As infrações relacionadas, para que tenham as demandas controladas, são assistidas por diferentes analistas e técnicos ambientais. O andamento das proposições e regramentos institucionais são acompanhados pela entidade ambiental que de forma transparente busca informar os procedimentos de regularização ambiental. Assim, para todo o possível dano, há uma específica Gerência. No Gráfico 6 a seguir está demonstrado o rol dos departamentos incluídos no ciclo de apreciação e controle das infrações ambientais. Todos os documentos possuem tramitação que podem ser acompanhadas de modo online via Sistema Online de Licenciamento Ambiental.
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados coletados (2018).
O expressivo número de infrações a serem controladas pela Gerência Executiva da Região Noroeste (80) revelou que o ambiente institucional possui problemas para o acompanhamento das diretrizes estabelecidas para a preservação natural local. Ou seja, as
Gráfico 6 - Distribuição dos autos de infração por Gerência Regional
Campanha; 13 Central; 24 Centro Leste; 30 Depto Fiscalização; 5 Divisão de Licenciamento Florestal; 7 Litoral Norte; 33 Noroeste; 80 Planalto; 76 Serra; 10 Sul; 8
características das infrações no meio rural podem possuir similaridades de matéria (extrapolação da área utilizada pelos agentes para produtividade e cultivo, por exemplo), por isso, o quadro de fiscalização busca ser suficiente para controlar e atender as realidades da Região, sem interferir na continuidade do sustento do agente e buscando evitar descumprimento de seus propósitos institucionais preservacionistas. Por isso, a Gerência da Região Noroeste se depara com diferentes questões dos pequenos municípios que a compõe,
[...] os quais possuem em sua maioria pequenas propriedades, que utilizam a pecuária leiteira como forma de complementação de renda. Também verifica-se que alguns municípios possuem considerável concentração dos residentes na zona rural, fortificando a mão de obra para as atividades ligadas a agropecuária (MEDEIROS; MORAES; BENDER FILHO, 2016, p. 30).
A partir da década de 1960, a agricultura do Rio Grande do Sul obteve ampliação na produtividade alimentícia, por mais que a sua área destinada à produção tenha sido diminuída para algumas formas de cultivo, segundo apontou a Conab (2014), tocante à Gerência Regional do Planalto (76). Contudo, os novos meios de produção fizeram um novo patamar para a agricultura, entre os anos 1965 e 1975, onde houve a expansão da produção de soja, bovinocultura, trigo, atividade leiteira , dentre outros. Isso evidenciou a imagem do Estado ao Brasil como um local cuja potência agrícola ganhava expressão (SERPA; CATAFESTA, 2009).
Com o passar do tempo, alterações na estrutura fundiária ocasionou a detenção e poderio para poucos proprietários, impedindo o acesso às terras aos trabalhadores brasileiros. Os inúmeros autos de infração dos municípios monitorados pela Gerência Regional do Planalto são reflexos das mudanças ocorridas ao longo do tempo a partir do consumo de capital e das pressões tecnológicas, podendo justificar as ocorrências de danos no seu meio rural. O Decreto Estadual nº 53.202 de 2016 do RS não isenta os proprietários e agentes devidamente responsabilizados em compensar, por mais que haja benefícios com os ganhos comerciais locais. Há identificação de degradação, há aplicação institucional administrativa, recaindo o Poder de Polícia.
Os autos de infração da Gerência Regional do Litoral Norte (33 autuações) convocam um olhar mais aprimorado com as medidas ambientais estabelecidas fora do período de veraneio, ou seja, os processos de expansão imobiliária podem acarretar a supressão de vegetação nativa o culmina em alterações severas na qualidade do bioma Mata Atlântica além de descumprimento com o Código Florestal que delimita os usos das propriedades próximas a APP, como os recursos hídricos que perfazem o litoral. Ainda, os conflitos da pesca ilegal,
com ou sem uso de petrechos podem corroborar no aumento das infrações de meio ambiente. Há regramentos para as comunidades locais que dependem da pesca para sustento, o que se puniu foi a desenfreada pesca esportiva e eventual de espécies protegidas quer seja pelo IBAMA ou pela SEMA.
Já os documentos administrativos da Gerência Regional do Centro-Leste (30 autuações) foram caracterizados pela temática da exploração natural que servem de fomento para as indústrias dos grandes centros urbanos. Sem licenciamento ambiental, ou descumprindo as condicionantes, os vazios de vegetação estavam em processos de cobrança por meio de indenização ou sob PRAD’s.
