Vanda Elizete Vieira da Costa32
Rita de Cássia Coronheira Silva33
Eixo 2: Formação, Práticas Educativas e Desigualdades Socioculturais
RESUMO: O presente artigo é um recorte do projeto de pesquisa submetido ao mestrado profissional
em Educação que tem por objetivo compreender o verdadeiro papel na formação educacional indígena. Assim por consequente conhecer, evidenciar a concepção e aprática desenvolvida pelos professores da Educação indígena Xerente. Por outro lado, a evidência dessas ideias históricas nos levará a refletir sobre o papel da educação escolar em comunidades indígenas e a formação dos professores que atuam nas escolas. Para tanto será desenvolvido a pesquisa em caráter qualitativo e quantitativo. Neste contexto faz se necessário problematiza a seguinte questão: Como compreender o Currículo que tem sido desempenhado na Formação dos professores Indígena Xerente em sua concepção e prática?
Palavras-chaves: Formação de Professores. Currículo. Pratica docente.
INTRODUÇÃO
Atualmente vem se alagando uma discussão em torno dos povos tradicionais de onde se houve falas voltadas para o direito de aprender evidenciando os princípios de igualdade e equidade principalmente no processo educacional dos indígenas dos nossos pais em especial os tocantinenses. Sendo assim precisamos dar visibilidade a essa questão tão importe nesse contexto focando a formação dos professores indígenas e o currículo escolar.
As relações entre as diferentes regiões do globo estão agora mais estreitamente ligadas do que jamais estiveram. Existem problemas novos convivendo com os antigos. Superar esses problemas é uma necessidade central do processo de desenvolvimento.
A proposta é compreender o verdadeiro papel que tem sido desempenhado na Formação dos professores Indígena XERENTE em sua concepção e prática. Considerando que a educação tradicional das sociedades indígenas, passa a sofrer interferências profundas a partir do contato com a sociedade nacional, particularmente por meio da Escola, que ao longo da história sempre se apresentou como um veículo poderoso de aceleração desse processo de mudanças socioculturais.Uma relação com a sociedade brasileira nos mais de 250 anos que mantém esse processo em curso, que este é um dos grandes desafios da
Educação Indígena, é possibilitar a revitalização cultural de seu povo.
Esperamos que este mesmo espaço (a Escola) seja pensado pelas próprias comunidades indígenas e que deverá assumir uma função contrária à da escola do passado, de caráter integracionista. Nesse caso, a Escola Indígena atual deve funcionar como espaço de ensino e aprendizagem, mas considerando os anseios de cada comunidade e povo (Abrantes, 2005).
32 Pedagoga, Especialista Gestão Educacional e Libras. Rede Estadual de Educação.
33 Mestranda Profissional em Educação - Universidade Federal do Tocantins - UFT
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As comunidades indígenas a partir do momento que passam a compreender que o currículo das suas Escolas, a seleção dos conteúdos e as metodologias são questões que devem ser discutidas com toda a comunidade participam mais da escola e sentem responsáveis e estimulados a construir uma Escola verdadeiramente pautada nos valores do seu povo (Abrantes, 2005).
DESENVOLVIMETO
Levantar novas questões sobre a sociedade Xerente à luz da bibliografia educacional foi uma maneira de trazer maior densidade às questões aqui analisadas. No decorrer das leituras sobre a educação indígena Xerente chamaram minha atenção pelas poucas informações sobre a formação de professores indígenas disponíveis, a facilidade de acesso e a notável capacidade de manter suas formas socioculturais frente às vicissitudes do contato com a sociedade brasileira.
Em seu artigo 231 a Constituição Federal de 1998, destina espaço especifico, onde discorre sobre a população indígena o reconhecimento do direito à diferença. “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”. Portando cabe o desenvolvimento de políticas de formação que contemple as necessidades dos professores nas escolas indígenas, valorizando e respeitando a diversidade cultural dos povos.
