As fontes de longo prazo constituem-se fundamentalmente de recursos de insti-tuições financeiras. Pode-se dizer que no Brasil infelizmente não são fontes típicas, pois as empresas não as encontram com a frequência e condições que seriam necessárias para financiamento do ativo circulante.
Não são comuns porque, como são de longo prazo, aumentam o risco para o emprestador e naturalmente encarece seus custos, inviabilizando seu uso como uma
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estratégia normal na condução das atividades de financiamento e investimento. Claro que, se as empresas conseguissem obter capitais de terceiros com prazo de resgate superior a um ano para financiar suas atividades de curto prazo, poderiam aumentar sobremaneira a capacidade de financiamento aos clientes (via aumento das vendas a prazo) ou aplicar o capital obtido no mercado financeiro, aumentando seu resultado financeiro, entre outras vantagens.
Uma alternativa para as sociedades anônimas é a emissão de debêntures, que são títulos relativos a valores mobiliários representativos de dívida de médio e longo prazo, emitidos pelas empresas e vendidos a terceiros, sendo que o detentor do título (debenturista) tem o direito de crédito contra a companhia emissora, e fará jus a uma remuneração fixa.
Já os capitais próprios são recursos aportados pelos sócios e acionistas ou a capi-talização (manutenção na sociedade) de lucros obtidos pelas companhias. As empre-sas buscam sempre obter a melhor rentabilidade possível de suas vendas para reforçar seu capital próprio, denominado contabilmente de patrimônio líquido.
Representado basicamente pelo capital social, pelas reservas de lucros (lucros obtidos e não distribuídos na forma de dividendos) e eventualmente por reservas de capitais, diz-se capital próprio, pois, em regra, é um recurso gerado internamente pela sociedade e que pertence aos sócios e acionistas. Quanto maior a parcela das fontes de financiamentos que seja representada pelos capitais próprios, menor a necessidade de a empresa recorrer a fontes externas (capitais de terceiros de curto e longo prazo) para financiar seu ativo circulante. Importa destacar que o capital próprio também tem um custo especifico, representado pelos dividendos (parte ou a totalidade do lucro que será distribuído aos sócios).
Conclusão
Independentemente da atividade, o fato é que as empresas precisam se preo-cupar constantemente com o financiamento de suas atividades operacionais, nota-damente com os ativos circulantes, pela necessidade de curto prazo desses recursos. Dependendo do porte, da atividade, do perfil de endividamento (se de curto ou longo prazo) é que será o acesso da empresa a melhores fontes de financiamentos.
As empresas mais bem estruturadas e que conseguem efetuar um adequado pla-nejamento operacional e financeiro, em regra, terão maior facilidade para atrair fontes com prazos maiores e custos menores. Claro que o ideal é a utilização de fontes genui-namente operacionais (fontes sem custo financeiro e renovadas automaticamente) ou fontes de longo prazo. Porém, sabe-se que na dinâmica de mercado nem sempre ou até mesmo raramente essas fontes se sobressaem na estrutura de capitais da empresa.
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Entretanto, ao recorrer a fontes financeiras para o ativo circulante (empréstimos bancários, desconto de duplicatas ou crédito em conta corrente) é essencial que se faça uma análise dos custos dessas fontes (juros, taxas de contrato, IOF etc.) para se certificar de que essa escolha não terá reflexos negativos para o futuro, pelo consumo de caixa para pagamento de juros e pelo aumento do risco financeiro da empresa, o que acarretará em outro aumento no custo de captação dessas fontes. A expansão dos investimentos no capital de giro, se financiada com fontes financeiras de curto prazo, muito provavelmente consumirá o resultado maior gerado por essa expansão.
O planejamento e acompanhamento das fontes de financiamento para o ativo circulante devem ser feitos por meio da análise dos indicadores de endividamento, conhecidos como índices de estrutura de capital ou endividamento. Tais indicadores demonstram a possibilidade da área financeira avaliar, permanentemente, o resultado das opções estratégicas na captação dos recursos. Oferecem a possibilidade da análise da quantidade e qualidade das dívidas com terceiros e a proporção entre capital de terceiros e capital próprio (patrimôno líquido).
