Capítulo II Do instituto da extradição e da entrega no âmbito do Tribunal Penal
2.3. Tratamento constitucional
2.3.1 Hipóteses constitucionais
Os métodos de aquisição da nacionalidade brasileira estão previstos no artigo 12
da Constituição Federal Brasileira Aliás, apenas neste preceito manifesta quais são os
brasileiros, diferenciando-os em dois sistemas.
Com efeito, possuem resultados jurídicos ressaltando os brasileiros natos, que
correlacionam aos de nacionalidade primárias, inseridos no inciso I deste artigo
supramencionado, e os brasileiros naturalizados, que são os que escolhem, como segunda
nacionalidade, a brasileira, caso queiram morar, previsto no inciso II do artigo referido.
No que tange aos que possuem nacionalidade primária, estabelece o artigo 12 da
Constituição Federal de 1988, a descrição dos brasileiros natos:
124 PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, Casa Civil. Subchefia para assuntos jurídicos. Constituição da
República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao. Htm. Acesso em 16 de dezembro de 2008.17h.
125 MELLO, Celso D.Albuquerque. Direito Constitucional: uma introdução. -2.ed.rev. – Rio de Janeiro:
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São brasileiros: I - natos: a) os nascidos na República Federativa do Brasil ainda que este de pais estrangeiros, desde que este não esteja a serviço de seu País.
b) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro, ou mãe brasileira, desde que qualquer deles esteja a serviço da República Federativa do Brasil.
c) os nascidos no estrangeiro, de pai brasileiro ou mãe brasileira, desde que venham a residir na República Federativa do Brasil e optem em qualquer tempo pela nacionalidade brasileira’126.
A Constituição ilustra brasileiros natos os que adquirem a nacionalidade brasileira
pelo fator nascimento, ou melhor, brasileiro nato é quem de fato nasceu na República
Federativa do Brasil. Ademais, corresponde ao titular.
Cumpre registrar que apenas o artigo 12, inciso I da Constituição Federal
Brasileira enumera os casos de exceções. Além do mais, na nacionalidade brasileira primária,
de acordo com a Constituição vigente foram adotados os critérios do ius sollis e do ius
sanguinis.
Os requisitos para a atribuição da nacionalidade como critérios de territorialidade
em um estado de nascimento e no caso da filiação de paternidade está baseado na atribuição
de que serão nacionais todos os nascidos em território nacional, levando em consideração o
lugar do nascimento deste indivíduo (ius soli). Já no (ius sanguinis) parte do princípio de que
são nacionais todos os filhos de nacionais, ou seja, levando em consideração a nacionalidade
do país em que nasceu ou a paternidade.
Portanto, existem quatros condições que conceituam a nacionalidade primária no
Brasil, considerando-se brasileiros natos:
Na primeira situação, regra, (ius solis), ou seja, são considerados brasileiros natos
os nascidos na República Federativa do Brasil, portanto, o entendimento segundo a doutrina
pátria sobre o que vem a constituir o território brasileiro compreende:
a) as terras delimitadas pelas fronteiras geográficas, com rio, lagos, baías, golfos, ilhas, bem como o espaço e o mar territorial, formando o território propriamente dito; b) os navios e aeronaves de guerras brasileiro, onde quer que se encontrem; c)os navios mercantes brasileiros em alto mar ou de passagem em mar territorial estrangeiro; d) as aeronaves civis brasileiras em
126 BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Internacional. -19.ed.atual –São Paulo : Saraiva , 1998,
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vôo sobre alto mar ou de passagem sobre águas territoriais ou espaços aéreos estrangeiros127.
São também considerados brasileiros natos os filhos de estrangeiros, nascido no
território nacional, desde que estes não estejam a serviço de seu país de origem. Vale destacar,
se for filho de estrangeiro que estejam residindo no Brasil por conta própria ou senão
estiverem os pais a serviço de país diverso, estes são considerados nacionais primários.
Na segunda situação, trata-se da regra de ius sanguinis combinado com serviço do
Brasil, ou seja, reputam-se brasileiros natos os filhos de pai ou mãe brasileiros natos ou
naturalizados, nascidos no exterior desde que um deles esteja a serviço da República
Federativa do Brasil. Apesar da Constituição falar de nascidos de país brasileiro, abrange os
filhos adotados em conformidade com a lei do País, nos termos do artigo 227 § 6º, da Carta
Magna.
Na terceira situação, aplica-se a regra de ius sanguinis com opção, em qualquer
tempo os filhos de pai ou mãe brasileira, que nasceram no exterior, contudo, é necessária a
vontade do interessado, o vinculo territorial e a aquisição da nacionalidade primária.
Na quarta e última situação, considera-se brasileiros natos em duas hipóteses, tais
sejam; os registrados em repartição competente ao Brasil, neste caso, independente da
manifestação de vontade. E os não registrados cuja aquisição brasileira depende do expresso
interesse do individuo em adquirir a nacionalidade brasileira a qualquer tempo.
Dessa forma, o Estado Brasileiro adota o princípio da territorialidade absoluta da
lei penal. Assim se o Estado nacional for soberano pode-se aplicar o direito em um caso
concreto. Já em relação a atividades jurisdicionais de outros Estados no plano Internacional,
tem-se a não intervenção do território soberano e das esferas jurisdicionais.
Todos os cidadãos possuem direitos e prerrogativas garantidos na Constituição,
pois sem exceção todos os indivíduos devem possuir uma nacionalidade, porque ainda há
soberania. Além do mais, esta se dá preferivelmente de forma individual, e por conseqüência,
não pode se estender aos demais dependentes ou parentes do indivíduo e não pode ser
considerada permanente, visto que o cidadão tem a opção de mudar de nacionalidade.
A extradição pode ser considerada como uma forma política bilateral, ou seja, que
pressupõe um tratado prévio entre os países envolvidos; na maioria das vezes este dispositivo
recai somente aos estrangeiros porque no Brasil em nenhuma hipótese os brasileiros natos
podem ser extraditado.
127 BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Internacional. -19. ed.atual –São Paulo : Saraiva, 1998,
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