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Fundos Estruturais do LPT

No documento D ESAFIOS EO PORTUNIDADES PARA OA CESSO (páginas 81-86)

CAPÍTULO 4 O SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO

4.4 O Programa Luz Para Todos

4.4.2 Fundos Estruturais do LPT

O regime de subvenção do LPT é resultado de uma combinação de subsídios para conexão e consumo. O governo brasileiro presta apoio financeiro às concessionárias, sob a forma de subvenções e empréstimos em condições favoráveis, e as concessionárias repassam os recursos para os usuários finais na forma de ligações gratuitas ou tarifas mais baixas. Em outras palavras, os subsídios são vistos como um mecanismo para manter os preços da eletricidade para níveis inferiores aos de mercado para as famílias pobres. Esses subsídios são percebidos como alocação de recursos essencial para garantir o desenvolvimento do país como um todo, o que beneficia os grupos mais pobres e reduz a desigualdade.

Uma vez que o objetivo é atingir a cobertura total, esta subvenção beneficia todos os cidadãos que solicitam conexões. Embora os subsídios de consumo não estão diretamente ligados à execução do LPT, eles são fundamentais para o processo e os objetivos do programa. Isto significa que uma vez que o processo de conexão é finalizado pelo LPT, os usuários finais começam a receber o subsídio correspondente de acordo com seus níveis específicos de consumo. Inicialmente, todos os usuários com consumo de energia elétrica abaixo de 80 kWh por mês e até mesmo usuários de até 220 kWh, sob certas condições são considerados consumidores baixa renda e possuem o direito de pagar tarifas reduzidas. Recentemente, a tarifa

social introduziu um novo conceito que oferece descontos na tarifa residencial de acordo com o consumo, conforme indicado na Tabela 7.

A diferença entre as baixas tarifas para os consumidores de baixa renda e do alto custo do serviço ainda é coberto por subvenções cruzadas, mas apenas os usuários finais, que são classificados como consumidores de baixa renda e estão devidamente registrados no banco de dados oficial do Governo Federal através de programas sociais é que podem ser beneficiados pela subvenção. Os grupos indígenas e as minorias recebem um desconto de 100% até um consumo máximo de 50 kWh/mês, desde que constem no registro oficial. Isso ocorre porque a comunidade indígena tem um estatuto particular de acordo com a Constituição brasileira e o governo exerce uma proteção tutorial dessas minorias.

Tabela 7 - Tarifa social para baixa renda.

Consumo de eletricidade (kWh/mês) Desconto (%) ≤ 30 65 31 até 100 40 101 a 220 10

> 220 Sem desconto Fonte: Adaptado de Presidência da República (2010).

Além de fontes federais, os governos estaduais e as concessionárias deverão fornecer cerca de 10% e 15% dos recursos necessários, respectivamente, através de fundos setoriais. Dois fundos setoriais são os principais fornecedores dos recursos necessários: a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e da Reserva Global de Reversão (RGR). Enquanto o CDE fornece recursos sob a forma de uma subvenção, a RGR fornece recursos sob a forma de um empréstimo bonificado. As fontes de CDE suprem entre 10 e 65% dos recursos necessários para os projetos de extensão de rede, e a RGR oferece entre 10 e 70%, dependendo do projeto específico. Em regiões onde o investimento necessário é baixo, uma porcentagem baixa é concedida às concessionárias. Os subsídios são maiores em regiões como a Amazônia, onde o investimento necessário é alto. Um tratamento diferenciado foi estabelecido para os sistemas isolados em termos de financiamento. Inicialmente, estas soluções incluem tecnologias como hidrocinética, mini e micro centrais hídricas, sistemas de energia solar e eólica, usinas com base em biocombustíveis ou gás natural e sistemas híbridos. Nestes casos, a CDE fornece 85% do financiamento necessário (sob a forma de subsídio) e as concessionárias aportam os 15% restantes (MME, 2009). Todos esses fundos são administrados pela Eletrobrás. Essa estrutura

foi recentemente adaptada com o objetivo de promover iniciativas de eletrificação em áreas remotas (ANEEL, 2012a; MME, 2011; GOMÉZ e SILVEIRA, 2010). Esta questão específica é abordada no capítulo 5.

