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Identificação do risco

3.2.1 Identificação da população em risco T

Uma vez definido o perigo, é necessário identificar a população suscetível, bem como a cadeia de eventos que determinariam a manifestação dos danos. Por exemplo, no caso de Escherichia coli O157: H7 (perigo) em carne importada (bens ou produtos) a população suscetível ao risco será a população humana que venha a consumir o produto.

Outro exemplo pode ser a introdução do vírus da Febre Aftosa (perigo) através da importação de carne com osso (produto), onde a população em risco serão os ruminantes e suínos do país de destino.

Também nesta fase devem ser descritas as circunstâncias necessárias para o agente poder produzir um efeito negativo sobre a população suscetível (cadeia de acontecimentos).

3.2.2 Elaboração das árvores de cenários

Nesta fase, as diferentes vias pelas quais o perigo identificado pode entrar, disseminar- se e estabelecer contato com a população suscetível são determinadas e apresentadas em forma de árvores de cenários ou fluxogramas; Ligação 22

Para poder construir esses cenários é necessário conhecer os mecanismos biológicos e epidemiológicos associados ao perigo, bem como `a cadeia produtiva e de comercialização do produto analisado.

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Ligação 22

Análise do risco O vírus da síndroma respiratória e reprodutiva suína (PRRS) em carne de porco. Possível via para a entrada do perigo identificado numa população

http://www.maf.govt.nz

Evento:

Porcos são enviados para o frigorífico

Estão infetados com o vírus de PRRS?

Evento não provável. Porco não infetado

Evento provável. Porco infectado

Depois do abate. O virus sobrevive ao frio e

congelamento da carne? Evento não provável.

Carne não infetada

Evento provável. Carne infectada

O vírus sobrevive o armazenamento e transporte?

Evento não provável. Carne não infetada

Evento provável. Carne infectada

Alimentação de suíno com carne crua de porco

Evento não provável.

Evento provável. Entrada do agente no rebanho

Evento provável

Probabilidade de entrada baixa ou nula

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A elaboração de árvores de cenários é uma componente imprescindível na análise quantitativa; e embora não seja estritamente necessário para a análise qualitativa, é muito útil para ordenar a sequência de eventos e comunicar os resultados de forma mais eficiente. A elaboração de árvore de cenários é uma ferramenta que permite:

1. Compreender e delimitar o problema e detetar possíveis lacunas de informação. 2. Identificar as diferentes vias de transmissão ou exposição ao perigo.

3. Visualizar a série de eventos no tempo e no espaço que levam à exposição da população suscetível.

4. Identificar as medidas sanitárias ou de controlo atualmente existentes nos sistemas de produção, comercialização e consumo do produto analisado.

5. Determinar a probabilidade de ocorrência do risco e as suas consequências.

6. Comunicar os pormenores do processo e fornecer o quadro lógico para a tomada de decisões. 3.2.3 Determinação da probabilidade de entrada

Nesta etapa realiza-se uma estimativa da probabilidade do produto ou bem se constituir um perigo. Alguns dos fatores a serem considerados são biológicos (suscetibilidade, formas de transmissão, virulência, sobrevivência, etc.), relacionados com o lugar de origem (prevalência de perigo no local, os sistemas produtivos utilizados, sistemas de vigilância, etc.) ou com o bem ou produto (facilidade de contaminação, processamento, embalagem e armazenamento, transporte, etc.). Ligação 23.

70 Ligação 23

Análise do Risco: O vírus da síndroma respiratória e reprodutiva suína (PRRS) em carne de porco.

Avaliação da incidência e disseminação

Esta etapa considera a possibilidade do vírus PRRS estar presente no produto no momento da sua importação. Para que a carne de porco importada seja portadora do vírus, a carne teria que ser proveniente de um animal pertencente a um efetivo infetado e o vírus teria de estar presente no momento do abate, e ser capaz de sobreviver ao subsequente armazenamento e transporte. Em seguida, é necessário conhecer a prevalência da infeção nas explorações de origem, duração da viremia e a idade provável dos suínos no momento de abate.

Sabe-se que em regiões endémicas, aproximadamente 50-60% das explorações podem estar infetadas com PRRS, a soro prevalência em efetivos infetados pode atingir os 85-95%, e a soro prevalência entre os suínos terminados pode chegar a 75%.

Portanto, considera-se que existe uma moderada a elevada probabilidade dos porcos estarem infetados antes do abate.

A probabilidade da carne suína ser portadora do vírus no momento do abate pode ser determinada através da realização de amostragens aleatórias dos porcos em matadouros e a análise das amostras para detetar a presença do vírus de PRRS.

Resumidamente, os dados a serem considerados são os seguintes: - a probabilidade do porco estar infetado antes do abate;

- a probabilidade do vírus de PRRS estar presente no momento do abate;

- a probabilidade do vírus PRRS estar presente na carne (músculo, osso, gânglios linfáticos regionais) no momento do abate;

- a persistência nos tecidos após o abate. http://www.maf.govt.nz

71 3.2.4 Determinação da probabilidade de exposição T3

A exposição é definida como a oportunidade que permite ao perigo entrar em contacto com a população suscetível. Na AR, a probabilidade de exposição será determinada em função dos diferentes passos e características descritas na árvore de cenários criada anteriormente. Se o perigo é um agente patogénico infecioso, ao determinar-se a exposição, deve estabelecer-se a possibilidade real de se produzir a infeção, tendo em conta a dose e a virulência do agente, bem como a suscetibilidade do hospedeiro.

