações éticas que se colocaram na realização do estudo.

No capítulo seguinte, o terceiro, apresentam-se e discutem-se os dados que permitem caracterizar as pessoas dependentes, nomeadamente ao nível da dependência e da condição de saúde, os prestadores de cuidados e os cuidados que prestam, bem como, as famílias e as condições em que vivem. Na parte final do capítulo, dá-se conta de algumas estimativas de evolução do fenómeno da dependência no autocuidado, tendo por base os resultados disponíveis do Censos 2011.

No quarto capítulo, apresenta-se a situação relativa à institucionalização de parentes próximos das famílias que residem no concelho do Porto. Integram-se os resultados do estudo relativo às famílias que cuidam dos familiares dependentes com a opinião dos representantes das famílias com parentes institucionalizados. Discutem-se, ainda, questões conexas com a alternativa: manter na família ou institucionalizar, nomeadamente as condições que seriam necessárias para promover o retorno à família dos membros institucionalizados. A partir destes dados, e das comparações realizadas, perspetiva-se o fenómeno da institucionalização no concelho do Porto e procura-se identificar alguns preditores da institucionalização.

No quinto capítulo, apresentam-se e discutem-se as principais diferenças e semelhanças entre as situações no concelho do Porto e de Lisboa, no que concerne ao cuidador familiar, designadamente ao nível dos cuidados que assegura e da respetiva autoeficácia e, ainda, no que tange à utilização de equipamentos e recursos nas atividades de autocuidado.

No sexto capítulo, procede-se à caracterização do que se denominou contextos “dependência-cuidados-na-família”. A partir dos contextos identificados, discute-se a

importância das diferentes variáveis e evolui-se para o estudo da correlação e associação entre as principais variáveis.

No último capítulo, apresentam-se as principais conclusões do estudo, esclarecem-se algumas debilidades e propõem-se novos estudos que, perspetivando o fenómeno de outros pontos de observação e análise acrescentem conhecimento ao atualmente disponível.

Capítulo II