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Forma, lugar e tempo do pagamento da retribuição

8.1. Forma de pagamento

A retribuição deve ser paga em dinheiro (art. 40º, n.º 1) e em perío- dos certos e regulares, não podendo essa periodicidade exceder um mês; dentro deste limite, cabe às partes definir o período de pagamento (art. 40º, n.º 3), podendo ser a hora, o dia, a semana, a quinzena ou o mês. O facto de o direito à retribuição se vencer por períodos certos significa que a unidade temporal fixada pelas partes funciona como medida de cálculo da retribuição e como medida de vencimento da mesma9.

Assim, por exemplo, se as partes convencionarem que o salário deve ser pago à quinzena, este período constitui a medida de cálculo do montan- te da retribuição e a unidade de vencimento da mesma, o que significa que, em cada quinze dias, o trabalhador tem direito a um certo valor retributivo e, por outro, que, no último dia desse período, o empregador fica obrigado ao seu pagamento e, reciprocamente, o trabalhador adquire o direito de exigir a que o mesmo lhe seja pago (art. 40º, n.º 5).

Não obstante se aludir no art. 5º, alínea r), da LT à possibilidade de a remuneração ser em espécie, o carácter taxativo do art. 40º, n.º 1, da

9 Como se verá no último capítulo, a falta de pagamento na data do vencimento da retribuição pode constituir motivo de rescisão do contrato por iniciativa do trabalhador (art. 49º, n.º 2, alínea b), e n.º 4, da LT).

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mesma lei (e o facto de não existir qualquer de regulamentação específica sobre a matéria) leva-nos a ter dúvidas quanto á admissibilidade daquele tipo de remuneração10.

8.2. Local do pagamento

O pagamento da remuneração deve ser feito directamente ao traba- lhador (art. 40º, n.º 3) em numerário, através de cheque ou transferência bancária (art. 40º, n.º 1), e ser efectuado no local de trabalho e em dia de tra- balho11; excepcionalmente, pode ser convencionado outro local, se for mais

favorável para o trabalhador (art. 40º, n.º 2). Se o dia do vencimento (e do pagamento) do salário coincidir com um sábado, domingo ou feriado, a obri- gação de pagar vence-se no dia útil imediatamente anterior (art. 40º, n.º 5).

8.3. Documento de pagamento do salário

No acto de pagamento da retribuição, a entidade patronal deve entregar ao trabalhador um recibo onde conste o nome deste, o período a que a retribui- ção corresponde, a discriminação do respectivo montante bruto e o montante líquido, todos os descontos e deduções (retenções) efectuadas, bem como as prestações complementares devidamente especificadas (art. 40º, n.º 4).

Os documentos de pagamento salarial emitidos pela entidade empre- gadora devem ser assinados pelo trabalhador; se não souber assinar, pode apor no documento a sua impressão digital ou este ser assinado por duas testemunhas por ele indicadas.

8.4. Periodicidade do pagamento

A retribuição deve ser paga em períodos certos e regulares, não po- dendo essa periodicidade exceder um mês (art. 40º, n.º 3). Dentro deste

10 Nos casos em que seja admitido o pagamento do salário em espécie (por exemplo, o fornecimento de alojamento, transporte, água, electricidade, telefone ou vestuário), impõe-se que tais prestações devam destinar-se à satisfação de necessidades pessoais do trabalhador ou da sua família e, além disso, que o valor que lhes seja atribuído pelas partes não pode ser superior ao valor corrente na região; para além disso, é usual estabelecer que o valor das prestações em espécie não possa ultrapassar aquele que é pago em dinheiro, o que significa que o trabalhador tem a garantia de que, pelo menos, receberá em dinheiro metade da retribuição global convencionada. 11 Esta exigência relativa ao local de trabalho não tem de ser observada quando as partes convencionam o pagamento da retribuição por transferência bancária. Por outro lado, o art. 40º admite que a remuneração não seja paga durante o período de trabalho, mas depois de este terminar.

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limite, cabe às partes definir o período de pagamento, podendo ser a sema- na, a quinzena ou o mês. O cumprimento daquela obrigação deve ser efec- tuado pontualmente no último dia do período a que respeita, durante as horas normais de trabalho. Se esse dia coincidir com um feriado, sábado ou domingo deve ser paga no dia útil imediatamente anterior (art. 40º, n.º 5).

Relativamente aos empregos de curta duração, o salário pode ser fi- xado à hora ou ao dia, devendo nestes casos ser pago em cada dia, após o termo do trabalho.

Em qualquer destas situações, a unidade temporal definida pelas par- tes funciona como critério de cálculo da retribuição e como critério de vencimento da mesma. Com efeito, o facto de o direito à retribuição se vencer por períodos certos e iguais significa, por um lado, que é em função do período estabelecido pelas partes que se determina o respectivo valor ou montante, e, por outro, que a obrigação de pagar a remuneração ocorre na data do seu vencimento. Assim, a partir do último dia útil do período considerado, o empregador fica obrigado ao seu pagamento e o trabalha- dor adquire o direito de exigir o respectivo cumprimento; por exemplo, se o período de vencimento da retribuição for a quinzena, isso significa que, por cada período de quinze dias, o trabalhador não só tem direito a uma determinada retribuição (correspondente a esses dias, os quais constituem por isso a medida para calcular o respectivo montante) como ainda tem direito a receber (e a exigir) esse salário. Ou seja, a data do vencimento da retribuição coincide com a data do respectivo pagamento.

Por outro lado, quando o trabalho é remunerado á peça ou à tarefa, a obrigação de pagamento vence-se com a conclusão da peça ou da tarefa; po- rém, se a execução desta se prolongar ou se for razoavelmente previsível que se prolonga por mais de um mês, o trabalhador tem direito a receber em cada mês uma retribuição não inferior ao salário mínimo que lhe seria apli- cável. Se o trabalhador é pago à comissão, deve o empregador fazer mensal- mente um adiantamento correspondente, pelo menos, ao salário mínimo.

Deste modo, garante-se que o trabalhador receba periodicamente uma remuneração fixa ou certa que lhe permita fazer face (ainda que par- cialmente) às suas despesas normais ou correntes, evitando assim o risco de não auferir qualquer salário durante períodos mais ou menos longos, com todas as consequências negativas que poderiam decorrer desse facto. Ao estabelecer a obrigação de o salário ser pago periodicamente, ainda que em termos parciais, o legislador acaba na prática por impedir na prática que aquele seja variável na sua totalidade.

Em caso de extinção do contrato, qualquer que seja o respectivo fun- damento ou causa, o trabalhador tem direito a receber todos os seus crédi- tos salariais.

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