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GESTÃO AMBIENTAL

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A forma como se gerencia os recursos do meio ambiente é decisiva para intensificar ou diminuir os danos ambientais causados pelas rotinas diárias das organizações. Diante disso, Seiffert (2009, p. 48) aponta que a gestão ambiental é aquela que “busca a condução harmoniosa dos processos dinâmicos e interativos, que ocorrem entre os diversos componentes do ambiente natural e antrópico, determinados pelo padrão de desenvolvimento almejado pela sociedade”.

Utilizando uma lógica semelhante, Dias (2009) define gestão ambiental como o tipo de gestão que tem por finalidade alcançar o desenvolvimento sustentável, fazendo com que os efeitos ambientais não ultrapassem a carga do meio onde a instituição se encontra.

A busca pelo desenvolvimento sustentável faz com que as organizações adotem programas de reciclagem, de redução de gastos, de gerenciamento de resíduos gerados e de outras inovações tecnológicas no ambiente organizacional. Segundo Abrahão (2016), é nesse cenário, que se introduz a gestão ambiental como um importante instrumento que objetiva a resolução de problemas ambientais.

Dias (2009) aponta ainda que o processo de gestão ambiental, nas instituições, tem sido implantado principalmente para o cumprimento de legislações ambientais definidas pelos órgãos governamentais, que fixam limites aceitáveis de emissão de poluentes, vetam o uso de substâncias tóxicas, definem as condições de descarte de resíduos sólidos e líquidos, entre outras. Dessa forma, o autor explica que, em decorrência do grande número de normas e das críticas realizadas pela sociedade, as organizações vêm predominantemente assumindo um caráter reativo (reação aos problemas que vão surgindo) e adotando métodos corretivos para a solução de problemas. A partir disso, o autor defende que, para as instituições alcançarem o DS, é necessário adotar uma política ambiental proativa, e substituir as medidas corretivas por métodos preventivos, os quais procuram eliminar os impactos na origem, buscando suas causas.

De acordo com Abrahão (2016), a gestão ambiental deve abranger as ações de planejamento, monitoramento e fiscalização, e, essas proporcionam a harmonia e a cooperação entre todos os atores envolvidos.

No que diz respeito à aceitação da gestão ambiental pela equipe organizacional, Godim (2017, p. 52-53) explica que, para os membros do grupo “abraçarem” a causa das ações sustentáveis, necessita-se que a proposta de gestão ambiental seja verdadeira e respeitosa, devendo ser orientada pelas seguintes diretrizes:

- Estudar outras empresas que fazem uma comunicação rumo à sustentabilidade e melhorá-la;

- Fazer uma autoanálise, observar quais atitudes não sustentáveis a empresa pratica; - Listar essas ações não sustentáveis e traçar um plano para torná-las ambientalmente corretas, lembrando sempre que a prática é mais importante do que a mensagem que será compartilhada através das campanhas de incentivo sustentável. Por isso, os gestores devem dar o exemplo de práticas e consumo consciente, ou seja, o ideal é que eles digam pouco e façam muito;

- Divulgar os seus valores, experiências de uma gestão verde, sempre dizendo a verdade e assumindo um papel de responsabilidade com o planeta (GODIM, 2017, p. 52-53).

Dessa forma, para o estabelecimento de uma gestão ambiental eficaz, é preciso modificar hábitos, mudar a forma de pensar a administração das organizações, bem como, disseminar o conhecimento sobre práticas sustentáveis e melhorar o engajamento de todos os indivíduos na execução dessas práticas.

Alguns benefícios econômicos e estratégicos da implantação da gestão ambiental nas instituições estão descritos no Quadro 1:

Quadro 1 – Benefícios da gestão ambiental para as organizações

Benefícios Econômicos Benefícios Estratégicos

Economia nos custos

- Economias devido à redução do desperdício e do consumo de água, energia e outros insumos; - Economia devido à reciclagem, venda e aproveitamento de resíduos e diminuição de afluentes;

- Redução de multas e penalidades;

- Melhoria da imagem institucional; - Renovação do portfólio de produtos; - Aumento da produtividade;

- Aumento do comprometimento pessoal; - Melhoria nas relações de trabalho;

- Melhoria e criatividade para novos desafios; - Melhoria na relação com o ambiente externo (governo, comunidade e ambientalistas); - Acesso ao mercado externo;

- Eliminação, redução ou reparação de danos ambientais;

- Aumento da consciência dos funcionários e

fornecedores a respeito da responsabilidade ambiental.

Incremento de receitas

- Os “produtos verdes” podem ser vendidos a preços maiores;

- Aumento da participação no mercado, devido à inovação de produtos e menor concorrência; - Novos produtos para o mercado;

- Aumento da demanda por produtos que contribuam com a diminuição da poluição.

Fonte: Adaptado de Donaire (1999) e Mori et al. (2015).

Com a finalidade de padronizar, em nível global, os processos de gestão ambiental das instituições, o organismo não governamental International Organization for Standartization (ISO) desenvolveu e publicou a série de normas ISO 14000. Essa família de normas estabelece ferramentas e diretrizes para a implementação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) em organizações públicas e privadas.

Conforme Dias (2009), um SGA pode ser entendido como o conjunto de responsabilidades, procedimentos, processos e meios que são adotados para se alcançar os objetivos definidos na política ambiental das organizações. Esse autor defende ainda que o eixo central da série de normativas ISO 14000 é a norma ISO 14001, a qual estabelece

especificações e guia as instituições, na implantação de um SGA certificável, estruturado e integrado à atividade geral da administração organizacional.

Uma pesquisa desenvolvida por Barata, Kligerman e Minayo-Gomez (2007) revelou que até 2003 havia um desinteresse das organizações públicas em adotar a certificação preconizada pela ISO 14001. Esses autores explicam que esse fato denota o baixo empenho das empresas públicas em adotar um SGA eficaz.

Nessa perspectiva, a Agenda Ambiental na Administração Pública surge como um instrumento essencial para a implementação de um SGA eficiente no âmbito governamental e, apesar de possuir maior ênfase na diminuição do desperdício, tem procedimentos similares aos da norma ISO 14001 (BARATA; KLIGERMAN; MINAYO-GOMEZ, 2007; ABRAHÃO, 2016).

Diante disso, na próxima seção, serão descritas as características, objetivos, princípios e eixos temáticos da A3P, como também, serão apresentadas as principais práticas sustentáveis ligadas a cada um desses eixos.

2.4 AGENDA AMBIENTAL NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (A3P) E PRÁTICAS

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