6 A) Condições dos Factores
HIPÓTESE 6 Fraca imagem externa dos produtos portugueses em segmentos de
A abundância ou o baixo custo de um factor podem levar ao seu uso ineficiente. Pelo contrário, desvantagens em factores básicos pode exercer pressões para a inovação. A necessidade de factores básicos ou generalizados pode ser reduzida pela inovação (por exemplo com a automação ou novos materiais), podendo ainda gerar benefícios de segunda ordem., tais como:
economia na utilização de factores.
desenvolvimento de vantagens mais sofisticadas.
pressões de aperfeiçoamento de outros factores.
A inovação para compensar debilidades selectivas é mais provável do que para explorar pontos fortes, criando um efeito de pressão sobre as vantagens competitivas. No entanto, estas desvantagens devem selectivas, para evitar a paralisia do sistema. Foi assente neste raciocínio que Michael Porter formulou o conceito de Desvantagens Selectivas de Factores (AM4).
As desvantagens selectivas de factores contribuem para a vantagem competitiva quando emitem sinais adequados sobre as circunstâncias futuras. Tal é o caso das tendências no custo relativo dos factores, sendo a vantagem competitiva nacional estimulada quando o país sentir cedo as tendências futuras. Outra situação que pode ser estimulante para os processos inovatórios são as restrições associadas ao clima e à geografia.
As desvantagens selectivas de factores imediatamente visíveis estão expressas nas hipóteses propostas, sendo as seguintes:
níveis reduzidos de qualificação e especialização dos factores humanos e tecnológicos.
mecanismos de criação de factores inarticulados com o sistema empresarial português.
periferia geográfica em relação ao centro económico da Europa.
escassez e custo elevado do capital, conduzindo à subcapitalização empresarial.
dependência energética em relação ao exterior.
fraca imagem externa, dificultando a criação de marcas nacionais com sucesso no exterior.
No que diz respeito aos dois primeiros pontos, a análise feita permite comprovar as limitações dos factores humanos e tecnológicos nacionais, associando- se a mecanismos de criação e aperfeiçoamento de factores deficientes. Esta situação, associado a uma mentalidade igualmente avessa ao risco, estrangula as potenciais capacidades inovatórias do sistema empresarial português. No entanto é ainda de realçar uma capacidade científica nacional que não foi ainda devidamente aproveitada, tornado-se necessário expandi-la e rentabiliza-la.
O contexto de periferia geográfica, distanciando a nossa economia dos centros económicos europeus, aumenta os níveis dos custos de transporte, aumenta o tempo de entrega das encomendas e gera dependências ao nível dos estrangulamentos sistemas de transportes europeus. No entanto, criam-se potenciais vantagens ao nível do desenvolvimento do transporte marítimo e das indústrias associadas, e mesmo ao nível de frotas terrestres de transporte. Vejamos o que Mira Amaral (P2) nos diz sobre esta situação:
«A localização geográfica do país em geral, bem como das principais concentrações industriais, resulta em outra vantagem significativa, pese embora o facto de que a sua resultante estar longe de ser inequívoca.
Efectivamente, e apesar da localização periférica em relação à CEE, a facilidade de acesso por mar aos principais portos europeus, americanos e africanos, cojuntamente com a redução substancial do custo do transporte marítimo, veio claramente a diminuir o custo da excentricidade geográfica e, pelo contrário, tornou-a frequentemente numa vantagem comparativa. Não esqueçamos, porém, a ameaça que paira sobre o factor da competitividade caso não se resolvam os problemas operacionais e principalmente dos custos - de movimentação e de inactividade dos navios - actualmente praticados em alguns dos nossos portos.»
Quanto ao contexto do sector energético, este representa cerca de 3% do VAB total da economia portuguesa e 1% do emprego (G15.1). A sua relevância macro- económica encontra-se sobretudo no investimento, tendo sido nos últimos anos responsável por 7% da FBCF.
O grau de cobertura das importações foi reduzido de 31,5% em 1985 para 11,6% em 1990, comportamento que não teve paralelo na evolução da dependência energética real, uma vez que o mesmo se ficou a dever sobretudo à redução dos preços do petróleo e à queda do dólar. Com efeito, a energia consumida tem um elevado conteúdo importado (87%), resultante da excessiva dependência do petróleo (que representa 70% do consumo final de energia). A utilização racional de energia torna-se assim um factor prioritário nacional (SIURE). A intensidade energética (quantidade de energia por unidade do produto) em Portugal não mostrou, na década de 80, a tendência nitidamente crescente na generalidade dos países comunitários, como resultado de vários factores, actuando em sentido contrário:
1) a nível global, devido ao estádio de desenvolvimento da economia portuguesa, aonde o processo de substituição de trabalho por capital é
normalmente acompanhado pelo aumento da intensidade energética, a qual não terá sido devidamente compensada com medidas de utilização racional de energia.
2) o consumo per capita de energia eléctrica e de combustíveis está ainda num nível ascendente, em relação com a melhoria do nível de vida e dos índices de conforto e mobilidade. Esta tendência é parcialmente compensada com medidas de poupança de energia e com o aumento da eficiência energética.
3) a estrutura do sector industrial não evoluiu significativamente no sentido da redução do peso das indústrias mais intensivas em energia (com excepção das indústrias electrometalúrgicas, entretanto desactivadas).
Algumas possíveis soluções apontadas para contrariar a situação de dependência energética são a valorização dos recursos endógenos (hídrica, eólica, geotérmica, solar, biomassa), potenciadoras de indústrias de equipamentos e a instalação do gás natural, em fase de instalação.
Os empresários de empresas com um nível de qualidade médios ou superior e com uma clara afirmação no mercado internacional, afirmam que a fraca imagem externa do país é uma factor limitativo da afirmação de produtos de topo de gama a nível tecnológico nos mercados externos. Tal constatação foi elaborada na sequência do estudo da SAER em colaboração com o IAPMEI (J6) , suportando-se a última hipótese proposta.
Numa análise global, será de importância estratégica a capacidade endógena do nosso país para ultrapassar estas limitações, e converter estas dificuldades em potencialidades de expansão empresarial e económica.
6 - B) Estrutura , Estratégia e Rivalidade
6. B.0. Definição de Conceitos
Para uma análise adequada deste vértice torna-se necessário definir e esclarecer alguns conceitos fundamentais. Assim expressa-se o que se entende por empresa típica, núcleos de racionalização, sistema financeiro e sistema regulador.
Conceito 1 : Empresa Típica
Empresa típica define-se uma empresa representativa do tecido empresarial português, em termos de dimensão (volume de negócios e número de empregados), estrutura organizacional, estrutura de propriedade, estilo de liderança, formas de gestão, definição e tipos de estratégia. Trata-se de um conceito amplo, mas que é de muita utilidade como ponto de referência.
Conceito 2 : Núcleos de Racionalização
Núcleos de racionalização são entidades, empresas ou agrupamentos de empresas que possuem estruturas organizadas que estabelecem a sua capacidade de definir planos de estratégia empresarial, de interpretação política interna e externa, de gestão estável de recursos humanos, de assistência jurídica, de acompanhamento da evolução tecnológica e comercial, de dialogo com os centros de decisão política (G5). Na sua falta, as empresas ficam dependentes da evolução de acontecimentos que não