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Uma Igreja Plantada em Filipos

Outono de 50 d.C.

De Trôade, eles navegam pelo mar Egeu e passam por uma ilha monta­ nhosa chamada Samotrácia, que se ergue a 1.500 metros. No dia seguinte pa­ ram em Neápolis, a cidade portuária de Filipos. Gastam apenas dois dias para navegar de Trôade a Neápolis, pois o tempo está favorável. (Paulo levará cinco dias para navegar na direção oposta, de Neápolis a Trôade (At 20:6).)

Os homens tomam a grande estrada romana chamada de Via Egnatia. Essa é uma estrada militar larga, coberta de mármore, que cruza a Penínsu­ la Balcânica, do mar Egeu ao Adriático. E a rota mais direta entre Roma e o leste.7 Vão à colônia romana de Filipos, que está cerca de 20 quilômetros no interior a partir de Neápolis.

5. V. 3 no texto ocidental, o qual representa uma fam ília de m anuscritos recentes do Novo Testamento caracterizados por leituras mais longas do que as encontradas em outras famílias.

(>. É muito provável que o homem que Paulo viu no sonho fosse Lucas, mas este preferiu não identificá-lo, pois, como faz em todo livro de Atos, não chama a atenção para si mesmo. 7. Filipos, Anfípolis, Apolônia c Tessalônica estão na Via Egnatia.

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Para Aguçar o Foco

Filipos é uma cidade romana de guarnição, a principal da pro­ víncia da Macedônia. Diferente de algumas outras colônias ro­ manas que Paulo visitou, Filipos é completamente romanizada. A língua principal é o latim, embora muitos falem o grego. (Oito por cento das inscrições em Filipos estão em latim, comparados com os 40% encontradas em Antioquia da Pisídia.) A cidade c governada por um procônsul (governador) cujo quartel-general está em Tessalônica. Portanto, a autoridade suprema à qual os filipenses podem apelar está em outra cidade.

Filipos é o famoso local da batalha em que Marco Antônio der­ rotou Otaviano em 3 1 a.C. Otaviano fez da cidade uma colônia romana, colocou alguns soldados ali e deu à cidade a mais alta honra, a ius italicum, a qual a tornou uma cidade italiana em todos os aspectos legais. Em resumo, Filipos é um microcosmo de Roma. Não há sinagoga na cidade, pois a população judia é muito esparsa. (Dez homens judeus, chamados de um minyon, são necessários para estabelecer uma sinagoga.) Em lugar dis­ so, os judeus da cidade mantêm um proseuche, que c um lugar temporário de oração.

Em Filipos, Paulo, Silas e Timóteo encontram um grupo de mulheres tementes a Deus que se reúnem em um proseuche às margens do rio Gan­ gas. Lídia, uma rica comerciante de púrpura de Tialira, é uma delas.8 Paulo prega Cristo às mulheres, e Deus abre o coração dc Lídia, a qual se torna a primeira convertida na Europa. Ela e sua família são imediatamente batiza­ das. Depois, abre a casa e insiste que os obreiros fiquem ali.

Dia após dia, quando os homens caminham para se reunir com as mu­ lheres à beira do rio, uma jovem escrava possuída por um espírito pitônicov segue-os e escarnece deles em voz alta. Após se passarem muitos dias, a

8. Lídia tinha uma casa e servos, o que faz dela uma m ulher de alguns bens e de alguma importância social. Seu negócio com púrpura real (a cor das m ortalhas) confirma isso tam bém, uma vez que é um m onopólio imperial. Quem a com ercializava era, norm al­ m ente, membro da casa de César.

9. Um demônio inspirado por Apoio, a deidade pitônica frequentem ente consultada pelo oráculo de Delfos.

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tolerância de Paulo se vai e, no nome dc Jesus Cristo, expulsa o espírito que a possuía. Agora liberta, a jovem perde seus poderes de clarividência. Isso enfurece seus proprietários, pois haviam feito dos poderes dela uma fonte de lucro financeiro. Eles arrastam Paulo e Silas pelo mercado (chamado de ágora em grego e dt forum em latim) e os trazem diante dos magistra­ dos da cidade (os pretores) e os acusam de perturbar a cidade e introduzir costumes ilegais, ressaltando que os dois homens são jud eus.10 Depois de ouvir as acusações, as multidões estão incitadas contra Paulo e Silas e se juntam ao ataque contra eles.

