2 UM OLHAR PARA A ESCOLA
2.4 QUESTÕES EPISTEMOLÓGICAS
2.4.2 François Dubet e a Sociologia da Experiência
A sociologia da experiência abrange a compreensão do conceito de
experiência, da tipologia das lógicas de ação e de suas ligações com o sistema. No
fim desta seção, apresenta-se a ligação desta teoria com os dois elementos
principais do trabalho empírico: o jovem e a escola.
A experiência, para Dubet, (1996, p.94-112) pode ser entendida de duas
maneiras. A primeira, como um modo de sentir, de ser invadido por um estado
emocional individual ou coletivo. A segunda, como uma atividade cognitiva, um
modo de experimentar e verificar o real. Ela se inscreve em múltiplos registros não
congruentes, pois o ator não é totalmente socializado e nem integralmente
constituído de apenas um papel. A experiência é, ainda, construída e crítica. (1996,
p.105).
Parte-se, assim, da subjetividade do ator, presente na experiência, para a
objetividade do real. Percebe-se a dimensão deste conceito quando o autor
relaciona a heterogeneidade de seus princípios constitutivos com a diversidade de
atividades e práticas dos indivíduos que dominam as condutas individuais e
coletivas. Em meio a esta heterogeneidade, os atores realizam ainda uma busca por
sentido. Assim, a identidade social não é um „ser‟, uma atribuição ou categorização
dada por outrem, é um „trabalho‟, o qual cada ator social trilha idiossincraticamente.
A experiência social seria então definida pela combinação de várias lógicas
de ação e de sistemas, que coexistem e guiam os atores, sem que tenham ligação
entre si e nem havendo uma hierarquia entre elas (1996, p.93, 94). Isto permite
afirmar que cada ator é protagonista de sua história, ou como Dubet afirma: “[...]
uma sociologia da experiência incita a que se considere cada indivíduo como um
„intelectual‟, como um ator capaz de dominar conscientemente, pelo menos em certa
medida, a sua relação com o mundo.” (1996, p.107).
Os princípios desta proposta sociológica e suas possibilidades de análise
sofrem grande influência do pensamento de Weber (1958, 1971, citado por Dubet,
1996). Segundo ele a ação social não tem unidade, não há um sistema e uma lógica
de ação, mas sim uma pluralidade não hierarquizada. A ação social é definida por
relações sociais. Uma lógica de ação é constituída por uma orientação subjetiva e
uma relação com outrem, articuladas na ação. A experiência social é, de fato, uma
combinatória
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