A dependência de capitais de terceiros poderá comprometer estratégias de investi-mentos, pelo grau de endividamento apresentado. Nesse caso, quanto maior a relação ca-pitais de terceiros/capital próprio, menor a liberdade de decisões financeiras da empresa.
Vamos nos utilizar de um caso simples para uma compreensão mais objetiva do tema deste capítulo.
Na análise das fontes de financiamento para o ativo circulante devemos utilizar o balanço patrimonial ou balancete mensal. Em qualquer caso, é importante que o relatório contemple a divisão adequada entre ativos circulantes financeiros e ativos circulantes operacionais. Essa classificação (financeiro e operacional) também deverá ser utilizada no passivo: passivo circulante financeiro e passivo circulante operacional.
O objetivo, nesses casos, é verificar qual fonte prevalece no financiamento do ativo circulante e, de outro lado, que tipo de aplicação (financeira ou operacional) a empresa está privilegiando em seus investimentos.
Balanço Patrimonial 2011 2012
ATIVO VALOR AV% VALOR AV% AH%
Ativo Circulante 2.385.000 33% 3.097.000 40% 30% Financeiro 990.000 14% 1.590.000 20% 61% Disponível 8.000 0% 10.000 0% 25% Aplicações financeiras 982.000 13% 1.580.000 20% 61% Fon tes de financiamen tos par a o a tiv o cir culan te
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Balanço Patrimonial 2011 2012
ATIVO VALOR AV% VALOR AV% AH%
Operacional 1.395.000 19% 1.507.000 19% 8%
Clientes 795.000 11% 786.000 10% -1%
Estoques 350.000 5% 401.000 5% 15%
Outros 250.000 3% 320.000 4% 28%
Ativo Não Circulante 4.913.000 67% 4.685.000 60% -5%
Realizável a Longo Prazo 450.000 6% 468.000 6% 4%
Investimentos 615.000 8% 665.000 9% 8%
Imobilizado 3.800.000 52% 3.500.000 45% -8%
Intangível 48.000 1% 52.000 1% 8%
Total do Ativo 7.298.000 100% 7.782.000 100% 7%
Balanço Patrimonial 2011 2012
PASSIVO VALOR AV% VALOR AV% AH%
Passivo Circulante 897.000 12% 1.430.907 18% 60% Operacional 428.000 6% 747.434 10% 75% Fornecedores 209.000 3% 185.420 2% -11% Obrigações fiscais 35.000 0% 378.969 5% 983% Provisões 52.000 1% 68.260 1% 31% Outras obrigações 132.000 2% 114.785 1% -13% Financeiro 469.000 6% 683.473 9% 46% Financiamentos 469.000 6% 683.473 9% 46%
Passivo Não Circulante 4.218.000 58% 3.871.787 50% -8%
Empréstimos/Financiamentos 4.008.000 55% 3.702.649 48% -8% Provisões 210.000 3% 169.138 2% -19% Capitais de Terceiros 5.115.000 70% 5.302.694 68% 4% Patrimônio Líquido 2.183.000 30% 2.479.306 32% 14% Capital social 1.347.000 18% 1.500.000 19% 11% Reservas 836.000 11% 979.306 13% 17% Total do Passivo 7.298.000 100% 7.782.000 100% 7% Fon tes de financiamen tos par a o a tiv o cir culan te
Veja pelo exemplo que a empresa investe em torno de 33% e 40% dos seus capi-tais no ativo circulante, nos dois exercícios, porém financia com recursos de curto prazo apenas 12% (2011) e 18% (2012) desses investimentos, o que poderá ser uma boa estra-tégia, pois os recursos de longo prazo (financiamentos e empréstimos de longo prazo e capitais próprios) preponderam como fontes de financiamentos do ativo circulante.
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