2. IMPACTOS DO TURISMO
2.3. IMPACTOS AMBIENTAIS
A maior parte das atividades económicas necessitam da utilização de recursos naturais para se desenvolver e por isso, necessariamente, causam impactos no meio ambiente, sejam eles positivos ou negativos. No setor turístico, uma vez que precisa de um ambiente para acontecer, existe uma estreita ligação de dependência com o meio ambiente. Para que o desenvolvimento da atividade turística ocorra, é essencial o uso de recursos da natureza. O problema surge quando os limites para a capacidade de adaptação dos ecossistemas são ultrapassados e reduzem e colocam em risco irreversível a diversidade ecológica. O exemplo do turismo em espaço rural retrata com clareza a
leva à procura de novos lugares muitas vezes inseridos em ecossistemas frágeis que se forem mal explorados correrão o risco de sofrer uma degradação irreversível (Sancho, 2001).
Os países desenvolvidos estão cada vez mais conscientes para este tipo de impactos e preocupados em legislar e consciencializar a população para estas questões. Existem até entidades privadas que aderem a este movimento ecológico percebendo que daí podem tirar vários benefícios como aumentar os seus lucros, melhorar a eficiência nos custos e ainda apresentar uma boa imagem diante do consumidor e do mercado em geral. Já os países em vias de desenvolvimento têm um longo caminho a percorrer. Sendo a qualidade de vida da população um objetivo, muitas vezes, ainda por atingir, as suas prioridades focam-se em alcançar esse mesmo objetivo que se baseia muito na exploração de recursos do meio ambiente. O turismo é uma forte fonte de rendimento que é mais facilmente alcançável do que noutros setores da economia (Rabbany etal., 2013).
Na Tabela 3 são apresentados, de acordo com Sancho (2001), os impactos ambientais provocados pelo turismo.
Tabela 3 - Impactos ambientais provocados pelo turismo
Impactos ambientais positivos Impactos ambientais negativos
Ø Revalorização da região (aprovação de medidas de conservação e melhoria da qualidade ambiental)
Ø Adoção de medidas de preservação do património da região (fauna e flora, espécies animais em vias de extinção, edifícios e lugares históricos)
Ø Estabelecimento de modelos de qualidade (praias com bandeira azul)
Ø Maior envolvimento da administração pública e da população
Ø Arquitetura não integrada na paisagem
Ø Tratamento incorreto de lixo
Ø Poluição (ar, água, sonora, do solo)
Ø Destruição da paisagem natural (exemplo das zonas costeiras)
Ø Perturbação da vida dos ecossistemas
Ø Degradação da paisagem de sítios históricos e monumentos
Ø Rivalidade na utilização de recursos naturais
Fonte: Sancho, 2001
Atualmente, de um modo geral, existe uma preocupação crescente com os problemas ambientais que têm desenvolvido as ideias de uma economia sustentável que se baseia em princípios destacados na Conferência do Rio em 1992, entre os quais: respeitar e cuidar as comunidades,
melhorar a qualidade de vida humana, conservar a vitalidade e a diversidade da Terra, minimizar a destruição dos recursos renováveis, manter-se dentro da capacidade de carga da Terra, mudar as atitudes e ações da população para adotar a ética de vida sustentável, capacitar as comunidades para cuidar do meio ambiente, promover um esquema nacional para integrar desenvolvimento e conservação (Croall, 1995). Vinte anos depois, em 2012, na Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável – RIO+20, foi feito um balanço dos objetivos traçados em 1992, reforçando e aumentando a importância de uma economia verde e das ações a tomar para garantir o desenvolvimento sustentável do planeta (FUNAG, 2012).
No setor turístico surge a necessidade de conjugar o desenvolvimento turístico com uma utilização eficiente dos recursos naturais – o Turismo Sustentável. Neste tipo de turismo é tida em conta a preservação dos elementos que têm favorecido o desenvolvimento da atividade turística e dos destinos (Sancho, 2001).
“A proteção do meio ambiente, mediante a conservação dos recursos dos que dependem do turismo, pode trazer grandes vantagens aos mercados turísticos: maior satisfação dos consumidores, maiores oportunidades de investimentos futuros, um estímulo para o desenvolvimento económico e melhoria no bem-estar da comunidade recetora. Em suma – o objetivo que norteia a atuação económica – obter maior lucro – e o objetivo ecológico – guiado pela ideia de conservar e fazer bom uso dos recursos renováveis e não-renováveis...” (Sancho, 2001, p. 230).
Soifer (2008) afirma que quando bem organizado, o Turismo Sustentável é um bom negócio para se estar envolvido na medida em que apresenta maiores rendimentos do que o habitual no setor turístico. Segundo o autor, este tipo de turismo é protagonizado por um tipo de turistas muito específico que está disposto a pagar o que, na visão deles, é justo por um destino turístico que ofereça condições sustentáveis e inseridas no meio ambiente. Neste âmbito, o turista procura destinos que tenham em consideração aspetos como a reciclagem ou poupança de água e energia e que simultaneamente ofereçam opções diversificadas de férias na natureza (como observação de pássaros, atividades de montanhismo, pesca e caça ou atividades náuticas).
Tabela 4 - Benefícios do Turismo Sustentável
Benefícios do Turismo Sustentável
Ø Ajuda na conservação do meio ambiente
Ø Ajuda na conservação do património cultural
Ø Melhorias nas comunidades locais (distribuição mais justa dos custos e dos benefícios, criação de postos de trabalho, estimula as indústrias domésticas, injeção de capital exterior na economia local, diversificação da economia local, incentiva o entendimento dos impactos do desenvolvimento turístico, consciencializa para a importância dos recursos naturais e culturais, etc.)
Fonte: Sancho, 2001
Em Portugal, a Estratégia de Turismo 2027 definiu metas a nível da sustentabilidade ambiental no turismo que ambicionam que entre 2017 e 2027 mais de 90% das empresas do turismo adotem, promovam e desenvolvam medidas de utilização e gestão eficiente da energia, da água e dos resíduos (Turismo de Portugal, 2017).