CAPÍTULO VI: APRESENTAÇÃO, ANÁLISE E DISCUSSÃO DE DADOS 63
1.1. Identificação pessoal e profissional das tradutoras e intérpretes de LIBRAS 65
A partir da entrevista realizada com as 8 (oito) tradutoras e intérpretes de LIBRAS do Ensino Fundamental, que participaram desta investigação, foi possível delinear um perfil conciso, reunindo questões sobre idade, gênero, tempo de formação, tempo de atuação, curso de graduação, série que atua, colaborando para análise de quem são os sujeitos da presente pesquisa, conforme o quadro 2.
QUADRO 2:IDENTIFICAÇÃO PESSOAL E PROFISSIONAL DAS TRADUTORAS E INTÉRPRETES DE
LIBRAS SUJEITOS
DA PESQUISA
IDADE GÊNERO TEMPO DE FORMAÇÃO TEMPO DE ATUAÇÃO CURSO DE GRADUAÇÃO SÉRIE/ANO QUE ATUA
TIL Ia 26 anos F 4 anos 3 anos Pedagogia 3º ano
TIL Ib 25 anos F 4 anos 2 anos Pedagogia 2ª fase da
EJA
TIL II 20 anos F 1º semestre 2 anos Pedagogia 5º ano
TIL III 25 anos F 4 anos 2 anos Pedagogia 2º ano
TIL IV 41 anos F 7 anos 2 anos Pedagogia 2º ano
TIL V 28 anos F 1º semestre 3 anos Pedagogia 3º ano
TIL VI 21 anos F Concluiu o
ensino médio
1 ano --- 2º ano
TIL VII 22anos F 2 anos
cursados
4 anos Licenciatura em
História
9º ano
Ao observar o quadro 2, dentre as questões representadas, discute-se inicialmente o tempo de atuação. Percebe-se que a maioria dos sujeitos, seis dos oito, está literalmente na fase “A entrada na carreira” que de acordo com Huberman (1992) esta etapa profissional fica entre os 2-3 primeiros anos. Todavia os TILs VI e VII estão com um ano de diferença do intervalo de tempo apresentado, sendo com 1 (um) e 4 (quatro) anos de atuação respectivamente. Dessa forma, pode-se considerar baseado no mesmo autor, que todos são “principiantes” na profissão. Huberman (1992) descreve que nesta fase inicial percebem-se dois aspectos: o da sobrevivência e o da descoberta. O primeiro trata sobre o choque do real, refletindo as dificuldades apresentadas no exercício da função, o confronto com a nova situação de trabalho, seus afazeres, de maneira geral os entraves nas relações humanas, falta de recursos, entre outros. No segundo aspecto, o entusiasmo inicial, a satisfação de fazer parte de um grupo, da esperança, do novo, a realização de ter um ambiente onde se pode elaborar um planejamento, direcionar outros para o conhecimento, poder fazer a mediação dos conteúdos, ou seja, colocar em prática a sua formação. Parece contraditório, mas os dois
aspectos podem decorrer de forma simultânea, e/ou uma delas em particular, podendo gerar questionamentos. Huberman (1992, p. 39) discute:
Com muita frequência, a literatura empírica indica que os dois aspectos, o da sobrevivência e o da descoberta, são vividos em paralelo e é o segundo aspecto que permite aguentar o primeiro. Mas verifica-se, igualmente, a existência de perfis com uma só destas componentes (...).
À discussão sobre as questões de um profissional no início da carreira, pode ser analisado por outros fatores que influenciam a construção de um perfil mais afunilado dos sujeitos, para tanto se levanta nesta ocasião a questão do gênero.
No nosso caso específico todos os sujeitos são mulheres, fato observado na educação básica também, que é a presença majoritária de mulheres, principalmente a partir das duas últimas décadas do século XX. Este fato provoca o surgimento da temática de gênero, bem como este processo de feminilização do magistério e as transformações pelas quais passou a profissão docente, como objeto de pesquisa (ALMEIDA, 1998). Diante do exposto tem-se:
O discurso educacional brasileiro foi unânime em afirmar a melhor disposição das mulheres para exercer o magistério e isso foi bastante veiculado pela ideologia no período e através da imprensa periódica educacional e feminina. (...) é certo que a ocupação do magistério pelo sexo feminino deveu-se também às lutas que as mulheres tiveram de enfrentar para conseguir introduzir-se no campo do trabalho remunerado e, em outras palavras, alcançar a liberdade, a autonomia e uma certa independência financeira (ALMEIDA, 1998, p. 69-70).
Este trabalho não se focaliza nos elementos que influenciaram o fato destacado, contudo informa-se a repetição desta especificidade entre os sujeitos da pesquisa, que tem sua função intrinsecamente relacionada com a docência.
No item formação acadêmica dos sujeitos, 4 (quatro) entrevistadas concluíram o curso de pedagogia e 2 (duas) estavam cursando o primeiro período deste mesmo curso no momento da coleta de dados. Exclusivamente a TIL VI tem apenas o ensino médio e a TIL VII está cursando licenciatura em história.
A preferência dos sujeitos desta pesquisa pela Licenciatura de pedagogia pressupõe- se ser pelo fato da cidade de Garanhuns não oferecer uma licenciatura específica para formação de tradutor e intérprete de LIBRAS, nem uma formação em nível técnico. A partir do Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005, em seu artigo terceiro, parágrafo primeiro indica a necessidade de adicionar a disciplina de LIBRAS em todas as licenciaturas. Todavia, em relação à licenciatura em pedagogia, enfatiza sua importância ao nominá-lo como curso de formação de professores. O discurso do decreto é bem claro:
§ 1o Todos os cursos de licenciatura, nas diferentes áreas do conhecimento, o curso normal de nível médio, o curso normal superior, o curso de Pedagogia e o curso de Educação Especial são considerados cursos de formação de professores e profissionais da educação para o exercício do magistério.
Os sujeitos da pesquisa e/ou o contratante parece valorizar a formação em uma licenciatura, contudo destaca-se que tão somente a metade deles concluiu o curso superior (TIL Ia, Ib, III e IV), perfazendo uma formação básica de 4 (quatro) anos, sendo que, dos quatro a TIL IV tem 7 (sete) anos de formação. Além da graduação possui curso de especialização e está com uma faixa etária diferenciada das demais, entrando na quarta década de vida, e os demais variando a idade de 20-28 anos. Já os outros quatro sujeitos, dois estavam no primeiro período (TIL II e V) e a TIL VII em meados do curso (Licenciatura em História), com dois anos cursados, e apenas a TIL VI concluiu somente o ensino médio.
Em relação à turma em que os sujeitos da pesquisa atuam, varia do 2º (segundo) ao 9º (nono) ano Ensino Fundamental. Sendo que a maioria exerce suas atribuições na primeira parte do Ensino Fundamental, isto é, Fundamental I, que corresponde aos cinco primeiros anos, com exceção da TIL VII que atua no 9º ano, último ano do Ensino Fundamental. Outra ressalva que cabe salientar é que a TIL Ib atua na 2ª fase da EJA – Educação de Jovens e Adultos, previsto na LDB, na “Seção V Da Educação de Jovens e Adultos”, que possui os artigos 37 e 38, que justifica o programa por ter a finalidade de contemplar aqueles que não tiveram acesso à educação básica na idade própria, entretanto apesar de ser um programa específico para corrigir o desnível idade/série, a sala citada corresponde aos três primeiros anos do Ensino Fundamental.