“É mais fácil estar em guerra com inimigos prudentes do que estar em paz com amigos insensatos.” Provérbio afegão. “Para armar emboscadas, é preciso primeiro estar certo quanto ao terreno e quanto às populações vizinhas, sob pena de ver a armadilha voltar-se contra si.” Patrice Franceschi, Ils ont choisi la liberté: la guerre d’Afghanistan (1981).
Quando toma o poder por meio de um golpe de Estado em 17 de julho de 1973, o primeiro-ministro afegão, Mohammed Daoud, não sabe que acaba de abrir uma caixa de Pandora. A partir disso, o país vai enfrentar
desordens e depois a guerra aberta. Os senhores da guerra mujahedin enfrentam o ocupante soviético (ver o capítulo de Marc Epstein) e depois o regime de Najibullah de 1979 a 1992, antes de serem castigados durante dois anos e rechaçados pela milícia dos talibãs (“estudantes de religião”). Estes últimos quase são vencedores quando acolhem Osama bin Laden e a al-Qaeda em 1996, fazendo do Afeganistão a base de retaguarda de um terrorismo internacional que vai enfurecer a potência americana.
Campanha brilhante, fracasso estratégico
As grandes evoluções da guerra no Afeganistão estão contidas nas decisões que se seguem aos atentados de 11 de setembro de 2001. Os Estados Unidos se beneficiam, então, de um vasto apoio internacional e principalmente, o que é essencial, do apoio do Paquistão. Eles poderiam ter escolhido, com esse apoio, promover uma campanha de ataques contra a al-Qaeda e fazer concessões aos talibãs, aliados de Islamabad. Mas preferiram agir com os métodos de soft power seguidos por Bill Clinton para tentar, ao mesmo tempo, destruir rapidamente a organização terrorista e também castigar o Estado que a abrigava. Essa estratégia impunha, entretanto, uma vitória militar total, sob pena de ver os inimigos dos Estados Unidos refugiarem-se no Paquistão e de lá gerenciar o vazio político deixado pela extinção do regime talibã.
A Operação Enduring Freedom (Liberdade duradoura) começa em 8 de outubro com uma série de ataques aéreos, enquanto as forças especiais americanas entram em contato com os senhores da guerra uzbeques e tajiques, sempre em conflito com os talibãs e agrupados sob a bandeira da Aliança do Norte.1 Foi necessário apenas pouco mais de um mês para varrer as forças inimigas e ocupar Cabul. O
modelo operacional chega, então, a seus limites. Os senhores do norte são reticentes em engajar-se nas províncias dos pachtos do sul e do leste onde estão refugiados o mulá Omar, líder talibã, e Osama bin Laden, e o comando americano recusa-se a engajar tropas terrestres. Os americanos apelam, então, para homens importantes locais, pouco confiáveis, que permitem a fuga dos últimos inimigos para o Paquistão. Em meados de dezembro de 2001, a primeira fase da guerra está terminada. O sucesso tático não resultou num sucesso estratégico e a Operação Enduring Freedom se detém então na fronteira paquistanesa.
Após a recusa dos americanos quanto à volta ao poder do rei Zahir Xá, exilado desde 1973, e o desaparecimento do comandante Massud, herói da guerra contra os soviéticos, assassinado pela al-Qaeda em 9 de setembro, não há mais grandes figuras cuja legitimidade poderia impor-se a todos. Os americanos impõem então seus aliados da Aliança do Norte e colocam no poder Hamid Karzai, um chefe de tribo pachto próxima a eles há muitos anos. Essa dominação dos nortistas inverte a predominância tradicional das grandes tribos pachtos, de onde saíram os talibãs. Ela se revela ainda mais ineficaz porque a Constituição, adotada em 2004, introduz uma separação nítida dos poderes, o que resulta em negociações permanentes entre a presidência e os diversos homens fortes da Assembleia. As instituições e a administração que foram assim estabelecidas são fracas, corrompidas e pouco reconhecidas, sobretudo nas províncias pachtos. Para apoiá-las, o Conselho de Segurança das Nações Unidas organiza uma Força Internacional de Assistência e de Segurança (FIAS), cujos primeiros
elementos chegam ao Afeganistão em janeiro de 2002. Uma coalizão esquizofrênica
A Operação Enduring Freedom prossegue ao longo da fronteira com o Paquistão, com meios mais fortes, mas ainda limitados. Os efetivos americanos, aos quais se acrescentam algumas centenas de soldados aliados, são de 10 mil homens durante vários anos. Sua missão é destruir os últimos bolsões de resistência por uma combinação de ataques aéreos, ataques de forças especiais e operações de busca. Se essa prática, que se distancia da população, tem certa eficácia contra as organizações sem sede local, como a al-Qaeda, ela se revela infrutífera, para não dizer negativa, contra os talibãs. Procurar eliminar todos os rebeldes é na verdade um trabalho de Sísifo em meio a uma população pachto que conta vários milhões de homens em idade de pegar em armas e aos quais um código de honra severo impõe o dever de vingança.
