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APÊNDICE A – HISTÓRICO DA ANÁLISE 258 APÊNICE B – ELEMENTOS DA ANÁLISE

4 CONSTRUINDO A GROUNDED THEORY

4.5 DESIGN DA PESQUISA

4.5.6 Fonte e coleta de dados

A coleta de dados em estudos de caso pode ser feita a partir de seis fontes de evidência – documentos, registros em arquivo, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos (YIN, 2001). De acordo com Bryman (2004), a utilização de mais de uma fonte de evidência enriquece os resultados na pesquisa qualitativa sobre liderança nas organizações. Nesta pesquisa, serão utilizadas as seguintes fontes de dados: a realização de entrevistas, a observação de documentos e relatórios da organização estudada, e a observação do acompanhamento apresentado pela mídia para as crises estudadas. As fontes utilizadas geraram dois tipos de dados:

a. Dados primários: obtidos no campo pelo pesquisador principalmente por meio de entrevistas semi-estruturadas (TRIVIÑOS, 1987) e pela formalização de notas de campo decorrentes da observação direta durante as visitas à empresa estudada. Todas as entrevistas foram gravadas e transcritas. Os trechos das entrevistas em que foi solicitada a interrupção da gravação foram registrados por meio de notas de campo; e

b. Dados secundários: obtidos em jornais, revistas especializadas, periódicos, livros, relatórios e apresentações da empresa estudada. Estes dados foram importantes para aumentar o conhecimento do pesquisador na área substantiva escolhida.

A utilização dos dois tipos de dados foi constante e permitiu a realização da técnica da triangulação (TRIVIÑOS, 1987) para abranger a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do fenômeno estudado, aumentando o poder explicativo e a validade interna da teoria substantiva gerada na pesquisa. A técnica da triangulação foi utilizada para comparar os relatos dos entrevistados, não só entre eles, mas também de acordo com as informações formalizadas em relatórios da empresa, bem como com notícias publicadas na mídia.

A escolha dos entrevistados ocorreu de forma intencional, priorizando o contato com as pessoas que estiveram diretamente envolvidas na resposta às crises selecionadas para a pesquisa. Ao todo, foram 10 entrevistados, totalizando cerca de 730 minutos de gravação coletados em treze entrevistas. Os entrevistados estão identificados ao longo do texto por letras do alfabeto (de A até J). Foi realizada uma entrevista, no mínimo, com cada entrevistado e feita uma nova entrevista com os entrevistados B, C e I, uma vez que ocupavam cargos formais de liderança durante os eventos escolhidos. Ao final das análises, foram feitas seções de checagem junto aos entrevistados C e I. A figura 13 mostra a origem dos dados coletados por meio de entrevistas.

Figura 13 – Perfil dos entrevistados e duração das entrevistas.

Fonte: Elaborado pelo pesquisador.

Todas as entrevistas e notas de análise foram transcritas. A realização das entrevistas aconteceu em dois momentos. Inicialmente, entre junho e julho de 2008, no intuito de realizar um estudo-piloto sobre o tema e, posteriormente, entre os meses de setembro e dezembro de 2011. A checagem final da teoria substantiva junto aos entrevistados ocorreu em maio de 2012.

Informante Atuação na Empresa Entrevistas Duração (min)

Entrevistado A

Engenheiro e funcionário de carreira da CELESC. Trabalhou durante 24 anos na Agência Regional de Blumenau, chegando a ocupar o cargo de Chefe daquela Agência Regional. Atualmente, trabalha na Diretoria de Gestão da CELESC Distribuição, em Florianópolis, no Departamento de Planejamento.

A1 42 B1 61 B2 34 C1 59 C2 32 Entrevistado D

Engenheiro e funcionário de carreira da CELESC com 22 anos de experência. Oriundo da Agência Regional de Joinville, trabalhou também na Agência Regional de Rio do Sul. Desenvolveu sistemas de apoio à decisão específicos para a CELESC e foi o responsável pela elaboração do Plano de Contingência paea resposta a eventos climáticos. Foi Gerente da Divisão de Operação e Distribuição da CELESC. Atualmente, trabalha na Diretoria Técnica da CELESC Distribuição.