Cabe também cita a lei de Diretrizes e Bases – LDB nº 9.394/96 que vem assegurando nos artigos 78 e 79, o direito a uma educação especifica e diferenciada para as escolas.
A discussão da acessibilidade educacional indígena é bem mais abrangente do que se pode imaginar, nesse sentido podemos fazer referência ao Plano Nacional de Educação onde, em suas discussões acirradas apresenta e assegura reivindicações importantes como a formação de professores indígenas não apenas em nível médio – magistério indígena, mas programas de formação em nível superior, estabelecendo que cada estado possa criar condições de implementação e atendimento a essa demanda.
Com o propósito de se utilizar os conhecimentos próprios da cultura, numa visão pedagógica partindo de suas atividades diárias e experiências de vida nas aldeias e fora delas. Buscaremos em nossas investigações identificar as ideias históricas produzidas e desenvolvidas pelos professores que atua na educação indígenas e em suas atividades cotidianas e apropriar-nos destes saberes de modo a transformá-los em conhecimentos para fins pedagógicos.
O objetivo deste trabalho é compreender o verdadeiro papel, e apontar qual é o tipo de formação educacional indígena que se faz necessária para contribuir na solução destas questões. A humanidade passa por uma crise levando “à constatação do envelhecimento de alguma coisa que não serve mais e, ao mesmo tempo, o esforço para entender, julgar, escolher, ou melhor, inventar novos caminhos” (FREIRE, 1986).
Por vários anos as comunidades indígenas no Brasil lutam por autonomia no que se referem aos currículos escolares, com base numa educação bilíngüe e principalmente que os professores que atuam em suas escolas sejam indígenas e com formação para exercerem o magistério. “A discussão em torno do que seja uma educação na diversidadepara a diversidade é recente no Brasil, mas é intensa e acirrada” (FREIRE,1986). Baseia-se em um grande número de investigações e experiências concretas, envolvendo não só a definição de currículos e práticas pedagógicas destinadas a crianças, jovens e adultos índios, mas também toda uma ampla soma de projetos e cursos de formação de professores indígenas.
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Os índios Xerente localizados no município de Tocantínia no Estado do Tocantins, não são indiferentes a essas lutas e anseios, pelo contrário, são preocupações constantes as mudanças de ordem estrutural, social e política, que estão ocorrendo com população local, o que tem levado os índios mais velhos, a repensar sobre a sua história étnica. Pensar e repensar a história de um povo está intrinsecamente ligado ao fator educacional. Sabemos também, que este é um dos grandes desafios da Educação Indígena, é possibilitar a revitalização o cultural de um povo.
Para que seja possível a pesquisa na formação de professores indígenas se faz necessário o etnoconhecimento dos Xerente, conhecer melhor os indígenas, as suas tradições, a vida cotidiana nas aldeias, o índio professor, a sua relação com os alunos, o seu trabalho diário na aldeia e na escola.
Acreditamos que esse conhecer nos possibilitará a evidenciar a concepção e a prática desenvolvida pelos professores da Educação indígena Xerente. Por outro lado, a evidência dessas ideias históricas nos levará a refletir sobre o papel da educação escolar em comunidades indígenas e a formação dos professores que atuam nas escolas. Tais reflexões nos levam a formular alguns questionamentos, a saber: Qual a formação mínima para ser um professor indígena? Que tipo de escola queremos nas aldeias? Quais são os tipos de alunos que queremos formar? Qual a forma de efetivar o ensino-aprendizagem é a mais adequada para nossas escolas? Quais procedimentos metodológicos utilizados pelo professores poderão favorecer o ensino-aprendizagem dos alunos? Como as disciplina são ministrada nas escolas é a ideal para os alunos?
Em se tratando de educação indígena e formação de professores, é possível elencarmos várias indagações e questionamentos, claro que todas são consideradas importantes e tomamos as supracitadas, por favorecer a relevância desse estudo.