Quanto à FIAS, que se constitui paralelamente, ela privilegia o apoio às forças de segurança afegãs e a
ajuda ao desenvolvimento, excluindo qualquer ideia de operações de coerção. Pouco apreciada pelo Pentágono e também pelos senhores da guerra afegãos, que criam obstáculos para sua chegada em seus feudos, a FIAS fica, por muito tempo, limitada a 4 mil homens e concentrada em Cabul. Uma primeira
mudança ocorre em agosto de 2003, quando os Estados Unidos decidem concentrar seus esforços sobre o Iraque e apelam para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para assegurar o comando da FIAS. Apoiando-se prioritariamente na rede das equipes de reconstrução provinciais (ou Provincial
Reconstruction Teams, PRT) destinadas a favorecer o desenvolvimento econômico, as dezenas de
leste, em 2005, antes de abordar, três anos depois, as províncias pachtos em 2006. Essa extensão é acompanhada de um aumento dos efetivos para até 20 mil homens. Os principais países envolvidos são o Reino Unido (6.000 soldados), a Alemanha (2.800), o Canadá (2.500), a Holanda (2.000) e a França (1.000).
Os esforços da coalizão são lentos em produzir efeitos. O exército nacional afegão só conta com 27 mil homens em 2006 para uma população de cerca de 31 milhões de habitantes. Essa instituição, e a polícia mais ainda, sofre com a falta de meios, com a corrupção, com uma taxa de deserção elevada e uma imagem desfavorável junto à população pachto.
A ajuda ao desenvolvimento demora a se estabelecer. Ela é dispersada entre centenas de organizações, governamentais ou não, às vezes concorrentes, e é insuficiente em relação às necessidades, que são imensas. Os efetivos e os meios engajados nessa ação civil representam cerca de 10% daqueles da ação militar, para finalmente oferecer uma ajuda por habitante dez vezes inferior àquela que foi proporcionada ao Kosovo desde 1999. Dos 30 bilhões de dólares prometidos em 2001, apenas 3 bilhões foram utilizados cinco anos depois para reconstruir a economia e os serviços sociais afegãos, com progressos inegáveis em algumas áreas como a saúde e a educação e algumas infraestruturas para as estradas de rodagem. O resto se perdeu em promessas não cumpridas, nos gastos das empresas ocidentais de expertise ou de segurança e nos gabinetes dos ministérios afegãos. Criando dependências, desequilíbrios locais e principalmente favorecendo a corrupção, os efeitos dessa ajuda sobre a segurança do país revelam-se insuficientes e muitas vezes contraproducentes.
Os novos rebeldes
Enquanto isso, os talibãs, ajudados pelos serviços especiais de Islamabad (Inter-Services Intelligence,
ISI), souberam se transformar de simples milícia religiosa em organização de guerrilha – a mais eficaz da
história afegã. Após uma fase de reorganização em torno da cidade paquistanesa de Quetta, eles se reintegram progressivamente, a partir de 2003, nas zonas rurais pachtos, partindo das províncias fronteiriças de Paktika e de Zabul para avançar em direção ao centro do país e ramificar-se em seguida para leste e principalmente para o sul. A partir de 2005, estabelecem-se solidamente nas duas grandes províncias do Helmand e de Kandahar, que são os principais centros de produção de ópio do mundo. Essa penetração, realizada com efetivos reduzidos, apoia-se, sobretudo, em alianças locais e num controle da população pelo medo, mas também pelos atrativos de uma administração e de uma justiça alternativas que aparecem como mais honestas e mais eficazes do que as do governo. Do rádio aos DVDs
distribuídos nos bazares, passando pelos mexericos, os talibãs ganham progressivamente a batalha da propaganda.
A rebelião não se confunde com o movimento talibã, e este também não é unitário, pois, além do corpo principal, a Shura de Quetta,2 ele acolhe organizações associadas dentre as quais a principal é o
grupo de Jalaluddin Haqqani.3 Próxima dos ISI e implantada na província paquistanesa do Waziristão, a
“rede Haqqani” é, em grande parte, responsável pela introdução dos ataques suicidas no Afeganistão. A leste, as províncias de Kunar e do Nurestão, hostis à presença estrangeira e de uma obediência religiosa oposta à dos talibãs, abrigam vários grupos, dos quais o mais importante é o Hezb-e-Islami Gulbuddin
(HIG), fundado em 1977 por Gulbuddin Hekmatyar.4
No nível tático, os 200 a 300 mil combatentes rebeldes (dos quais apenas um quarto opera em tempo integral) conservam uma mobilidade bem superior à das forças americanas ou aliadas da coalizão, que estão protegidas, mas estáticas. Essa agilidade, associada ao conhecimento do terreno e principalmente do inimigo, do qual todos os movimentos são conhecidos, permite-lhes dispor da iniciativa quase completa dos combates e minar as estradas utilizando artefatos explosivos improvisados (IED: Improvised Explosive Device), responsáveis pela metade das perdas da coalizão a partir de 2006.