D1 64

Entrevistado E

Engenheiro e funcionário de carreira da CELESC com mais de 25 anos de experiência. Especializado em projetos e construção de Linhas de Transmissão, é o Chefe do Departamento de Projeto e Construção da Diretoria Técnica há mais de oito anos.

E1 51

Entrevistado F

Engenheiro e funcionário de carreira da CELESC com mais de 20 anos de experiência. Ingressou na Agência Regional de Blumenau, onde fez carreira e atualmente é o Chefe daquela Agência Regional.

F1 46

Entrevistado G

Engenheiro e funcionário da CELESC com mais de 30 anos de experiência. Especializado em projetos e construção de Linhas de Transmissão, foi o Chefe da Divisão de Linhas de Transmissão da Diretoria Técnica. Atualmente está aposentado pela CELESC e trabalha com consultoria no setor elétrico.

G1 79

Entrevistado H

Engenheiro e funcionário da CELESC com mais de 30 anos de experiência. Especializado em Sub-Estações, foi o Chefe da Divisão de Sub-Estações da Diretoria Técnica. Atualmente está aposentado pela CELESC e trabalha com consutoria no setor elétrico.

H1 115

I1 41

I2 28

Entrevistado J Repórter do grupo RBS com mais de 15 anos de experiência. Trabalhou na

Rádio CBN e atualmente trabalha na redação do jornal Diário Catarinense. J1 78

TOTAL 730

Entrevistado B

Entrevistado I

Engenheiro e funcionário de carreira da CELESC, com 26 anos de experiência. Ingressou na Agência Regional de Itajaí, onde permaneceu por três anos. Atualmente, trabalha na Diretoria Técnica e chefia a Divisão de Projeto de Construção.

Engenheiro e funcionário da CELESC com mais de 30 anos de experiência. Ingressou na Agência Regional de Florianópolis, onde ocupou o cargo de Chefe daquela Agência Regional por mais de uma oportunidade. Atualmente, é o Chefe da Agência Regional de Florianópolis.

Entrevistado C

Engenheiro e funcionário de carreira da CELESC, com mais de 30 anos de experiência. Ingressou na Agência Regional de Chapecó, chegando a ocupar o cargo de Chefe daquela Agência Regional. Além disso, foi Chefe da Agência Regional de Blumenau, Diretor Técnico da CELESC e Presidente da CELESC. Atualmente, é Assessor Especial do Presidente da SCGás.

As atividades de análise dos dados iniciaram em julho de 2008, com a utilização de um software de auxílio para análise qualitativa de dados, denominado ATLAS.ti. Entretanto, as etapas mais significativas se concentraram entre novembro de 2011 e maio de 2012, com a realização da maioria das entrevistas e a intensificação dos exercícios de sensibilização e comparação constante pelo pesquisador. Mais especificamente, a unidade hermenêutica no sistema ATLAS.ti foi criada em 01/07/2008 e o último elemento de análise foi lançado no sistema em 07/06/2012, totalizando 1.438 dias de utilização do software. 4.5.7 Análise dos dados

A fase de análise dos dados representa uma atividade central no método da Grounded Theory. Neste processo, o pesquisador deve utilizar a sua sensibilidade teórica (GLASER, 1978) para identificar nos dados os fenômenos relevantes para a pesquisa. Neste processo, o pesquisador deve equilibrar a sua subjetividade, cuja eliminação é impossível, com a objetividade necessária para perseguir a realidade dos sujeitos envolvidos (BANDEIRA-DE-MELLO e CUNHA, 2006).

Aprimorar a sensibilidade teórica requer muita prática, para que o fenômeno não seja analisado com o viés da experiência anterior do pesquisador ou a partir de influências do referencial teórico de interesse da pesquisa. Para tanto, Strauss e Corbin (1998) enfatizam algumas técnicas que podem ser utilizadas pelo pesquisador durante a análise dos dados para exercitar a sua sensibilidade: manter uma postura crítica e cética em relação às suas interpretações; fazer questionamentos em relação aos possíveis significados dos fenômenos e manter provisórias as alternativas até que sejam validadas nos dados; utilizar mais de uma fonte de dados para realizar triangulação e identificar pontos de vista diferentes sobre o mesmo fenômeno; e pensar comparativamente por meio do método de comparações constantes.

