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BACTÉRIAS PROBIÓTICAS

3 IF Sudeste MG: campi, cursos e políticas voltadas às PcD

Nos últimos doze anos, a Rede Federal de EPCT se expandiu por todo país, a partir da promulgação da Lei nº 11.892/08 (BRASIL, 2008). Assim, no ano de 2008, é criado o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sudeste de Minas Gerais, a partir da integração da Escola Agrotécnica Federal de Barbacena, do Centro Federal de Educação Tecnológica de Rio Pomba e do Colégio Técnico Universitário, esse último, então vinculado à Universidade Federal de Juiz de Fora. O IF Sudeste MG passou a ser composto pelos três campi e pela reitoria, sediada em Juiz de Fora, em Minas Gerais (BRASIL, 2008).

Ao longo dos doze anos, a Instituição expandiu-se e, atualmente, o IF Sudeste MG conta com dez unidades, divididas em sete campi, a saber: Barbacena, Juiz de Fora, Manhuaçu, Muriaé, Rio Pomba, Santos Dumont e São João del-Rei, e três campi avançados: Bom Sucesso, Cataguases e Ubá. A abrangência geográfica da Instituição demonstra o compromisso com a oferta de educação profissional e tecnológica para as mais diversas comunidades e, consequentemente, amplia-se o acesso e difusão do conhecimento produzido.

Seguindo a verticalização do ensino, preconizada na Lei de criação dos Institutos, o IF Sudeste MG oferta cursos em distintos níveis e modalidades de ensino, a saber: técnico (integrado, concomitante, subsequente e o Proeja3); graduação (bacharelado, licenciatura e tecnólogo) e pós-graduação (lato sensu, MBA4 e stricto sensu), nas categorias de ensino presencial, semipresencial e a distância, além de cursos e programas de formação inicial e continuada (FIC), totalizando 139 cursos em 2019.

Em relação às políticas institucionais inclusivas, destaca-se o “Guia orientador:

ações inclusivas para atendimento ao público-alvo da educação especial no IF

3Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos.

4Master in Business Administration

57 Sudeste MG”, documento desenvolvido durante a pesquisa de mestrado de uma servidora da Instituição com a finalidade de “possibilitar uma mudança na realidade institucional, oferecendo subsídios para a institucionalização de uma política educacional inclusiva” (OLIVEIRA, 2017, p. 131).

O referido Guia tornou-se, em 2017, uma referência às políticas públicas inclusivas do IF Sudeste MG, sendo divulgado e implementado progressivamente em todos os campi. Como a presente pesquisa trata de promover um mapeamento das publicações que envolvem o desenvolvimento de inovações e de tecnologias assistivas em prol da acessibilidade e igualdade de direitos por pessoas com deficiência, elencou-se as ações contidas no Guia que versam sobre o tema proposto.

Seguem algumas ações estabelecidas no Guia para incentivar o desenvolvimento de projetos e ações nos eixos de pesquisa, ensino e extensão.

Fomentar ações e projetos de cunho inclusivo em toda a instituição;

Assessorar a elaboração de projetos na área da educação inclusiva;

[...] Apoiar e incentivar os trabalhos sobre temas inclusivos realizados no campus, sob qualquer estratégia, seja através de projetos de pesquisa, de ensino ou de extensão;

[...] Também, deve incentivar, por meio dos setores de pesquisa e extensão da instituição, o desenvolvimento de projetos que visem o desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias de apoio para as pessoas com deficiências ou outros transtornos, e o compartilhamento dos trabalhos desenvolvidos na área da educação especial e inclusiva com a comunidade externa (OLIVEIRA, 2017, p. 46).

A partir do Guia, percebe-se que há uma evidente preocupação no desenvolvimento de ciência, inovação e tecnologia que possibilitem a melhoria contínua da qualidade de vida das pessoas com deficiência e o incentivo à divulgação de tais trabalhos à comunidade externa.

Na próxima seção, apresenta-se a metodologia que buscou delinear e caracterizar essa investigação.

4 Metodologia

A presente pesquisa, de cunho bibliográfico, tem por finalidade mapear a produção científica, técnica e tecnológica no âmbito do IF Sudeste MG sobre as contribuições inovadoras, nos eixos de ensino, pesquisa e extensão, às pessoas com deficiência.

A investigação pauta-se na metodologia de pesquisa denominada “estado da arte” ou “estado do conhecimento”, cujo caráter bibliográfico tem por premissa mapear

58 e discutir sobre produções científicas em distintas áreas do conhecimento (FERREIRA, 2002). Segundo Ferreira (2002, p. 258), a metodologia do “estado da arte” apresenta “caráter inventariante e descritivo da produção acadêmica e científica sobre o tema que busca investigar, à luz de categorias e facetas que se caracterizam enquanto tais em cada trabalho e no conjunto deles”.

Dessa forma, busca-se responder as seguintes questões: “Há produção científica e tecnológica com enfoque na melhoria da qualidade de vida da PcD? Em caso afirmativo, qual é o quantitativo dessa produção, quais são esses trabalhos, no contexto da Rede Federal para a melhoria contínua das condições de vida e garantia dos direitos da PcD?”.

Para tanto, a coleta de dados foi realizada nos anais do Simpósio de Ensino, Pesquisa e Extensão (Simepe) do IF Sudeste MG. A escolha dos anais, do referido Simpósio como fonte de investigação, deve-se ao fato deste ser o maior evento da Instituição que propõe, dentre suas finalidades, divulgar trabalhos acadêmicos de todos os níveis de ensino e das diversas áreas do conhecimento, realizados no âmbito do ensino, da pesquisa e da extensão.

O Simepe é o maior evento institucional para o qual todos os campi do IF Sudeste MG são convidados a submeterem trabalhos dentro dos eixos ensino, pesquisa e extensão. Trata-se de um Congresso que teve início do ano de 2014 e a cada ano um dos campi sedia o evento. A pesquisa, ação ou projeto desenvolvido pode tratar sobre qualquer área do conhecimento. Os trabalhos são submetidos em formato de resumo simples, que deve conter entre 250 a 500 palavras.

O Simepe ainda não está aberto à participação da comunidade externa. Além da submissão e apresentação de trabalhos de forma oral ou em pôster, o evento conta com palestras, apresentações culturais e minicursos realizados por docentes, técnicos administrativos em educação e discentes da Instituição. A fim de enriquecer o evento, geralmente são convidados especialistas externos para ministrarem as palestras temáticas. Este Simpósio ocorre anualmente, sendo sediado, a cada ano, por um campus diferente.

Até a presente data, há quatro anais publicados, totalizando mais de 1.300 resumos. Ressalta-se que em 2018, o evento não foi realizado por questões de contingenciamento orçamentário, resultante de corte de recursos do Governo Federal.

59 Em 2020, em função da pandemia causada pelo vírus SarS-Cov-19, o evento também não pôde ser realizado.

Assim, a busca foi realizada a partir dos anais dos anos de 2015 (II Simepe), 2016 (III Simepe), 2017 (IV Simepe) e 2019 (V Simepe). De posse dos anais disponibilizados em páginas de Internet5, realizou-se a leitura de cada resumo, excluindo aqueles que não evidenciavam o tema da pesquisa que envolve pessoas com deficiência, acessibilidade e tecnologia assistiva.

Após a primeira leitura e seleção do material, realizou-se uma nova análise com o objetivo de extrair informações e agrupá-las nos eixos de ensino pesquisa e extensão por ano de publicação.

Na próxima seção, são apresentadas informações a respeito do quantitativo de trabalhos publicados, um quadro com os trabalhos publicados e alguns resultados de sua análise.