As ações de combate não visam destruir fisicamente as forças inimigas, mas colocá-las na defensiva a fim de reduzir suas possibilidades de controle sobre a população, o que é o objetivo primeiro.
virada de 2006
Em 2006, a extensão do mandato da FIAS no sul e no leste tem a função de revelar as fraquezas e as
ilusões da coalizão. Antes de engajar suas forças na província de Helmand, o ministro da Defesa britânico, John Reid, declara que espera que nenhuma bala seja disparada. Na realidade, os primeiros soldados engajados descobriram que a zona considerada calma era ocupada por múltiplos senhores da guerra, traficantes de droga e grupos rebeldes que tiveram tempo de prosperar nesse vazio securitário e governamental. A surpresa também foi total para países como o Canadá ou a Holanda, adeptos das operações de manutenção da paz e cuja opinião pública foi muito abalada pela violência dos combates. A FIAS se acha, de repente, fragmentada entre os países da Aliança que se engajam em operações de
combate – a contragosto como o Reino Unido, o Canadá e a Holanda, ou voluntariamente como a França a partir de 2008 – e aqueles que persistem em não querer fazê-lo, como a Alemanha, a Itália e a Espanha.
Todos os membros da Otan, em particular na cúpula de Bucareste no verão de 2008, entram em acordo sobre uma estratégia global combinando ações militares e econômicas com a implementação de uma boa governança afegã e de negociações com os Estados vizinhos. A ideia inspira-se nos princípios dos conflitos de contrainsurreição do século precedente, na Malásia ou na Argélia em particular, tentando aplicá-los num Estado estrangeiro soberano. Mas o que potências como o Reino Unido ou a França podiam empreender, pelo fato de terem um projeto político e uma unidade de direção, a Otan é incapaz de fazer com suas diferentes vias de comando, suas centenas de regras particulares de engajamento, seus múltiplos parceiros civis, organizações não governamentais ou sociedades militares privadas. Enfim, ela sofre por sua associação a um Estado afegão frágil e corrompido.
Apesar dos reforços sucessivos dos meios militares e civis, o fracasso é patente, acompanhado de uma contestação crescente da opinião pública ocidental. Em agosto de 2009, a FIAS conta com 64.500
homens, um soldado da coalizão para 465 afegãos, onde seriam necessários dez vezes mais. As ajudas internacionais e também as despesas diretas do Departamento Americano da Defesa acabam por criar entradas financeiras superiores ao produto interno bruto. Uma parte importante dessas somas favorece a corrupção e, através de estelionatos e desvios diversos, também os talibãs.
Para a maior parte dos observadores, a situação piora a cada instante, e as condições para uma vitória parecem afastar-se cada vez mais. Os rebeldes mantêm o controle das zonas rurais e ainda progridem no
centro do Afeganistão atacando com frequência em Cabul, através da rede Haqqani, e também nas zonas calmas até então, como as províncias de Herat, a oeste, ou de Kunduz, ao norte.
O sobressalto falho
A segunda consequência da extensão da FIAS ao conjunto do território é a superposição geográfica de
suas ações com a Enduring Freedom. Para ter mais coerência, as duas operações são colocadas, em 2008, sob um mesmo comando – que só podia ser americano. De fato, após uma fase de desinteresse, da invasão do Iraque em 2003 ao restabelecimento relativo da segurança nesse país cinco anos depois, a condução do conflito afegão se “reamericaniza” com a administração Obama. Os efetivos militares americanos são duplicados em um ano para atingir 65 mil homens em setembro de 2009, e, enquanto isso, é iniciada uma reflexão estratégica em profundidade.
No fundo, essa reflexão puramente americana se resume a um debate entre os partidários da luta antiterrorista e aqueles da contrainsurreição. Os primeiros dissociam a luta contra a al-Qaeda daquela contra as organizações afegãs, considerando que somente a primeira precisa realmente ser vencida e que a segunda ultrapassa os meios dos Estados Unidos. Os segundos estimam, ao contrário, que os dois conflitos, se têm uma forma diferente, continuam indissociáveis e que uma vitória dos talibãs significaria também um retorno da al-Qaeda ao Afeganistão, e sua recuperação seria mais rápida se o campo islâmico radical aparecesse como vencedor.