Para além dos fatores biológicos e características do agente patogénico, devem-se considerar os fatores relacionados com a origem ou proveniência dos bens (prevalência do agente patogénico, a presença de vetores, características demográficas, fatores ecológicas, etc.), bem como fatores relacionados diretamente com o bem ou produto (quantidade de produto, a sua utilização, a persistência do perigo nos seus resíduos e a eliminação dos mesmos). Ligação 24

Ligação 24

Análise do risco: O vírus da síndroma respiratória e reprodutiva suína (PRRS) em carne de porco.

Avaliação da exposição ao vírus PRRS

Neste passo, foi tido em consideração que:

1. O vírus do PRRS é inativado pela cozedura normal, pelo que a única forma relevante de exposição é a ingestão de carne crua de porco.

2. Embora os estudos tenham determinado a dose infeciosa oral para os suínos, desconhece-se a quantidade do agente infecioso presente na carne de porco após o abate;

3. Desconhece-se a probabilidade da carne crua de porco, estar presente em resíduos de cozinha doméstica ou contida em resíduos de restaurantes, talhos, indústrias de processamento e fábricas;

4. Desconhece-se se outras formas de processar a carne de porco permitem a sobrevivência e persistência do agente patogénico, antes da sua venda para o consumo humano;

5. A alimentação de suínos com carne crua é proibida em Nova Zelândia. http://www.maf.govt.nz

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3.2.5 Determinação do impacto ou as consequências da entrada T3

Neste passo, devem-se estabelecer as consequências da entrada, disseminação ou estabelecimento do perigo na população suscetível. Apenas devem-se estimar as

consequências diretas e indiretas que afetam a saúde pública (morbilidade, mortalidade), animal (perdas de produtividade, compensações) e ambientais (redução da biodiversidade, introdução de espécies exóticas) bem como o impacto político e económico (perdas de mercado, alterações de hábitos de consumo). No caso particular do perigo ser uma doença infeciosa exótica, é necessário incluir na avaliação a possibilidade da persistência ou estabelecimento do agente patogénico, numa região previamente livre. Ligação 25

Ligação 25

Análise do Risco: O vírus da síndroma respiratória e reprodutiva suína (PRRS) em carne de porco.

Avaliação das consequências

A avaliação das consequências visa examinar o impacto da entrada, permanência ou propagação do agente, caso o produto seja importado e haja exposição de animais sensíveis. Uma vez que o vírus PRRS afeta apenas os porcos, a sua introdução não teria efeitos sobre a saúde humana, e o único efeito sobre o meio ambiente seria através dos javalis.

Por outro lado, as consequências económicas da introdução do vírus da PRRS estariam limitadas aos efeitos microeconómicos decorrentes dos prejuízos diretos sofridos pelas explorações suinícolas.

O objetivo desta avaliação de consequências é verificar o que pode ser razoavelmente esperado se um animal ou grupo de animais forem infetados, em consequência da exposição ao vírus a partir do consumo de pedaços de carne crua de porco. Tendo em conta que existe ainda a probabilidade de exposição de porcos selvagens, porcos criados domesticamente e em explorações comerciais que não cumprem com as normas alimentares, as consequências da infeção dependem do estripe do vírus introduzido e a natureza da vara.

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O modo predominante de transmissão é o contacto entre suínos infetados, mas também é conhecida a transmissão por sémen.

Considera-se que para a propagação da doença deverá existir a circulação dos animais vivos infetados, de sémen de machos infetados ou possivelmente de fômites contaminados. Isso provavelmente pode acontecer com relativa facilidade no setor de pequenos produtores. No entanto, deve-se considerar a hipótese de infeção com o vírus PRRS em qualquer exploração suína que não tenha aderido aos padrões de biossegurança (especialmente no caso do fornecimento de material genético, substituição de animais vivos e controlo de visitantes e fômites à exploração).

Se o agente é introduzido em consequência de alimentação ilegal com carne de porco importada, a maioria dos efeitos diretos do vírus de PRRS incidirão sobre os animais reproduzidos na exploração. Caso se verifiquem falhas na biossegurança, é provável que a doença se propague nestes efetivos e nos efetivos comerciais.

Para além dos prejuízos diretos causados nas explorações afetadas, as consequências da introdução de PRRS na economia, população e o meio ambiente da Nova Zelândia são consideradas insignificantes

http://www.maf.govt.nz 3.2.6 Estimativa final do risco

Para a estimativa final do risco é necessário integrar os resultados obtidos nas etapas anteriores (entrada, exposição e consequências), combinando cada uma das estimativas da probabilidade de ocorrência dos distintos cenários previamente estabelecidos num quadro, aplicando a estas as categorias da escala ordinal do risco. Por exemplo: alto, médio, baixo e insignificante. Esta tabela resume o risco associado ao bem ou produto submetido a avaliação e é uma ferramenta para estabelecer as medidas de prevenção e controlo que devem ser aplicadas para mitigar o risco.

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A probabilidade de ocorrência (avaliação da difusão e da exposição) e as possíveis consequências (obtidas qualitativamente) podem ser categorizadas, por exemplo segundo as definições de OIRSA-EIB, nas seguintes classes:

- Insignificante. O evento praticamente não irá ocorrer;

- Extremamente baixa. Extremamente improvável que ocorra o evento; - Muito baixa. Muito improvável que ocorra o evento;

- Baixa. Improvável que ocorra o evento;

- Ligeira. Baixa probabilidade de ocorrer o evento; - Moderada. Alta probabilidade de ocorrer o evento; - Alta. Altamente provável que ocorra o evento;

Em seguida, a estimativa do risco deve ser realizada com base na integração da avaliação da probabilidade de entrada e de exposição, bem como da avaliação das consequências da doença. No quadro seguinte Ligação 26, pode-se observar como se relacionam as classificações da probabilidade de difusão e exposição (PDE), com as consequências, de acordo com os especialistas que elaboraram o mesmo para OIRSA-OIE.