O método de comparações constantes acompanha todo o processo de análise na Grounded Theory. Por meio dele, é possível encontrar similaridades e diferenças nos dados, permitindo criar categorias conceituais de forma objetiva e livre das pressuposições do pesquisador. Normalmente, são utilizados dois tipos de comparações: teóricas e incidente-incidente (STRAUSS e CORBIN, 1998). As comparações teóricas são feitas no início do processo de análise e permitem que o pesquisador atribua categorias conceituais aos fenômenos sob análise, representados por meio de citações das entrevistas ou notas de campo. Este processo de busca e atribuição de categorias aos dados é denominado como processo de amostragem teórica. Por conseguinte, as

comparações incidente-incidente são realizadas em uma etapa mais avançada do processo de análise, quando já existem categorias conceituais definidas a partir dos dados. Neste ponto, o pesquisador poderá interpretar novas observações, ou incidentes, verificando se elas possuem propriedades semelhantes a alguma categoria conceitual identificada previamente, associando esta nova observação à categoria conceitual equivalente. Esta associação de incidentes diferentes a uma mesma categoria conceitual aumenta a sustentação empírica da respectiva categoria.

As categorias identificadas e fundamentadas empiricamente a partir do método das comparações constantes serão utilizadas posteriormente para a confecção da teoria substantiva, que explicará as relações existentes entre as diferentes categorias conceituais envolvidas no fenômeno. Neste sentido, a utilização de categorias com grande sustentação teórica fortalece a fundamentação empírica da teoria substantiva e aumenta o seu poder explicativo (STRAUSS e CORBIN, 1998). A identificação de categorias é central durante a análise dos dados e pode ser denominada como processo de codificação dos dados. 4.5.7.1 As fases do processo de codificação

Codificar não significa apenas “rotular” os dados por meio de códigos para representar alguma categoria. O processo de codificação representa a resposta provisória do pesquisador aos seus questionamentos sobre o significado atribuído temporariamente aos dados (DOUGLAS, 2003). A prática de questionar os dados e encontrar respostas provisórias se prolonga durante as três fases do processo de codificação, quais sejam: codificação aberta, codificação axial e codificação seletiva (STRAUSS e CORBIN, 1998).

A codificação aberta envolveu a quebra, a análise, a comparação, a conceitualização e a categorização dos dados. Nesta etapa, o pesquisador explorou os dados sem possuir uma orientação clara, mas examinou minuciosamente aquilo que, pela leitura intensiva das transcrições das entrevistas e notas de campo, pareceu mais relevante, de acordo com a sua sensibilidade teórica. Este exame minucioso representa a técnica da microanálise dos dados (BANDEIRA-DE- MELLO e CUNHA, 2006). Como resultado da codificação aberta, foi possível identificar categorias conceituais por meio das comparações teóricas.

Em seguida, a codificação axial envolveu a investigação das relações entre as categorias conceituais identificadas na fase anterior. Durante esta etapa, o pesquisador buscou avaliar a existência de padrões

de relacionamento entre as categorias conceituais. Por meio das comparações incidente-incidente, foi possível organizar as categorias a partir de seus relacionamentos. De acordo com Strauss e Corbin (1998), as categorias podem possuir condições causais ou condições intervenientes entre elas, podem representar estratégias de ação/interação de uma ou mais categorias, ou podem retratar consequências umas das outras. Neste sentido, o pesquisador identificou os seguintes tipos de relacionamento entre os códigos estabelecidos previamente: relação de associação, relação de inclusão, relação de causa e efeito, relação de contradição, relação de subordinação ou relação de propriedade. A identificação destas relações permite que o pesquisador formalize proposições teóricas que servirão de base para a construção da teoria substantiva.

Por conseguinte, a codificação seletiva envolveu a realização de ajustes nas proposições formuladas na fase anterior, buscando examinar categorias com fraca fundamentação empírica, relações instáveis entre as categorias ou possíveis incoerências nos relacionamentos estabelecidos. Esta etapa visa a integração de todos os relacionamentos estabelecidos anteriormente e permite o refinamento da teoria substantiva. A partir da integração de todos os relacionamentos entre as categorias, o pesquisador identificou a categoria central da teoria substantiva. Esta etapa é fundamental porque ilustra a categoria da teoria com a qual todas as outras estão relacionadas.