No comando da FIAS e das tropas americanas desde junho de 2009, o general McChrystal pertence
restabelecimento da situação no Iraque em 2007-2008. McChrystal propõe de início causar surpresa graças a um reforço maciço e se concentrar na proteção das populações, em particular nas províncias difíceis. Ele espera, assim, demonstrar a determinação americana e obter o apoio de uma certa quantidade de chefes rebeldes. O exército e a polícia afegãos, cuja potência deve ser reforçada de imediato, assumirão depois progressivamente a responsabilidade das zonas que já estiverem em segurança. Em dezembro de 2009, o presidente Obama apoia essa concepção, fazendo duas importantes reduções: um engajamento de 30 mil homens, em vez dos 60 mil solicitados, e a promessa de retirada das tropas americanas a partir de meados de 2011. As forças americanas chegam a quase 100 mil homens para 40 mil soldados (dos quais 4 mil são franceses) das outras nações. A aplicação da primeira parte do plano é claramente uma derrota. As primeiras operações destinadas a reimplantar a administração afegã no Helmand se revelam mais uma vez infrutíferas, pois os talibãs retornam sistematicamente assim que as tropas da FIAS se ausentam. Num segundo momento, quando o general
Petraeus5 assume o comando, as operações tomam uma feição muito mais coercitiva, principalmente
com uma multiplicação dos ataques das forças especiais. Se, por um lado, os talibãs parecem estar controlados, as operações de coerção ou de sedução da coalizão, por outro, parecem não ser suficientes para remediar uma desesperadora falta de eficácia e de legitimidade do governo afegão. Chega-se, assim, aos limites de uma doutrina de contrainsurreição que só é eficaz quando acompanhada de um projeto político coerente.
Caos suspenso
Na falta de uma vitória militar, duas evoluções permitem entrever a possibilidade de uma retirada honrosa da coalizão. A primeira é a eliminação de Osama bin Laden em 2 maio de 2011 por um ataque-relâmpago no Paquistão, confirmando o enfraquecimento geral da al-Qaeda e sua desaparição do território afegão. A segunda é ter conseguido com sucesso a formação acelerada das forças de segurança afegãs. O Exército Nacional Afegão contava com 200 mil homens em 2012 contra 27 mil seis anos antes. A substituição das forças da Otan pelas forças de segurança locais pôde então efetuar-se progressivamente até o mês de junho de 2013. A partir dessa data, as forças da coalizão têm apenas uma missão de auxílio, de formação e de apoio logístico, a ser reduzido na proporção de um processo de desengajamento.
Para um custo humano de cerca de 3.400 soldados mortos (dos quais 2.300 eram americanos e 89 franceses) e o triplo de feridos gravemente, um custo financeiro de 83 bilhões de ajuda econômica e cerca de doze vezes mais de despesas militares, o balanço da intervenção internacional é considerado no mínimo medíocre. Os Estados Unidos e seus aliados deixam para trás um país mais dividido do que nunca e devastado em muitos lugares, mesmo que algumas regiões estejam relativamente prósperas. Os talibãs e seus aliados estão solidamente implantados no sul e no leste do país e têm uma grande liberdade de ação na maior parte das outras províncias. Eles estão contidos pelas forças de segurança afegãs, mas estas têm cada vez mais dificuldade à medida que o apoio da coalizão se reduz. Principalmente, essas forças não podem funcionar sem um financiamento exterior de pelo menos 4 bilhões de dólares por ano. Enquanto durar esse financiamento e permanecer no local uma força americana cujos contornos
ainda estão por ser definidos, a situação de bloqueio pode permanecer a mesma ainda durante muitos anos. A situação política pode, por outro lado, mudar rapidamente em função da legitimidade dos novos homens no poder a partir das eleições presidenciais de 2014 e parlamentares de 2015, com um acordo possível com os talibãs ou ainda com o cansaço do Congresso dos Estados Unidos.
Notas
1 A etnia dos pachtos, presente principalmente no sul e no leste do país, representa 40% da população. Os tajiques representam 32% da
população, os azaras (xiitas) 9% e os uzbeques 8%.
2 Organismo de comando dos talibãs.
3 Político e chefe militar, membro da tribo pachto dos Zadran, permanece autônomo em relação aos talibãs, dos quais é um aliado.
4 De início, ele combateu os soviéticos durante a Guerra do Afeganistão (1979-1989), no âmbito da Operação Ciclone da CIA e com o
apoio do Inter-Services Intelligence paquistanês (ISI). No final de 2004, Hekmatyar convoca a guerra santa contra os Estados Unidos. 5 O general David Petraeus comandou as forças da coalizão no Iraque em 2007 e apareceu como o artesão da estabilização da situação
nesse país. Em 2008, ele assumiu o comando do Central Command, responsável pela ação das forças americanas no grande Oriente Médio. Ele assume o comando das forças da coalizão no Afeganistão em junho de 2010, substituindo o general McChrystal, afastado de suas funções.
Bibliografia selecionada
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