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II Os diferentes sofrimentos das seis classes de seres

No documento Gampopa (páginas 180-182)

 

1] Os 18 infernos 

 

A] Os oito infernos ardentes 

 

Esses  oito  infernos  são  superpostos  como  os  andares  de  uma  casa,  do  inferno  das  ressurreições  que  se  encontra  mais  ao  alto,  até  o  mais  inferior,  o  inferno  dos  tormentos  insuperáveis.  O  solo  e  entorno  de  todos  esses  infernos  são  com  ferro  vermelho dos fornos e não há um só lugar no qual se possa tranqüilamente colocar os  pés. É uma fornalha como no coração de uma chama. 

 

1) O inferno das ressurreições 

O karma aparece lá, entre as brasas que recobrem o solo de ferro incandescente,  os  seres  tão  inumeráveis  quanto  os  flocos  de  neve  de  uma  tempestade  glacial.  Impelidos por sua tendência de reproduzir seu karma de agressividade que os levou a  estes  locais,  cada  um  vê  o  outro  como  um  inimigo  mortal  e  animado  por  um  ódio  recíproco, eles agridem‐se. Brandindo armas inconcebíveis, que são também fantasmas  criados por seu karma, eles dão inúmeros golpes até que a morte venha. Então, do céu  ressoa  uma  voz:  “Ressuscitem!”  E  logo  voltam  a  se  agredir  e  seu  sofrimento  consiste  nesta alternância de mortes e ressurreições.    Duração de suas vidas  Quanto tempo eles vivem lá? Cinqüenta anos humanos correspondem a um dia  no mundo dos deuses da Assembléia dos Quatro Grandes Reis. Trinta desses dias, faz  um mês, e doze meses, um ano, quinhentos desses anos divinos equivalem a um dia no  inferno das ressurreições ou de novo a doze meses cada um com trinta dias, fazendo  um ano; é necessário sofrer quinhentos anos.   

2) O inferno das linhas negras 

Lá, os ajudantes de ordem do Mestre dos Mortos deitam o condenado como um  grande carvão em brasa sobre o solo de ferro vermelho. Eles esquadrinham a pele em  quatro,  oito,  dezesseis,  trinta  e  duas  linhas  negras  e  separam  em  partes  usando  uma  serra queimante. Os corpos esquartejados se reconstituem logo para serem novamente  picados e isso se repete inúmeras vezes. Tal é o sofrimento nesse inferno onde se vive  mil  anos,  sabendo  que  um  dia  corresponde  a  mil  anos  no  mundo  dos  Trinta  e  Três  Deuses, para os quais equivale a cem anos humanos. 

 

3) O inferno da reunião e do esmagamento 

Lá,  inumeráveis  condenados  são  jogados  em  pilões  de  ferro  grandes  como  vales. Os ajudantes de ordem do Mestre dos Mortos erguem seus martelos de ferro em  brasa,  grandes  como  o  Monte  Supremo,  e  quando  eles  os  abaixam,  os  condenados  gritam  e  choram  antes  de  sucumbir  aos  ferimentos,  em  sofrimentos  de  um  terror  inimaginável.  Quando  os  martelos  são  erguidos,  eles  ressuscitam  para  novamente  sucumbir aos mesmos tormentos. 

Às vezes, todas as montanhas que cercam o vale têm a aparência de cabeças de  animais: cervos, antílopes, cabras, carneiros, que foram mortos outrora. As pontas dos  chifres em chamas se chocam umas contra as outras, virando os inúmeros condenados 

montanhas  se  separam  de  novo  e  os  condenados  retornam  à  vida  para  serem  novamente esmagados.  

Tais  são  os  sofrimentos  nesse  inferno  da  reunião  e  do  esmagamento,  onde  é  necessário  ficar  dois  mil  anos,  sabendo  que  um  dia  corresponde  a  dois  mil  anos  dos  deuses Sem Contestação, nos quais um dia vale duzentos anos humanos. 

