Nesta secção são apresentados os resultados alcançados ao nível do grau de imersividade dos conteúdos multimédia bem como o seu grau de adequabilidade para os fins identificados, quer no início do trabalho, quer ao longo das sessões experimentais. Face à intersecção desta componente com a problemática da análise da classificação emocional, é com naturalidade que se assista alguma dispersão desta apresentação ao longo do presente documento, mormente quando a referência é realizada a partir das versões iniciais do protótipo desenvolvido. Face ao exposto, opta-se pela concentração da apresentação dos resultados, até pela sua crescente sistematização, relativos à mais recente versão do protótipo BioStories em ambiente imersivo tridimensional.
Deste modo, e atendendo, em primeiro lugar, à adequabilidade dos conteúdos multimédia utilizados, os capítulos dedicados à apresentação e análise crítica dos resultados alcançados através das abordagens exploratórias e versões iniciais do protótipo BioStories, revelaram já atempadamente a necessidade de proceder ao enriquecimento dos conteúdos apresentados, ultrapassando a barreira da conjugação de imagens estáticas. Neste sentido a versão mais recente do protótipo através da geração de ambientes tridimensionais em ambiente imersivo potenciado pelo dispositivo de visualização a par do realismo da simulação aeronáutica, possibilitaram o aparecimento de uma situação colateral não prevista inicialmente: a existência de elementos voluntários com medo ou com traços de ansiedade quando expostos a tradicionais cenários de voo.
Muito embora esta situação tenha possibilitado a verificação da adequabilidade directa, quer dos conteúdos multimédia gerados, incluindo o seu grau de veracidade, quer a validação do modelo emocional adoptado bem como da metodologia de classificação proposta, sentiu-se a necessidade de proceder a um tratamento especial destes casos, vislumbrando a possibilidade da utilização do sistema como forma de mitigação, ainda que parcial, da situação de ansiedade assumida pelos participantes.
Neste contexto, foram registados sete indivíduos que alegaram ter algum grau de fobia associada a voar, sendo que seis deles identificaram os processos de take-off e aterragem da aeronave como as mais difíceis de superar do ponto de vista emocional. Para estes casos, o protocolo experimental foi ligeiramente adaptado de forma a possibilitar a repetição do mesmo em alturas temporalmente afastadas, de forma a testar, ainda que de forma provisória e de base puramente experimental, a adequabilidade da plataforma desenvolvida como forma de mitigação parcial dos níveis de ansiedade espoletados nas situações descritas. Os resultados encontram-se apresentados através da Ilustração 37, onde é possível constatar a diminuição progressiva, ao longo das três sessões efectuadas, dos valores médios de arousal e
o crescendo consistente dos valores de valence, indicando que a experiência foi vivenciada de forma cada vez menos nervosa e ansiosa.
Na mesma ilustração, o gráfico da direita representa os níveis médios de arousal ao longo das sessões experimentais para os sujeitos que declararam o referido desconforto associado a experiências aeronáuticas. Nesta medida, considerou-se pertinente a monitorização isolada desta variável ao longo da simulação de forma a testar a hipótese que defende que os cenários associados às descolagens e aproximações à pista com consequente aterragem constituem os elementos de maior ansiedade durante as experiências de voo. A confirmação deste princípio a partir das sessões virtuais definidas constituir-se-ia como um factor objectivo da adequabilidade e grau de imersividade dos conteúdos multimédia gerados e apresentados. Desta feita, e tendo os enunciados pontos presentes, os dados recolhidos e sumariados no gráfico patente através da Ilustração 37, confirmam que as situações enunciadas, tipicamente concentradas no início e fim das sessões, encerram maiores níveis de ansiedade, especialmente para os sujeitos com algum grau de fobia associada ao voo, pelo que este estudo é importante para a extracção de conclusões objectivas relativamente ao grau de adequabilidade, realismo e imersividade dos conteúdos multimédia escolhidos para a última versão do protótipo BioStories.
De forma complementar à abordagem descrita nos parágrafos anteriores, considerou-se, igualmente importante a recolha de dados de forma universal aos sujeitos das sessões experimentais. Para além da necessária monitorização biométrica e das oscilações sintácticas e semânticas registadas a este nível, complementou-se o estudo através da incorporação de um processo de classificação do grau de imersividade da experiência. Neste capítulo, os participantes foram convidados, findas as respectivas actividades experimentais, a classificar a sessão do ponto de vista do realismo e imersividade dos conteúdos apresentados, numa escala de 1 a 5, sendo 1 traduzido por uma experiência muito pouco imersiva e 5 como muito imersiva.
Os resultados do inquérito encontram-se condensados através da Ilustração 38, a partir da qual é possível aferir que mais de 85% dos sujeitos classificaram a experiência como imersiva ou
muito imersiva, sendo que o valor médio foi de 4,3 pontos na referida escala de 1 a 5. Estes
resultados corroboram as análises objectivas descritas anteriormente, nomeadamente ao nível das oscilações biométricas registadas bem como a análise dos níveis de ansiedade dos sujeitos
com algum grau de fobia de voar. Esta abordagem tem também como objectivo a validação da utilização, não só de conteúdos multimédia tridimensionais virtuais, como especialmente a sua visualização através de dispositivos imersivos como os óculos com rastreamento 3D utilizados ao longo das sessões experimentais conduzidas.
Não obstante as referências aos objectivos gerais dos processos expostos já efectuadas até ao momento, seguindo o princípio levado a cabo ao longo das abordagens das temáticas anteriores, reserva-se a realização da análise crítica aos resultados agora expostos para a secção 6.4, inteiramente dedicada à extracção de conclusões sobre o presente tópico.
6 Análise Crítica e Conclusões
Neste capítulo são tecidas as considerações resultantes da análise crítica aos resultados apresentados no ponto anterior. Como consequência são extraídas as respectivas conclusões, sendo que a exposição segue um modelo semelhante à divisão temática efectuada nos capítulos 1 e 1, sendo desta feita realizada uma segmentação diferente, não centrada na evolução do trabalho, mas sim do ponto de vista dos domínios científicos abordados, de forma a potenciar a confrontação com a formulação das hipóteses iniciais.