Na Gerência Regional Central (24 autuações), pode-se perceber que os fatores das infrações foram similares ao da Gerência Regional do Centro-Leste pela proximidade com os grandes eixos de comercialização da matéria-prima interiorana cuja vegetação é retirada para ampliação dos negócios. O desafio da Gerência Regional da Campanha (13 autuações) tocou nos quesitos de degradabilidade que força os processos de desertificação (ou arenização) dos municípios, demonstrando que a exposição do solo é resultante da falta de conservação do mesmo que constantemente possui sua vegetação desmatada para cumprir com as demandas mercadológicas. Tal Gerência é responsável pela fiscalização da Mesorregião do Sudoeste gaúcho à qual detém de forças institucionais para controlar o superpastoreio e a mecanização das lavouras (SOUTO, 1985).
A disponibilização documental das Gerências Regionais da Serra (10 autuações) e do Sul (8 autuações) possibilitaram a reflexão sobre o como são utilizadas os regramentos ambientais, o que deduziu-se que os arranjos de mercado do primeiro podem estar associados aos fatores voltados à preservação da paisagem para contemplação turística, inclusive; do segundo inibem atuações que degradam. Ainda, percebeu-se a quantia de autos de infração que estavam em análise pelos servidores da Divisão de Licenciamento Florestal (7 autuações) e do Departamento de Fiscalização (5 autuações), os quais apurariam os diferentes atos ilícitos danosos capazes de inviabilizar a continuidade natural dos espaços. Por mais que tenham sido levantados questionamentos sobre os números de autuações, o dano ambiental não fica condicionado à quantidade e sim pela perda de valorização dos espaços naturais, influenciando na qualidade dos mesmos.
No ano de 1986, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (CONAMA), instituiu a Resolução nº 01 onde consolidou a matéria do “impacto ambiental” que está atrelado à degradação de meio ambiente. Para este regulamento, cabe reflexão a partir do trecho:
O Conselho Nacional do Meio Ambiente (“CONAMA”) estabeleceu, em sua Resolução nº 01/1986, o conceito de impacto ambiental que, de certa forma, reproduz o conceito de degradação ambiental, pois é “qualquer alteração” das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente – no caso o meio físico – que tenha sido causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, afetando, direta ou indiretamente, (i) a saúde, a segurança e o bem-estar da população, (ii) as atividades sociais e econômicas, (iii) a biota, (iv) as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente ou (v) a qualidade dos recursos ambientais (ANTUNES, 2017, p. 297).
Os efeitos significativos causados no meio geram diferentes formas de impactos. Seus efeitos podem ser detectados pela forma e espaço onde se manifestam. Com isso, diferentes "traumas ecológicos" podem ser causados pela ação humana sobre os recursos naturais, muito embora alguns impactos são causados por acidentes naturais, as pressões antrópicas dão mais fôlego para a ocorrência de acidentes naturais.
Os desequilíbrios causados pelas pessoas podem acarretar em situações de caos; minimizando a qualidade do ecossistema como um todo (MEDONÇA, 1998; VEIGA, 2005; FAIRCHILD et al, 2009). Os impactos decorrentes nas autuações foram caracterizados como Locais e Regionais. Neste contexto, os dados consolidados das autuações ambientais estão representado no Gráfico 7 as quantidades em percentual dos impactos detectados pelos agentes autuantes.
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados coletados (2018).
Gráfico 7 - Percentual dos impactos identificados nas autuações
91% 9%
Local Regional
Ao pegar por base as atividades causadoras de danos ao meio, montou-se um Quadro 8 para que fosse possível o vislumbre dos possíveis impactos. A adequada categorização das atividades possibilita ir ao encontro das medidas salutares.
Quadro 8 - Classificação dos impactos causados segundo as atividades autuadas
ATIVIDADES AUTUADAS IMPACTOS
Supressão da vegetação, extração e estocagem de madeira, pesca ilegal, construção em APP, lançamento
em afluente, criação animal, dreno em nascente impedindo a regeneração de APP
Erosão, elevação da temperatura, desertificação, proliferação das pragas, empobrecimento do solo, redução da biodiversidade aquática., desequilíbrio
da cadeia alimentar Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados coletados (2018).
Todos os impactos necessitam ter medidas de mitigação e redução, sendo incluídos nos Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas como forma de demonstrar que os agentes imputados pelas medidas de compensação ambiental estão preocupados no reestabelecimento natural. A devida identificação de Local ou Regional possibilita a medição e valorização dos impactos. Ou seja, a magnitude do impacto e sua interpretação possibilita o alcance dos prováveis impactos relevantes, discriminando então a sua força, presença, temporalidade e forma de relação (direta ou indireta) nos espaços (BRASIL, 1986).