1] Os 18 infernos
A] Os oito infernos ardentes
Esses oito infernos são superpostos como os andares de uma casa, do inferno das ressurreições que se encontra mais ao alto, até o mais inferior, o inferno dos tormentos insuperáveis. O solo e entorno de todos esses infernos são com ferro vermelho dos fornos e não há um só lugar no qual se possa tranqüilamente colocar os pés. É uma fornalha como no coração de uma chama.
1) O inferno das ressurreições
O karma aparece lá, entre as brasas que recobrem o solo de ferro incandescente, os seres tão inumeráveis quanto os flocos de neve de uma tempestade glacial. Impelidos por sua tendência de reproduzir seu karma de agressividade que os levou a estes locais, cada um vê o outro como um inimigo mortal e animado por um ódio recíproco, eles agridem‐se. Brandindo armas inconcebíveis, que são também fantasmas criados por seu karma, eles dão inúmeros golpes até que a morte venha. Então, do céu ressoa uma voz: “Ressuscitem!” E logo voltam a se agredir e seu sofrimento consiste nesta alternância de mortes e ressurreições. Duração de suas vidas Quanto tempo eles vivem lá? Cinqüenta anos humanos correspondem a um dia no mundo dos deuses da Assembléia dos Quatro Grandes Reis. Trinta desses dias, faz um mês, e doze meses, um ano, quinhentos desses anos divinos equivalem a um dia no inferno das ressurreições ou de novo a doze meses cada um com trinta dias, fazendo um ano; é necessário sofrer quinhentos anos.
2) O inferno das linhas negras
Lá, os ajudantes de ordem do Mestre dos Mortos deitam o condenado como um grande carvão em brasa sobre o solo de ferro vermelho. Eles esquadrinham a pele em quatro, oito, dezesseis, trinta e duas linhas negras e separam em partes usando uma serra queimante. Os corpos esquartejados se reconstituem logo para serem novamente picados e isso se repete inúmeras vezes. Tal é o sofrimento nesse inferno onde se vive mil anos, sabendo que um dia corresponde a mil anos no mundo dos Trinta e Três Deuses, para os quais equivale a cem anos humanos.
3) O inferno da reunião e do esmagamento
Lá, inumeráveis condenados são jogados em pilões de ferro grandes como vales. Os ajudantes de ordem do Mestre dos Mortos erguem seus martelos de ferro em brasa, grandes como o Monte Supremo, e quando eles os abaixam, os condenados gritam e choram antes de sucumbir aos ferimentos, em sofrimentos de um terror inimaginável. Quando os martelos são erguidos, eles ressuscitam para novamente sucumbir aos mesmos tormentos.
Às vezes, todas as montanhas que cercam o vale têm a aparência de cabeças de animais: cervos, antílopes, cabras, carneiros, que foram mortos outrora. As pontas dos chifres em chamas se chocam umas contra as outras, virando os inúmeros condenados
montanhas se separam de novo e os condenados retornam à vida para serem novamente esmagados.
Tais são os sofrimentos nesse inferno da reunião e do esmagamento, onde é necessário ficar dois mil anos, sabendo que um dia corresponde a dois mil anos dos deuses Sem Contestação, nos quais um dia vale duzentos anos humanos.
4) O inferno de choros e urros
Fechados em um prédio de ferro vermelho sem porta, se é cozido e grita‐se chorando de dor por se ter a idéia de que não se pode sair dali jamais. Isso dura quatro mil anos, sabendo que um dia nesse local corresponde a quatro mil anos dos deuses Alegres, para os quais um dia corresponde a quatro mil anos humanos.
5) O inferno dos grandes choros e urros
Os ajudantes de ordem do Mestre dos Mortos, numerosos, armados e medonhos, empurram inumeráveis condenados dentro dos prédios de ferro incandescentes de duplas muralhas e os espancam imensamente com golpes de martelo e outras armas. Ali, as portas exterior e interior têm reboco de metal em fusão e os condenados urram de desespero, pois mesmo que eles pudessem sair pela primeira porta, eles não passariam na segunda. Isso dura oito mil anos, sabendo que, nesse inferno, um dia equivale a oito mil anos no céu Magia Alegre, onde um dia equivale a oitocentos anos humanos.
6) O inferno ardente
Existem inúmeros condenados que sofrem por terem sido postos para cozinhar em cadinhos de ferro grandes como o trichiliocome, onde se ferve o bronze em fusão. A cada vez que eles vêm à superfície, os ajudantes de ordem os pegam com um gancho de ferro e os espancam com golpes de marreta; à parte há raros instantes em que perdem os sentidos e desfrutam de um não sofrer; mas fora desse estado, suas dores são terríveis e duram dezesseis mil anos, sabendo que um dia nesse inferno equivale a dezesseis mil anos no céu Uso da Magia dos Outros, onde um só dia equivale a mil e seiscentos anos humanos.7) O inferno extremamente ardente
Ali, os condenados se encontram em casas de ferro incandescente. Os ajudantes de ordem do Mestre dos Mortos lhes enfiam os tridentes de ferro vermelho nos calcanhares e no ânus e os fazem sair pelos ombros e pelo vértex da cabeça. Exteriormente, os corpos são enrolados por coberturas de ferro, igualmente incandescentes. E qual não é a sua dor! Isso dura um meio kalpa intermediário, uma duração inexprimível de anos humanos...
8) O inferno dos tormentos insuperáveis
Ele consiste de um prédio de ferro incandescente que circundam dezesseis infernos vizinhos suplementares. Os ajudantes de ordem do Mestre dos Mortos jogam os inúmeros condenados no centro de uma montanha de fragmentos de ferro semelhante à brasa sob a ação dos foles de pele de tigre e leopardo, e corpos e chamas tornam‐se um só. A dor é extrema e, fora esta crise de desespero, se percebe um pouco
atacados por golpes de lança, de bastão, de martelo e outras armas pelos trabalhadores do inferno, que lhes fazem sucumbir a todas as dores dos sete infernos precedentes, como o de se ver derramar bronze líquido e fervente dentro da boca. Lá a vida dura um kalpa intermediário. Por não haver em nenhum outro lugar, tormentos superiores que estes, denomina‐se este inferno de Tormentos Insuperáveis. Ali renascem unicamente aqueles que cometeram os cinco atos de efeito imediato ou aqueles que, adeptos do Veículo dos Mantras, alimentaram visões errôneas do Mestre do Diamante.