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Swami Sivananda, em sua obra Raja Yoga24, refere que na filosofia vedântica são consideradas três Gunas, que são atributos ou qualidades da mente: Sattwa, Rajas e Tamas. Tudo que existe, existe pela composição destas qualidades.

Sattwa relaciona-se com sabedoria, inteligência, bondade e luz e, quando domina, é responsável pela calma e serenidade do homem. Rajas, relacionada com a paixão, ambição, vontade, inquietude, ansiedade, dinamismo, e, quando domina determina a agitação e a excitação. Tamas, relaciona-se com a ignorância,

lassidão, apatia, preguiça, maldade e quando domina é responsável pela estupidez e insensatez humanas.

As gunas estão presentes em todas as pessoas, sendo uma delas predominante no comportamento, as outras agindo concomitantemente. Nos sábios e nos santos, há predominância de Sattwa, enquanto no perverso bandido domina Tamas e o executivo ansioso é dominado por Rajas.

Recomenda Sivananda a identificação das Gunas em cada um de nós, através da meditação, para assim reconhecer os fatores determinantes de nossos comportamentos, procurando estimular o

crescimento de Sattwa, que estimula o desenvolvimento do

discernimento, do raciocínio e do entendimento, pois, "a porta da intuição se abre totalmente". Deve-se procurar a libertação do domínio de Tamas e Rajas, devido a seus efeitos perniciosos.

As pessoas rajásicas são muito ambiciosas, estão sempre em ação. São faladoras, desejam poder, riqueza, prestígio, posição, nome e fama, pois rajas é a fonte da ânsia, acorrentando a pessoa à ação. Seus desejos são insaciáveis.

As pessoas tamásicas não são guiadas pela razão e não têm capacidade de julgamento. Não têm inclinação para o trabalho, são preguiçosas e dormem demasiadamente.

Um dos representantes modernos do pensamento hindú é Sathya Sai Baba, que vive na Índia, e de lá transmite os ensinamentos das sagradas escrituras vedânticas. Entende que a disciplina é fundamental para o ser humano e que devem ser vencidos os seis "inimigos" do corpo, expressos através de seis sentimentos: desejo, ódio ou raiva, ambição, apego, orgulho e soberba, ciúme e inveja13. Considera que

"a raiva transforma o homem em uma besta embriagada. Os outros impulsos são igualmente viciosos. Procure praticar sempre ações salutares” .

Prescreve claramente a educação emocional aos seus seguidores quando recomenda:

"Mesmo se você não tiver firme fé em Deus ou em qualquer Nome ou Forma particulares que expresse o Imanente Poder, comece pelo controle das imposições da mente, dos impulsos do ego e das atrações e das algemas sensuais. (...) Seja paciente. Seja humilde."

Ensina que Dhyana, a meditação, é a disciplina pela qual a mente é treinada para a análise e a síntese internas e recomenda a

respiração lenta para acalmar as emoções. Prega os seguintes passos para os iniciados:

"O passo primeiro é o controle dos sentidos; o segundo o controle das emoções e dos impulsos; o terceiro o domínio do equilíbrio e da equanimidade; o próximo é a regulação da respiração e dos movimentos dos ares vitais; o quinto é a prevenção das influências exteriores e dos desvios da mente; o próximo é a atenção unidirecional sobre seu próprio progresso; e finalmente entrar no real dhyana ou meditação sobre a realidade última, que culmina no samadhi*" (13).

* Samadhi é um estado mental descrito pela filosofia yoga, atingido através da meditação profunda, que corresponde à união do meditador com a realidade última do universo. Não pode ser descrito, mas reconhecido diretamente, intuitivamante. Nele haveria um estado de completa felicidade, alegria e paz.

│ S Í N T E S E │

• Um dos princípios da Educação Emocional estabelece a

necessidade do desenvolvimento da consciência emocional do educador para que ele fique consciente de seu universo emocional. Ele deve fazer um trabalho de auto-conscientização de suas emoções e de reconhecimento das emoções do outro, procurando identificá-las e analisá-las no momento em que ocorrem.