     

4) O inferno de choros e urros 

Fechados  em  um  prédio  de  ferro  vermelho  sem  porta,  se  é  cozido  e  grita‐se  chorando de dor por se ter a idéia de que não se pode sair dali jamais. Isso dura quatro  mil  anos,  sabendo  que  um  dia  nesse  local  corresponde  a  quatro  mil  anos  dos  deuses  Alegres, para os quais um dia corresponde a quatro mil anos humanos. 

 

5) O inferno dos grandes choros e urros 

Os  ajudantes  de  ordem  do  Mestre  dos  Mortos,  numerosos,  armados  e  medonhos,  empurram  inumeráveis  condenados  dentro  dos  prédios  de  ferro  incandescentes  de  duplas  muralhas  e  os  espancam  imensamente  com  golpes  de  martelo e outras armas. Ali, as portas exterior e interior têm reboco de metal em fusão e  os condenados urram de desespero, pois mesmo que eles pudessem sair pela primeira  porta,  eles  não  passariam  na  segunda.  Isso  dura  oito  mil  anos,  sabendo  que,  nesse  inferno, um dia equivale a oito mil anos no céu Magia Alegre,  onde um dia equivale a  oitocentos anos humanos.   

6) O inferno ardente 

Existem inúmeros condenados que sofrem por terem sido postos para cozinhar  em cadinhos de ferro grandes como o trichiliocome, onde se ferve o bronze em fusão. A  cada vez que eles vêm à superfície, os ajudantes de ordem os pegam com um gancho  de  ferro  e  os  espancam  com  golpes  de  marreta;  à  parte  há  raros  instantes  em  que  perdem  os  sentidos  e  desfrutam  de  um  não  sofrer;  mas  fora desse estado, suas dores  são terríveis e duram dezesseis mil anos, sabendo que um dia nesse inferno equivale a  dezesseis mil anos no céu Uso da Magia dos Outros,  onde um só dia equivale a mil e  seiscentos anos humanos.   

7) O inferno extremamente ardente 

Ali, os condenados se encontram em casas de ferro incandescente. Os ajudantes  de  ordem  do  Mestre  dos  Mortos  lhes  enfiam  os  tridentes  de  ferro  vermelho  nos  calcanhares  e  no  ânus  e  os  fazem  sair  pelos  ombros  e  pelo  vértex  da  cabeça.  Exteriormente,  os  corpos  são  enrolados  por  coberturas  de  ferro,  igualmente  incandescentes.  E  qual  não  é  a  sua  dor!  Isso  dura  um  meio  kalpa  intermediário, uma  duração inexprimível de anos humanos... 

 

8) O inferno dos tormentos insuperáveis 

    Ele  consiste  de  um  prédio  de  ferro  incandescente  que  circundam  dezesseis  infernos vizinhos suplementares. Os ajudantes de ordem do Mestre dos Mortos jogam  os  inúmeros  condenados  no  centro  de  uma  montanha  de  fragmentos  de  ferro  semelhante à brasa sob a ação dos foles de pele de tigre e leopardo, e corpos e chamas  tornam‐se um só. A dor é extrema e, fora esta crise de desespero, se percebe um pouco 

atacados por golpes de lança, de bastão, de martelo e outras armas pelos trabalhadores  do  inferno,  que  lhes  fazem  sucumbir  a  todas  as  dores  dos  sete  infernos  precedentes,  como  o  de  se  ver  derramar  bronze  líquido  e  fervente  dentro  da  boca.  Lá  a  vida  dura  um kalpa intermediário. Por não haver em nenhum outro lugar, tormentos superiores  que  estes,  denomina‐se  este  inferno  de  Tormentos  Insuperáveis.  Ali  renascem  unicamente  aqueles  que  cometeram  os  cinco  atos  de  efeito  imediato  ou  aqueles  que,  adeptos do Veículo dos Mantras, alimentaram visões errôneas do Mestre do Diamante. 

 

No documento Gampopa (páginas 180-182)