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2 CURRÍCULO E GESTÃO: AJUSTES, CONCEPÇÕES E ALINHAMENTOS

3.3 Formação continuada da equipe gestora e de professores

No intuito dos professores e da equipe gestora da EEEP Dario Catunda Fontenele entender as formas de organização e operacionalização do currículo integrado, esta seção destaca a formação continuada como ação que deverá ser posta em prática, nessa perspectiva.

Em consonância com Küller (2011), a formação dos docentes e demais educadores para a operação do currículo integrado deve ocorrer antes e ao longo de sua implantação e, nesse sentido, a escola deverá garantir os espaços e as condições para tal levando em consideração o processo de revisão do currículo proposto na seção 3.1 e entendido como elemento norteador da formação continuada da equipe gestora e dos professores.

Sobre essa questão, o Ministério da Educação (2004) indica que

a formação de professores para a educação profissional e tecnológica necessita ser discutida em termos de legislação a ser aplicada e de seu efetivo controle na prática das instituições públicas e privadas. [...] Quanto à formação de novos docentes, é oportuno destacar que: os cursos de graduação nas universidades não qualificam professores para a educação profissional; os cursos de pedagogia não trabalham com questões relativas ao trabalho e à educação profissional; a diversidade de cursos e habilitações não permite a oferta de cursos específicos por área (BRASIL. MEC, 2004, p. 24).

Infere-se desta citação que a formação continuada, nesse contexto, assume um caráter extremamente importante, tendo em vista que se configura como alternativa para se preencher as lacunas deixadas pela formação inicial dos

professores no que diz respeito às questões da Educação Profissional. Logo, a presente seção se justifica na tentativa da própria escola assumir a formação dos professores para o currículo integrado.

No entendimento desta seção, cabe à gestão da escola assumir e organizar esse processo, bem como formatar um modelo de formação continuada tanto para ser desenvolvido para os professores quanto para os próprios membros da gestão, tendo em vista que toda a equipe precisa conhecer sobre a temática da integração curricular para que efetive-se uma proposta nesse sentido.

Assim, tendo em vista a necessidade da gestão apropriar-se das questões curriculares referentes à integração, como também defendem os sujeitos entrevistados nesta pesquisa, o Quadro 28 descreve algumas ações e desdobramentos que deverão ser levados em consideração pela gestão no processo de formação da própria equipe gestora.

Quadro 28 – Ações garantidoras da formação continuada da e pela própria equipe

gestora ● Elaborar um calendário de formação da equipe gestora;

● Discutir entre a equipe os principais aspectos da integração curricular que serão objetos da formação continuada;

● Dividir os aspectos da integração curricular entre os membros da equipe gestora para que cada um assuma papeis e responsabilidades na formação da equipe;

● Garantir que os encontros de formação da e pela equipe gestora aconteçam;

● Elaborar formas de avaliação dessas formações que contemplem os aspectos estudados; ● Elaborar um guia de formação continuada em integração curricular.

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

Antes dos professores estudarem e conhecerem os aspectos mais relevantes do currículo e da integração curricular, faz-se necessário que a equipe gestora conheça bem a temática a partir dos pontos de vistas de autores diferentes, tendo em vista que a gestão é a principal responsável por organizar e sistematizar esse processo. Nessa perspectiva, a equipe gestora precisa reunir-se periodicamente para poder delinear os aspectos da formação com os professores e, especialmente, estudar e debater os aspectos da temática da integração curricular. Daí a necessidade e se criar um calendário para esses encontros entre os gestores.

Nessa perspectiva, haverão dois encontros mensais da equipe gestora com vistas à formação dela própria e dois encontros da equipe gestora com os professores para o desenvolvimento da formação docente. A formação da gestão deverá acontecer, portanto, a cada 15 dias de segunda-feira e da gestão com os

professores a cada 15 dias, sendo que um coordenador trabalhará esta formação na terça com os professores de Linguagens e Códigos, outro trabalhará na quarta com os professores de Ciências da Natureza e Matemática e um terceiro coordenador escolar trabalhará na quinta-feira com os professores de Ciências Humanas e os da Base Profissional do currículo.

No que se refere especificamente ao guia de formação continuada em integração curricular, conforme entendimento da equipe gestora em consonância com as ideias dos professores, sugere-se que sejam elencados os principais aspectos do currículo e da integração curricular que precisam ser objetos de conhecimento da equipe escolar para a elaboração do guia de formação. Tal guia deve ser pensado e montado pela equipe gestora a partir de textos oficiais que tratem dessas temáticas, bem como a análise de casos que são considerados de sucesso nesse processo.