Em um louco frenesi, os magistrados rasgam as roupas dos acusados e os entregam aos lictores11 (guardas que acompanhavam os magistrados romanos, palavra aqui traduzida para “quadrilheiros”). Os dois obreiros são açoitados com varas de videira sem julgam ento12 e dc modo severo. Envergonhados e humilhados por terem sido açoitados nus publicamente, Paulo e Silas são lançados na prisão, com ferimentos abertos que necessi­ tam dc limpeza, e um carcereiro é designado para guardá-los com seguran­ ça. Os dois homens são colocados na cela mais segura da prisão, com os pés no tronco, causando extremo desconforto.13

(O castigo é ilegal porque Paulo c Silas são cidadãos romanos. Estes são isentos de açoitamento, de detenção, exceto em casos extremos, e têm direito dc apelar ao imperador. O apelo deles ao Civis Romamis Sum - “Sou cidadão romano” - não foi ouvido em meio à comoção que precedeu seu injusto espancamento.)

E meia-noite. A prisão onde Paulo e Silas estão se encontra com ­ pletamente escura. Com as costas cobertas de vergões sangrentos e as pernas esticadas em troncos, eles oram e cantam hinos ao Senhor. Todos os prisioneiros estão ouvindo. Repentinamente, um terrem oto abala as fundações da cadeia e as portas rapidam ente se abrem. Os troncos a que estão presos também se abrem. O carcereiro se levanta e vê as portas da

10. Já que os judeus foram recentem ente expulsos de Roma, e Filipos é uma colônia ro­ m ana, Paulo e Silas são vistos com desagrado sim plesm ente por serem judeus. 11. Os lictores (“portadores da vara”) carregavam feixes de varas (cham adas fa sces)

como sinal de sua posição.

12. ITs 2:2. Esta é a segunda vez que Paulo é açoitado com varas. Ele sofrerá mais um açoitam ento em algum m omento nos próxim os seis anos (2Co 11:25).

13. O prisioneiro no tronco deve dorm ir de lado ou sentado. M udar de posição para evitar câim bra é quase impossível. O desconforto pode tornar-se um a dor excruciante sim ­ plesm ente pelo aumento da distância entre os pés direito e esquerdo.

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prisão abertas. Imediatamente, saca a espada para se matar, pois pensa que os prisioneiros escaparam .14

Paulo grita ao carcereiro que nenhum prisioneiro fugira. Este pede por luz para ver os prisioneiros. Então, cai tremendo diante do apóstolo e pergunta o que deve fazer para ser salvo. Paulo e Silas apresentam Cristo ao carcereiro e aos dc sua família. O carcereiro lava os ferimentos dos dois varões em um poço no pátio e ele e sua família são batizados e expe­ rimentam a alegria da salvação. Por fim, leva Paulo e Silas à sua casa c os alimenta. Depois, os obreiros retornam à prisão.

Ao amanhecer do dia seguinte, os magistrados libertam Paulo e Si­ las e lhes dizem para deixar a cidade discretamente. Paulo, no entanto, protesta, dizendo que ele e Silas são cidadãos romanos e foi ilegal terem sido açoitados sem julgamento! Para provar sua cidadania romana, pro­ vavelmente tenham consigo um testado - cópia particular autenticada da evidência de nascimento e cidadania inscrita sobre a superfície encerada de um pequeno díptico (tabuinhas duplas que se fecham como livro).

Os magistrados mandam dizer a Paulo e Silas que deixem a cidade em secreto. Paulo responde que eles são cidadãos romanos e exige que sejam acompanhados publicamente para fora da cidade. Ele argumenta que, uma vez que foram envergonhados em público como criminosos ilegalmente, deveriam receber desculpas das acusações também de modo público. De­ pois de ouvir que os dois homens são cidadãos romanos, os magistrados ficam temerosos e concordam com a petição de Paulo. O apóstolo e seu companheiro, no entanto, não estão com pressa de partir. Eles visitam Lí­ dia e encorajam os crentes. Então, partem levando Timóteo consigo, mas deixam Lucas para trás.

Agora há uma igreja em Filipos, formada principalmente por mulhe­ res tementes a Deus. Duas mulheres, Evódia e Síntique, estão nessa igreja (At 16:12-40; Fp 4:2), junto com um homem chamado Clemente (v. 3). O Corpo de Cristo - uma comunidade que expressa a natureza dc Deus - ago­ ra está presente em Filipos.