Para subsidiar os combustíveis fósseis utilizados para geração de energia termelétrica nos sistemas isolados existe a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). Todos os consumidores no país compartilham custos de geração térmica em sistemas isolados, definido por valores anuais para cada concessionária, dependendo da sua área de concessão e uso de usinas térmicas. A CCC é, portanto, relevante para a operação de sistemas baseados em diesel na Amazônia brasileira.

No passado, a CCC reembolsava as despesas relacionadas com combustíveis para geração térmica que cobriam as diferenças de custo para o equivalente em energia hidráulica (ANEEL, 1999). Um custo equivalente de energia hidráulica foi definido pela ANEEL, e a diferença entre o custo do combustível para a geração térmica e o custo da energia hidrelétrica era alocado para cada concessionária de acordo com a sua geração de energia específico. A CCC foi recentemente reformada para reembolsar as concessionárias e os agentes autorizados de geração de energia com um montante igual à diferença entre o custo total de geração de energia elétrica nos sistemas isolados e o custo médio de gerar a quantidade de energia equivalente ao sistema interligado (ANEEL, 2011).

Figura 17 - Fluxo de recursos através do LPT.

A Figura 17 ilustra como é atribuído o fluxo de fundos, juntamente com o quadro institucional existente dentro do LPT para a abordagem de extensão da rede. O financiamento governamental é transferido para as concessionárias mediante a prova de que a conexão foi fornecida a uma família específica. O LPT criou um sistema de monitoramento em que a alocação de recursos está ligada ao desempenho das concessionárias. A distribuição dos recursos fornecidos pelo CDE e RGR depende das condições particulares de cada concessão. As concessionárias calculam suas necessidades específicas, com base na demanda identificada, que são então aprovados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), formalizado através de um contrato. Enquanto a concessionária demonstra o cumprimento do plano de execução da extensão de rede, os recursos são liberados pela Eletrobrás.

4.5 Considerações Finais

Este capítulo mostrou como a estrutura centralizada do setor elétrico brasileiro tem sido crucial para a obtenção dos resultados do LPT. Mostrou também que o Brasil estabeleceu claramente a eletrificação universal como um objetivo nacional. O LPT inclui um plano flexível e abrangente, e já beneficiou mais de 14 milhões de pessoas até o momento. O reconhecimento do acesso à eletricidade como um direito civil também forneceu indicações concretas para todos os níveis de tomadas de decisão envolvidos na iniciativa nacional de eletrificação rural.

Aliado aos resultados apresentados no capítulo 3, também mostrou como é importante o reconhecimento do papel que o acesso à eletricidade pode desempenhar no alcance das metas de desenvolvimento humano e na definição de políticas públicas para promover a cobertura total de eletricidade a nível nacional e regional.

Em resumo, uma série de fatores têm sido fundamentais para o sucesso da iniciativa com base em extensão da rede. O compromisso nacional, em conjunto com objetivos claros e um quadro institucional bem estabelecido, e o importante papel das concessionárias no processo de implementação e uso da extensão da rede como a principal abordagem para fornecer eletricidade em áreas rurais têm sido particularmente importantes. Entretanto, desde que as metas de acesso a eletricidade alcançadas através da extensão da rede, as redes locais de energia elétrica pertencentes aos sistemas isolados têm sido negligenciadas pelo LPT, principalmente as populações que vivem em áreas remotas. Paradoxalmente, estes são os habitantes com o IDH mais baixo, e aqueles que teriam recebido o maior benefício se fossem fornecidos os serviços

de energia elétrica. Não apenas cerca de 930 mil pessoas ainda estão sem acesso a eletricidade, mas também IDH inferiores a 0,5 são encontrados em uma série de municípios dispersos, indicando que grandes desigualdades ainda prevalecem na região.

Existe um consenso geral sobre a necessidade de planejar e executar um novo esquema descentralizado para fornecer eletricidade em áreas remotas. Em linha com este reconhecimento, o governo brasileiro recentemente adaptou o modelo do LPT. O próximo capítulo analisa como o LPT foi adaptado e discorre sobre os desafios relacionados com a disponibilização de acesso a eletricidade em áreas remotas sob o novo regime.

No documento D ESAFIOS EO PORTUNIDADES PARA OA CESSO (páginas 81-86)

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