• As pesquisas indicam que a educação emocional deve começar no seio da família. É importante que a criança seja habituada desde cedo a expressar suas emoções e a lidar com elas, devendo para isto receber apoio e ajuda dos pais.

• Nas conversas com os brinquedos, a criança costuma projetar suas idéias, desejos, frustrações e medos, e a análise delas pode ser útil para a descoberta de sentimentos recalcados.

• Deve ser permitida a livre expressão das emoções na criança, e deve-se identificar e compreender seus sentimentos. O respeito mútuo deve ser mantido em qualquer situação. Quando houver atritos envolvendo comportamentos emocionais, o pai ou mãe deve controlar-se, não devendo utilizar escárnio, desprezo, ironia ou comentários que desmereçam a criança.

• Devem ser abolidas humilhações e injustiças e jamais se deve bater nas crianças ou insultá-las, pois tais comportamentos gerarão seqüelas psicológicas de conseqüências imprevisíveis, com traumas que marcarão suas vidas.

• Qualquer forma de agressão e de violência contra o educando, seja física ou psicológica perpetuará a violência social. Não praticar a violência é uma forma de fazer Educação para a Paz, um dos componentes da educação holística.

• A empatia é a capacidade de colocar-se no lugar de outro, como se fosse ele. É a capacidade de sentir o que o outro sente. É importante nas estratégias de educação emocional prestar atenção aos gestos, ao tom de voz e à expressão corporal da criança e do adolescente.

• Um dos princípios da educação emocional é valorizar os sentimentos e as emoções do educando, e permitir que os expressem livremente, sem reprimi-los. Deve entretanto ser mostrado, com clareza, os limites deste extravasamento, que são os comportamentos socialmente toleráveis.

• Há duas formas de disciplina, a individual e a social. A individual, interna, relaciona-se com o respeito às normas que a pessoa estabelece para si mesma. É a auto-disciplina, traço de personalidade comum aos homens bem sucedidos. Deve ser estimulada e cultivada na escola, pois é um fator de sucesso pessoal e social. Na disciplina social, externa, as normas são estabelecidas pela sociedade, e é muito importante para a formação do cidadão.

• A punição advinda da própria classe a que o aluno pertence é mais efetiva e dá melhores resultados preventivos do que a punição aplicada pela administração da escola.

• Não adianta o educador emocional pregar determinado

comportamento em determinada situação e agir de forma diferente: não adianta pregar o controle da raiva e descontrolar-se na primeira situação que o enraiveça.

• Um Príncipe Sábio, antes de exigir uma coisa dos outros, deve praticá-la primeiro, ele próprio; antes de repreender uma falta nos outros, deve ter o cuidado de não fazer o que reprova. Um homem que não sabe regular-se e tratar aos outros com a mesma medida que usa para si mesmo, não pode instruir aos outros (Confúcio, Os Quatro Estudos).

• A Contemplação dos Sentimentos recomendada por Buda, visa a consciência plena de que eles existem, que estão vivos dentro de nós: prazer e dor, agradável e desagradável, tristeza e alegria, amor e ódio, raiva, medo, mágoa, paz, etc.

• Numa atitude calma e imparcial, devem ser observados os sentimentos, no seu aparecer e desaparecer, na origem e desintegração. Não se deve aderir a eles quando forem agradáveis e esquivar-se quando forem desagradáveis a observação deve ser neutra.

• Sathya Sai Baba entende que a disciplina é fundamental para o ser humano e que devem ser vencidos os seis inimigos do corpo: desejo, ódio ou raiva, ambição, apego, orgulho e soberba, ciúme e inveja.

P A R T E I I I

A L G U N S A T O R E S D A C E N A

E M O C I O N A L

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No documento EDUCAÇÃO EMOCIONAL NA ESCOLA (páginas 68-75)

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