De todo modo, nosso propósito em discutir sobre a formação de professores na educação indígena, numa perspectiva etnográfica investigativa, estará considerando a ênfase dada aos conhecimentos próprios da cultura e sua transformação em recursos metodológicos em termos educacionais, proporcionado aos professores.
Partindo do pressuposto de que a educação só pode ser compreendida em determinado contexto histórico, torna-se necessário conhecer e analisar a conjuntura do momento. Segundo GOHN "não basta estar com a leitura dos jornais em dia para entender o que está ocorrendo. No volume de informações veiculado diariamente, é necessário identificar os ingredientes, os cenários, os atores, os interesses em jogo”.
Esta pesquisa ocorrerá na comunidade indígena AKWË/XERENTE situada no município tocantinense de Tocantínia. No trabalho será abordado a Formação de Professores da Educação Indígena na sociedade Xerente. Uma relação existente com a sociedade brasileira nos mais de 250 anos que mantém esse processo em curso, que este é um dos grandes desafios da Educação Indígena, e possibilita a revitalização da identidade cultural de um povo.
Para que seja possível conservar e resgatar a identidade cultural dos índios Xerente, necessitamos, por um lado, conhecer melhor os indígenas, as suas tradições, a vida cotidiana nas aldeias, o índio professor, a sua relação com os alunos, o seu trabalho diário na aldeia e na escola. Será desenvolvida de pesquisa documental triada pelo método qualitativo e quantitativo, para coleta e análise de dados. Estes dados geralmente se apresentam sob o viés estatístico visualizados a partir de documentos públicos oficiais que estão relacionados com a educação, saúde, trabalho, de posse desse será feita a manipulação destes dados, com a intenção de chegar as características dessa comunidade indígena no que se refere ao verdadeiro papel que tem sido desempenhado na Formação dos Professores Indígena XERENTE na construção do pensamento histórico dos Xerentes ao realizar as suas atividades. O levantamento destes documentos estarão vinculados a
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uma previa autorização do prefeito e serão garimpados nas secretarias de educação, dentre outros.
O método qualitativo neste estudo está na teoria sócio-histórica de Vygostsky (1987). Para este autor o significado não é estático, é um processo dinâmico, em movimento, que traduz a realidade social construída. “Não é simplesmente o conteúdo de uma palavra que se altera, mas o modo pelo qual a realidade é generalizada e refletida em uma palavra” (VYGOSTSKY, 1987, p.105). Então, o estudo do significado possibilita a apreensão e a compreensão da realidade, justificando assim o uso da entrevista.
Trabalhar com a diversidade não é uma tarefa muito fácil, precisamos romper com os preconceitos e redefinir as No contexto atual, a sociedade nacional também tem o desafio de redefinir posturas incoerentes e fato buscar um currículo acessível que garanta do direito das minorias e respeitando o sujeito inserido na sociedade na condição da pluralidade cultural.
Acredita-se que a educação em uma visão geral venha a ser o ponto de partida para combater as intolerâncias e construir relações universais na perspectiva dainterculturalidade, baseado no diálogo entre os povos. Mesmo porque os povos indígenas tem muito a contribuir na construção de novos saberes, novas concepções no olhar de entender e atender o outro em sua condição.
CONCLUSÃO
Por se tratar de um projeto em andamento, não será apresentado resultado final, contudo continuaremos fazendo as provocações necessária para responder as indagações pertinentes a investigação na pesquisa proposta. É importante pensar a formação de professores indígena xerente evidenciando as concepção e prática, operando no fazer docente em contextohumanístico, desenvolvendo relações positivas no campo da diversidade cultural.
A educação tem o dever de educar e se reinventar na sociedade, respeitando o convívio com as diferenças entre os sujeito índio e não índios. É preciso dar visibilidade as políticas voltadas para atender a comunidade educacional indígena. Para encontrar as respostas e primordial vivencia a realidade nas escolas indígenas, identificando os pontos fracos dentro do currículo na formação de professores indígenas, assim propor uma contraposição que atenda a seara da diversidade firmado e efetivados pela políticas públicas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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