A realização das três fases de codificação ocorreu em conjunto e de maneira concomitante com a coleta de dados, de maneira que foi possível realizar novas coletas de dados, direcionadas por meio dos resultados que estavam sendo obtidos nos processos de análise. Todas as fases de codificação foram validadas empiricamente, por meio de processos de amostragem teórica que demonstram a fundamentação das categorias e proposições nos dados coletados. As etapas de coleta e análise dos dados ocorreram de forma circular até que todas as proposições foram devidamente validadas. Além disso, as etapas de coleta e análise dos dados foram conduzidas até que os ganhos marginais no poder explicativo da teoria por meio da coleta e análise de novas evidências se tornassem praticamente nulos. Neste momento, foi atingida a saturação teórica (STRAUSS e CORBIN, 1998). A figura 14 demonstra as etapas da análise dos dados.

Figura 14 – As etapas de coleta e análise dos dados

Fonte: Elaborado pelo Pesquisador.

Ao identificar que a elaboração da teoria substantiva estava próxima da saturação teórica, o pesquisador decidiu interromper o ciclo de coleta e análise ilustrado pela figura acima e iniciou a construção do relatório. Todas as etapas de análise dos dados foram realizadas com o auxílio do software ATLAS.ti, conforme será abordado na próxima seção.

4.5.7.2 A utilização do software ATLAS.ti e seus principais elementos

A utilização de um sistema informatizado para auxiliar as fases de análise e o tratamento dos dados qualitativos contribuiu para a qualidade desta pesquisa. Foi utilizado o software ATLAS.ti, versão 6.2, desenvolvido pela Scientific Software Development, empresa sediada em Berlim, Alemanha.

Este programa foi escolhido em decorrência da sua flexibilidade de adaptação às escolhas metodológicas do pesquisador, já que ele pode ser utilizado para auxiliar na condução de diferentes estratégias de pesquisa (BANDEIRA-DE-MELLO, 2006). Outro fator que motivou a

Codificação Aberta • Microanálise dos dados • Comparações Teóricas • Definição de Categorias Codificação Axial • Comparações incidente-incidente • Identificação de relacionamentos • Formalização de proposições Codificação Seletiva • Ajustes nas proposições • Refinamento da teoria • Identificação da Categoria Central Validação empírica • Amostragem Teórica Coleta de Dados Saturação Teórica

escolha do ATLAS.ti foi a possibilidade de visualização gráfica do contexto de análise construído pelo pesquisador, o que permite a condução de estudos em profundidade (BANDEIRA-DE-MELLO, 2006).

Deve-se ressaltar que este tipo de aplicativo não realizou a análise dos dados para o pesquisador. Os softwares auxiliam o pesquisador em outras áreas da pesquisa qualitativa, como, por exemplo: organização e gerenciamento da base de dados coletados, facilidade na criação e associação de códigos, automação na busca e recuperação de informações, rastreabilidade das análises qualitativas já realizadas pelo pesquisador, entre outras tarefas (BANDEIRA-DE-MELLO, 2006). Para que isto seja possível, o sistema foi concebido a partir dos seguintes elementos constitutivos: unidade hermenêutica, documentos primários, citações, códigos, notas de análise, esquemas gráficos e comentários. O quadro 01 sintetiza estes elementos.

Quadro 01 – Elementos constitutivos do software ATLAS.ti

Fonte: Adaptado de Bandeira-de-Mello (2006).

Elementos Descrição Unidade Hermenêutica (Hermeneutic Unit )

Constitui o banco de dados do projeto no sistema. Reúne todos os dados e os demais elementos em sua unidade.

Documentos Primários (Primary Documents )

São os dados primários coletados em campo. Podem ser arquivos de texto, áudio, imagem ou vídeo. Os documentos Primários são denominados Px, sendo x o número correspondente à ordem em que foi adicionado à Unidade Hermenêutica.

Citações (Quotes )

Segmentos de dados, como trechos relevantes de transcrições, passagens de áudio, pedaço de imagem ou parte de vídeo, que indicam a ocorrência de um código. Sua referência é formada pelo número do documento primário onde está localizada, seguido pelo seu número de ordem dentro do documento.

