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FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE, DESENVOLVIMENTO E

1. Normas tributárias não perdem seu efeito arrecadador, como também não perdem sua natureza tributária quando passam a interferir no comportamento do cidadão, estimulando ou desestimulando posturas quanto a prática de atos ou referente a situações.

2. A extrafiscalidade é gênero dentro do qual integram as normas tributárias indutoras. Isso não as dispensa, por outro lado, de cumprir princípios tributários porque sua natureza afinal não se modificou.

3. As normas indutoras caminham em campo de horizonte amplo, porém não ilimitado. Sujeitam-se a princípios vários e regras específicas também, sendo certo haver diferença entre princípios e regras. Os primeiros andam em paralelo, por vezes se intercalam, podem até mesmo prevalecer uns perante outros, mas sempre deverão ser observados. Pode haver conflito para as regras, mas neste caso quando temos a aplicação de uma delas, a outra restará afastada.

4. Uma das maiores preocupações que deve ter o intérprete da lei é com a razoabilidade e a proporcionalidade da exigência tributária. Assim a exação deve se mostrar como veículo possível para a modulação de comportamento, mas também precisa estar adequada a necessidade que se faz presente, sob pena de se violar a vedação ao confisco.

5. Em vista da natureza da norma tributária indutora, esta é facilmente indicada para regular situações no sentido de privilegiar atitudes de preservação do meio ambiente. Seja desonerando o contribuinte que pratica ação com menor impacto ao meio ambiente, seja onerando ações contrárias, porém dando a liberdade ao contribuinte de continuar agindo.

6. Imperioso cuidar o Estado em razão das ações indutoras para não trazer a determinação legal efeitos contra indicados, pois um contribuinte com capacidade maior de absorver investimentos necessários à adequação de seu comportamento conforme indicado pela Administração Pública, pode num momento posterior

permanecer isolado em sua atividade econômica, desfigurando com o tempo a livre concorrência.

7. As normas tributárias indutoras não afastam a necessidade de se observar a capacidade contributiva e não representam exemplo excepcionado da igualdade. As normas tributárias indutoras sujeitam-se à igualdade e concomitantemente à capacidade contributiva, mesmo que o viés da norma seja outro que não o arrecadatório.

8. A seletividade e a progressividade se encaixam como normas de característica indutora e, portanto, também se sujeitam à capacidade contributiva, à igualdade e à razoabilidade.

9. Na maioria das vezes as normas indutoras se mostram presentes nos conceitos gerais e indeterminados estampados na lei ou na Constituição Federal. Indeterminados os conceitos sem dúvida os são, porém certamente não são indetermináveis.

10. A propriedade guarda atualmente dois fundamentos: um individual e outro social. A propriedade privada é direito fundamental do cidadão e este pode agir sem ser perturbado no seu direito de propriedade, desde que o imóvel cumpra sua função para com a cidade.

11. O IPTU é instrumento perfeitamente aplicável através de norma indutora para se fazer cumprir a função social da propriedade. A seletividade das alíquotas em razão do uso e localização do imóvel também.

12. A norma tributária indutora que protege a função social da propriedade é primária se comparada à norma tributária indutora sobre o uso e a localização do bem. A primeira porque assegura princípio constitucional, a segunda porque estimula a ordenação conforme diretriz municipal.

13. Atualmente imóvel que atende sua função social é imóvel que possui atenção com necessidades ambientais no meio em que se encontra.

14. O IPTU apresenta todas as facetas necessárias para ser utilizado como instrumento indutor em benefício do meio ambiente equilibrado. Desnecessária reforma constitucional para atribuir ao imposto função socioambiental.

15. Os Municípios não devem se curvar à União e aos Estados, em face da forma federativa do País. Observando-se as normas gerais e especialmente os princípios constitucionais de ordem econômica e tributária o instrumento poderá ser amplamente utilizado.

16. Apesar da disponibilidade do instrumento tributário autônomo que o IPTU se mostra, os Municípios pouco se valem do benefício que pode ser oferecido.

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