É um horizonte mineral subsuperfi cial com textura franco-arenosa ou mais fi na (mais de 150 g.kg-1 de argila), onde houve incremento de argila, orientada ou
não, desde que não exclusivamente por descontinuidade, resultante de acumu- lação ou concentração absoluta ou relativa decorrente de processos de iluviação e/ou formação in situ e/ou herdada do material de origem e/ou infi ltração de argila ou argila mais silte, com ou sem matéria orgânica e/ou destruição de ar- gila no horizonte A e/ou perda de argila no horizonte A por erosão diferencial. O conteúdo de argila do horizonte B textural é maior que o do horizonte A e pode ou não ser maior que o do horizonte C. Este horizonte pode ser encontrado à superfície se o solo foi parcialmente truncado por erosão.
A natureza coloidal da argila a torna suscetível de mobilidade com a água no solo se a percolação é relevante. Na deposição em meio aquoso, as partículas de argilominerais usualmente lamelares, tendem a repousar aplanadas no local de apoio. Transportadas pela água, as argilas translocadas tendem a formar
Foto 50 - Perfi l de PLANOSSOLO NÁTRI- CO Órtico típico. Caruaru - PE.
Glailson Barreto Silva
Horizonte A fraco
películas de partículas argilosas, com orientação paralela às superfícies que revestem, ao contrário das argilas formadas in situ, que apresentam orientação desordenada. Entretanto, outros tipos de revestimento de material coloidal inorgânico são também levados em conta como características de horizonte B textural e reconhecidos como cerosidade.
A cerosidade considerada na identifi cação do B textural é constituída por películas de colóides minerais que, se bem desenvolvidos, são facilmente perceptíveis pelo aspecto lustroso e brilho graxo.
Nos solos sem macroagregados, apresentando grãos simples ou maciça, a argila iluvial apresenta-se sob a forma de revestimento nos grãos individuais de areia, orientada de acordo com a superfície dos mesmos ou formando pontes ligando os grãos.
Na identifi cação de campo da maioria dos horizontes B texturais, a cerosidade é importante. No entanto, a cerosidade sozinha é muitas vezes inadequada para identifi car um horizonte B textural, pois devido ao escoamento turbulento da água por fendas, a cerosidade pode se formar devido a uma única chuva ou inundação. Por esta razão, a cerosidade num horizonte B textural deverá estar presente em di- ferentes faces das unidades estruturais e não exclusivamente nas faces verticais. A transição do horizonte A para o horizonte B textural é abrupta, clara ou gradual, mas o teor de argila aumenta com nitidez sufi ciente para que a parte limítrofe entre eles não ultrapasse uma distância vertical de 30cm, satisfeito o requisito de diferença de textura.
Pode-se dizer que um horizonte B textural se forma sob um horizonte ou horizontes superfi ciais, e apresenta espessura que satisfaça uma das condições abaixo: a) ter pelo menos 10% da soma das espessuras dos horizontes sobrejacentes
e no mínimo 7,5cm; ou
b) ter 15cm ou mais, se os horizontes A e B somarem mais que 150cm; ou c) ter 15cm ou mais, se a textura do horizonte E ou A for areia franca ou areia; ou d) se o horizonte B for inteiramente constituído por lamelas, estas devem ter,
em conjunto, espessura superior a 15cm; ou
e) se a textura for média ou argilosa, o horizonte B textural deve ter espessura de pelo menos 7,5cm.
Em adição a isto, o horizonte B textural deve atender a um ou mais dos re- quisitos a seguir:
f) presença de horizonte E no sequun acima do horizonte B considerado, desde que o B não satisfaça os requisitos para horizonte B espódico, plíntico ou plânico. g) grande aumento de argila total do horizonte A para o B, o sufi ciente para
h) incremento de argila total do horizonte A para o B sufi ciente para que a relação textural B/A satisfaça uma das alternativas abaixo:
- nos solos com mais de 400g.kg-1 de argila no horizonte A, a relação deve
ser maior que 1,5; ou
- nos solos com 150 a 400g.kg-1 de argila no horizonte A, a relação deve ser
maior que 1,7; ou
- nos solos com menos de 150g.kg-1 de argila no horizonte A, a relação deve
ser maior que 1,8.
i) quando o incremento de argila total do horizonte A para o B for inferior ao especifi cado no item h, o horizonte B deve satisfazer às condições de um dos itens seguintes:
I - solos de textura média ou arenosa/média e com ausência de macroagre- gados devem apresentar argila iluvial representada por cerosidade em quantidade no mínimo comum, sob forma de revestimento nos grãos individuais de areia, orientada de acordo com a superfície dos mesmos ou formando ponte ligando os grãos;
II - solos com horizonte B de textura média e com estrutura prismática ou em blocos moderada ou mais desenvolvida, devem apresentar cerosidade no mínimo moderada em um ou mais subhorizontes da parte superior do B; III - solos com horizonte B de textura argilosa ou muito argilosa e com estrutura
prismática ou em blocos, devem apresentar cerosidade no mínimo comum e moderada em um ou mais subhorizontes da parte superior do B;
IV - solos com relação textural B/A igual ou maior que 1,4, conjugada com pre- sença de fragipã dentro de 200cm da superfície, desde que não satisfaça os requisitos para horizonte B espódico.
j) se o perfi l apresentar descon- tinuidade litológica entre o horizonte A ou E e o horizonte B textural (principalmente em solos desenvolvidos de materiais recentes, como sedimentos aluviais) ou se somente uma camada ara- da encontra-se acima do horizonte B textural, este necessita satisfazer um dos requisitos especifi cados nos itens h e/ou i.
Os conceitos estabelecidos para horizonte B textural são deriva- dos de argillic horizon, de Soil taxonomy: a basic system of soil classifi cation for making and in- terpreting soil surveys (1975).
Foto 51 - Perfi l de ARGISSOLO VERMELHO- AMARELO Distrófi co típico. Cerquilho - SP.
Horizonte A moderado
Delgados horizontes iluviais (menores que 7,5cm de espessura), que comu- mente ocorrem sob ou dentro de horizonte eluvial (E), recebem a denominação de lamelas. Eventualmente podem ocorrer dentro de horizonte intermediário AE ou EA.
Quando no conjunto totalizam espessura maior ou igual a 15cm, caracterizam horizonte B textural, desde que satisfeita a condição de textura franco-arenosa ou mais fi na.
Em relação ao horizonte eluvial sobrejacente, têm maior conteúdo de argila e normalmente cromas mais elevados, matizes mais avermelhados ou menores valores, ou combinação destas.
Pode ocorrer uma única lamela isoladamente num perfi l de solo, mas comu- mente ocorrem em maior número, separadas por horizontes eluviais.
Na seção vertical do perfi l, apresentam-se como fi nas camadas, nem sempre contínuas, em geral com transição ondulada e com espessura variável. Quando presentes deverão ser coletadas para determinações laboratoriais e ter sua morfologia descrita separadamente do horizonte E no qual estão inseridas, tomando-se por base a unidade mais representativa.
No Brasil são muito comuns em solos dos arenitos do grupo Bauru, nos Es- tados de São Paulo e do Paraná.
Derivado do conceito de lamellae, de Soil taxonomy: a basic system of soil classifi cation for making and interpreting soil surveys (1999).
Foto 52 - Lamelas em perfi l de ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Eutrófi co arênico, ab- rúptico. São Pedro-SP.