Códigos (Codes )

São conceitos ou categorias gerados pelas interpretações do pesquisador. Podem estar associados a uma citação ou a outros códigos para formar a ordenação conceitual que dará origem à teoria. Sua referência é formada por dois números: o primeiro refere-se ao número de citações ligadas ao código; e o segundo, ao número de códigos associados. Os dois número representam, respectivamente, seu grau de fundamentação empírica (groundedness ) e de densidade teórica (density ).

Notas de Análise (Memos )

Descrevem o histórico da pesquisa e registram as interpretações do pesquisador ao longo do processo de análise. Podem ser de três tipos: notas de memória (memo ), notas de comentário (comment ) ou notas de teoria (theory ). Esquemas Gráficos

(Netviews )

São representações gráficas das associações entre os elementos. Sua forma mais utilizado diz respeito à representação gráfica dos relacionamentos entre os códigos.

Comentários (Comments )

Todos os elementos constitutivos podem ter comentários, que devem ser utilizados para registrar informações sobre significados e relevância do elemento para a teoria em desenvolvimento.

Durante a análise dos dados desta tese, realizada com o auxílio do sistema ATLAS.ti, foram anexados 19 documentos primários (16 documentos textuais, 01 arquivo de imagem e 02 arquivos de áudio) à unidade hermenêutica “Tese de Doutorado (Rodrigo Silveira)”. Foram feitas 1.127 citações nos documentos primários e 146 códigos foram gerados, dos quais 143 são códigos de primeira ordem (associados a um ou mais segmento de dados) e 03 são códigos abstratos (sem associação direta com segmentos de dados). Para registrar o processo de interpretação do pesquisador, foram formalizadas 27 notas de análise. As notas de análise foram gerenciadas de acordo com a sua finalidade, sendo identificadas no sistema conforme abaixo:

a. CO: notas de análise que registram comentários sobre os procedimentos de pesquisa;

b. MA: notas de análise que registram processos de microanálise dos dados;

c. OC: notas de análise que registram processos de codificação aberta;

d. AC: notas de análise que registram processos de codificação axial;

e. SC: notas de análise que registram processos de codificação seletiva;

f. AT: notas de análise que registram processos de amostragem teórica.

Algumas notas de análise registram mais de um processo ao mesmo tempo, e foram identificadas por mais de uma das classificações acima, separadas por barras. Os comentários de elementos constitutivos foram utilizados de acordo com a necessidade.

Em relação aos esquemas gráficos, foram formalizadas 19 visualizações de relacionamentos entre códigos. Os relacionamentos utilizados seguiram os três tipos de conexões oferecidos pelo software, de naturezas diferentes, quais sejam: relação transitiva, simétrica e assimétrica. As relações de natureza transitiva criam conexões entre uma categoria e seus padrões de ocorrência. As relações simétricas expressam associações entre categorias que se afetam mutuamente. Em contrapartida, as relações assimétricas demonstram associações não recursivas, de fluxo unidirecional entre as categorias. A figura 15 resume os tipos de relacionamentos utilizados na análise.

Figura 15 – Tipos de relacionamento utilizados na análise.

Fonte: Adaptado do manual do software ATLAS.ti.

A utilização de todos os elementos constitutivos fica registrada no banco de dados da unidade hermenêutica, permitindo a realização de auditorias posteriores, que visam analisar o processo de interpretação do pesquisador e atestar a validade e a confiabilidade dos resultados. Com o intuito de permitir a realização de auditorias pelos leitores desta pesquisa, dois relatórios gerados pelo software ATLAS.ti foram anexados ao texto desta tese. O primeiro mostra o histórico das análises, por meio da listagem cronológica de todos os elementos criados na unidade hermenêutica, organizados de acordo com as suas datas de criação. O segundo relatório contém a descrição e os comentários dos elementos que constituem a teoria substantiva gerada na pesquisa, principalmente os códigos, seus comentários e as notas de análise, transcritos na íntegra. A realização de auditorias permitirá a avaliação da teoria substantiva sobre os processos de liderança durante momentos de crise organizacional em empresas do setor elétrico, conforme os critérios apresentados na próxima seção.