Infere-se do Quadro 28 que a esquipe gestora precisa assumir uma postura voltada para a valorização da própria formação, tendo em vista que os gestores de uma escola eficaz, em consonância com Lück (2012), dedicam uma quantidade considerável de tempo à capacitação profissional. No entanto, cabe a esta mesma equipe organizar e sistematizar o processo de formação continuada dos professores da EEEP Dario Catunda Fontenele no âmbito da integração curricular.

Em decorrência dessa necessidade, o Quadro 29 expõe algumas ações da equipe gestora com desdobramentos na formação continuada dos professores.

Quadro 29 – Ações garantidoras da formação continuada da equipe de professores

● Elaborar um calendário de formação dos professores;

● Dividir os papeis e responsabilidades de cada membro da gestão no processo de formação dos professores;

● Garantir que os encontros de formação aconteçam;

● Elaborar estratégias de avaliação desses encontros de formação;

● Discutir aspectos relevantes da integração curricular no processo de formação de professores; ● Criar o portfólio da formação continuada sobre os aspectos da integração curricular;

● Checar as ações desenvolvidas pelos professores e garantir a elaboração de formas de reflexão sobre elas;

● Organizar uma formação continuada comum para docentes de todas as bases do currículo; ● Agir corretivamente no processo de desenvolvimento do currículo integrado, orientando e intervindo.

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

Nesse sentido, fica evidente que a atuação da gestão no processo de organização e sistematização da formação continuada dos professores garante

modelos de formação docente adequados à realidade e demandas da Educação Profissional. Sobre essa questão, o Ministério da Educação (2010) acredita que

também é necessário levar em consideração que mesmo os professores licenciados carecem de formação com vistas à atuação em uma proposta de educação integrada, posto que tiveram sua formação voltada para a atuação no ensino fundamental e no ensino médio de caráter propedêutico, uma vez que as licenciaturas brasileiras, em geral, não contemplam em seus currículos estudos sobre as relações entre trabalho e educação ou, mais especificamente, sobre a educação profissional e suas relações com a educação básica (BRASIL. MEC, 2010, p. 56).

Entender as formas de organização e sistematização do currículo integrado implica em maior comprometimento para a gestão e maior desprendimento por parte do professor no intuito de fazer um trabalho eficaz na produção do conhecimento. Assim como também acredita Paraná (2008),

a formação continuada dos professores tem demonstrado ser essencial para que sejam incorporados pelo conjunto dos professores os fundamentos políticos e pedagógicos da Educação Profissional integrada ao Ensino Médio. As discussões iniciais a partir de grandes seminários foram importantes para a definição da concepção que fundamenta a política, mas percebemos a necessidade dos processos de formação dos professores ocorrerem o mais próximo do chão de cada Colégio para que o conjunto de professores participe. Foram implantados a partir de 2006 os grupos de estudos da Educação Profissional, assim como oficinas regionais de trabalho tendo como temática a discussão agora, sob um novo olhar, já sendo o quinto ano de implantação do currículo integrado. Estas são algumas ações que possibilitam uma aproximação do coletivo de professores de cada escola para romper com a fragmentação/individualização dos processos formativos dos professores que atuam na Educação Profissional integrada ao Ensino Médio (PARANÁ, 2008, p. 177).

Infere-se desta citação que o rompimento com a fragmentação do conhecimento passa necessariamente pela formação continuada dos professores que a escola deve organizar. Tal processo de formação, nessa perspectiva, além de oportunizar que a equipe conheça os fundamentos da Educação Profissional acaba se configurando como importante, pois é pensado, elaborado e posto em prática no chão da própria Escola Estadual de Educação Profissional Dario Catunda Fontenele. Em consonância com Libâneo (2013), a organização desses espaços de formação continuada implica a criação de lugares e tempos que incentivem as trocas de experiências entre os professores, gestão e alunos, de modo a implantar uma cultura colaborativa. Sobre essa questão, o autor acrescenta que a colaboração será

a síntese dos elementos que asseguram a relação entre a organização escolar e o desenvolvimento pessoal e profissional dos professores: o projeto pedagógico- curricular, a gestão, a organização e articulação do currículo e a formação continuada.

Contudo, faz-se importante acrescentar que a formação continuada da equipe gestora e dos professores se configura importante estratégia de efetivação da integração curricular. No entanto, a seção que segue trata de uma outra ação que efetivamente pode contribuir para a integração curricular dos cursos da EEEP Dario Catunda Fontenele que é o trabalho com o desenvolvimento de projetos escolares.