• Nenhum resultado encontrado

3.2 RESPONSABILIDADES, PODER DE POLÍCIA AMBIENTAL, DANO E FORMAS

3.2.2 Responsabilidade Administrativa

Quando se fala da responsabilidade administrativa pelo dano ambiental é preciso observar os conceitos da responsabilidade penal e civil, além de institutos típicos de Direito Administrativo. Com isso, é importante a abordagem enfatizada por Barros (2008) que relaciona o Direito Ambiental através de diferentes disposições legais da CF/1988: há ocorrência de normas como: artigo 5º, inciso LV que aborda a necessidade de exaurimento de procedimentos administrativos; no artigo 20 que contextualiza os bens públicos; e o artigo 37 que estrutura a Administração Pública como um todo, pautando a responsabilidade do Poder Público em dar efetividade aos fatores da gestão ambiental.

Diante disso, para definir a natureza da responsabilidade administrativa é preciso utilizar a regra da objetividade. Sobre isso, posicionou-se Meirelles (2009, p. 199): "a multa administrativa é de natureza objetiva e se torna devida independentemente da ocorrência de culpa ou dolo do infrator." Na esfera do Direito Penal, para a fixação da pena, por exemplo, é exigido da autoridade ambiental o enfrentamento de circunstâncias tipicamente penais como individualização da pena, aplicação de agravantes e atenuantes, concurso material, reincidência, entre outros aparatos. Já do instituto jurídico de origem civil, tira-se a celebração de Termo de Compromisso Ambiental (TCA), suspendendo ou extinguindo sanções administrativas impostas. (BARROS, 2008).

Contudo, a responsabilização administrativa se opera na esfera da própria administração e não no Poder Judiciário, como os demais. Sob essa perspectiva, o Poder Público deve defender e preservar o meio ambiente, conforme normatizado pelo art. 225, caput, da Constituição Federal (1988), independentemente da responsabilização penal ou civil. O zelo é inerente à ação governamental de administrar o meio ambiente como um bem de usufruto comum da sociedade. Diante disso, Barros (2008) fomenta a participação ativa do Poder Público na defesa, proteção e preservação ambiental, colocando como instrumento toda a força de sua estrutura, com a finalidade de prover às necessidades de ordem geral ou coletiva. “A responsabilização administrativa por dano ambiental, assim, passa pelo entendimento do que sejam poder de polícia e poder disciplinar” (BARROS, 2008, p.234).

Portanto, a instância norteada no presente trabalho envolveu a responsabilidade administrativa, uma vez que as infrações ambientais envolvidas na investigação são originadas de descumprimento ou inexistência de permissões de meio ambiente emitidas pela SEMA em localidades rurais. Por essa razão, algumas situações compreendidas sob a gama do Direito Agrário aproximou o acolhimento da temática pela interação administrativa, ambiental e econômica. Nesta imbricação, a multidisciplinariedade envolvida torna por envolver planejamento socioambiental local com os aspectos considerados para a governança.

3.2.2.1 Infrações Administrativas do Meio Ambiente

O Decreto Federal nº 6.514/2008 (Infrações e Sanções Administrativas Ambientais), no seu Capítulo I, Seção III, artigos 24 a 93, apresenta algumas das possíveis infrações administrativas consideradas lesivas ao meio ambiente e que são mais decorrentes e encontradas na realidade Nacional:

a) Subseção I – Das infrações contra a fauna (artigos 24-42); b) Subseção II – Das infrações contra a flora (artigos 43-60-A);

c) Subseção III – Das infrações relativas à poluição e outras infrações ambientais (artigos 61-71);

d) Subseção IV – Das infrações contra o ordenamento urbano e o patrimônio cultural (artigos 72-75);

e) Subseção V – Das infrações administrativas contra a administração ambiental (artigos 76-83); e

f) Subseção VI – Das infrações cometidas exclusivamente em unidades de conservação (artigos 84-93).

Nesse Decreto, o legislador procurou categorizar as prováveis situações de infrações administrativas como forma de facilitar a imputação do empreendedor. De maneira organizada o texto normativo separou em artigos pensando na adequação às situações transgredidas e autuadas. Percebe-se que as seções não limitam os espaços urbanos e rurais, ou seja, há separação por ocorrências praticadas independente da área de abrangência. O que importa são as situações que comprometem a plenitude do espaço.

3.2.2.2 Das sanções ambientais

As sanções ambientais estão configuradas em diferentes normas locais, estaduais e, respeitam a sua maneira de expressar conforme os artigos 72 da Lei 9.605/1998 (Lei de Crimes Ambientais) e 3º do Decreto Federal nº 6.514/2008. Quanto a isso é necessário esclarecer que os regramentos às infrações administrativas de cunho ambiental apresentam 10 (dez) incisos fundamentais que consideram as formas de impedir a continuidade de possíveis lesões nos espaços:

I- Advertência; II- Multa Simples; III- Multa Diária;

IV- Apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora e demais produtos e subprodutos objeto de infração, instrumentos, petrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração;

V- Destruição ou inutilização do produto; VI- Suspensão de venda e fabricação do produto;

VII- Embargo de obra ou atividade e suas respectivas áreas; VIII- Demolição de obra;

IX- Suspensão parcial ou total das atividades; e X- (VETADO)

XI- Restritiva de direitos (BRASIL 1998; 2008).

Diante do conhecimento da doutrina de Machado (2008) foi possível ampliar o entendimento, principalmente das sanções multa simples, multa diária de cada uma das sanções capazes de serem apontadas como medida eficaz contra degradações. Sendo assim:

Das 10 sanções previstas no artigo 72 da Lei 9.605/1998 (inc. I a XI), somente a multa simples utilizará o critério da responsabilidade com culpa; e as outras nove sanções, inclusive a multa diária, irão utilizar o critério da responsabilidade sem culpa ou objetiva, continuando a seguir o sistema da Lei 6.938/1981, onde não há necessidade de serem aferidos o dolo e a negligência do infrator submetido ao processo (MACHADO, 2008, p. 317).

Milaré pensou de mesma forma, sinalizando no mesmo Decreto Federal supramencionado, em seu artigo 101 e §1º, que:

[...] prevê a possibilidade de as sanções enumeradas nos incisos IV a IX de serem utilizadas como medidas administrativas [...], destinadas a coibir a ocorrência de novas infrações, resguardar a recuperação ambiental e garantir o resultado prático do processo administrativo (2009, p. 899).

O resguardo relacionado por Milaré (2009) revelou que a tutela ambiental é bastante rígida, uma vez que impõe complexo aparato de cumprimento das sanções. No presente trabalho preocupou-se em destacar os processos administrativos contendo a determinação de

recomposição natural a partir de Projetos de Recuperação de Áreas Degradadas - PRAD),. Tais documentos foram determinados para localidades rurais do Rio Grande do Sul, com base em orientações estabelecidas normativamente. Nesta ótica, o uso do PRAD tem por finalidade a recomposição de áreas degradadas que geralmente são provenientes de intervenções antrópicas, resultando em alterações de determinados ambientes, as quais são potencialmente geradoras de fenômenos indutores de impactos ambientais nas áreas de influência de diferentes propriedades.

3.3 DIREITO DE PROPRIEDADE E A SUA PERCEPÇÃO PARA O