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3 MATERIAL E MÉTODOS

4.8 Generalidades do modelo e recomendações

4.8.1 Novos usuários depois de outorgados os primeiros

A inserção de novos usuários no balanço hídrico do trecho deve ser prevista no momento da simulação das vazões Qusos. A inclusão de novos usos depois de outorgados os primeiros pode resultar em mais perdas na geração.

Depois de definido o cenário de usos no trecho, ficam estabelecidas as vazões disponíveis para geração hidroelétrica e para os outros usos (irrigação e diluição) e mediante a outorga de direito de uso tem-se a garantia do atendimento.

Supondo a intenção de um novo usuário requerer uma vazão no trecho a disponibilidade hídrica, poderá permitir a entrada deste novo usuário quando a vazão requerida não alterar as outorgas já concedidas.

Se um novo cenário for simulado para a entrada de um ou mais usuários no trecho observa-se no modelo que a vazão para a geração hidroelétrica pode ficar vulnerável a alterações caso os outros usos outorgados não sejam alterados também. Ou seja, um usuário novo que entra na nova simulação do “Qusos” pode resultar na diminuição das vazões a serem turbinadas. Isso pode ocorrer quando a diferença entre as vazões afluentes ao trecho Qaflu e as vazões Qeco e Qusos (ΔQ) estiverem entre os limites de operação da usina, ou seja, entre Qmin e Qmax. Ou quando ΔQ é menor que Qmin. Neste caso o novo usuário poderia resultar em mais dias com ΔQ< Qmin, ou seja, em mais dias sem o acionamento das turbinas.

Uma forma de prever a inclusão de novos usuários é limitar o valor total disponível para outros usos no trecho para que o ΔQ não se altere na situação entre o Qmin e Qmax.

Com a definição de um ΔQ limite tem-se a segurança na geração depois que todos os usos são atendidos. Por outro lado, o ΔQ pode resultar na subestimação de vazões disponíveis para a geração quando o ΔQ não for totalmente aproveitado. Pois haveria uma parcela deste ΔQ em espera para mais usuários.

4.8.2 Avaliação com a cobrança pelo uso dos recursos hídricos

Na avaliação competitiva dos usos dos recursos h ídricos do método proposto foi considerada a conversão da produção agrícola e de energia hidrelétrica em valores monetários, conforme as suas cotações. Sendo o uso urbano considerado sem um ganho por não resultar em um produto. Em uma análise sobre ganhos relacionados à função de manutenção da qualidade da água no trecho de rio poderiam ser considerados os ganhos para outros usos que influenciam a qualidade de vida na regição, como as atividades de pesca, lazer e esportes, propiciando os usos múltiplos da água.

Para tanto a qualidade mínima da água exigida por estas atividades depende da manutenção dos seus parâmetros dentro da classe de enquadramento adequada. E isso está relacionado às vazões captadas e à capacidade e eficiência de tratamento dos esgotos que são lançados no trecho do rio.

Uma forma de viabilizar estas atividades poderia se dar pela gestão dos usos com os recursos monetários gerados da cobrança pelo uso da água nas atividades de geração, diluição e irrigação agrícola, aprovada no comitê de bacia.

Estas considerações impactam a relação de competição pelo uso da água entre os usuários do trecho, modificando os valores usados na avaliação competitiva proposta neste trabalho. Com isso o ganho gerado pela produção agrícola teria descontado o valor pago pelo uso da água, assim como na geração hidrelétrica. No entanto a realização de simulações considerando que haja a cobrança pelo uso da água necessita de uma pesquisa sobre a sua aplicação, sobre os valores normalmente praticados nas bacias onde há este tipo de instrumento em operação, e de como os recursos monetários poderiam ser aplicados na bacia. Destinando estes recursos para se alcançar as metas e o objetivo do plano de bacia. Isso sugere que o trabalho proposto pode ser aprimorado e soluções mais sofisticadas podem ser apresentadas como subsídio para a outorga de uso e ao processo de licenciamento ambiental destes empreendimentos.

4.8.3 Limitações do método

Como em todo método que simula processos naturais, no modelo proposto existem simplificações. Mesmo com estas limitações é necessário que o método responda de forma adequada às expectativas, ou seja, mantenha a qualidade dos resultados (princípio da parcimônia). Quanto a isso, no modelo proposto podem-se observar algumas limitações.

Para cada cultura é considerada a época de semeadura praticada na região, podendo simular também outros períodos, com os valores de demandas hídricas diárias médias para cada mês do período considerado. Inclusive no método é possível que seja estimada a demanda para outras culturas além da soja e do milho, bastando que admita que o parâmetro de armazenamento de água no solo pode ser o mesmo para ambas as culturas. Mas para isso deve-se considerar o total da demanda hídrica diária média para cada mês, com a soma das demandas de mais de uma cultura. Salientando que neste caso a área não pode ser considerada separadamente por cultura, o que não permite a estimativa de valores monetários de cada cultura, mas apenas as perdas de energia gerada, por exemplo.

Quanto ao armazenamento de água no solo após uma chuva foram testadas algumas opções de PArm e verificou-se que os resultados foram pouco influenciados por esta variável. Sendo o valor de 50% utilizado nas simulações. Este valor foi considerado adequado por se tratar de uma representação genérica dos processos entre solo, água e planta. Mas PArm poderia ser um valor diferente. A melhor forma de verificar sua aplicação correta seria procedendo a um estudo agronômico aprofundado comparando os métodos convencionais de cálculo da água disponível para ser utilizado pela planta ou armazenado de um dia para o outro na lavoura. Este não é um dos objetivos deste trabalho, mas sim apresentar uma simplificação para estes processos de forma que outros valores possam ser utilizados, caso sejam feitas as constatações e validação desta variável.

Com relação às vazões em períodos sem geração hidroelétrica, ou seja, quando o ΔQ é inferior ao limite mínimo de vazão para o acionamento das turbinas da usina Qmin, a geração é zero, e toda a vazão afluente vai para o TVA. No TVA existem os outros usos e as vazões ecológicas para serem atendidas. Isso ocorreu em 4,76% dos dias da série histórica simulada. Porém as vazões ecológicas Qeco

entram no modelo ao mesmo tempo em que as vazões para os outros usos (irrigação, diluição). Com isso, para que as vazões Qeco sejam sempre atendidas deve-se verificar se há vazão afluente suficiente para atender a Qeco e a Quso quando ΔQ<Qmin, sendo a Qeco prioridade, o que não está incluído no modelo proposto.